Mitos e verdades sobre a vacina contra a covid-19

Coronavírus

Infectologistas esclarecem as principais dúvidas sobre a imunização contra a covid-19. Confira!

Não é incomum as pessoas se depararem com informações sobre vacina hoje em dia, principalmente quando o assunto é covid-19. No entanto, é necessário estar atento! Muitas fakes news vêm circulando ultimamente e acabam atrapalhando o processo de imunização. Pensando em esclarecer as dúvidas dos leitores relacionadas às vacinas contra o novo coronavírus, a CRESCER conversou com Max Igor, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, Francisco Oliveira, gerente médico e Infectologista do Sabará Hospital Infantil e com o infectologista pediátrico Renato Kfouri, vice-presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Os especialistas falaram de alguns mitos e verdades sobre a imunização. Confira! Quem se infectou com a covid-19 não deve tomar a vacina? É muito frequente uma pessoa pensar que como já foi infectada pelo coronavírus, já está imunizada e nem precisa mais tomar a vacina. No entanto, tome cuidado com essa afirmação. Afinal, já foram vistos casos de pessoas que se reinfectaram. Segundo Francisco Oliveira, a imunização é indicada mesmo para quem teve uma infecção documentada. O médico explica que estudos já mostraram que o nível de anticorpos pode cair, então é possível que depois de um tempo após a infecção natural também se espere uma queda da imunidade. Dessa forma, a vacinação é importante para garantir uma proteção mais prolongada para a população. "Imunizar pessoas que já tiveram uma infecção prévia pode estimular uma resposta imunológica muito melhor. É como se estivesse dando uma dose de reforço, o que faz com que a duração da imunidade se prolongue", afirma o infectologista. Especialistas esclarecem os principais mitos relacionados à vacinação (Foto: Pexels) não tive reação à vacina, ela não funcionou? Pode ficar tranquilo! Se você não teve que ficar de cama após cada uma das doses, isso não quer dizer que não funcionou. De acordo com o infectologista Max Igor, a reação da vacina não está associada diretamente à resposta vacinal. O médico explica que as proteínas da covid-19 causam, geralmente, uma resposta inflamatória muito intensa. As pessoas que têm mais reação provavelmente são mais sensíveis ao estímulo inflamatório. Francisco Oliveira também acrescenta que certas vacinas são mais reatogênicas e provocam mais reação que outras. Por exemplo, a vacina da AstraZeneca costuma ter um percentual de reação mais elevado que as outras, mas há pessoas que tomam esse imunizante e não têm reação nenhuma. A vacina causa a doença? Não, nenhuma das vacinas disponíveis no Brasil contra a covid-19 podem causar a doença, elas apenas ensinam o sistema imunológico a se defender dos agentes virais. A diferença entre elas está na forma como isso acontece, ou seja, na maneira como fazem o nosso organismo ter essa resposta. A CoronaVac é produzida com o vírus inativado, ou popularmente conhecido como vírus "morto", assim não poderia causar a doença, destaca o infectologista do Hospital Sírio-Libanês. Outro mecanismo é o de RNA mensageiro, usado pela Pfizer. Esse tipo de vacina carrega apenas um código genético do vírus, que funciona como se fosse um "manual" para que as células do corpo produzam determinadas proteínas e, assim, ativem o sistema imunológico. Por fim, ainda temos as vacinas desenvolvidas com a tecnologia de vetor viral, como nos casos dos imunizantes da AstraZeneca (Oxford/Fiocruz) e da Janssen (Johnson & Johnson), que são produzidas a partir de um adenovírus (tipo de vírus que causa o resfriado comum) modificado, que não pode se replicar nem provocar a doença. Como isso é feito? Esses adenovírus são usados como transportadores, carregando informações genéticas do coronavírus para estimular a resposta imunológica. Isso significa que, ao receber a vacina, o corpo inicia um processo de defesa, produzindo anticorpos contra aquele invasor. Assim, se uma pessoa vier a entrar em contato com o vírus da covid-19, o organismo já terá uma memória capaz de combater o vírus. Estou doente. Posso tomar a vacina? De acordo com Francisco Oliveira, é recomendado adiar a vacinação em casos de quadro infeccioso agudo. Por exemplo, pessoas que estão com febre alta devem esperar esse cenário passar para tomar a vacina, porque há a dificuldade de diferenciar se essa febre está sendo provocada como uma reação vacinal ou se está sendo causada pela doença. Já no caso de pessoas que tiveram covid-19, o recomendado é esperar 28 dias, contando a partir do primeiro dia do sintoma. A vacina pode causar trombose? Esse tipo de efeito adverso não é muito frequente, mas as vacinas de vetores virais — como da AstraZeneca e da Janssen, conforme citado anteriormente — têm sido associadas a casos de trombose. De acordo com Francisco Oliveira, algumas pessoas que tomaram esses imunizantes tiveram um risco aumentado de apresentar eventos trombóticos, que é quando há a formação de coágulos em determinadas veias do corpo. O médico explica que, geralmente, isso acontece em pessoas mais jovens e porque há a produção de anticorpos contra as plaquetas (substâncias responsáveis pela coagulação), induzida pela vacinação. "O anticorpo acaba agrupando as plaquetas. O agrupamento de plaquetas com outras substâncias que participam da coagulação forma os coágulos, o que leva à obstrução de alguns vasos", explica o especialista. Kfouri esclarece que esse tipo de trombose não é a habitual, mas sim uma versão autoimune, "que cursa com plaquetas baixas [justamente porque estão agrupadas], que chamamos de trombocitopenia automine. O risco varia por volta de um caso a cada cerca de 500 mil doses aplicadas. Então, o benefício, o número de vidas salvas e casos prevenidos é muito maior do que o eventual risco desse quadro", ressalta o médico. Ele acrescenta: "como se trata de um tipo de trombose diferente, autoimune, não tem nenhuma contraindicação a quem já teve trombose. Todo mundo deve ser vacinado normalmente, independente de ter tido ou não trombose no passado". O mesmo é defendido pela Anvisa. De acordo com a agência, casos raros de trombose em combinação com trombocitopenia (TTS) têm sido detectados no Brasil e no mundo, mas, até o momento, os benefícios das vacinas da AstraZeneca e da Janssen superam os riscos do uso desses produtos. Por isso, o órgão mantém a recomendação de se vacinar a população com esses imunizantes, que só não estão indicados para as gestantes – elas podem tomar as outras opções disponíveis, como CoronaVac e Pfizer. Em nota, a Anvisa também ressalta a importância do diagnóstico precoce. Então, fique atento a sintomas como falta de ar, dor no peito, inchaço ou dor nas pernas, dor abdominal persistente e sintomas neurológicos, incluindo dores de cabeça graves. Também devem ser considerados como alerta a ocorrência de visão turva, confusão, convulsões, petéquias (pequenas manchas vermelhas ou marrons em partes do corpo), hematomas ou outras manifestações hemorrágicas em áreas do corpo diversas do local da vacinação, após a aplicação da vacina. A vacina causa o aborto? Renato Kfouri destaca que não há evidências de que a vacinação de gestantes traga qualquer malefício. "Já temos muitas gestantes vacinadas, especialmente nos Estados Unidos, mostrando que essas mulheres, comparando com grávidas não vacinadas, não tiveram maior incidência de malformações nos bebês, parto prematuro ou mesmo o abortamento. Não houve nenhuma mudança no perfil das gestações", afirma. + Vacinas contra covid não aumentam risco de aborto espontâneo, afirmam dois novos estudos O infectologista Max Igor também ressalta a segurança das vacinas. "Ela não causa uma resposta inflamatória tão alta. O sistema imune das pessoas é feito para produzir anticorpos contra várias coisas. Isso não é algo que faça mal ao bebê. De toda forma, evita-se aplicar a vacina nos primeiros três meses, porque é o período de embriogênese, formação dos órgãos", explica. + Novo estudo reforça vacinação contra covid-19 na gravidez: "Não há evidências de maior risco de aborto espontâneo" O especialista lembra que a própria covid-19 é extremamente perigosa para as grávidas, trazendo diversas complicações, entre elas o aumento do risco de trombose, por exemplo. "Por provocar alterações da coagulação, a covid-19 pode causar uma limitação da atividade da placenta, podendo levar ao parto prematuro ou abortamento". Ou seja, ele reforça que a doença é um risco muito maior para a gestante. + Todas as grávidas, tentantes e puérperas devem tomar a vacina contra a covid-19 o mais rápido possível, diz CDC A vacina muda o DNA? De acordo com Max Igor, o nosso DNA está dentro do núcleo da célula. Dessa forma, o RNA — tecnologia usada por algumas vacinas, como a da Pfizer — não chega ao núcleo da célula. "O RNA serve para levar mensagem para produzir proteínas do vírus. É como dar um manual para as células produzirem proteínas do vírus, só que esse manual é rasgado após uso. O RNA é degradado", diz o médico. Preciso fazer exame para sabe se estou protegido? Segundo o infectologista Francisco Oliveira, não é recomendado que as pessoas façam esse tipo de exame, principalmente porque os anticorpos (que costumamos medir por exames) representam apenas uma parte da nossa resposta imune. Dessa forma, existe outro compartimento da resposta imunológica, que são as células de memórias e alguns tipos específicos de resposta de linfócitos, que não conseguimos medir por meio da dosagem de anticorpos. "Esse tipo de resposta imunológica está preservado. É o que garante o que chamamos de memória imunológica. Quando um corpo tem contato novamente com o agente, mesmo que não tenhamos anticorpo já pronto, nós vamos responder de forma muito mais rápida, produzindo anticorpos, do que da primeira vez que tivemos contato com o agressor", explica o especialista. Assim, o médico enfatiza que o fato do exame vir negativo ou com dosagem baixa de anticorpos não significa dizer que não existe resposta imunológica, que a vacina não funcionou. "Nós temos tipos de linfócitos que coordenam a resposta imunológica. Eles ficam com a memória do contato prévio com o agente infeccioso. Quando temos contato novamente com o vírus, eles começam a se multiplicar e vão estimular a produção de anticorpos", esclarece. Assim, realizar esse tipo de exame só vai trazer mais dúvidas. + “Não considero uma medida segura neste momento", diz a pediatra Ana Escobar sobre a liberação de máscaras em locais abertos Após a vacina estou 100% protegido? Duas doses da vacina têm alta eficácia no combate à covid-19, mas não significa proteção 100%. O infectologista Max Igor explica que há chances, apesar de bem pequenas, de algumas pessoas desenvolverem quadros graves da doença ou mesmo morrer após serem infectadas, mesmo estando imunizadas, principalmente no Brasil em que a circulação do vírus ainda é muito alta. "Essa situação de proteção maior vai existir quando a doença circular menos", destaca o médico. Então, é importante manter os cuidados, como o uso de máscaras, álcool em gel e evitar aglomerações.

