Você sabe quais alimentos são embutidos?

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embutidos.jpg Muitas vezes, a dieta pode pregar uma peça ao apresentar alimentos que pensamos não ser prejudiciais a nossa saúde. Esse é o caso de alguns produtos que são classificados como embutidos e que a gente nem sabe.

Para entender melhor, os alimentos embutidos são produzidos a partir da carne de bovinos, suínos, caprinos, ovinos, equinos, de aves, peixes e frutos do mar, além das vísceras e até sangue dos animais. Esses elementos são triturados, homogeneizados e embutidos sob pressão ou acondicionados em tripas naturais ou artificiais, utilizadas para protege-los das influências externas, ao mesmo tempo que lhe dá forma e estabilidade.

Esse tipo de alimento surgiu em um período em que havia necessidade de conservação de carnes, porém não existia a refrigeração, sendo conservados com a adição de sal. Hoje, os embutidos recebem adição de corantes, aditivos químicos (como nitratos e nitritos, para manter a cor vibrante), sal, açúcar e temperos artificiais, além de muitas vezes serem compostos por partes do animal pouco nutritivas e que seriam descartadas.

Quais alimentos são embutidos?

A lista é um pouquinho grande e pode até surpreender:

  • Linguiça;
  • Presunto (cozido, di parma, cru);
  • Salame;
  • Salsicha;
  • Apresuntado;
  • Peito de peru;
  • Blanquet de peru;
  • Mortadela;
  • Copa;
  • Pastrami;
  • Tender;
  • Lombo;
  • Salsichão;
  • Lombo defumado;
  • Morcela;
  • Paio;
  • Alguns rosbifes industrializados;
  • Carne enlatada;
  • Nuggets;
  • Steaks;
  • Hambúrguer;
  • Iscas ou tiras de frango empanados.

Com certeza alguns desses alimentos causam espanto, como o tender, do peito de peru, do nuggets, steaks e tiras de frango empanadas. Eles são alimentos ultraprocessados, que perdem sua característica original, para chegar a forma e consistência diferentes. Porém, é importante ressaltar que eles são considerados embutidos apenas quando são industrializados. Um nuggets caseiro, por exemplo, não pode entrar nessa classificação.

No caso do peito de peru, por ser culturalmente associado às dietas, é visto por muitos como um alimento mais saudável e natural, e não é bem por aí. Afinal de contas, o produto também é processado e possui muitos aditivos químicos. Por isso, é indicada a orientação de um nutricionista para que ele avalie de que forma alguns alimentos, como o peito de peru, possa fazer parte do consumo habitual.

Surpresas positivas

Já outros itens, que para muitas pessoas são considerados como embutidos, na verdade não entram nessa classificação, como o bacon (isso mesmo!), a carne seca e o queijo. Os dois primeiros são confundidos, pois também são carnes processadas, mas passam apenas por procedimentos semelhantes aos embutidos na parte de conservação e de aditivos químicos, tendo riscos para a saúde quando consumidos de forma exagerada. No caso do bacon, existe mais uma justificativa para que ele não seja classificado como alimento processado: é feito de partes não trituradas do porco, como barriga e lombo.

O queijo, por ser um frio como o presunto e o peito de peru, acaba sendo considerado um alimento embutido, mas não é, pois não são feitos de carne de animais. Vale lembrar, no entanto, que alguns tipos de queijo possuem mais conservantes do que outros, e isso os torna mais perigosos para nossa saúde, mas isso não os coloca na classificação de processados. Neste caso, o mais importante é consumir aqueles que tenham baixo teor de sódio.

Os riscos do consumo

Os embutidos têm uma química completamente desconhecida para o nosso organismo, por isso é considerada prejudicial à saúde. Por exemplo, o conservador nitrito de sódio é uma substância perigosa que no estômago se transforma em nitrosamina, composição comprovada cientificamente ser cancerígena se consumida de forma contínua. Sem esquecer da gordura saturada e do sódio em excesso, que podem levar ao aumento das taxas de colesterol , à retenção de líquidos e ao risco de doenças cardiovasculares, como a hipertensão.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) emitiu um comunicado afirmando que o consumo excessivo de embutidos aumenta o risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer, especialmente o câncer colorretal. O relatório concluiu que 50 g desse tipo de alimento consumido diariamente, o que equivale a 4 fatias de presunto ou 1 unidade de salsicha, aumentam em 18% a chance de desenvolver câncer.

Outro estudo da Universidade de Glasgow, na Escócia, e publicado no European Journal of Cancer apontou que a ingestão de 9 g de alimentos embutidos por dia (1 fatia de mortadela tem 13 g) aumenta em 21% as chances das mulheres desenvolverem câncer de mama.

Consumo consciente

Diante desse alerta da OMS, a nutricionista diz que menos do que 50 g por dia seria uma quantidade que não traria riscos à saúde, porém, é válido ressaltar que este consumo deve ser evitado sempre, devido aos aditivos químicos, gordura saturada, sódio e alto teor de calorias.

O segredo é simples: quanto menos processado melhor. Uma boa alimentação está relacionada a alimentos pouco processados, como legumes, frutas e salada fresca, consumo de gorduras saudáveis (nozes, abacate e azeite de oliva) e uma composição de dieta baseada nos macronutrientes: carboidratos, gorduras e proteínas.

Fontes: Rosana Farah Toimil, nutricionista, doutora em endocrinologia pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), professora na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo e membro da Sban (Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição); Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo; Weruska Barrios, nutricionista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo; Juliana Vieira Meireles, nutricionista clínica do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo; Jacqueline Anversa, nutricionista da Clínica Dra. Maria Fernanda Barca, em São Paulo e associada ao Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional; Luna Azevedo, nutricionista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e fundadora da Clínica Nutrindo Ideias.

Fonte: VivaBem

Bursite no quadril: aprenda a evitar e tratar o problema

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A bursite no quadril é um problema que afeta uma grande parcela de pessoas sedentárias ou que permanecem sentadas por muito tempo. No entanto, também pode atingir corredores (maioria mulheres) e praticantes de atividades com movimentos repetitivos do quadril.

