Prevenção de Infecções Urinárias
Infecções urinária em mulheres
Aproximadamente 50-60% das mulheres experimentarão pelo menos uma infecção urinária ao longo da vida. Além disso, a recorrência é um problema significativo, com até 25% das mulheres que tiveram um episódio sofrendo de novas infecções dentro de seis meses.
Os principais patógenos associados às infecções urinárias são as bactérias, sendo a Escherichia coli a mais prevalente, responsável por cerca de 80% dos casos. Outras bactérias, como Klebsiella, Proteus e Enterococcus, também podem estar envolvidas, especialmente em casos mais complicados ou em mulheres com condições subjacentes.
Os fatores de risco para infecções urinárias em mulheres incluem:
1. Anatomia e Fisiologia: A uretra feminina é mais curta do que a masculina, facilitando a ascensão de bactérias da uretra para a bexiga. A proximidade da uretra com o ânus também contribui para a contaminação.
2. Atividade Sexual: Relações sexuais podem favorecer a introdução de bactérias na uretra, um fenômeno frequentemente descrito como "cistite da lua de mel".
3. Uso de Anticoncepcionais: Métodos de contracepção, como diafragmas e espermicidas, podem alterar a flora vaginal e aumentar o risco de infecção urinária.
4. Menopausa: A diminuição dos níveis de estrogênio pode levar a alterações na mucosa vaginal e uretral, tornando-as mais suscetíveis a infecções.
5. Diabetes Mellitus: Mulheres diabéticas têm um risco aumentado de infecção urinária, possivelmente devido a alterações na imunidade e na presença de glicose na urina, que pode favorecer o crescimento bacteriano.
6. Histórico de infecção urinária: Mulheres com histórico de infecções urinárias têm maior probabilidade de desenvolver novas infecções.
A apresentação clínica das infecções urinárias em mulheres geralmente inclui sintomas como:
- Disúria: dor ou ardor ao urinar.
- Urgência urinária: necessidade frequente e urgente de urinar.
- Polaciúria: aumento da frequência urinária.
- Dor suprapúbica: desconforto ou dor na região da bexiga.
- Hematúria: presença de sangue na urina, que pode ser visível ou microscópica.
Em casos mais graves, como nas infecções do trato urinário superior (pielonefrite), podem ocorrer sintomas sistêmicos, como febre, calafrios e dor lombar.
O diagnóstico é geralmente realizado através da análise de urina, que pode incluir exame de urina tipo I e cultura de urina. A identificação do patógeno é fundamental para a escolha do tratamento adequado, que frequentemente envolve o uso de antibióticos.
A prevenção de infecções do trato urinário pode ser feita com um conjunto de medidas comportamentais, intervenções clínicas e o uso de suplementos como cranberry e lactobacilos. A seguir, detalho cada um desses pontos:
1. Medidas Comportamentais
Essas medidas são simples e baseadas em hábitos que reduzem o risco de contaminação bacteriana da uretra:
A) Higiene íntima:
- Limpeza sempre da frente para trás após urinar ou evacuar.
- Evitar duchas vaginais e produtos íntimos perfumados que alterem o pH vaginal.
B) Micção adequada:
- Urinar logo após a relação sexual para eliminar bactérias que possam ter entrado na uretra.
- Não segurar a urina por períodos longos.
- Garantir esvaziamento completo da bexiga.
C) Hidratação:
- Ingerir bastante água ao longo do dia (2 a 3 litros), para aumentar a frequência urinária e reduzir a colonização bacteriana.
D) Roupas:
- Usar roupas íntimas de algodão e evitar calças muito apertadas por longos períodos.
- Evitar ficar com roupas de banho molhadas por muito tempo.
- Medidas Clínicas Indicadas especialmente para mulheres com infecções de repetição (≥2 episódios em 6 meses ou ≥3 em 12 meses): A) Profilaxia antibiótica de baixa dose:
- Ex: nitrofurantoína, trimetoprima ou fosfomicina, sob prescrição médica.
- Pode ser contínua ou pós-coito, dependendo do padrão das infecções.
B) Terapia hormonal local (estrogênio vaginal):
- Para mulheres na pós-menopausa, o estrógeno vaginal pode restaurar a flora normal e reduzir infecções.
C) Suplementos Naturais: Cranberry (Oxicoco)
- Cranberry contém proantocianidinas tipo A, que inibem a adesão de E. coli ao urotélio.
D) Probióticos com Lactobacilos:
- Lactobacilos (como L. crispatus, L. rhamnosus) restauram e mantêm a microbiota vaginal, que protege contra a colonização por patógenos.
- Produzem ácido lático, peróxido de hidrogênio e bacteriocinas que inibem bactérias uropatogênicas.
Infecções urinária em homens
A infecção do trato urinário em homens é menos comum do que em mulheres, mas quando ocorre, frequentemente está associada a fatores predisponentes e pode indicar uma condição subjacente mais grave.
Os fatores de risco para ITU em homens incluem: Fatores anatômicos/funcionais:
- Hiperplasia prostática benigna (HPB) – causa obstrução do fluxo urinário;
- Estenose uretral;
- Refluxo vesicoureteral;
- Malformações do trato urinário.
Fatores infecciosos e comportamentais:
- Relações sexuais desprotegidas, especialmente com múltiplas parceiras;
- Higiene inadequada da região genital;
- Uso de cateter vesical ou instrumentos urológicos.
Comorbidades médicas:
- Diabetes mellitus – aumenta risco por imunossupressão e glicosúria.
- Imunossupressão – uso de imunossupressores, HIV, etc.
- Doenças neurológicas – que causam retenção urinária (ex.: lesão medular, Parkinson).
A prevenção da ITU em homens envolve a identificação e modificação dos fatores de risco: Medidas gerais:
- Higiene íntima adequada;
- Ingestão hídrica suficiente para manter a diurese adequada;
- Urinar após relações sexuais (ajuda a eliminar bactérias da uretra);
- Evitar retenção urinária – urinar quando sentir vontade;
Manejo de comorbidades:
- Controle rigoroso do diabetes
- Avaliação e tratamento de doenças da próstata (como HPB)
Cuidados com dispositivos urológicos:
- Evitar uso prolongado de sondas urinárias;
- Seguir técnica asséptica na colocação de cateteres;
- Substituição adequada de sondas conforme orientação médica.
Rastreamento e tratamento de infecções associadas:
- Tratar infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)
- Avaliar e tratar bacteriúria assintomática em casos específicos, como antes de procedimentos urológicos
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