Fonte: CRESCER ONLINE/SÃO PAULO

Pesquisa brasileira inédita aponta que a nutrição especializada contribui para recuperação de COVID-19

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Estudo foi apresentado no congresso europeu de nutrição e metabolismo, um dos mais importantes eventos científicos do mundo Um estudo inédito feito no Brasil mostra como pacientes com COVID-19 internados podem apresentar quadros de desnutrição, impactando na ingestão de proteínas e calorias, e revela como a nutrição especializada contribui para a recuperação desses pacientes. A pesquisa foi realizada no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, e no Hospital de Caridade São Vicente de Paula, em Jundiaí (SP) e foi apresentada no congresso da Sociedade Europeia de Nutrição e Metabolismo (ESPEN) em setembro deste ano. Liderada pelo Dr. Dan Waitzberg, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e um dos maiores especialistas em terapia nutricional do Brasil, e pelo Dr. Paulo Cesar Ribeiro, chefe da comissão de terapia nutricional do Hospital Sírio-Libanês. O ESPEN é um dos eventos científicos mais importantes do mundo. Segundo os autores, o objetivo foi compreender como as manifestações gastrointestinais e sensoriais (MGSs), como diarreia, constipação, náuseas, anorexia, dor abdominal, paladar alterado e perda de olfato, podem afetar a nutrição de pacientes com COVID-19 internados. O estudo mostrou que os pacientes com MGSs dificilmente atingiam pelo menos 60% das suas necessidades energético-proteicas, favorecendo o surgimento da desnutrição. “Atualmente, sabemos que COVID-19 pode prejudicar também o sistema digestivo, muscular e imunológico, entre outros. Em nossa pesquisa, os pacientes ingeriram suplemento hipercalórico (2,4kcal por ml), hiperprotéico (24% valor calórico total), normolipídico (35,3% valor calórico total), Nutridrink® Compact Protein (SNO). Isso ajudou os pacientes a alcançarem as suas necessidades energético-proteicas.”, explica Waitzberg. A quantidade calórica e proteica segue as orientações da ESPEN. Assim, a pesquisa brasileira analisou se a ingestão de 600 kcal mais 35g de proteína diariamente poderia diminuir o risco nutricional causado pela COVID-19. “Segundo os dados, os pacientes que receberam SNO tiveram suas necessidades energético-proteicas atendidas em 95,7% do tempo. Em comparação, apenas 69,6% dos pacientes que receberam a dieta padrão alcançaram mais de 60% das necessidades energético-proteicas. “O estudo mostra que a nutrição especializada tem um papel muito importante na recuperação do paciente com COVID-19, oferecendo um tratamento mais preciso e eficaz para o paciente e otimizando um sistema de saúde que ainda está sobrecarregado”, comenta Waitzberg. Outro estudo, publicado na Rússia em julho de 2021 na revista Clinical nutrition and metabolismo, também traz evidências de como a nutrição especializada contribui para que pacientes com COVID-19 na UTI tenham menos tempo de internação e de suporte respiratório. A pesquisa, liderada por membros da Sociedade Nacional Russa de Nutrição Parenteral e Enteral (RSPEN) e da Pirogov Russian National Research Medical University também revelou que o suplemento Nutridrink® contribuiu para a recuperação de força muscular e melhor pontuação no aspecto físico de qualidade de vida dos pacientes. O novo corpo de evidência demonstra que a desnutrição é altamente prevalente entre pacientes hospitalizados com COVID-19 e que o uso de Nutridrink® permite que esses pacientes atinjam suas necessidades energéticas-proteicas ainda durante o período intra-hospitalar. Isso contribui para melhora da força muscular, qualidade de vida após alta e reduz em 3,31 dias o tempo de internação e 1,4 dia o suporte respiratório do paciente. Projeto NutriCOVer As pesquisas fazem parte de um programa global chamado NutriCOVer, realizado pela Danone Nutricia – divisão de nutrição especializada da Danone, e que tem como objetivo incentivar pesquisas independentes e colaborações para impulsionar coletivamente a discussão do impacto nutricional da COVID-19 e o uso de terapia nutricional especializada durante a recuperação da doença. Os estudos são liderados pelos principais especialistas e sociedades médicas de forma independente. Márcia Schöntag, Diretora de Assuntos Médicos e Acesso ao Mercado da Danone explica como funciona o programa. “O NutriCOVer forneceu financiamento para pesquisas a fim de apoiar o avanço da ciência e fomentar o conhecimento sobre o papel da Nutrição no manejo da COVID-19. Assim, os estudos foram iniciados e conduzidos por pesquisadores experientes de forma independente em vários países”. Ao todo, 16 países em todo o mundo fazem parte do programa NutriCOVer. Quatro estudos, feitos na Espanha, na França, na Rússia e no Brasil, foram publicados ou estão em vias de publicações nos principais periódicos do mundo. O contexto da Nutrição Especializada no Brasil Atualmente, a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), estabelecida pelo Ministério da Saúde, tem o objetivo de melhorar as condições de alimentação, nutrição e saúde da população brasileira por meio da promoção de práticas alimentares adequadas e saudáveis, a vigilância alimentar e nutricional, a prevenção e o cuidado integral dos agravos relacionados à alimentação e nutrição. Entretanto, o documento não engloba a nutrição especializada – um importante eixo para o tratamento da desnutrição hospitalar e relacionada a outras condições clínicas. Também não foram estabelecidas pelo Ministério da Saúde diretrizes nutricionais para pacientes com Covid-19, o que dificulta a padronização de orientações aos profissionais da saúde, aumentando o risco de desnutrição nesses pacientes e podendo impactar na recuperação da doença. “A Política Nacional de Alimentação e Nutrição foi um grande avanço do Ministério da Saúde, pois traz imprescindíveis diretrizes para a atenção primária. No entanto, há um gargalo estrutural que é a ausência de diretrizes sobre a nutrição especializada, que constitui um importante eixo para o tratamento da desnutrição hospitalar e relacionada a outras condições clínicas que tem impactado a recuperação de pacientes, por exemplo, com Covid-19”, ressalta Márcia Schöntag, Diretora de Assuntos Médicos e Acesso ao Mercado da Danone.