O termo "bursite" consiste na inflamação da bursa, uma pequena bolsa de líquido que reduz o atrito entre duas articulações e facilita o movimento.

Quando está inflamada, a bursa não desempenha adequadamente o papel de reduzir esse atrito e ainda causa dor. Além da bursite no quadril, é muito comum desenvolver a inflamação em ombros, joelhos e cotovelos por serem articulações muito utilizadas.

Mas, afinal, por que a bursite no quadril faz mais vítimas mulheres? "A bursite no quadril, chamada formalmente de bursite trocantérica, atinge mais pessoas do sexo feminino por causa da biomecânica do quadril, que é diferente da dos homens", explica Christina May Moran, fisiatra e coordenadora do Centro de Reabilitação do Hospital Sírio-Libanês.

May Moran ressalta que, na maioria das vezes, não é apenas a bursa que está inflamada, mas toda a região ao seu redor, incluindo os tendões e os músculos do glúteo. Por isso que a dor normalmente não se limita ao quadril e irradia em outros locais próximos.

"Uma das principais prevenções da bursite no quadril é o alongamento", explica a fisiatra. "Se o indivíduo treina, mas não trabalha o alongamento, a bursa pode ser espremida com a sobrecarga".

Como prevenir e tratar a bursite no quadril

Se estiver sofrendo dores na região, consulte um médico ortopedista e evite supor um diagnóstico. Caso seja bursite no quadril, o tratamento inclui anti-inflamatórios e aplicação de compressa de gelo na região para alívio da dor. Vale também diminuir a sobrecarga dos treinos e até pará-los por um tempo. A melhor forma, no entanto, é prevenir. Apesar de parecer clichê, cuidar da saúde e fazer exercícios com regularidade e orientação profissional são essenciais.

Também é importante respeitar os dias de descanso dos treinos para o corpo se recuperar adequadamente. "Manter uma dieta saudável e de acordo com suas necessidades é outro hábito para não sobrecarregar o organismo", completa May Moran.

Recomendações específica para corredores

Corredores precisam ter mais atenção. Além destas dicas, o médico e acupunturista Marcus Yu Bin aconselha que é preciso identificar a raiz do problema para a dor não se tornar crônica.

"Muitas vezes, as pessoas que apresentam essa inflamação também têm outras condições que favorecem a doença, como uma diferença no comprimento entre as pernas, doenças na coluna lombar e artrose do joelho", afirma Yu Bin.

A principal causa provém de treinos ou cargas em excesso. O corpo não se recupera como deveria e a pressão exercida diretamente nos tendões pode causar o problema ou piorar os sintomas.

"A bursite trocantérica é o segundo tipo de dor mais presente na região do quadril, causada na maioria das vezes por movimentos exagerados e repetitivos dos tendões, o que acontece na maioria das vezes com os corredores", afirma Yu Bin.

Outro fator é o terreno onde se corre. "Correr em desnível lateral deixa um dos membros mais encurtados. Isso pode aumentar a sobrecarga nos tendões do quadril, prejudicando a passada e a estabilização da área, o que gera fricção contínua", explica.

Para voltar a correr, mais cuidados: o atleta não pode sentir dor e o quadril não pode estar inchado. "O indivíduo deve ser capaz de dobrar e endireitar o quadril sem dor. Ele também deve conseguir correr em linha reta sem mancar e realizar cortes de 45 graus e 90 graus sem dificuldade", reitera.

Fortalecimento e alongamento dos músculos do quadril são as principais formas de se recuperar da lesão. Além dos exercícios direcionados para a região, também é aconselhável praticar natação, ciclismo, jump, pilates e yoga.

Fontes: Dra. Christina May Moran De Brito, fisiatra e coordenadora do Centro de Reabilitação do Hospital Sírio-Libanês; Felipe Goulart, profissional de Educação Física e membro do Conselho Regional de Educação Física (CREF1); Dr. Marcus Yu Bin Pai, fisiatra e médico especialista em Dor e Acupuntura.

Fonte: MSN Brasil

Por que quando eu durmo demais acordo cansado?

Bem-estar, Notícias e Saúde

"Quando eu durmo muito, sinto que fico ainda com mais sono depois de acordar. Por que isso acontece?"

Esse problema pode ter diversas causas. A mais comum é o que os especialistas chamam de cronoruptura, ou seja, a quebra do ritmo circadiano do corpo. Esse ciclo nada mais é do nosso relógio biológico, responsável por nos dizer quando devemos dormir ou acordar. Se, por algum motivo, você foi dormir mais tarde e rompeu essa rotina do organismo, seu cérebro fica confuso. Daí a sensação de atordoamento ao acordar.

Outro motivo seria acordar no momento "errado". Se o despertar for justamente na fase de sono de ondas lentas, ou melhor, o terceiro estágio do sono, quando ele é mais profundo, você também acordará confuso.

Excluiu todas possibilidades e continua acordando cansado, mesmo mantendo seu cronograma de sono habitual? Bem, é possível que você tenha algum problema de saúde, como narcolepsia ou apneia do sono, quadros em que o indivíduo não completa o ciclo de sono direto e não consegue ter um sono reparador, apresentando sonolência durante o dia. Se você suspeitar que seu sono seja interrompido com frequência e que fica muito cansado ao acordar, é essencial buscar a ajuda de um especialista, para fazer um tratamento adequado.

Agora, se você foi para a balada e foi dormir bem mais tarde do que o seu habitual, é capaz que o tal cansaço seja resultado da boa e velha ressaca. Nesse caso, beba bastante água e alimente-se bem para deixar o corpo (e sua próxima noite de sono) novinho em folha.

Fontes: Rosana Cardoso Alves, neurologista e especialista em medicina do sono do Fleury Medicina e Saúde; Guilherme Sampaio, otorrinolaringologista e especialista em medicina do sono do Hospital Cema, em São Paulo.

