Tendinite e Bursite do quadril
As queixas de dor na face lateral do quadril de posterior da coxa, são muito comuns hoje na pratica clinica do ortopedista de quadril. O estilo de vida moderna, as atividades físicas e os exercícios trouxeram estas patologias para o nosso dia a dia.
O que é tendinite, tendinopatia e bursite e e por que ela acontece:
O quadril é uma das articulações mais exigidas do corpo humano, pois sustenta o peso corporal, além de ser o motor de arranque da marcha ou corrida.
A musculatura que envolve a articulação é poderosa e os excessos nestes tendões e músculos pode levar a estas alterações:
- A tendinite é a inflamação que ocorre de forma aguda ou sub aguda, principalmente nos tendões do glúteo médio, pequeno glúteo e os ísquios tibiais proximal, os outros tendões também podem ser focos de dor;
- A tendinopatia aparece quando a inflamação se perpetua, alterando a forma e a bainha destes tendões;
- A bursite trocanteriana e bursite dos ísquio tibiais aparecem quando entre os folhetos musculares ocorre uma inflamação e pode existir um acumulo de liquido e ate calcificação desta área.
A inflamação, em geral, não ocorre de forma súbita. Ela costuma se desenvolver de maneira progressiva, a partir de microlesões acumuladas no tecido tendinoso que, sem o tempo adequado de recuperação, evoluem para um quadro inflamatório mais intenso e sintomático.
Principais causas da inflamação nos tendões do quadril:
Entre as causas mais comuns da tendinite no quadril estão:
- Aumento brusco na intensidade ou na frequência de atividades físicas;
- Desequilíbrios musculares, especialmente fraqueza dos glúteos e abdutores;
- Postura inadequada durante treinos ou no trabalho;
- Sobrecarga funcional decorrente de longas horas em pé ou caminhadas excessivas;
- Calçados sem suporte adequado, que alteram a biomecânica da marcha;
- Retorno precoce ao esporte após lesões anteriores;
- Obesidade;
- Sedentarismo.
Quem tem mais risco de desenvolver tendinite no quadril:
Qualquer pessoa pode desenvolver a condição, mas alguns grupos apresentam maior vulnerabilidade:
- Corredores, ciclistas e praticantes de musculação estão entre os mais acometidos, especialmente quando há falhas no planejamento do treinamento.
- Mulheres acima dos 40 anos também têm maior predisposição, em parte por alterações hormonais que afetam a elasticidade dos tendões.
- Pessoas com sobrepeso, histórico de lesões no quadril ou que retornam à atividade física após longos períodos de inatividade também integram esse grupo de risco.
Tendinite e bursite no quadril: sintomas mais comuns:
Reconhecer os sintomas da tendinite no quadril precocemente é o primeiro passo para evitar que o quadro se torne crônico. A dor costuma ser o sinal mais evidente, mas existem outras manifestações que merecem atenção. Confira mais detalhes a seguir.
- Dor lateral ao caminhar;
- Dor ao deitar no lado afetado;
- Dor ao sentar-se, durante tempo prolongado, como: trabalho, dirigir por longos períodos.
Como é feito o diagnostico:
O diagnóstico correto da tendinite no quadril combina uma boa avaliação clínica com exames complementares quando necessário. Não existe um exame isolado que feche o diagnóstico, é o conjunto de informações que orienta a conduta.
Avaliação clínica e exame físico:
Durante a consulta, o ortopedista realiza uma anamnese (entrevista) detalhada, investigando o início dos sintomas, a localização e o caráter da dor, os fatores que pioram ou aliviam o quadro, o histórico de atividade física e doenças preexistentes.
O exame físico inclui:
- Testes específicos de mobilidade do quadril, para avaliar patologias articulares.
- Palpação das estruturas anatômicas;
- Avaliação da marcha.
Os exames de imagem são necessários:
- Ultrassonografia;
- Ressonância magnética (oferece maior detalhamento dos tecidos moles como tendões e bursas).
Tratamento para tendinite e bursite do quadril:
- O tratamento na fase inicial é essencialmente conservador: repouso, medicamentos podendo associar com fisioterapia analgésica e gelo local. A orientação médica é muito importante;
- Nos casos de bursite aguda a infiltração com corticosteroides e analgésicos locais esta indicada;
- Nas tendinopatias e nos casos de sintomas prolongados a infiltração cm corticoides e anestesia também esta indicada, bem como, a fisioterapia analgésica.
- Exercícios: São indicados, pois a recuperação funcional do tratamento quando houve melhora de dor.
- Exercícios excêntricos dos tendões: considerados padrão-ouro na reabilitação de tendinopatias, promovem a remodelação do tecido tendinoso;
- Fortalecimento dos glúteos: glúteo médio e glúteo máximo são os principais estabilizadores do quadril e, quando fortalecidos, reduzem a sobrecarga nos tendões;
- Trabalho de core: o fortalecimento da musculatura central melhora o controle da pelve e diminui as forças de impacto sobre a articulação;
- Mobilização e alongamentos supervisionados: restauram a amplitude de movimento sem agravar a inflamação.
Quanto tempo dura a tendinite no quadril:
Uma das dúvidas mais comuns entre os pacientes é: quanto tempo dura a tendinite no quadril? A resposta varia bastante conforme o estágio da inflamação, a adesão ao tratamento e os fatores individuais de cada pessoa.
Em casos leves, tratados precocemente, a melhora significativa pode ocorrer entre 4 e 8 semanas.
Quadros moderados costumam exigir de 3 a 6 meses de tratamento.
Já a tendinite crônica pode levar mais de 6 meses para se resolver e, em alguns casos, evolui para uma tendinopatia.
O que evitar durante o tratamento:
Durante o período de tratamento da tendinite no quadril, algumas atitudes podem comprometer a recuperação e devem ser evitadas:
- Retornar à prática esportiva intensa antes da liberação do médico ou fisioterapeuta;
- Realizar alongamentos intensos na fase aguda, pois podem aumentar a inflamação;
- Ignorar a dor como sinal de alerta e insistir nas atividades;
- Usar medicamentos por conta própria sem orientação profissional;
- Permanecer em repouso absoluto por tempo prolongado, o que pode causar atrofia muscular e piorar o prognóstico.
Como prevenir novas crises de tendinite no quadril:
Quem já vivenciou um episódio de tendinite no quadril sabe o quanto a condição pode ser limitante. A boa notícia é que, com os cuidados certos, é possível reduzir significativamente o risco de recorrência.
Saber como prevenir tendinite no quadril faz parte do processo de cuidado a longo prazo. Entenda a seguir.
Alongamentos e fortalecimento muscular:
A prevenção começa com um programa regular de fortalecimento muscular, especialmente da musculatura do quadril, glúteos e core, combinado a alongamentos adequados.
O trabalho de mobilidade, quando feito de forma progressiva e supervisionada, melhora a flexibilidade dos tendões e reduz o risco de microlesões.
Inclua exercícios de cadeia cinética fechada, como agachamentos e afundos, que fortalecem toda a musculatura da região de forma funcional, sempre com a orientação de um profissional especializado.
Texto validado por Dr. Sergio Paulo Viriato - CRM 27308