Fonte: VISÃO HOSPITALAR/BRASÍLIA

Guarulhos tem 112 mil doses de vacinas contra a Covid-19 no fim da validade

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Guarulhos na grande São Paulo

Cento e doze mil doses de vacinas contra Covid19 estão pertinho do vencimento quase vão se perder e a prefeitura diz que as pessoas não apareceram para a segunda aplicação a Camila chegou cedo para se vacinar neste posto em Guarulhos não pegou fila nenhuma ela aproveitou o primeiro dia de antecipação da segunda dose de fazer na cidade que agora é aplicada com intervalo de vinte e um dias fique atento aos prazos a eu vi quando antecipou que será aproveitado já tomava aproveitar que já antecipou como a gente trabalha com público né é bastante importante a gente está se prevenindo né o movimento tranquilo nos postos de Guarulhos hoje de manhã não é um bom sinal a segunda maior cidade do estado conseguiu vacinar cem por cento do público alvo com a primeira dose da vacina mas cento e vinte mil pessoas ainda não voltaram para tomar a segunda se essas pessoas não aparecerem o município pode perder até cento e doze mil doses da vacina que estão para vencer a partir da próxima sexta-feira a maior parte é de fazer que tem uma logística de refrigeração mais complicada segundo a prefeitura as doses chegam já descongeladas município e com o tempo de distribuição sobre um período de apenas vinte e cinco dias para aplicar a vacina dentro da validade nós temos é nos empenhado né para trazer esses pacientes para dentro das nossas unidades não temos trabalhado com divulgação de mídia é feito ponches e feita a busca ativa desses pacientes através dos nossos meios de comunicação os agentes de saúde também ter ido atrás de seus pacientes de forma a convocá-los né de acordo com o governo de são paulo quatro milhões e duzentas mil pessoas estão com a segunda dose atrasada no estado o governo diz que manda emails e mensagens de texto alertando para o prazo da vacina mas que cabe a cada prefeitura fazer a busca ativa dessas pessoas na conta do ministério da saúde são vinte milhões de faltosos a confederação nacional dos municípios que monitora as prefeituras diz que não identificou outros casos de risco de vencimento de vacinas mas o número de atrasados preocupa município irmãos gogó vai aplicar exatamente aquela população que aplicou a primeira e não vou poderá ocorrer vencimento acima nós estamos aí com mais de um milhão de de técnicos de enfermagem auxiliar de enfermagem da buscando mais motoristas nos campi da pessoa em casa ou em do vasco na casa a infectologista Míriam Dal Ben alerta só a segunda dose garante a proteção contra a convide vinte sabe que de cada dez pessoas que tomaram uma dose fo só três são protegidas contra a variante delta então pras pessoas realmente ficaram em protegidas elas precisam dessa segunda dose tão longas faixas dose vencerem não que a gente custódia máxima pra todo mundo né pois é gente vamos vacinar é roleta russa tem gente que pega um senti nada tem gente que pega fica muito mal quero destacar aqui uma reportagem do jejum que traz as vítimas do negacionismo pessoas que não acreditavam na doença pensavam que não era nada assim muito grave e se deram mal olha este caso aqui ou marconi não acreditava na gravidade da Covid19 ignorou o pedido do filho pra usa máscara e foi parar no hospital de cadeira de rodas olha só o autônomo né marcone torres de serra talhada ficará em pernambuco ele frequentar bares e outros locais sem máscara isso aí foi preciso ele pegar né a doença pra pagar o preço e ficar com medo então eu acho que vale a pena conferir aqui esse especial do jejum que traz o depoimento do marconi e também de outras pessoas olha que ele disse é que às vezes eu saía com meu menino ele pegava no meu pé direto pai e cadê a máscara eu achava que me apegar mas quando eu peguei o bicho pegou não foi bom não foi precisou pagar o preço para ter medo então gente não paga o preço não vamos ter atenção cautela enfim tá que a dica se você ainda não tem jeon baixo apenas seu celular é super simples fica de olho aqui no japão e também no jh.

Fonte: JORNAL HOJE/TV GLOBO/SÃO PAULO

Dose de heparina que evita morte por Covid é 4 vezes a da OMS

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Karina Toledo agência fapesp

O anticoagulante heparina reduz em 78% o risco de morrer por complicações da Covid-19 se administrado em dose terapêutica assim que o paciente chega ao hospital com sinais de insuficiência respiratória, indica estudo publicado nesta quinta-feira (14) no Bristish Medicai Journal. Atualmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda para esses casos apenas uma dose profilática do fármaco (indicada para prevenir trombo se), q ue é quatro vezes menor que a dose terapêutica e não mostrou benefícios no ensaio clínico randomizado. A pesquisa envolveu 465 pacientes atendidos em 28 hospitais de seis países, entre eles o Brasil. “A gente acredita que esses resultados devem mudar a prática clínica”, diz a médica Elnara Negri, coautora do artigo e integrante das equipes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e do Hospital Sírio-Libanês. A pesquisadora ressalta que a recomendação não vale para todo mundo. “O tratamento é indicado apenas para quem for internado e somente sob supervisão médica. Se uma pessoa tomar anticoagulante sem necessidade ou orientação pode sangrar até morrer.” Participaram do ensaio clínico pacientes de ambos os sexos, com idade média de 60 anos, que deram entrada no hospital com saturação de oxigênio igual ou inferior a 93%. O objetivo foi avaliar o efeito da heparina sobre vários possíveis desfechos da infecção pelo Sars-CoV-2. Além de redução na mortalidade, buscou-se observar se o tratamento reduziria a necessidade de ventilação não invasiva, intubação e internação em Unidade de Terapia Intensiva. Os voluntários foram divididos em dois grupos, um tratado com a dose terapêutica e outro com a dose profilática (grupo controle). O efeito sobre os desfechos foram avaliados^ dias após a administração do fármaco. “Não vimos diferença expressiva de necessidade de internação em UTI, ventilação não invasiva ou intubação. Mas o número de mortes foi significativamente menor no grupo que recebeu a dose terapêutica. E a ocorrência de sangramentos importantes, que foi o principal efeito adverso observado no estudo, foi muito baixa. Ou seja, a terapia é segura”, diz a médica. Os resultados evidenciam ainda que a heparina deve ser administrada entre o sétimo e o 14o dia após o início dos sintomas. Estudos anteriores já haviam mostrado que a anticoagulação não traz resultados importantes quando feita após a internação em UTI. Em parceria cornos colegas do Departamento de Patologia da FMUSP Marisa Dolhnikoff e Paulo Saldiva, Negri foi uma das primeiras no mundo a levantar a hipótese de que distúrbios de coagulação sanguínea estariam na base dos sintomas mais graves da Covid-19 —entre eles insuficiência respiratória e fibrose pulmonar. O grupo publicou o primeiro artigo da literatura científica que descreveu “evidências patológicas de fenômenos trombóticos pulmonares em Covid-19 grave”. “O vírus entra pelo sistema respiratório e alguns organismos conseguem contê-lo antes que chegue aos alvéolos pulmonares. Mas quando ele invade os capilares que irrigam o pulmão começa a fazer buracos no endotélio [camada de células que reveste a parte interna dos vasos] e isso faz com que o sangue comece a empelotar. Formam- se microtrombos que impedem a passagem do sangue para as estruturas pulmonares onde ocorrem as trocas gasosas", explica. A heparina ajuda a evitar que isso ocorra por dois mecanismos: o fármaco desfaz os microtrombos que impedem o oxigênio de passar do alvéolo para as pequenas artérias pulmonares e, além disso, ajuda na recuperação do endotélio vascular. Estudos publicados no último ano indicam que aproximadamente 15% dos infectados pelo novo coronavírus desenvolvem alterações na coagulação sanguínea. “Essa é a população que pode se beneficiar do tratamento com heparina, mas o timing é fundamental”, diz Negri.