Fonte: VivaBem

Sírio-Libanês, um hospital amigo do idoso

Dr. Luiz Francisco Cardoso
Dr. Luiz Francisco Cardoso
29/01/2019 4 min de leitura

A expectativa de vida no Brasil aumentou de 62 anos de idade, em 1980, para quase 75 anos, em 2013. Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os idosos representarão aproximadamente 19% do total da população em 2030, contra os aproximadamente 13% atuais. Ciente dessa mudança na pirâmide etária, o Hospital Sírio-Libanês tem desenvolvido uma série de ações para oferecer atendimento especial às pessoas com 60 anos ou mais, responsáveis hoje por 45% dos pacientes internados.

Uma das iniciativas foi a criação de um grupo multidisciplinar em gerontologia

3 situações que exigem a substituição da prótese de silicone

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Contratura, ruptura e rippling causam deformidade nos seios

A evolução dos materiais que compõem as próteses de silicone – usadas nas cirurgias plásticas de aumento dos seios – permitiu que o tempo de vida útil do produto dentro do corpo humano também aumentasse. Dos tradicionais 10 anos, atualmente há próteses que podem ser mantidas, sem nenhuma substituição, pelo restante da vida do paciente.

Com isso, a troca é cada vez mais rara, embora seja indicada em situações específicas. Confira abaixo as três perguntas que você precisa fazer para saber se a sua prótese de silicone deve ser substituída:

Quando foi a última vez que você visitou o cirurgião plástico?

Se a resposta a essa pergunta for há mais de um ano, está na hora de marcar uma consulta com o cirurgião plástico que fez o procedimento, ou mesmo outro especialista. A consulta periódica é necessária para identificar uma possível contratura capsular ou outra complicação que possa ter passado despercebida.

O médico cirurgião plástico fará os exames clínicos e físicos no consultório e, se achar necessário, encaminhará para exames de imagem, como mamografia e ecografia das mamas, além de ressonância magnética em casos mais específicos.

Há dor ou endurecimento das mamas?

Através do acompanhamento anual, o cirurgião plástico consegue ficar atento a alguns sinais de complicações tardias, que podem acometer a prótese de silicone, embora sejam casos raros. Uma das complicações é a contratura capsular.

"A contratura é o endurecimento da cápsula que se forma ao redor da prótese. Toda prótese inserida no corpo ocasiona uma reação do organismo, que forma essa cápsula. Seria como uma película ao redor do implante. Essa película, caso sofra um processo de enrijecimento, pode levar a deformidades visuais ou apenas palpáveis", explica Luís Felipe Maatz, cirurgião plástico especialista em reconstrução mamária pelo Hospital Sírio-Libanês (SP), membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e professor colaborador da Faculdade de Medicina de Jundiaí.

Estima-se que 4% das próteses, durante um período de 10 anos, vão desenvolver algum grau de contratura. Vale lembrar que apenas as contraturas que atingirem graus mais avançados, como 3 ou 4, têm a necessidade de substituição das próteses, pois terão deformidades visíveis ou outros sintomas.

Outra complicação que pode acontecer é a ruptura da prótese. Ainda mais rara que a contratura, a ruptura acontece em menos de 1% das próteses, ao longo de 10 anos. "É causada por microfissuras na camada externa do silicone. Isso pode ocasionar, também, algum grau de inflamação dos tecidos ao redor. Nesse caso, é necessária a substituição da prótese de silicone", reforça Maatz.

Das complicações a curto prazo (semanas ou meses após a cirurgia inicial), as infecções no período pós-operatório são geralmente as mais comuns. "Verificamos a presença das infecções pelos sinais, como febre, vermelhidão da mama e saída de secreção. Nesse caso é indicada a retirada da prótese. É rara, menos de 1% das próteses têm esse tipo de complicação", explica o especialista.

Sempre guarde o cartão de informações da prótese: "Muitas marcas oferecem uma garantia vitalícia do produto. No caso de uma ruptura ou contratura, algumas empresas substituem a prótese. A pessoa não precisa se preocupar com esse gasto a mais, somente com a cirurgia", sugere Luís Felipe Maatz, cirurgião plástico especialista em reconstrução mamária.

Perdeu peso ou engravidou?

Sem complicações com a prótese, o argumento campeão dos pacientes para a substituição da prótese de silicone está relacionado a uma mudança no corpo, seja pela perda ou ganho de peso ou gestação.

"Com a gestação ou em caso de grandes mudanças de peso, a mama sofre uma queda e compromete a estética. A busca da maioria das pessoas que desejam a troca é pela melhoria estética", explica Luciano Busato, cirurgião plástico e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – regional Paraná.

Além disso, pacientes muito magras e com próteses grandes podem sofrer o chamado rippling. Trata-se de uma ondulação ou dobra na região superior do tórax. Não causa dor, mas gera um desconforto estético.

"Acho importante que a conversa seja franca entre paciente e médico, para escolher o tamanho certo. O ideal é que não haja necessidade de troca da prótese tão precocemente. É válido lembrar que hoje vemos uma banalização da cirurgia, todo mundo quer colocar a prótese por modismo. Isso precisa ser muito bem conversado entre médico e paciente", reforça Busato.

Fonte: Gazeta do povo

Esteatose hepática: obesidade e excesso de álcool são causas da doença

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A esteatose hepática, mais conhecida como "gordura no fígado", vem se tornando um problema cada vez mais frequente e conhecido pela população. É verdade que isso se deve, em parte, ao fato de mais médicos solicitarem ultrassonografias de abdômen e detectarem o problema. Outra razão que explica sua incidência cada vez mais comum é o aumento da obesidade na população.

Quando as células e os espaços do fígado são preenchidos por gordura, o órgão se torna volumoso e pesado. A comparação mais comum --impactante, porém didática, é com o famoso patê de froie grais (fígado de ganso), obtido a partir da dieta forçada e extremamente rica em calorias desses animais. Porém, o abuso de álcool, o uso de certos medicamentos e doenças como as hepatites virais também podem causar esse quadro, que só gera algum sintoma quando o dano ao fígado já é muito grave.

