Fratura de quadril em idosos: riscos, cirurgia e recuperação

Dor intensa após queda, dificuldade para apoiar o peso na perna e incapacidade de andar são sinais que exigem avaliação imediata. Saiba o que fazer!
Hospital Sírio-Libanês
Hospital Sírio-Libanês
01/06/2026 9 min de leitura
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fratura de quadril é uma das lesões mais sérias e frequentes na população idosa, com impacto direto sobre a qualidade de vida, a autonomia e até a sobrevida do paciente. Em muitos casos, ela ocorre a partir de uma queda simples, que em pessoas mais jovens causaria apenas um hematoma, mas que em idosos pode resultar em ruptura óssea grave e exigir intervenção cirúrgica imediata.

Segundo dados publicados pelo The Lancet, estima-se que ocorram cerca de 1,6 milhão de fraturas de quadril por ano no mundo, com projeção de que esse número ultrapasse 6 milhões até 2050, acompanhando o envelhecimento global da população.

No Brasil, a situação é igualmente preocupante: a maior prevalência de osteoporose e a alta incidência de quedas entre idosos tornam essa lesão um problema de saúde pública.

Compreender os mecanismos da lesão, reconhecer os sintomas da fratura de quadril em idosos, conhecer as opções de tratamento e entender como funciona a reabilitação após fratura de quadril em idosos são passos fundamentais tanto para os pacientes quanto para os familiares que os apoiam. Siga a leitura.

O que é a fratura de quadril em idosos e por que ela é tão grave

fratura de quadril corresponde à quebra do osso na região proximal do fêmur, isto é, na porção do osso que se articula com a bacia. Essa região sustenta o peso corporal em praticamente todos os movimentos do dia a dia: caminhar, sentar, levantar e subir escadas dependem da integridade dessa estrutura.

Nos idosos, a gravidade dessa lesão se deve a uma combinação de fatores biológicos e clínicos. Com o envelhecimento, a densidade óssea diminui progressivamente, especialmente em mulheres após a menopausa. Ossos mais frágeis, circulação reduzida e tempo de cicatrização mais lento tornam qualquer fratura nessa faixa etária um evento de alto risco. 

Como a queda e fratura de quadril em idosos acontecem

queda e fratura de quadril em idosos geralmente ocorrem no ambiente doméstico, em situações aparentemente simples: levantar-se da cama à noite, escorregar no banheiro, tropeçar em tapetes ou descer degraus sem apoio. 

A força do impacto ao cair de pé, de lado ou ao sentar abruptamente no chão é suficiente para fraturar o colo do fêmur ou a região trocantérica em ossos osteoporóticos.

Em alguns casos menos frequentes, especialmente em idosos com osteoporose severa, a fratura pode ocorrer de forma espontânea, sem queda precedente. Isso acontece porque o próprio peso corporal ou um movimento brusco de rotação é capaz de romper a estrutura óssea já bastante comprometida.

foto de uma mulher idosa sentada com a mão na cinturacintura do

Fatores de risco que aumentam a chance de fratura

Alguns fatores elevam significativamente a probabilidade de uma fratura de quadril em idosos, incluindo:

  • Osteoporose não tratada ou não diagnosticada;
  • Sexo feminino, especialmente após a menopausa;
  • Histórico de quedas anteriores;
  • Uso de medicamentos que causam tontura ou hipotensão postural, como anti-hipertensivos e sedativos;
  • Sarcopenia (perda de massa muscular associada ao envelhecimento);
  • Déficits de equilíbrio e de acuidade visual;
  • Baixa ingestão de cálcio e vitamina D;
  • Ambientes domésticos com obstáculos, pisos escorregadios e ausência de barras de apoio.

Fratura de quadril em idosos: sintomas mais comuns

O reconhecimento precoce dos sintomas da fratura de quadril em idosos é decisivo para garantir atendimento rápido e reduzir as complicações. O quadro clínico pode variar conforme o tipo e a localização da fratura, mas alguns sinais são bastante característicos.

Sinais imediatos após a queda

Nos momentos seguintes ao evento traumático, os sinais mais comuns incluem:

  • Dor intensa na região do quadril ou da virilha, que piora com qualquer tentativa de movimento;
  • Incapacidade de se levantar ou apoiar peso na perna do lado afetado;
  • Rotação externa do membro inferior, com o pé voltado para fora de forma visível;
  • Encurtamento aparente da perna afetada em relação à outra;
  • Edema e hematoma na região lateral do quadril.