Fonte: FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO

Estratégias bem-sucedidas na gestão hospitalar ganham destaque no enfrentamento à covid-19

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Oferecer o melhor tratamento para pessoas infectadas pelo coronavírus, continuar a atender com a excelência de sempre os pacientes com outras doenças e garantir a segurança e a saúde dos colaboradores: no ano dois da pandemia, os resultados alcançados pelo Hospital Sírio-Libanês demonstram sucesso nesses três pilares. A instituição tratou de mais de 5.500 pessoas internadas com covid-19, cerca de mil delas com necessidade de suporte em unidade de terapia intensiva (UTI). E a taxa de mortalidade foi uma das menores no mundo. A eficácia dos cuidados intensivos do hospital foi divulgada na revista científica Plos One (1), em estudo que acompanhou mais de 200 pacientes com a forma grave da doença. Já entre os profissionais das diferentes equipes do hospital, houve casos e hospitalizações, mas nenhum óbito foi registrado. “Esse sucesso está diretamente ligado à nossa agilidade na implementação de decisões tomadas pelo comitê de crise estabelecido no início da pandemia”, diz Maura Salaroli de Oliveira, gerente médica da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Sírio-Libanês. “Em reuniões diárias, no começo com até dois encontros por dia, avaliávamos a situação e, rapidamente, conseguimos vencer barreiras e quebrar paradigmas, numa mobilização inédita e muito bem-sucedida”, explica a médica. Ao longo de 18 meses, foram criados mais de 100 protocolos para balizar as equipes das unidades de Brasília e São Paulo – de critérios de isolamento de pacientes a orientações de manejo de casos críticos. Covid-19 Covid-19 no Brasil Consórcio de Veículos de Imprensa As orientações passavam ainda por questões operacionais, como a criação de drive-thru para coleta de exames quando a situação exigiu, e a mudança de fluxos nos atendimentos, para restabelecer a confiança de quem precisava recorrer ao atendimento de emergência ou dar continuidade a tratamentos. “Tínhamos relatos na literatura médica de pessoas infartando em casa por adiar a ida ao pronto-socorro pelo medo do contágio”, conta Maura. Para mudar esse cenário, em dezembro de 2020, o hospital elaborou a campanha “Não pare de se cuidar”, com anúncios em jornais, rádio, sites e redes sociais. “A ação serviu para mostrar que havíamos praticamente criado dois hospitais em um, com fluxos completamente apartados e a mesma qualidade de assistência tanto para covid-19 quanto para outras doenças”, destaca Maura. Isso sem contar a elaboração de cartilhas temáticas destinadas à população, como a que orientava como evitar riscos ao fazer as reuniões familiares no fim de 2020 ou o guia esclarecendo dúvidas sobre as vacinas contra covid-19 disponíveis no Brasil. Também para o público interno, dos profissionais de saúde aos colaboradores administrativos e outros serviços – cerca de 10 mil pessoas –, a comunicação constante e objetiva foi determinante para garantir a segurança das equipes. “Precisávamos falar com todos, esclarecer dúvidas técnicas, fazer treinamentos, disseminar informações sobre novos protocolos, além da necessidade de dissipar a epidemia de fake news em torno da covid-19”, comenta Maura. A estratégia se baseou em vídeos publicados no site do hospital e em lives diárias que integraram o Programa Proteger, voltado a orientações que iam desde a correta colocação e retirada dos equipamentos de proteção ao descarte adequado de materiais e resíduos. Passados 18 meses desde o registro dos primeiros casos de covid-19 no Brasil, o comitê de crise estabelecido no Hospital Sírio-Libanês continua em ação, agora em reuniões semanais. “O momento hoje, felizmente, é de pensar em estratégias de desmobilização, de liberação de vagas antes voltadas aos pacientes com suspeita e confirmação de diagnóstico de covid-19, o que também exige mudanças de fluxos”, relata Maura. “Em setembro, tivemos o menor número de admissões de casos de covid-19 de toda a pandemia”, comemora. Para falar sobre esses e outros aprendizados, no dia 20 de outubro, das 11h50 às 12h20, os médicos Maura Salaroli de Oliveira, e Felipe Duarte Silva, gerente de Pacientes Internados e Práticas Médicas no Hospital Sírio-Libanês, participarão do painel “O case covid-19 no Sírio-Libanês: protocolos, práticas e resultados”. O evento faz parte da programação do Summit Saúde Estadão 2021 e pode ser acompanhado no link.