Fígado e suas funções

O fígado é uma glândula localizada no lado direito do abdômen que possui diversas funções, como desintoxicar o organismo, produzir colesterol, sintetizar proteínas e armazenar glicose (o açúcar do sangue). O órgão produz a bile, um composto que ajuda no processo de eliminação de toxinas e na digestão dos lipídios. Assim, a presença de um pouco de gordura no fígado é absolutamente normal. Mas quando o índice de infiltração ultrapassa 5% do seu volume, a situação começa a se complicar.

Evolução

Se não tratada ou controlada, a esteatose hepática pode gerar uma inflamação, também chamada de esteatoepatite, que leva a morte celular e um processo de fibrose (cicatrização). Com o passar dos anos, a condição pode progredir para cirrose hepática e também pode resultar em câncer de fígado. Em situações mais graves, o transplante é necessário.

Causas e tipos

Existem dois tipos de esteatose, ou doença hepática gordurosa, de acordo com as causas:

  • Alcoólica: provocada pelo consumo excessivo de álcool. O fígado tem a capacidade de metabolizar as moléculas de etanol para eliminar a substância do nosso organismo. Mas quando a dose é alta ou ingerida em pouco tempo, os subprodutos desse processo ficam concentrados, e eles são tóxicos para as células hepáticas. Com o passar do tempo, o dano passa interferir nas funções do órgão.
  • Não alcoólica: provocada prioritariamente por má alimentação, sedentarismo, sobrepeso, obesidade, diabetes, colesterol e triglicérides alto, e perda ou ganho muito rápido de peso. Porém, também pode ser causada pelo uso de certos medicamentos (hormônios e corticoides, entre outros), ou por inflamações crônicas associadas, por exemplo, à hepatite C ou outras doenças hepáticas.

Prevalência

A esteatose é considerada a doença do fígado mais comum nos países industrializados ocidentais. Cerca de 70% dos casos referem-se à doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) e o restante é consequência do abuso de álcool. Estima-se que 20% a 40% da população sofra com o problema, sendo que o percentual é mais alto se considerarmos populações específicas, como a de obesos, diabéticos ou indivíduos com síndrome metabólica (quadro que envolve dislipidemia, resistência à insulina e obesidade abdominal).

Embora seja mais comum em adultos na faixa dos 40 ou 50 anos de idade, crianças pequenas podem ter esteatose, geralmente associada a doenças metabólicas. Entre as mais velhas e os adolescentes, o quadro também pode surgir como consequência de hábitos pouco saudáveis. E apesar da relação com a obesidade, indivíduos magros também podem fígado gorduroso.

Já em relação à esteatose hepática associada à bebida, estima-se que 90% dos indivíduos que fazem uso abusivo do álcool tenham a condição, dos quais 15% a 30% desenvolvem hepatite alcoólica e 10% a 20%, cirrose hepática.

Complicações

  • Cardiovasculares: a DHGNA é considerada o componente hepático da síndrome metabólica e também uma complicação da obesidade. Assim como esses quadros, constitui um fator de risco para infartos e derrames.
  • Cirrose: toda doença crônica do fígado, que envolve uma inflamação persistente, pode resultar em cirrose, que é a alteração da arquitetura normal do órgão pela presença de cicatrizes e nódulos que envolvem as células hepáticas remanescentes. Estima-se que 30% dos pacientes com doença hepática gordurosa não alcoólica evoluam para esteatoepatite e cirrose. Uma das primeiras alterações provocadas por essa mudança de arquitetura do fígado é a chamada hipertensão portal (aumento da pressão na veia porta, que drena o sangue proveniente dos intestinos). Quando a cirrose é avançada, há comprometimento de funções do fígado, como a formação de proteínas e neutralização de toxinas. Nesses casos, o transplante pode se tornar necessário.
  • Câncer de fígado: a cirrose e a própria esteatose são fatores de risco para o hepatocarcinoma, um tipo agressivo de câncer das células hepáticas que causa mais de 9.700 mortes ao ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Cerca de metade dos pacientes com esse tipo de câncer têm cirrose hepática, doença que pode ser consequência não apenas da esteatose e do alcoolismo, mas principalmente da infecção pelos vírus da hepatite B ou C. Vale lembrar que o tabagismo, a obesidade, a esquistossomose e a ingestão de grãos e cereais contaminados pelo fungo aspergilus flavus, que produz a aflatoxina, são outros fatores de risco importantes.

Fatores de risco

Uso abusivo de álcool: tanto a ingestão diária de mais de duas doses para mulheres, ou três, para os homens, quanto o excesso ocasional (ingestão de quatro ou mais doses para mulheres ou cinco ou mais doses para homens em duas horas) são associadas à maior risco de doença no fígado. Cada dose corresponde a aproximadamente a 350 ml de cerveja ou 150 ml de vinho ou 50 ml de bebida destilada;

  • Obesidade e sobrepeso com obesidade central;
  • Diabetes mellitus ou pré-diabetes (resistência insulínica);
  • Dislipidemia (aumento do colesterol e/ou triglicérides);
  • Hipertensão arterial;
  • Genética: fatores genéticos podem estar envolvidos na tendência a obesidade, dislipidemias, diabetes e mesmo na dependência de álcool;
  • Medicamentos (como amiodarona, corticosteroides, estrógenos e tamoxifeno);
  • Esteroides anabolizantes;
  • Toxinas ambientais: produtos químicos;
  • Cirurgias para combater a obesidade (bypass jejuno-ileal, derivações bilio-digestivas);
  • Doenças que podem ser associadas à esteatose hepática;
  • Hepatite crônica pelo vírus C;
  • Síndrome de ovários policísticos;
  • Hipotiroidismo;
  • Apneia do sono;
  • Hipogonadismo;
  • Lipodistrofia e alterações metabólicas de origem hereditária.