Esses sinais, especialmente quando surgem após uma queda, indicam necessidade de avaliação médica imediata e não devem ser tratados como simples contusão.

Quando suspeitar de fratura mesmo sem deformidade visível

Algumas fraturas, especialmente as fraturas incompletas ou por impactação, não produzem deformidade visível. Nesses casos, o idoso pode até conseguir movimentar a perna com dificuldade, o que atrasa o diagnóstico. 

Deve-se suspeitar de fratura de quadril mesmo sem deformidade evidente quando houver:

  • Dor persistente na região inguinal ou no quadril após uma queda, mesmo que leve;
  • Piora da dor ao apoiar o peso ou ao realizar a rotação interna do quadril;
  • Dificuldade progressiva para caminar nas horas seguintes ao trauma.

Nesses casos, a realização de radiografia e, se necessário, ressonância magnética, é fundamental para confirmar ou afastar a lesão.

Riscos da fratura de quadril em idosos

Os riscos da fratura de quadril em idosos vão muito além da dor e da limitação imediata quando não tratada de forma adequada e ágil.

Complicações clínicas associadas

A imobilidade prolongada resultante da fratura de quadril pode desencadear uma série de complicações, que inclui:

  • Trombose venosa profunda (TVP);
  • Úlceras por pressão;
  • Doenças respiratórias, como pneumonia e embolia pulmonar, em razão do repouso prolongado;
  • Agravamento de condições cardíacas, renais e metabólicas preexistentes, resultados do estresse e trauma pós-cirúrgico.

A mortalidade no primeiro ano após uma fratura de quadril em idosos permanece elevada, variando entre 14% e 36% segundo a literatura médica, o que reforça a necessidade de abordagem multidisciplinar e tratamento sem demora.

Impacto na mobilidade e na autonomia

Além das complicações clínicas, a fratura de quadril compromete profundamente a independência funcional do idoso. 

Estudos mostram que apenas metade dos pacientes recupera o nível de mobilidade que tinham antes da fratura. Muitos passam a necessitar de auxílio para atividades básicas, como caminhar, tomar banho e se vestir, o que aumenta a sobrecarga sobre cuidadores e familiares.

O impacto psicológico também é significativo: o medo de novas quedas, a perda de autonomia e o afastamento do convívio social contribuem para quadros de depressão e ansiedade, que, por sua vez, dificultam a adesão ao tratamento e à reabilitação.

 

Cirurgia para fratura de quadril em idosos

O tratamento cirúrgico é, na grande maioria dos casos, a abordagem mais indicada e segura para a fratura de quadril em idosos. O objetivo da cirurgia para fratura de quadril em idosos é restaurar a estabilidade óssea, permitir mobilização precoce e reduzir ao máximo o período de imobilidade.

Quando a cirurgia é indicada

A indicação cirúrgica é feita pelo ortopedista com base no tipo de fratura, nas condições clínicas do paciente e na avaliação de risco anestésico. 

De modo geral, a cirurgia é indicada para a maioria das fraturas deslocadas e para aquelas que impedem a mobilização do paciente.

O tratamento conservador, sem cirurgia, fica restrito a casos muito específicos: pacientes com comorbidades graves que contraindiquem o procedimento cirúrgico, fraturas incompletas sem deslocamento e situações em que o paciente já não deambulava antes do evento. Mesmo nesses casos, a equipe médica avalia cuidadosamente os riscos e benefícios de cada abordagem.

Tipos de procedimentos realizados

Os principais procedimentos utilizados na cirurgia para fratura de quadril em idosos são:

  • Fixação interna com parafusos;
  • Artroplastia parcial (hemiartroplastia) do quadril, a qual substitui apenas a cabeça do fêmur por uma prótese, mantendo o acetábulo original;
  • Artroplastia total do quadril, que substitui tanto a cabeça femoral quanto o acetábulo. 

A escolha do procedimento é individualizada, considerando a classificação da fratura, a idade biológica do paciente, seu nível de atividade antes da lesão e a presença de doenças associadas.