Fonte: ESTADÃO/SÃO PAULO

Vacina contra covid-19 para crianças no Brasil pode ficar para 2022

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De acordo com o governo federal, o Brasil tem hoje mais de 90% da população adulta parcialmente vacinada contra a covid-19. Com quase nove meses desde o início da vacinação contra o vírus, a imunização em no país também chegou aos adolescentes. O plano de imunização, entretanto, ainda não abrange as crianças, que continuam à espera de chegar sua vez. A pergunta é: ainda vai demorar muito? Em alguns países próximos ao Brasil a espera dos pequenos já acabou. O Chile, por exemplo, deu início à vacinação com a Coronavac em crianças entre 6 e 12 anos na primeira quinzena de setembro. A vez chegou quatro meses após a faixa etária de 12 a 17 anos, que teve permissão para vacinar com o imunizante da Pfizer em maio. A Argentina também demonstra agilidade no plano de vacinação contra o coronavírus e já chegou à menor faixa: o governo do país anunciou, no último dia 1°, a aprovação do uso da Sinopharm, vacina chinesa, na imunização de crianças de 3 a 11 anos. Os hermanos já vacinam adolescentes de 12 a 17 anos contra o vírus com o imunizante da Moderna desde o início de agosto. Nos Estados Unidos, a Pfizer pediu, na última quinta-feira (7/10), autorização para o uso emergencial da vacina contra a covid em crianças de 5 a 11 anos nos Estados Unidos. Ao FDA, órgão regulador no país, a empresa farmacêutica assegurou que o imunizante é seguro à faixa etária. "Desde julho, casos pediátricos de covid-19 aumentaram em cerca de 240% nos Estados Unidos, enfatizando a necessidade de saúde pública de vacinação", justificou o presidente executivo da Pfizer, Albert Bourla, em comunicado à imprensa. Em estudo divulgado em 20 de setembro, a Pfizer e a BioNTech afirmaram que a vacina teve uma boa resposta em crianças pequenas nas fases 2 e 3 do ensaio clínico feito, com resultado equivalente a pessoas de 16 a 25 anos. O estudo foi realizado com 4,5 mil crianças entre seis meses e 11 anos nos Estados Unidos, Finlândia, Polônia e Espanha. Os resultados da faixa etária de seis meses até 5 anos devem ser divulgados ainda neste ano. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso da Pfizer em adolescentes acima dos 12 — com e sem comorbidade — em junho. Mas, na prática, a faixa etária só começou a ser vacinada em agosto. Até o momento, o governo federal não divulgou previsão oficial de data para vacinação em pessoas com idade menor que esta faixa etária. O que falta, então? O principal obstáculo, que impede a imunização de crianças daqui, é a falta de autorização, cedida pela Anvisa. Um pedido para uso da Coronavac em 3 a 17 anos foi feito pelo Instituto Butantan em agosto — entretanto, rejeitado. Segundo a reguladora, a instituição não apresentou todas as informações necessárias para o aval, que só pode ser dado mediante documentações que comprovem a eficácia e segurança do imunizante para a faixa etária. “Os dados de imunogenicidade deixam incertezas sobre a duração da proteção conferida pelo imunizante”, informou a Anvisa em nota. O Butantan deverá submeter uma nova solicitação com mais informações à agência. Ao Correio, a Anvisa apontou, também, que as pesquisas feitas pelo instituto científico em crianças foram realizadas com um baixo número de participantes, o que comprometeu os resultados: “Os estudos apresentados foram conduzidos com número limitado de pessoas que estatisticamente não permitem concluir sobre a segurança e eficácia específica para este grupo etário.” E completou: “Com as informações apresentadas pelo Butantan no pedido em questão, não foi possível concluir sobre a eficácia e a segurança da vacina nessa faixa etária. Os dados de imunogenicidade deixam incertezas sobre a duração da proteção conferida pelo imunizante”, completou a agência sobre a não aprovação. Com os bons resultados obtidos, a expectativa é de que a Pfizer e a BioNTech também peçam autorização da Anvisa para vacinar crianças no Brasil. Entretanto, até o momento, a reguladora do país informou que nenhuma solicitação foi feita pelos laboratórios. “A Anvisa só pode iniciar sua avaliação a partir do momento em que recebe o pedido e dados obrigatórios”, ressaltou. “A solicitação para inclusão de nova faixa etária deve ser feita pelo laboratório farmacêutico. Para isso, devem apresentar estudos e evidências científicas que sustentem a indicação em termos de segurança e eficácia para a nova faixa etária”, salientou a agência. Expectativa para 2022 Para o médico infectologista do Hospital das Forças Armadas (HFA), Emerson Luiz, as chances de crianças entre 5 e 11 anos começarem a ser vacinadas no Brasil, ainda este ano, são muito baixas. Segundo o especialista, as doses estão sendo priorizadas para outros públicos no momento: “Dificilmente essa faixa etária [entre 5 e 11 anos] conseguirá ser vacinada contra o vírus em 2021. Ainda estamos utilizando a vacina da Pfizer em adolescentes, na dose de reforço, em idosos, em imunossuprimidos e em profissionais de saúde. Além daqueles que já tomaram a primeira dose e necessitam tomar a segunda — que muitos lugares estão antecipando.” A previsão feita pelo infectologista está de acordo com a expectativa do Ministério da Saúde. Em coletiva de imprensa, na última sexta (8/10), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, informou que o órgão planeja vacinar crianças pequenas contra a covid em 2022, mas depende da autorização da Anvisa. De acordo com o ministro, na campanha de imunização do próximo ano serão priorizadas compras da Pfizer e da Astrazeneca, já que são as únicas com aval da Anvisa para uso definitivo. A previsão é que sejam utilizadas cerca de 340 milhões de doses para todo o público brasileiro. Em resposta ao Correio, o Ministério reforçou o discurso de Queiroga. “Dependemos da autorização da Anvisa para tomarmos providências sobre os assuntos”. Pelas crianças e pelo coletivo Médica intensivista atuante no hospital Santa Marta, Adele Vasconcelos ressalta que as crianças são grandes transmissores da covid-19, e que a vacinação desse público é importante para frear o avanço do vírus em todas as idades: “A questão da vacinação para crianças é uma questão epidemiológica: evitar a transmissão que ainda está muito alta. A transmissividade ainda está alta mesmo com a vacinação, então a intenção é vacinar as crianças, que são os maiores transmissores.” Segundo a intensivista, casos de coronavírus graves em crianças são mais raros. “As crianças geralmente são assintomáticas”, afirma. Os casos existentes podem ser minimizados com os imunizantes, que, para a médica, não apresentam riscos em relação à falta de segurança. “O que precisamos melhorar ainda é o potencial que essas vacinas têm para o controle da transmissividade”. Já a infectologista Valéria Paes, do hospital Sírio Libanês, diz ter uma expectativa muito grande para a faixa etária de 5 a 11 anos. Ela salienta que crianças pequenas têm mais dificuldade de entender a importância do cumprimento das medidas de biossegurança. “Estamos falando neste momento sobre volta às aulas e conter a disseminação do vírus, nesse contexto é muito difícil principalmente por serem crianças.” Para a médica, a imunização dos pequenos “é importante tanto para a proteção das crianças quanto para a proteção do coletivo”. Paes também acredita que os imunizantes serão seguros para crianças com menos de 12 anos, já que foram poucos os episódios de reações graves aos imunizantes até o momento. “Mesmo nos adultos e adolescentes, os efeitos colaterais ocorreram, mas foram raros. Ocorreu uma inflamação no músculo cardíaco, a miocardite, mas, mesmo nestes casos, houve uma evolução passageira e benigna.” Para a especialista, as crianças também devem apresentar bons resultados: “Eu acredito que isso não vai atrapalhar a vacinação na faixa etária infantil. Não deixamos de vacinar os adolescentes e adultos por causa dos efeitos, os benefícios foram maiores que os riscos.” Insuficiência de doses Mesmo com a possibilidade de autorização da Anvisa para uso de imunizantes em crianças ainda este ano, a falta de doses em alguns lugares do Brasil pode ser um problema. É o que está acontecendo, por exemplo, no Distrito Federal, com a vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos. A capital brasileira, que abriu a campanha de vacinação contra a covid-19 para a faixa etária em setembro, já não tem mais estoque da Pfizer e estão sendo administradas somente doses que sobraram nas unidades de saúde. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES/DF), em coletiva de imprensa na última quarta-feira (6/10). As regiões administrativas de Brazlândia e Ceilândia são as mais prejudicadas pela falta de imunizantes e chegaram a suspender as aplicações da primeira dose aos menores de idade. “Não há mais vacinas da Pfizer na Rede de Frio para primeira dose do grupo de 12 a 17 anos. Entretanto, a vacinação dos adolescentes de 12 a 17 anos acontece normalmente com as doses que já foram distribuídas aos pontos de vacinação”, disse a SES/DF à reportagem. “Até o momento, não há previsão da chegada de novas doses de vacina e de vacinação para pessoas com menos de 12 anos.” Mesmo sem doses, o DF já conseguiu imunizar parcialmente 70,5% dos adolescentes contra a covid-19. A expectativa é de que, quando começar a ser adotada, a vacinação em crianças pequenas também avance rápido. Por enquanto, a Secretaria de Saúde recomenda, tanto aos pais quanto às crianças, que realmente sigam as medidas de proteção individual já amplamente divulgadas: uso de máscara (boca e nariz), higienização frequente das mãos (água e sabão ou álcool 70%) e evitar aglomerações (distanciamento mínimo de 2m entre as pessoas). *Estagiária sob supervisão de Lorena Pacheco

Fonte: CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA

Avançam pesquisas com remédio anti-Covid

Coronavírus

Veja quais medicamentos funcionam contra o coronavírus, quais estão em fase de teste e quais foram descartados
Ana Botallo, São Paulo