Sintomas

Praticamente todos os pacientes com esteatose hepática não apresentam sinais ou sintomas, ou seja, a condição é silenciosa, e só é identificada em exames de rotina. Quando surgem, os sintomas mais comuns são:

  • Fadiga;
  • Desconforto do lado direito superior do abdômen;
  • Aumento do fígado.

Já quando existe um grau elevado de inflamação (esteatoepatite), ou fibrose e cirrose, as manifestações podem incluir:

  • Fadiga;
  • Falta de apetite;
  • Coceira;
  • Aranhas vasculares (varizes finas em formato de teia de aranha);
  • Icterícia (pele e olhos amarelados);
  • Fezes esbranquiçadas;
  • Alterações do sono.

Uma das consequências possíveis da cirrose é chamada hipertensão portal, que tem como sintomas:

  • Acúmulo anormal de líquido dentro do abdômen (ascite);
  • Confusão mental;
  • Complicações neurológicas (já que as toxinas deixam de ser corretamente eliminadas);
  • Mudanças na coagulação;
  • Inchaço dos membros inferiores;
  • Hemorragias;
  • Presença de varizes no esôfago;
  • Queda no número de plaquetas sanguíneas.

Os sintomas mais comuns do câncer de fígado são:

  • Dor abdominal;
  • Massa e distensão abdominal;
  • Acúmulo de líquido no abdômen (ascite);
  • Perda de peso inexplicada;
  • Perda de apetite;
  • Mal-estar;
  • Icterícia (pele e olhos amarelados).

Diagnóstico

Na maioria das vezes, a esteatose é identificada de forma incidental em uma ultrassonografia de abdômen solicitada pelo médico num exame de rotina. Esse exame pode ser pedido quando o profissional identifica um ou mais fatores de risco. Para completar o diagnóstico, é importante conhecer o histórico do paciente, avaliar pressão arterial, peso, altura, IMC (índice de massa corporal) e circunferência abdominal. Além disso, devem ser pedidos exames laboratoriais para avaliar os níveis de colesterol, triglicérides, glicose, insulina; teste homa (que determina o grau de resistência à insulina); e enzimas hepáticas. Outros exames de imagem, como tomografia, ressonância magnética e elastografia hepática (procedimento parecido com a ultrassonografia) podem ajudar a confirmar o diagnóstico. Em alguns casos, porém, a biópsia de fígado é necessária.

Os exames e/ou a biópsia podem indicar a gravidade da esteatose, geralmente classificada em:

  • Grau 1 ou leve: quando há pequeno acúmulo de gordura;
  • Grau 2: quando há um acúmulo moderado de gordura no fígado;
  • Grau 3: quando ocorre grande acúmulo de gordura no fígado.

Tratamento

O combate ao problema envolve prioritariamente mudanças no estilo de vida, com dieta saudável e prática de atividade física, a fim de se controlar o excesso de peso, a resistência à insulina, os níveis de colesterol e triglicérides e a pressão arterial. O consumo de álcool deve ser evitado mesmo para quem essa não é a principal causa do problema, já que a bebida sobrecarrega o fígado e contribui para a obesidade.

Embora emagrecer seja considerado o principal pilar do tratamento, é importante que a perda de peso seja gradual. O emagrecimento rápido pode agravar a esteatose porque, antes de ser "queimada", a gordura armazenada no corpo também passa pelo fígado --é por isso que as cirurgias da obesidade são um fator de risco.

Quando a doença é causada por medicamentos, é necessário avaliar custo-benefício e estudar a possibilidade de substituição. O uso de esteroides anabolizantes deve ser interrompido e, no caso de a esteatose ser associada a outras doenças, como hipotireoidismo ou ovário policístico, essas condições devem ser tratadas adequadamente.

Não existe nenhum medicamento específico para a esteatose, porém alguns medicamentos costumam ser indicados pelos médicos para alguns pacientes. É o caso de drogas para o controle do colesterol e do diabetes (como metformina, pioglitazona e rosiglitazona), ou drogas para controle da obesidade, como o orlistat (Xenical). A vitamina E e o ácido ursodesoxicólico também costumam ser indicados quando há sinais de esteatoepatite e fibrose, e alguns profissionais podem indicar alguns suplementos, como a silimarina (fitoterápico) e a N-acetilcisteína, embora os resultados sejam inconclusivos.

Para casos de cirrose avançada, que não respondem ao tratamento de controle, o transplante de fígado tem o potencial de aumentar a sobrevida e qualidade de vida dos pacientes. Na cirrose alcoólica é necessária a abstinência alcoólica de pelo menos seis meses antes do procedimento.

Como deve ser a dieta de quem tem o fígado gorduroso?

A alimentação deve ser orientada por médicos e nutricionistas, para levar em conta questões individuais, como o diabetes ou a hipertensão.

O que priorizar:

  • Verduras, legumes, frutas e grãos integrais, que são ricos em fibras, antioxidantes e nutrientes benéficos para o fígado, como a betaína;
  • Peixes, carnes brancas e ovos (na quantidade permitida pelo seu profissional de saúde), que contém colina e metionina, também importantes para a função hepática;
  • Itens ricos em gordura "do bem", como salmão, sardinha, azeite extra virgem, abacate e amêndoas podem e devem ser consumidos, já que têm efeito anti-inflamatório, desde que o excesso de calorias seja evitado.
  • Atividades aeróbicas (cerca de 30 minutos pelo menos cinco vezes por semana) e exercícios de resistência muscular (pelo menos duas vezes por semana) também são medidas que auxiliam o metabolismo e a queima de gordura.