Leia também:  Bursite no quadril: aprenda a evitar e tratar o problema

Tempo de recuperação após fratura de quadril em idosos

tempo de recuperação da fratura de quadril em idosos varia conforme o tipo de cirurgia realizada, a condição clínica geral do paciente e a adesão ao programa de reabilitação. 

Em termos gerais, a recuperação completa pode levar de três meses a um ano.

Primeiros dias após a cirurgia

Nas primeiras 24 a 48 horas após o procedimento, a equipe de fisioterapia já inicia o processo de mobilização. O paciente é estimulado a sentar na beira do leito e, quando possível, a dar os primeiros passos com auxílio. 

Essa mobilização precoce é fundamental para prevenir complicações como trombosepneumoniaperda muscular acelerada.

O controle da dor pós-operatória é parte central do cuidado nesse período. Sem manejo analgésico adequado, o paciente evita movimentar-se, o que compromete toda a evolução da recuperação.

Quando o idoso pode voltar a andar

Com fisioterapia regular e ausência de complicações, muitos pacientes iniciam a marcha com andador ainda durante a internação, geralmente entre o segundo e o quarto dia após a cirurgia.

A progressão para caminhada com bengala e, posteriormente, sem auxílio, ocorre ao longo das semanas seguintes, respeitando o ritmo individual de cada paciente.

foto de uma idosa vestindo um avental em pé (com apoio de um andador), do lado da cama de um hospital

O retorno à marcha independente tende a ocorrer entre 6 e 12 semanas, mas pode ser mais lento em pacientes com comorbidades múltiplas, sarcopenia acentuada ou complicações pós-operatórias.

tempo de recuperação da fratura de quadril em idosos também é influenciado pelo suporte familiar e pelo ambiente domiciliar, que precisam estar adaptados para facilitar a deambulação segura.

Reabilitação após fratura de quadril em idosos

reabilitação após fratura de quadril em idosos é parte indissociável do tratamento. Mesmo com uma cirurgia tecnicamente bem-sucedida, sem um programa estruturado de reabilitação, os ganhos funcionais são significativamente menores.

Papel da fisioterapia na recuperação

fisioterapia atua em todas as fases da recuperação, desde o pós-operatório imediato até o retorno às atividades cotidianas. As principais frentes de trabalho incluem:

  • Fortalecimento muscular dos membros inferiores e do core, essencial para estabilidade e equilíbrio;
  • Treino de marcha, com progressão gradual do auxílio utilizado (andador, bengala, marcha livre);
  • Exercícios de equilíbrio, para reduzir o risco de novas quedas;
  • Mobilização articular, para recuperar a amplitude de movimento do quadril;
  • Orientações posturais, para evitar posturas de risco.

Em casos de maior complexidade, a reabilitação após fratura de quadril em idosos pode ser realizada em centros especializados, com equipe multiprofissional composta por fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e profissionais de saúde mental.

Cuidados para evitar novas quedas

Os cuidados fundamentais para evitar novas quedas e reduzir os fatores de risco incluem:

  • Tratamento e monitoramento da osteoporose com medicamentos adequados e suplementação de cálcio e vitamina D;
  • Adaptação do ambiente doméstico: remoção de tapetes soltos, instalação de barras de apoio no banheiro e corrimãos em escadas, melhora da iluminação;
  • Revisão periódica dos medicamentos em uso, especialmente aqueles que causam tontura ou hipotensão;
  • Prática regular de exercícios físicos supervisionados, com foco em equilíbrio e fortalecimento muscular;
  • Avaliação oftalmológica para correção de déficits visuais que comprometam a percepção do ambiente.

A abordagem integrada, que une tratamento cirúrgico qualificado, fisioterapia intensiva e medidas preventivas consistentes, é a que oferece os melhores resultados para que o idoso recupere autonomia, mobilidade e qualidade de vida após uma fratura de quadril.

Se você ou um familiar está enfrentando os desafios de uma fratura de quadril, não adie o atendimento. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são determinantes para o prognóstico. 

O Núcleo de Quadril do Hospital Sírio-Libanês é formado por uma equipe multiprofissional com reconhecida capacitação no tratamento dos problemas que acometem a região, oferecendo total suporte para recuperação dos seus pacientes.

Saiba mais sobre o Núcleo do Quadril do Hospital Sírio-Libanês.

Texto validado por Dr. Sergio Paulo Viriato - CRM 27308