Quando a farmacêutica MSD (conhecida como Merck nos Estados Unidos e no Canadá) anunciou no início do mês que os testes com o molnupiravir estavam mostrando ótimos resultados, diversos especialistas se mostraram bastante animados com a notícia. Pela primeira vez, tornou-se concreta a possibilidade de surgir um remédio eficaz e acessível contra a Covid19. Desde o início da pandemia, diversos tratamentos foram testados para as diferentes fases da doença. Alguns medicamentos se mostraram ineficazes, como a hidroxidoroquina e a ivermectina, enquanto outros trouxeram efeitos positivos limitados ou ainda estão em fase de testes. * Veja abaixo uma lista dos principais medicamentos em discussão quando se trata de Covid. APROVADOS Remdesivir O antiviral remdesivir foi o primeiro medicamento a ser aprovado para uso contra o coronavírus no Brasil e nos EUA. O remédio é indicado para pessoas hospitalizadas com pneumonia e que precisam de suporte de oxigênio. Mas um estudo recente da fabricante, a Gilead Sciences, indicou que a droga reduzem 87% o risco de internação e morte em pacientes não hospitalizados com alto risco de agravamento do quadro. Os dados ainda não foram publicados em revista científica. O tratamento completo pode passar de R$ 15 mil. Regen-Cov A combinação de anticorpos monoclonais casirivimabe e imdevimabe (moléculas produzidas artificialmente a partir de clones de uma única célula e que ajudam a neutralizar o vírus), conhecidos pelo nome comercial Regen-Cov, reduziu infecções pelo vírus em moradores de uma mesma casa e também ajudou a evitar hospitalização e mortes relacionadas a Covid em pessoas com risco de desenvolvimento grave da doença. O medicamento foi o segundo a receber autorização para uso emergencial Até o momento, a aprovação da Anvisa vale apenaspara casosleves e moderados da Covid. [...] A Anvisa já aprovou seis medicamentos contra a Covid, mas o uso deles ainda é limitado a situações específicas e, em geral, custam caro. Pelo menos seis tratamentos promissores continuam sendo testados. Recentemente, resultados preliminares sobre o molnupiravir foram considerados animadores. Na outra ponta, drogas defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro, como cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina já foram descartados como ineficazes contra o coronavírus. Banlanivimabe e Etesevimabe O conjunto de anticorpos mo noclonais da empresa Eli Lilly reduziu em até 70% o risco de hospitalização e mortes por Covid19 em casos leves e moderados e com risco de agravamento do quadro. A proteção contra hospitalização e morte levou à aprovação da Anvisa da combinação de drogas, mas apenas para uso em pacientes que não estejam hospitalizados e que necessitem de aso de oxigênio. Regdanvimabe, Sotrovimabe Assim como os outros anticorpos monoclonais, o regdanvimabe e o sotrovimabe, das empresas Celltrion Healthcares e GlaxonSmithKlein (GSK), respectivamente, também receberam autorização da Anvisa para uso emergencial contra a Covid. Ambos apresentaram redução significativa no risco de progressão da doença em pessoas a partir de 12 anos e com risco elevado de agravamento de Covid. Baricitinibe No final de setembro, a Anvisa aprovou um sexto medicamento para uso contra a Covid, o baricitinibe, utili zado para tratamento de artrire reumatoide e dermatite atópica, da empresa Eli Lilly. A nova indicação vale para pacientes adultoshospitalizados com quadro grave de Covid19 que necessitamde suporte de oxigênio por máscara, cateter nasal ou ventilação mecânica. EM TESTE Molnupiravir A pílula desenvolvida pela farmacêutica MSD (conhecida como Merck nos Estados Unidos e Canadá) reduziu em cerca de 50% o risco de hospitalização e morte para pacientes que podem desenvolver formas graves da doença, de acordo com os resultados preliminares de um estudo conduzido nos Estados Unidos. Após a divulgação dos resultados preliminares, aMSDeaRidgeback Phar maceutics anunciaram que planejam buscar a autorização para uso emergencial da pílula em diversos países. No Brasil, um ensaio clínico de fase 3 foi lançado em junho para avaliaro uso da droga duas vezes ao dia, por cinco dias, em pessoas com idade de 18 ou mais com diagnóstico de Covid (máximo quatro dias) e com sintomas. A MSD anunciou na última terça-feira (5) que o Brasil fará parte também de um estudo de fase3 para avaliar o uso profilático da droga, isto é, para impedir infecção pós exposição pelo Sars-CoV-2. Tofacitinibe Omedicamento tofacitinibe, conhecido pelo nome comercialXeljanz, desenvolvido pela farmacêutica Pfizer, apontou uma redução de 37% do risco de morte e falência respiratória em pacientes hospitalizados com Covid, de acordo com um estudo conduzido no Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa, vinculado ao hospital de mesmo nome. A droga é atualmente indicada para o tratamento de artrite reumatoide, artrite psoriásicae retocolite ulcerativa. AZD7442 O tratamento com anticorpos da AstraZeneca apresentou eficácia de até 77% contra o risco de desenvolver Covid sintomática, segundo dados divulgados pela própria farmacêutica. A farmacêutica pretende apresentar um pedido para autorização de uso emergencial comoprofilaxia (prevenção de infecção) contra a Covid. A AstraZeneca afirma, no entanto, que a droga não deve substituir a vacinação, que é uma forte medida de controle da pandemia e de proteção da doença. PF-07321332 + Ritonavir O antiviral PF-07321332, desenvolvido pela Pfizer apresentou, em testes em animais, uma forte ação antiviral, impedindo a replicação do SarsC0V-2. Se funcionar, a droga pode ser eficaz apenas nos estágios iniciais da infecção. Os resultados promissores levaram ao anúncio, no último dia 27, deque a empresa dará prosseguimento a um grande estudo clínico para avaliar segurança e eficácia da droga associada ao ritonavir para prevenção de infecção pelo SarsC0V-2. Atualmente, o ritonavir é utilizado contra o HIV. Plasma conavalescente O Instituto Butantan, em São Paulo, está testando o aso do plasma de recuperados de Covid como terapia para os pacientes com a forma grave da doença. O plasma convalescente, como é chamado, é rico em anticorpos específicos contra o Sars-CoV-2 e pode ajudar a combater a infecção. Em janeiro, um estudo com 160 idosos conduzido na Argentina apontou para uma redução de 48% no risco de desenvolver um quadro respiratório grave. Além do plasma convalescente, o Butantan está também desenvolvendo um soro rico em anticorpos que poderá ser usado para tratamento da doença. COM BENEFÍCIO EVIDENTE Dexametasona O corticosteroide é um dos medicamentos mais utilizados para o tratamento de pacientes internados com Covid e com necessidade de suporte respiratório. Dados do estudo Recovery, da Universidade de Oxford, indicaram que a droga reduziu em cerca de 35% a mortalidade por Covid em pacientes que recebiam ventilação pulmonar mecânica e em cerca de 20% nos que necessitavam de inalação de oxigênio suplementar, sem a intubação. Não encontraram benefício, contudo, em pacientes que não precisavam de suporte respiratório. Anticoagulantes Antieoagulantes, como a heparina, são medicamentos acessíveis e amplamente utilizados em pacientes hospitalizados com quadro de síndrome respiratória grave causada pelo coronavírus. Um estudo conduzido por pesquisadores do Hospital Sírio Libanês e do HC da USP avaliou diferentes dosagens de anticoagulantes em pacientes internados com Covid em estado grave e viu que houve uma melhora significativa dos tratados em relação à ocorrência de quadros tromboembólicos. EVIDÊNCIA DE BENEFÍCIO CONTRADITÓRIA Tocilizumabe A droga, cujo uso indicado é para artrite, foi testada em diversos lugares do mundo para tratamento de pacientes internados em estado grave com Covid, mas os resultados de estudos clínicos até agora não apontaram para redução de hospitalização ou morte. Um dos estudos, conduzido no Hospital das Clínicas da USP, apontou que o tocilizumabe não adicionou nenhum benefício em termos do paciente ser intubado ou reduzir a mortalidade. Em 2020, porém, o estudo Recovery, com 4.000 voluntários, demonstrou um resultado positivo do tocilizumabe em reduzir a mortalidade quando comparado ao tratamento padrão. Esse foi o único estudo da droga a ter desfecho favorável, uma vez que nos estudos menores os resultados não indicaram eficácia do tocilizumabe contra a Covid. SEM BENEFÍCIO EVIDENTE Aviíavir (Favipiravir) Usado contra gripe, o antiviral favipiravir teve seu pedido para uso em pacientes hospitalizados com Covid negado pela Anvisa por não atender os requisitos mínimos de segurança e eficácia. Lopinavir + Ritonavir As duas drogas antivirais, utilizadas no combate ao HI V, não promoveram nenhum benefício em pacientes hospitalizados com Covid de acordo com o estudo Recovery, da OMS. COMPROVADAMENTE INEFICAZES CONTRA COVID-19 Cloroquina e hidroxicloroquina Desde o início da pandemia, a cloroquina e a hidroxicloroquina foramas drogas mais testadas contra a Covid19 foco preferencial de fake news. Em todos os estudos de alto rigor científico, incluindo o maior estudo brasileiro, não apresentaram eficácia para pacientes com sintomas leves ou moderados. Ivermectina O antiparasitário de uso veterinário, cujo efeito antiviral contra o víras foi demonstrado em ensaios in vitro no ano passado, não apresentou nenhum benefício contra a Covid em humanos. A conclusão, inclusive, foi divulgada pela própria fabricante do medicamento, a farmacêutica MSD. Nitazoxanida (Annita) Outro antiparasitário que foi testado para a Covid e não teve eficácia comprovada. EX0-CD24 (Spray nasal) Originalmente desenvolvido para combater câncer de ovário, foi testado em Israel contra a Covid10, mas até agora sua eficácia contra a doença não foi comprovada. Proxalutamida Bloqueador de hormônios masculinos ainda em fase de desenvolvimento contra câncer de próstata, o medicamento não teve sua eficácia contra a Covid comprovada. Estudos conduzidos no Brasil estão sendo investigados por possíveis fraudes e por não possuir autorização para testes em humanos.

Fonte: FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO

Outubro: rosa sim, mas nem tanto

Dr. Romualdo Barroso de Sousa
11/10/2021 6 min de leitura
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Outubro chegou, o mês de conscientização sobre o câncer de mama, movimento mundialmente conhecido como Outubro Rosa. O principal objetivo é chamar a atenção para a doença oncológica que mais causa mortes entre as mulheres no Brasil e no mundo.