O que evitar:

  • Excesso de gordura animal (presente principalmente na carne vermelha, no leite integral e nos queijos amarelos);
  • Gordura trans (a gordura vegetal modificada e presente em industrializados como margarinas, sorvetes e biscoitos);
  • Frituras (mesmo quando se usa apenas óleos vegetais, o aquecimento a altas temperaturas torna o alimento prejudicial à saúde);
  • Enlatados, embutidos e comida industrializada em geral (esses itens costumam ser ricos em gordura e sódio, e podem ter efeito inflamatório);
  • Excesso de açúcar e itens com alto índice glicêmico (como batata, pão e macarrão brancos), já que podem interferir nos níveis de insulina e contribuir para a inflamação;
  • Bebidas alcoólicas ou ricas em açúcar.

Prevenção

Todas as medidas acima, indicadas para o controle da esteatose, também ajudam indivíduos saudáveis a evitar a condição. Lembre-se que toda doença capaz de causar inflamação crônica no fígado deve ser diagnosticada e tratada a fim de evitar a progressão para a cirrose hepática.

Prognóstico

A esteatose pode ser revertida ou pelo menos estabilizada quando diagnosticada em estágios leves ou moderados, desde que a pessoa siga todas as orientações médicas. Já nos casos de cirrose, o tratamento visa ao controle do quadro, sendo que nos casos avançados o transplante de fígado pode ser necessário.

Como ajudar um familiar com esteatose hepática?

Modificar hábitos é um desafio enorme, especialmente porque vivemos expostos a alimentos calóricos e o consumo de álcool é algo aceito na nossa sociedade. Por isso quem tem um familiar com a condição pode ajudar com apoio emocional e incentivo de hábitos saudáveis. O combate à obesidade e ao alcoolismo com frequência envolvem suporte psicológico.

Fontes: Edvânia Soares, nutricionista clínica da Estima Nutrição; Isaac Altikes, gastroenterologista da Federação Brasileira de Gastroenterologia; Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês; American Liver Foundation; Instituto Nacional de Câncer (Inca); Ministério da Saúde; Sociedade Brasileira de Hepatologia.

Fonte: VivaBem

Gastrite: aprenda a tratar com alimentação e modificação do estilo de vida

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Evitar alimentos irritantes e controlar o estresse são passos importantes do tratamento

Uma das reclamações mais usuais nos consultórios de gastroenterologistas é justamente a gastrite. Comum, a doença se caracteriza por uma inflamação na mucosa do estômago, e os principais sintomas são dor de estômago, azia e sensação de estufamento.

Além dos medicamentos prescritos por um médico, é possível contornar o problema mudando a alimentação e melhorando o estilo de vida. Paula Hertel, nutricionista do Hospital Sírio-Libanês, conta que o caminho está na alimentação natural e no controle do estresse.

"Recomendo que a pessoa se alimente da forma mais natural possível, evitando alimentos irritantes para o estômago e também observando as suas reações individuais a determinados alimentos", explica.

"O estresse também influencia muito na gastrite, por isso é importante pensar em estratégias para minimizá-lo, como terapia, meditação, acupuntura ou yoga, por exemplo", diz a nutricionista.

Se tem gastrite, evite:

  • Café
  • Chá mate
  • Chocolate
  • Refrigerante
  • Sal em excesso
  • Enlatados
  • Embutidos
  • Bebidas alcoólicas
  • Pimenta-do-reino
  • Leite e derivados
  • Frituras
  • Gorduras em excesso

"O sal em excesso é um potente agressor do estômago, ou seja, alimentos demasiadamente salgados – além de enlatados e embutidos – são contraindicados", explica Paula. As bebidas alcoólicas, segundo a nutricionista, agridem diretamente as células estomacais, aumentando o estresse oxidativo.

A pimenta-do-reino, por sua vez, pode aumentar a secreção ácida no estômago, tendo efeito negativo no tratamento de gastrites e úlceras.

Já o leite pode aliviar temporariamente os sintomas da gastrite, pois reduz a acidez estomacal. Porém, por ser extremamente rico em proteínas, acaba por estimular ainda mais a secreção ácida do estômago, provocando a piora minutos depois da ingestão. Logo, é preciso evitar.

Prefira

De acordo com Paula Hertel, temperos naturais como cúrcuma e alecrim podem ajudar a reduzir a gastrite. "Além disso, os vegetais como couve e repolho e fitoterápicos como aloe vera e espinheira-santa podem ajudar a evitar úlceras", explica.

No entanto, a nutricionista diz que cada organismo é único, e por isso as pessoas podem apresentar reações distintas à ingestão de diferentes alimentos. "A tolerância individual deve ser sempre respeitada", finaliza.

Fonte: Coração&Vida

Tem problema tomar comprimido com leite, chá, café ou suco?

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Na hora de ingerir cápsulas e comprimidos, o mais comum é tomar água para conseguir engolir o medicamento. Porém, é bem provável que você já tenha consumido o remédio com leite, suco, chá, café, refrigerante ou outra bebida --ou ao menos pensou em fazer isso. Será que isso prejudica a absorção ou efeito da medicação?

A questão gera polêmica entre os especialistas. Antes de entrar na discussão, vale ressaltar que, por ser uma bebida neutra, a água é sempre a melhor alternativa. Outros líquidos devem ser usados apenas quando não houver opção --se você estiver na rua e não encontrar uma fonte confiável de água potável, por exemplo.

Alfredo Salim Helito, clínico geral e médico de família do Hospital Sírio-Libanês, afirma que a literatura médica não diz se a combinação de medicamentos com outros líquidos que não seja água é capaz de provocar efeitos colaterais ou cortar a eficácia do remédio. "Por isso, não há o que temer ao ingerir um comprimido com suco, por exemplo, mesmo que a orientação seja consumir o medicamento em jejum."

No entanto, há especialistas que defendem que, dependendo do remédio, a medicação pode interagir com as substâncias contidas na bebida, causando alteração no efeito esperado. Entre elas estão antibióticos com tetracilinas e ciprofloxina. "O cálcio do leite pode reduzir a eficácia da substância", ressalta Mariangela Lieto, gerente médica do Hospital Santa Catarina.

