Prevenção de Infecções Urinárias

As infecções urinárias afetam principalmente as mulheres e podem causar dor ao urinar, urgência e desconforto. Neste conteúdo, você entende os principais sintomas, causas, fatores de risco e formas de prevenção — além de saber quando buscar ajuda médica especializada.
Imagem do Sírio-Libanês

Sírio-Libanês

·

5 min de leitura

banner_blogpost_prevencao de infeccao urinaria.jpg

Infecções urinária em mulheres

Aproximadamente 50-60% das mulheres experimentarão pelo menos uma infecção urinária ao longo da vida. Além disso, a recorrência é um problema significativo, com até 25% das mulheres que tiveram um episódio sofrendo de novas infecções dentro de seis meses.

Os principais patógenos associados às infecções urinárias são as bactérias, sendo a Escherichia coli a mais prevalente, responsável por cerca de 80% dos casos. Outras bactérias, como Klebsiella, Proteus e Enterococcus, também podem estar envolvidas, especialmente em casos mais complicados ou em mulheres com condições subjacentes.

Os fatores de risco para infecções urinárias em mulheres incluem:
1. Anatomia e Fisiologia: A uretra feminina é mais curta do que a masculina, facilitando a ascensão de bactérias da uretra para a bexiga. A proximidade da uretra com o ânus também contribui para a contaminação.
2. Atividade Sexual: Relações sexuais podem favorecer a introdução de bactérias na uretra, um fenômeno frequentemente descrito como "cistite da lua de mel".
3. Uso de Anticoncepcionais: Métodos de contracepção, como diafragmas e espermicidas, podem alterar a flora vaginal e aumentar o risco de infecção urinária.
4. Menopausa: A diminuição dos níveis de estrogênio pode levar a alterações na mucosa vaginal e uretral, tornando-as mais suscetíveis a infecções.
5. Diabetes Mellitus: Mulheres diabéticas têm um risco aumentado de infecção urinária, possivelmente devido a alterações na imunidade e na presença de glicose na urina, que pode favorecer o crescimento bacteriano.
6. Histórico de infecção urinária: Mulheres com histórico de infecções urinárias têm maior probabilidade de desenvolver novas infecções.

A apresentação clínica das infecções urinárias em mulheres geralmente inclui sintomas como:

  • Disúria: dor ou ardor ao urinar.
  • Urgência urinária: necessidade frequente e urgente de urinar.
  • Polaciúria: aumento da frequência urinária.
  • Dor suprapúbica: desconforto ou dor na região da bexiga.
  • Hematúria: presença de sangue na urina, que pode ser visível ou microscópica.

Em casos mais graves, como nas infecções do trato urinário superior (pielonefrite), podem ocorrer sintomas sistêmicos, como febre, calafrios e dor lombar.

O diagnóstico é geralmente realizado através da análise de urina, que pode incluir exame de urina tipo I e cultura de urina. A identificação do patógeno é fundamental para a escolha do tratamento adequado, que frequentemente envolve o uso de antibióticos.

A prevenção de infecções do trato urinário pode ser feita com um conjunto de medidas comportamentais, intervenções clínicas e o uso de suplementos como cranberry e lactobacilos. A seguir, detalho cada um desses pontos:
1. Medidas Comportamentais Essas medidas são simples e baseadas em hábitos que reduzem o risco de contaminação bacteriana da uretra: A) Higiene íntima:

  • Limpeza sempre da frente para trás após urinar ou evacuar.
  • Evitar duchas vaginais e produtos íntimos perfumados que alterem o pH vaginal.

B) Micção adequada:

  • Urinar logo após a relação sexual para eliminar bactérias que possam ter entrado na uretra.
  • Não segurar a urina por períodos longos.
  • Garantir esvaziamento completo da bexiga.

C) Hidratação:

  • Ingerir bastante água ao longo do dia (2 a 3 litros), para aumentar a frequência urinária e reduzir a colonização bacteriana.

D) Roupas:

  • Usar roupas íntimas de algodão e evitar calças muito apertadas por longos períodos.
  • Evitar ficar com roupas de banho molhadas por muito tempo.
  1. Medidas Clínicas Indicadas especialmente para mulheres com infecções de repetição (≥2 episódios em 6 meses ou ≥3 em 12 meses): A) Profilaxia antibiótica de baixa dose:
  • Ex: nitrofurantoína, trimetoprima ou fosfomicina, sob prescrição médica.
  • Pode ser contínua ou pós-coito, dependendo do padrão das infecções.

B) Terapia hormonal local (estrogênio vaginal):

  • Para mulheres na pós-menopausa, o estrógeno vaginal pode restaurar a flora normal e reduzir infecções.

C) Suplementos Naturais: Cranberry (Oxicoco)

  • Cranberry contém proantocianidinas tipo A, que inibem a adesão de E. coli ao urotélio.

D) Probióticos com Lactobacilos:

  • Lactobacilos (como L. crispatus, L. rhamnosus) restauram e mantêm a microbiota vaginal, que protege contra a colonização por patógenos.
  • Produzem ácido lático, peróxido de hidrogênio e bacteriocinas que inibem bactérias uropatogênicas.

Infecções urinária em homens

A infecção do trato urinário em homens é menos comum do que em mulheres, mas quando ocorre, frequentemente está associada a fatores predisponentes e pode indicar uma condição subjacente mais grave.

Os fatores de risco para ITU em homens incluem: Fatores anatômicos/funcionais:

  • Hiperplasia prostática benigna (HPB) – causa obstrução do fluxo urinário;
  • Estenose uretral;
  • Refluxo vesicoureteral;
  • Malformações do trato urinário.

Fatores infecciosos e comportamentais:

  • Relações sexuais desprotegidas, especialmente com múltiplas parceiras;
  • Higiene inadequada da região genital;
  • Uso de cateter vesical ou instrumentos urológicos.

Comorbidades médicas:

  • Diabetes mellitus – aumenta risco por imunossupressão e glicosúria.
  • Imunossupressão – uso de imunossupressores, HIV, etc.
  • Doenças neurológicas – que causam retenção urinária (ex.: lesão medular, Parkinson).

A prevenção da ITU em homens envolve a identificação e modificação dos fatores de risco: Medidas gerais:

  • Higiene íntima adequada;
  • Ingestão hídrica suficiente para manter a diurese adequada;
  • Urinar após relações sexuais (ajuda a eliminar bactérias da uretra);
  • Evitar retenção urinária – urinar quando sentir vontade;

Manejo de comorbidades:

  • Controle rigoroso do diabetes
  • Avaliação e tratamento de doenças da próstata (como HPB)

Cuidados com dispositivos urológicos:

  • Evitar uso prolongado de sondas urinárias;
  • Seguir técnica asséptica na colocação de cateteres;
  • Substituição adequada de sondas conforme orientação médica.

Rastreamento e tratamento de infecções associadas:

  • Tratar infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)
  • Avaliar e tratar bacteriúria assintomática em casos específicos, como antes de procedimentos urológicos

Cuidar da saúde urológica é cuidar do seu bem-estar em todas as fases da vida. Conte com os especialistas do Sírio-Libanês.

Problemas urinários, disfunções sexuais e alterações na próstata são condições que merecem atenção especializada, diagnóstico preciso e tratamento individualizado.

No Núcleo de Urologia do Hospital Sírio-Libanês, você conta com uma equipe experiente, tecnologia de ponta e uma abordagem integrada.

Se você apresenta sintomas urinários, deseja acompanhar a saúde da próstata ou busca atendimento preventivo, agende uma consulta com nossos especialistas.