Já sabemos que o câncer de mama é muito comum, com uma estimativa anual de 66 mil novos casos no Brasil, e que pode acometer qualquer pessoa, inclusive aquelas sem os conhecidos fatores de riscos modificáveis: obesidade, sedentarismo, uso de álcool, tabagismo ou uso de hormônios femininos. Existem também os fatores de risco não modificáveis, que são

Muita gente morreu por atendimento inadequado da Covid

Coronavírus

Muitos morreram por atendimento inadequado, diz Ludhmila Hajjar U4 Zanone Fraissat/Folhapress Ludhmila Hajjar, 44 Goiana de Anápolis, formou-se em medicina na Universidade de Brasília, fez residência em clínica médica no Hospital das Clínicas da USP e residência em cardiologia no InCor (Instituto do Coração). Desde 2019, trabalha na Rede D'Or São Luiz. Antes, atuava no Hospital Sírio-Libanês. Ludhmila Hajjar Muita gente morreu por atendimento inadequado da Covid Médica da Rede D'Or e do Hospital das Clínicas se diz aliviada por negar Covid19 para ser ministra da Saúde

ENTREVISTA Ana Bottallo e Giuliana de Toledo são paulo

O avanço da vacinação e a expectativa criada por resultados positivos de medicamentos contra o coronavírus —como a pílula da MS D— não devem tirar o foco de que o principal para o paciente ainda é o atendimento adequado. A opinião é de Ludhmila Hajjar, cardiologista intensivista da Rede D’Or São Luiz, professora da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora de UTI de Covid no Hospital das Clínicas de São Paulo. Em março, ela recusou convite para ser ministra da Saúde no governo Bolsonaro, após não descoa saída de Eduardo Pazuello. brimos uma Acostumada a tratar de com medicação líticos e celebridades, ela afirmilagrosa, mas que falta ao país uma pago que vá padronização do atendimento modificar para enfrentar a Covid nas rea sobrevida des pública e privada. do paciente. “Nós já aprendemos que o [...] Quando principal para essa doença são temos o boas condições de atendimento ao paciente to, suporte estrutural, equipe infectado, médica, não morrer de infectemos que ção bacteriana. Mas nós não focar na descobrimos uma medicação estrutura, no milagrosa”, afirma. treinamento em meio à sua rotina cordas equipes rida, não raro com mais de e no atendí 18 horas de trabalho, a médimento. Isso é ca falou à Folha o que funeifundamental ona na hora de cuidar de pacientes com Covid e contou ainda resultados da pesquisa que liderou com todlizumabe, que não demonstrou benefício contra a doença. * Atualmente, a senhora é a pesquisadora principal de 15 estudos clínicos, o mais recente a ser concluído foi com tocili zumabe. Qual foi o resultado? O tocilizumabe é uma medicação já aprovada há anos para o tratamento da artrite reumatoide. Nós descobrimos que, nas formas graves de Covid, com comprometimento respiratório, também há uma liberação aumentada de fatores inflamatórios. Foi daí a ideia de fazer um estudo para avaliar o tocilizumabe, ainda em abril de 2020, mas o projeto não foi aprovado no Ministério da Saúde por falta de recursos. Na mesma época, a OMS [Organização Mundial da Saúde] iniciou um grande estudo com essa droga, o Recovery. Só bem tardiamente meu projeto foi aprovado em um edital do CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico], e o ensaio clínico começou apenas em janeiro deste ano. Mesmo assim, é um estudo bastante importante. Finalizamos agora, com 308 pacientes, em estado grave, no HC [da USP], Nosso resultado foi que o tocilizumabe não adicionou nenhum benefício em termos de chance de o paciente ser intubado ou de reduzir a mortalidade. Além do nosso, há oito estudos menores já publicados e o grande estudo da OMS, que foi o único com resultado positivo. Mas eles tiveram 4.000 pacientes em cada braço, e um benefício pequeno nesse caso já tem poder estatístico. Foi isso que deixou todo mundo interessado e subiu com o preço do remédio. Uma corrida desnecessária e não baseada em evidências científicas. O que sabemos hoje que funciona para a evitar a mortalidade? Nós já aprendemos que o principal para essa doença são boas condições de atendimento: não morrer de infecção bacteriana, ter ventilação mecânica não invasiva, intubar adequadamente e no momento certo. Não descobrimos uma medicação milagrosa, algo que vá modificar a sobrevida do paciente. Não adianta focar no remdesivir [antiviral aprovado pela Anvisa], no tocilizumabe... O nosso foco, óbvio, tem que ser em prevenção, mas, quando temos o paciente infectado, temos que focar na estrutura, no treinamento das equipes e no atendimento. Isso é fundamental. Como deve ser o trabalho das equipes? E qual é a estrutura necessária? O que eu vi cuidando de gente em todo o Brasil: muitos doentes morreram porque demoraram para intubar, porque não sabiam intubar ou porque após a intubação a pressão despencou, e não conseguiram ressuscitar. Muita morte também por infecção bacteriana, pelas condições estruturais. Não adianta só comprar o respirador. As pessoas estão treinadas para usá-lo? Tem tomografia no hospital? Tem radiografia? Tem fisioterapeuta? Nessa doença, e nas doenças vira is em geral, como a dengue, não temos um tratamento específico que vá mudar [o curso da doença], mas sim o suporte. Nenhum dos anticorpos monoclonais, inclusive os que foram aprovados pela Anvisa, dá bom custo-benefício? Dão, mas os anticorpos monoclonais são para uma outra fase da doença, o início. Os estudos são positivos para pacientes que tiveram diagnóstico e têm alto risco para complicar, recebem o anticorpo monoclonal e reduzem significativamente a sua chance de hospitalização. Esse é o modelo adotado nos EUA, certo? Exatamente. Você “captura” o doente que é idoso, obeso, diabético ou já tem carga viral alta, com perfil inflamatório, e trata com o coquetel no hospital. Do ponto de vista medicamentoso, o que faz diferença então? Para o paciente não ser hospitalizado, anticorpos monoclonais. E, para o doente hospitalizado, a medicação que foi invariavelmente positiva [nos estudos] foi a dexametasona [eortieosteróidej, que é barata e tem na rede pública. Também foi adotado o anticoagulante que, aparentemente, na dose preventiva é melhor —e heparina também é barata e tem em todo lugar—, para evitar coágulos. Já o remdesivir é uma medicação que, caso tivesse em ampla escala, seria usada, mas o benefício é marginal. O maior estudo da droga mostrou que numa população de 1.092 pacientes ele diminuiu o tempo de doença, mas não reduz Em um país do tamanho do Brasil, se não houvesse acesso universal, teríamos muito mais mortos. Mas, do ponto de vista de quem esta na linha de frente e vive as duas realidades [as redes pública e privada], é muito diferente. E não deveria ser ziu a mortalidade oua chance de intubação. A dose completa de remdesivir custa R$ 25 mil. A ANS [Agência Nacional de Saúde Suplementar] fez com que os planos de saúde pagassem, mas o SUS não introduziu isso na prática clínica. Não critico. Se há um in vestimento, queele seja priorizado no que realmente muda a lógica de tratamento dos pacientes. E, no caso desta doença, é o tratamento de suporte. Isso está claro. Por atuar tanto na rede pública quanto privada, acha que há ainda muita diferença no atendimento para Covid entre elas? Existe, como sempre existiu, em tudo: na estrutura hospitalar, no fato de que eu tenho remdesivir na rede privada e não tenho na pública. Tanto é que os dados são indiscutíveis, é melhor a sobrevida de um paciente no privado do que no público. Infelizmente. Essa disparidade ficou mais evidente nesta doença, mas é claro que a rede pública fez o seu papel. Em um país do tamanho do Brasil, se não houvesse acesso universal, teríamos muito mais mortos. Mas, do ponto de vista de quem está na linha de frente e vive as duas realidades, é muito diferente. E não deveria ser. Sei que é impossível ter a estrutura de um hospital nível A para 210 milhões de habitantes, mas o mínimo de qualidade de atendimento e de estrutura é um direito do cidadão. A gente paga por isso. Quanta gente morreu sem transporte, ou porque parou no posto de saúde e não teve atendimento complexo? Porque não tinha um intensivista ou fisioterapeuta? Ou vaga de UTI? A gente já vivia um déficit de leitos, aumentamos em milhares de leitos e treinamos pessoal, mas isso aconteceu tarde. Em relação aos procedimentos nos hospitais, caso tivesse aceitado o convite para ser ministra, o que teria feito? Primeiro, teria equilibrado o tratamento do ponto de vista de treinamento. Isso daria para ser feito a curto prazo. Colocaria as universidades para ter um papel mais ativo, faria boas parcerias público-privadas. Nós temos tantas faculdades particulares sem hospital e tantos hospitais públicos com falta de recursos, não seria tão difícil. Em segundo lugar, faria uma desburocratização, no sentido de incorporar novas tecnologias e medicamentos, encurtando o tempo para avaliá-los. O principal desafio do atual ministro, Marcelo Queiroga, é a campanha de vacinação. Como avalia essa fase? Poderá ter ido melhor? Sem dúvida, mas a gente teve um ganho nos últimos meses. [A vacinação] demorou para começar, mas felizmente os números estão aumentando e isso resulta na redução significativa de mortes. Há ainda muita politização, coisas que acabam atrapalhando a velocidade, mas avançamos e agora temos leitos disponíveis para tratar outros doentes. Passado esse tempo, fica aliviada de ter recusado o ministério? Sem dúvida é um alívio. Tenho certeza que não conseguiría fazer o que eu pretendia. Não foi uma indicação política, mas, sim, porque eu estava me destacando no combate à Covid. Eu não seria feliz estando ali. Se tivesse uma opção de ter um cargo estritamente técnico no combate à pandemia, seria outra história, mas não como política. Como a sua rotina, que já era agitada, foi afetada pela pandemia? Agitou mais cem vezes (risos). A vida do profissional da saúde mudou, mas nós aprendemos, tivemos muitas vitórias, além de, claro, termos sofrido também junto com as pessoas. A gente viveu nos limites da morte e da vida. Essa doença é esquisita demais.