Além de prejudicar seu efeito, ingerir determinados medicamentos com líquido inapropriado pode desencadear problemas na mucosa gástrica, pois devido a acidez da bebida há o risco de o comprimido ou cápsula ser dissolvido em local não indicado.

"Toda medicação tem sua particularidade e, ao ser ingerido com sucos, chás e café, por exemplo, um medicamento específico que deve ser absorvido no intestino pode acabar sendo destruído antes, no estõmago. Também pode ocorrer a formação de substâncias tóxicas para o organismo", alerta Ana Lucia Seixas da Silva, farmacêutica responsável pela AMA Capão Redondo do Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim), especializada em farmácia hospitalar pelo IPH (Instituto de Pesquisas Hospitalares).

Por isso, é muito importante consultar um médico, farmacêutico e ler a bula do medicamento antes de tomar qualquer remédio com líquido diferente de água.

Nunca ingira o remédio "a seco"

O gastroenterologista Ricardo Machado de Minas, médico do Hospital São Luiz Anália Franco, também acredita que não há problema ingerir o medicamento com qualquer bebida que não seja alcoólica. Para ele, o maior perigo é engolir cápsulas e comprimidos sem a ajuda de líquidos. "O remédio precisa descer. Sem a bebida, pode ficar preso no esôfago e até perfurar algum órgão", alerta.

Ingerir o medicamento derretido, triturado ou quebrado também não é recomendado. Isso porque revestimentos de comprimidos as cápsulas têm como função proteger o paciente de uma possível irritação gástrica, além de mascarar odor ou sabor ruim, melhorar a ação do medicamento no estômago/intestino, garantir liberação lenta e prolongada de substâncias, entre outras vantagens.

Ao partir o remédio, essas propriedades se perdem e podem prejudicar a ação do comprimido no organismo. Caso tenha dúvidas, antes de tomar qualquer medicamento, leia a bula ou busque orientação do seu médico.

Fonte: Viva Bem

Um mal silencioso

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Raros, os tumores neuroendócrinos costumam ser detectados já em estágio metastático. Eles se manifestam em vários órgãos do corpo

Com uma incidência de sete em cada 100 mil pessoas, os tumores neuroendócrinos (TNE) surgem em várias partes do organismo, mas são mais comuns no trato digestivo — da boca ao ânus. Costumam atingir homens e mulheres com idade entre 50 e 60 anos e se caracterizam pelo desenvolvimento e crescimento de forma incontrolável de células do sistema neuroendócrino — responsável pela liberação de hormônios no organismo e regulagem de diferentes órgãos.

O diagnóstico desse tipo raro de tumor pode levar entre cinco e sete anos. A maioria começa como uma lesão pequena e que não causa sintoma algum. Por anos, a lesão cresce até causar metástases — também assintomática. "Só quando essas metástases crescem demais é que podem surgir os sintomas", esclarece Diogo Bugano, médico oncologista da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein e especialista em tumores do trato digestivo.

Por esse motivo, em geral, é diagnosticado em dois momentos: quando o paciente faz um exame e, por acaso, detecta o tumor; ou quando apresenta os sintomas da doença metastática.

Segundo o médico oncologista Tulio Pfiffer, 80% dos tumores neuroendócrinos costumam ser indolores e pouco agressivos, enquanto apenas 20% são agressivos de evolução rápida. Ele ainda alerta que 60% se originam no aparelho digestivo, 30% no pulmão, e os demais 10% em outros órgãos.

Quanto aos sintomas, diz Tulio, causam desconforto abdominal, dores, mal-estar, alteração do trânsito intestinal e, em casos mais graves, emagrecimento e sangramento. "Além disso, esses tumores estão relacionados a síndromes genéticas, como Neoplasia Endócrina Múltipla", informa. Sendo assim, de 15% a 20% têm causa hereditária. Porém, para a grande maioria dos casos, ainda não há uma causa bem estabelecida.

O oncologista Diogo acrescenta que há quatro fatores que podem determinar a agressividade dos tumores. Em geral, os originados no estômago têm melhor prognóstico, os no pâncreas oferecem piores prognósticos. Além disso, os tipos mais agressivos recebem a classificação de carcinoma neuroendócrino.

"O grau histológico é graduado de um a três — sendo três o mais agressivo. Em geral, tumores localizados têm alta chance de cura. Tumores metastáticos têm baixa chance de cura. Em alguns casos, os pacientes vivem por mais de 10 anos com a doença."

Classificação

A Sociedade Europeia de Tumores Neuroendócrinos (ENETS) classifica os tumores neuroendócrinos, primeiramente, de acordo com o local de origem, como de pulmão, gástrico e duodenais intestino delgado e pâncreas. Ao analisar a biópsia, o patologista vai diferenciá-lo entre tumores bem diferenciados (ou baixo grau, grau 1 e grau 2) e pouco diferenciados (de alto grau), e até tumores mistos (com componente de carcinoma neuroendócrino e não neuroendócrino no mesmo tumor).

Sintomas

Os sintomas funcionantes são os mais característicos — tumores de intestino delgado podem ser produtores de serotonina, e este hormônio pode produzira síndrome carcinoide, em que o paciente apresenta crises de diarreia e rubor facial/calor (sensação parecida com fogachos da menopausa).

Mas a maior parte dos pacientes tem sintomas pouco específicos. Portanto, mudanças do hábito intestinal, sangramentos digestivos, anemia ferropriva (por deficiência de ferro) ou dores abdominais persistentes devem ser investigados.

Em localização como pâncreas, a doença cresce lentamente, sem produzir sintomas e sem risco de metástase por muitos anos. Se descoberta acidentalmente (isto é, num exame de imagem realizado por outro motivo), pode ser apenas acompanhada, a depender da idade do paciente.

Outras vezes, esses tumores, mesmos pequenos, produzem hormônios que podem causar sintomas ao paciente. Porém são tão comuns, como diarreia, por exemplo, que o paciente não percebe que pode ser algo mais grave e, às vezes, se automedica ou não investiga, o que retarda o diagnóstico.

