Tendinite e Bursite do quadril

Dor persistente ao caminhar ou ao deitar-se de lado pode caracterizar uma tendinite ou bursite do quadril.
As queixas de dor na face lateral do quadril de posterior da coxa, são muito comuns hoje na pratica clinica do ortopedista de quadril. O estilo de vida moderna, as atividades físicas e os exercícios trouxeram estas patologias para o nosso dia a dia.
Hospital Sírio-Libanês
Hospital Sírio-Libanês
26/06/2026 5 min de leitura
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O que é tendinite, tendinopatia e bursite e e por que ela acontece:

        O quadril é uma das articulações mais exigidas do corpo humano, pois sustenta o peso corporal, além de ser o motor de arranque da marcha ou corrida.

        A musculatura que envolve a articulação é poderosa e os excessos nestes tendões e músculos pode levar a estas alterações: 

  • A tendinite é a inflamação que ocorre de forma aguda ou sub aguda, principalmente nos tendões do glúteo médio, pequeno glúteo e os ísquios tibiais proximal, os outros tendões também podem ser focos de dor; 
  • A tendinopatia aparece quando a inflamação se perpetua, alterando a forma e a bainha destes tendões; 
  • A bursite trocanteriana e bursite dos ísquio tibiais aparecem quando entre os folhetos musculares ocorre uma inflamação e pode existir um acumulo de liquido e ate calcificação desta área. 

        A inflamação, em geral, não ocorre de forma súbita. Ela costuma se desenvolver de maneira progressiva, a partir de microlesões acumuladas no tecido tendinoso que, sem o tempo adequado de recuperação, evoluem para um quadro inflamatório mais intenso e sintomático.

 

Principais causas da inflamação nos tendões do quadril:

Entre as causas mais comuns da tendinite no quadril estão:

  • Aumento brusco na intensidade ou na frequência de atividades físicas;
  • Desequilíbrios musculares, especialmente fraqueza dos glúteos e abdutores;
  • Postura inadequada durante treinos ou no trabalho;
  • Sobrecarga funcional decorrente de longas horas em pé ou caminhadas excessivas;
  • Calçados sem suporte adequado, que alteram a biomecânica da marcha;
  • Retorno precoce ao esporte após lesões anteriores;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo.

Quem tem mais risco de desenvolver tendinite no quadril:

Qualquer pessoa pode desenvolver a condição, mas alguns grupos apresentam maior vulnerabilidade: 

  • Corredores, ciclistas e praticantes de musculação estão entre os mais acometidos, especialmente quando há falhas no planejamento do treinamento. 
  • Mulheres acima dos 40 anos também têm maior predisposição, em parte por alterações hormonais que afetam a elasticidade dos tendões.
  • Pessoas com sobrepeso, histórico de lesões no quadril ou que retornam à atividade física após longos períodos de inatividade também integram esse grupo de risco.

 

Tendinite  e bursite no quadril: sintomas mais comuns:

Reconhecer os sintomas da tendinite no quadril precocemente é o primeiro passo para evitar que o quadro se torne crônico. A dor costuma ser o sinal mais evidente, mas existem outras manifestações que merecem atenção. Confira mais detalhes a seguir.

  • Dor lateral ao caminhar;
  • Dor ao deitar no lado afetado;
  • Dor ao sentar-se, durante tempo prolongado, como: trabalho, dirigir por longos períodos. 

Como é feito o diagnostico:

diagnóstico correto da tendinite no quadril combina uma boa avaliação clínica com exames complementares quando necessário. Não existe um exame isolado que feche o diagnóstico, é o conjunto de informações que orienta a conduta.

 

Avaliação clínica e exame físico:

Durante a consulta, o ortopedista realiza uma anamnese (entrevista) detalhada, investigando o início dos sintomas, a localização e o caráter da dor, os fatores que pioram ou aliviam o quadro, o histórico de atividade física e doenças preexistentes. 

O exame físico inclui:

  • Testes específicos de mobilidade do quadril, para avaliar patologias articulares.
  • Palpação das estruturas anatômicas;
  • Avaliação da marcha.

Os exames de imagem são necessários:

  • Ultrassonografia;
  • Ressonância magnética (oferece maior detalhamento dos tecidos moles como tendões e bursas). 

Tratamento para tendinite e bursite do quadril:

  • O tratamento na fase inicial é essencialmente conservador: repouso, medicamentos podendo associar com fisioterapia analgésica e gelo local. A orientação médica é muito importante;
  • Nos casos de bursite aguda a infiltração com corticosteroides e analgésicos locais esta indicada;
  • Nas tendinopatias e nos casos de sintomas prolongados a infiltração cm corticoides e anestesia também esta indicada, bem como,  a fisioterapia analgésica. 
  • Exercícios: São indicados, pois a recuperação funcional do tratamento quando houve melhora de dor.
  • Exercícios excêntricos dos tendões: considerados padrão-ouro na reabilitação de tendinopatias, promovem a remodelação do tecido tendinoso;
  • Fortalecimento dos glúteos: glúteo médio e glúteo máximo são os principais estabilizadores do quadril e, quando fortalecidos, reduzem a sobrecarga nos tendões;
  • Trabalho de core: o fortalecimento da musculatura central melhora o controle da pelve e diminui as forças de impacto sobre a articulação;
  • Mobilização e alongamentos supervisionados: restauram a amplitude de movimento sem agravar a inflamação.

 Quanto tempo dura a tendinite no quadril:

Uma das dúvidas mais comuns entre os pacientes é: quanto tempo dura a tendinite no quadril? A resposta varia bastante conforme o estágio da inflamação, a adesão ao tratamento e os fatores individuais de cada pessoa.

Em casos leves, tratados precocemente, a melhora significativa pode ocorrer entre 4 e 8 semanas. 

Quadros moderados costumam exigir de 3 a 6 meses de tratamento. 

Já a tendinite crônica pode levar mais de 6 meses para se resolver e, em alguns casos, evolui para uma tendinopatia.

O que evitar durante o tratamento: 

Durante o período de tratamento da tendinite no quadril, algumas atitudes podem comprometer a recuperação e devem ser evitadas:

  • Retornar à prática esportiva intensa antes da liberação do médico ou fisioterapeuta;
  • Realizar alongamentos intensos na fase aguda, pois podem aumentar a inflamação;
  • Ignorar a dor como sinal de alerta e insistir nas atividades;
  • Usar medicamentos por conta própria sem orientação profissional;
  • Permanecer em repouso absoluto por tempo prolongado, o que pode causar atrofia muscular e piorar o prognóstico.

 

Como prevenir novas crises de tendinite no quadril:

Quem já vivenciou um episódio de tendinite no quadril sabe o quanto a condição pode ser limitante. A boa notícia é que, com os cuidados certos, é possível reduzir significativamente o risco de recorrência. 

Saber como prevenir tendinite no quadril faz parte do processo de cuidado a longo prazo. Entenda a seguir.

Alongamentos e fortalecimento muscular:

prevenção começa com um programa regular de fortalecimento muscular, especialmente da musculatura do quadril, glúteos e core, combinado a alongamentos adequados.

O trabalho de mobilidade, quando feito de forma progressiva e supervisionada, melhora a flexibilidade dos tendões e reduz o risco de microlesões. 

Inclua exercícios de cadeia cinética fechada, como agachamentos e afundos, que fortalecem toda a musculatura da região de forma funcional, sempre com a orientação de um profissional especializado.

Texto validado por Dr. Sergio Paulo Viriato - CRM 27308