Fonte: FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO

Atingidos pela covid-19 lutam para que tragédia não seja esquecida

Coronavírus

O Brasil chegará nesta sexta-feira à marca de 600 mil mortos pela covid-19 – mais gente do que as populações de sete capitais do País, como Florianópolis e Vitória. O último balanço, divulgado na quinta-feira às 20h, apontava 599.865 vítimas. Com o avanço da vacinação e a queda de infectados, cresce nos hospitais e nas ruas a sensação de que o pior foi superado. Especialistas, porém, destacam que a crise sanitária pode ter reviravoltas e seus efeitos são duradouros. Além do risco de novas variantes, o patamar de vítimas ainda é alto (perto de 500 por dia) e há demanda por doses de reforço e cuidado com as sequelas do vírus. Para quem sofreu na pele, a luta é para seguir em frente, mas fazer com que a tragédia não seja esquecida. Covid-19 no Brasil Consórcio de Veículos de Imprensa Segundo balanço da Fiocruz, entre 12 e 25 de setembro o total de hospitalizados no País caiu 27,7% e o de óbitos, 42,6%. Em 25 Estados, a taxa de ocupação de leitos de UTI covid é inferior a 60% - exceto Distrito Federal e Espírito Santo. "Olhando os dados, consideramos que o pior da pandemia passou", diz o superintendente de Vigilância em Saúde do governo catarinense, Eduardo Macário. "Mas ainda não podemos largar medidas de prevenção. Seguimos com média elevada de casos novos e boa parte da população não está (completamente) imunizada", completa ele. Algumas cidades - como São Paulo e Rio - já preparam o relaxamento da exigência de máscaras, o que médicos consideram precoce. Em relatório do Observatório da Covid-19, da Fiocruz, o fim da crise sanitária é previsto para os primeiros meses de 2022 - especialistas divergem sobre esse prazo. "O fim da pandemia não representará o fim da 'convivência' com a covid-19, que deverá se manter como doença endêmica e passível de surtos mais localizados", diz o texto. Nesse cenário, medidas como distanciamento e uso de máscaras devem continuar sendo importantes em ambientes fechados ou com aglomeração. Apesar da demora do governo federal na compra de vacinas e de o próprio presidente Jair Bolsonaro colocar em dúvida a eficácia dos produtos, a adesão aos imunizantes é alta. Diferentemente dos Estados Unidos, onde a hesitação vacinal resultou em uma nova escalada de óbitos, 69,7% dos adultos já tomaram ao menos uma dose, ante 64% entre os americanos. "A vacinação já está incutida no caráter cultural da sociedade, isso nem as fake news conseguiram destruir", avalia o médico José Cherem, da Universidade Federal de Lavras (UFLA). A busca pela 2ª dose, porém, acende um alerta: é preciso ter mais comunicação e incentivo para que as pessoas se desloquem até os postos de saúde. As falhas e o negacionismo da gestão Bolsonaro no combate à pandemia têm sido alvo de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado. São investigadas irregularidades na negociação de vacinas e a defesa de remédios sem eficácia contra o coronavírus, como a cloroquina, cujo uso não revelou bons resultados em testes científicos. Fora do Congresso, na sociedade civil também há busca por reparação e responsabilizações. "Meu luto foi luta desde o início", conta Paola Falceta, à frente da Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19. A entidade apoia parentes de mortos pelo coronavírus nos pedidos trabalhistas e previdenciários, além de pleitear indenização do poder público. "Havia condições de vacinar toda a população brasileira de janeiro a abril", diz o médico sanitarista e professor da USP Gonzalo Vecina. Para ele, as mortes que ocorreram a partir de abril eram evitáveis. Para os especialistas, a falta de coordenação nacional também será um obstáculo nos próximos capítulos da pandemia. "Se falar de 3ª dose, não há vacina suficiente. Não tenho visto o governo falar sobre comprar mais doses", acrescenta Vecina, ex-presidente da Anvisa e colunista do Estadão. A injeção de reforço tem sido recomendada para idosos, profissionais de saúde e imunossuprimidos. O grupo acima de 60 anos voltou a ser o predominante (79%) entre as vítimas da doença hoje. Isso ocorre porque a eficácia da vacina cai após alguns meses, sobretudo entre os mais velhos, daí a necessidade do complemento. Além do represamento de milhares de consultas, exames e cirurgias durante a quarentena, a pressão dos sequelados da covid será um desafio para gestores de saúde. "Uma parte da população, que foi infectada e não morreu, está com problemas musculares, respiratórios, renais, cardiológicos e neurológicos", alerta Vecina. "A covid longa dura seis meses ou mais, com necessidade de apoio fisioterápico, social e psicológico." O número de afetados por esses sintomas no País é desconhecido. Eduardo Macário, de Santa Catarina, destaca que o protocolo pós-covid já é tema de discussões entre os conselhos de secretários e o Ministério da Saúde, mas cobra suporte da União. "Os recursos precisam vir do governo federal. Um plano nacional integral está em discussão e construção", defende. Na demora da gestão Bolsonaro em articular esse atendimento, organizações da sociedade civil também buscam sanar a lacuna. É o caso do Projeto Com.Vida, da dentista e atleta Raquel Trevisi, que já atendeu mais de 600 pessoas com sequelas. "Comecei a acolher todo mundo, acalmar a dor de todo mundo e, consequentemente, acalmei a minha também", diz ela, do interior paulista, que também sofreu com dores e esquecimentos após a infecção. 766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013 Comecei a acolher todo mundo, acalmar a dor de todo mundo e, consequentemente, acalmei a minha também E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313 Raquel Trevisi, do Projeto Com.Vida Cherem destaca a necessidade de o poder público se debruçar sobre os efeitos socioeconômicos da pandemia, como insegurança alimentar, déficit educacional e desemprego. "Se não tivermos planejamento, teremos aumento da marginalização e da vulnerabilidade social", destaca. Em Manaus, o projeto "Eu Amo Meu Próximo" busca amparar crianças e adolescentes que perderam os pais por causa da covid. A iniciativa, mensalmente, fornece cestas básicas, materiais de higiene e fraldas descartáveis para famílias responsáveis por cerca de 150 crianças e adolescentes. "Queremos minimizar a dor e o sofrimento dessas crianças que ficaram órfãs por conta da covid", explica Glauce Galúcio, responsável pelo projeto. Já o rapper Criolo lançou uma música para homenagear a irmã, morta pelo vírus aos 39 anos, e outras vítimas da covid-19 e chamar a atenção para o tamanho da tragédia. "A pandemia nunca vai acabar para quem perdeu um ente querido", resume o artista. Questionado, o Ministério da Saúde disse, em nota, que, "preocupado com as possíveis sequelas ocasionadas pela covid-19, lançou em 2020, o projeto REAB, para reabilitação dos pacientes com comprometimento de função motora, neurofuncional, cardiorrespiratória, entre outras". O projeto piloto tem como parceiro o Hospital Sírio Libanês e já foi implementado em cinco hospitais do Brasil, um em cada região. Neste ano, conforme a pasta, "a iniciativa é implementada em mais dez hospitais públicos". Além disso, declara que a "pasta conta com cerca de 270 Centros Especializados de Reabilitação, do SUS, para tratamento de pacientes que apresentam sintomas persistentes da Covid-19, em todos os estados e no Distrito Federal". Para capacitar profissionais de saúde sobre a reabilitação desses pacientes, o ministério lançou um curso desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), disponível na plataforma UNASUS. /COLABOROU MARIANA HALLAL

Fonte: ESTADÃO/SÃO PAULO