Em alguns lugares primários, como estômago ou reto, o médico gastroenterologista ou o proctologista, durante o exame endoscópico, facilmente detecta esses pequenos pólipos. A análise do patologista determina uma classificação do tumor de acordo com o grau de diferenciação.

Palavra do especialista

Qual é a gravidade dessa categoria de tumor?

Os tumores neuroendócrinos (TNE) são neoplasias raras, que podem surgir em diversos órgãos, como pulmão, estômago, intestino delgado, pâncreas, cólon, reto e até pele. São doenças heterogêneas, em termos de comportamento, que podem variar desde muito indolentes e que não produzem metástases até doenças muito agressivas, que levam a óbito em poucos meses. Alguns pacientes têm sintoma pela produção de hormônios pelas células tumorais — chamamos tumores funcionantes — e esses quadros precisam ser controlados, porque podem produzir situações que causam risco de vida, por exemplo, a cardiopatia carcinoide.

Quais são os problemas relacionados à demora do diagnóstico?

A maior parte dos tumores neuroendócrinos são de baixo grau ou bem diferenciados. Esses tumores crescem de forma lenta, as células demoram a se duplicar e apenas uma pequena fração do tumor — menos de 1% — está com propensão a gerar células-filhas (mitose). Dessa forma, levam muitos anos para se desenvolveram a um tamanho que gere sintomas. Além disso, devido a esse tempo longo de crescimento, o corpo se adapta e permite o desenvolvimento de forma silenciosa.

Há relação com o estilo de vida, genética, hereditariedade?

A maior parte dos TNEs são esporádicos, ou seja, sem relação com a herança genética. Contudo, existem síndromes familiares conhecidas relacionadas a tumores neuroendócrinos, como as neoplasias endócrinas múltiplas (NEM—1 e NEM-2). Nesses cenários, os pacientes são mais jovens. O oncologista especialista sempre rastreia a possibilidade de estar diante de um paciente com síndrome genética e direciona os casos suspeitos para um aconselhamento genético com o médico geneticista.

Quais cuidados mais relevantes devem ser tomados, já que a doença é rara e requer mais informações?

Os tumores neuroendócrinos são doenças raras e com aspectos peculiares a cada paciente. E, em geral, tem uma sobrevida muito longa, mesmo quando descobertos com metástases, se tratados em centros especializados. E importante que o paciente não se compare a outros e evite fazer pesquisas em sites de busca. Procure informação diretamente com o seu médico, que saberá direcionar as melhores condutas pertinentes ao seu caso individualmente.

Fonte: Brenda R. Gumz é oncologista clínica do Hospital Sírio-Libanês, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e do Grupo Brasileiro de tumores do trato Gastrointestinal (GTG) e membro da European Neuroendocrine Tumor Society (ENETS).

Fonte: Revista do Correio

Quem tem endometriose pode engravidar?

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gravidez.jpg "Várias mulheres alegam que não vão engravidar por terem endometriose. No entanto, esta afirmativa é falsa. Muitas pacientes com a doença engravidam, algumas até com facilidade. E essencial consultar um profissional habilitado para ajudar e tratar"

ALEXANDRE PUPO. Ginecologista do Hospital Sírio-Libanês, obstetra, membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein. Ele também é mastologista e membro titular do núcleo de mastologia do Hospital Sírio-Libanês. É diretor clínico da Clínica Souen, onde atende.

Várias pacientes me procuram alegando que, como têm endometriose, não vão engravidar. Umas até colocam isso de modo a se sentirem mais livres para namorar, sem se preocupar com contracepção. No entanto, essa afirmativa é falsa, pois muitas pacientes com endometriose engravidam, inclusive com facilidade.

A medicina ainda não conhece bem quais são os fatores relacionados à endometriose que, de fato, alteram a capacidade de engravidar, mas sabemos que o processo inflamatório que ela causa e as aderências que ela provoca podem estar ligados ao problema de infertilidade. São mais propensas a isso as mulheres que têm endometriose nos dois ovários ou que têm endometriose mais grave, com alteração da posição das tubas e com sintomas exuberantes. De toda forma, apesar de não conhecermos as causas exatas da infertilidade causada pela endometriose, sabemos como ajudar.

A cirurgia para tratar a endometriose com a remoção de toda doença na cavidade abdominal e, principalmente, junto aos órgãos reprodutivos, costuma resolver o problema em até 50% dos casos. Porém, se a doença já tiver causado grande formação de aderências e alterado de forma importante o posicionamento dos órgãos reprodutivos, a cirurgia somente não resolve o problema.

Nestes casos, a recomendação é associá-la com tratamentos de reprodução assistida. Já quando a paciente tem os dois ovários comprometidos pela doença ou demonstra sinais de baixa na reserva de óvulos, o cenário muda, tendo como foco a preservação dos óvulos antes da cirurgia. Isso porque, ao mexer nos ovários, sempre existe uma perda de óvulos. Quando se tem boa reserva, esta perda é insignificante, mas, principalmente acima dos 35 anos e nos cenários acima, esta perda, causada pela manipulação cirúrgica, pode fazer fracassar o sonho de ser mãe.

Por isso, é essencial consultar um profissional habilitado para ajudá-la quando o desejo de ser mãe vier acompanhado de uma endometriose.

Use camisinha!

Ter endometriose nunca dá carta branca para namorar sem proteção. É sempre bom lembrar que, além da gestação, há doenças que se adquirem a partir de relações sexuais e que são bloqueadas pelo uso de camisinha. Portanto, ainda que você tenha endometriose, se não quer engravidar, deve se proteger. Sempre!

Tratamento é necessário

Embora seja possível engravidar com endometriose, a doença, sem tratamento, ainda é uma das principais causas da infertilidade feminina. Cerca de 15% a 45% das pacientes com endometriose, de fato, têm dificuldade de engravidar.

Fonte: Anamaria