Lesão de menisco: sintomas, diagnóstico e tratamento

Lesão de menisco causa dor no joelho ao dobrar, inchaço e limitação de movimento. Entenda os sintomas, como é feito o diagnóstico e quando a cirurgia é necessária.
Hospital Sírio-Libanês
Hospital Sírio-Libanês
27/03/2026 9 min de leitura
banner_lesao_de_menisco_1170x495.webp

lesão de menisco é uma das causas mais frequentes de dor no joelho. Ela pode acontecer com pessoas de diferentes idades: tanto em jovens durante a prática de esportes, quanto em adultos mais velhos por conta do desgaste natural da articulação ao longo do tempo.

Entenda o que acontece quando o menisco é lesionado, quais são os sintomas, de que forma o diagnóstico é feito e quais tratamentos estão disponíveis. 

O que é a lesão de menisco e como ela acontece?

O menisco é uma estrutura em forma de meia-lua localizada dentro do joelho, entre o osso da coxa (fêmur) e o osso da perna (tíbia). Cada joelho tem dois meniscos: um do lado interno e outro do lado externo.

A principal função do menisco é amortecer o impacto das atividades do dia a dia, como caminhar, subir escadas ou praticar esportes, e ajudar a distribuir o peso de forma equilibrada sobre a articulação. Ele também contribui para a estabilidade do joelho durante os movimentos.

Quando essa estrutura sofre uma força além do que consegue suportar, pode ocorrer uma fissura ou ruptura do menisco. A lesão pode ser pequena e superficial ou mais extensa, afetando toda a espessura do menisco.

Principais causas da lesão de menisco

A lesão de menisco pode ocorrer de duas formas principais:

1. Por trauma agudo: acontece de forma súbita, geralmente durante um movimento de torção do joelho com o pé firme no chão. É mais comum em esportes como futebol, basquete e tênis, mas também pode ocorrer em quedas ou acidentes no dia a dia.

 

2. Por desgaste progressivo: com o passar dos anos, o menisco perde parte de sua elasticidade e resistência. Nesse caso, a lesão pode surgir sem nenhum trauma específico. Às vezes, ocorre ao realizar um movimento simples, como agachar ou levantar de uma cadeira. Esse tipo de lesão é mais frequente em pessoas acima dos 40 anos.

Acesse também: Caiu? Se tiver dificuldade para andar e a dor persistir, procure um médico

Quem tem mais risco de romper o menisco?

Qualquer pessoa pode sofrer uma lesão de menisco, mas alguns fatores aumentam essa possibilidade:

  • Praticar esportes com mudanças rápidas de direção ou contato físico.
  • Ter sofrido lesões anteriores no joelho, especialmente nos ligamentos.
  • Estar acima do peso, o que aumenta a sobrecarga sobre a articulação.
  • Ter mais de 40 anos, quando o tecido já apresenta algum grau de desgaste natural.
  • Trabalhar em posições que exigem longo tempo ajoelhado ou agachado.

Lesão de menisco: quais os sintomas mais comuns?

Os sintomas variam conforme a causa e a gravidade da lesão. Quando o menisco é rompido de forma súbita (durante um esporte, por exemplo) a dor costuma aparecer de imediato, às vezes acompanhada de um estalo audível. 

Já nas lesões causadas pelo desgaste, o desconforto tende a se instalar aos poucos, sem um momento exato que a pessoa consiga identificar.

Lesão de menisco: sintomas no dia a dia

Os sinais mais comuns que podem indicar uma lesão de menisco são:

  • Dor na parte interna ou externa do joelho, especialmente ao toque na linha da articulação.
  • Inchaço dentro do joelho (derrame articular) ou ao redor do joelho, que pode aparecer logo após a lesão ou se desenvolver gradualmente.
  • Dificuldade para dobrar ou esticar completamente o joelho
  • Sensação de estalo ou algo "raspando" dentro da articulação durante os movimentos.
  • Bloqueio do joelho: em alguns casos, a articulação trava e não consegue ser totalmente estendida — isso pode indicar uma ruptura em formato de "alça de balde", que exige avaliação médica com urgência.

Confira: 6 dicas para acabar com as dores no joelho

Dor no joelho ao dobrar e ao caminhar

Um dos sintomas mais relatados pelos pacientes com lesão de menisco é a dor ao dobrar o joelho. Ela tende a aparecer ou se intensificar em situações cotidianas como agachar, sentar-se por muito tempo, subir e descer escadas, ou caminhar em pisos irregulares.

Em casos mais graves, a dor pode estar presente mesmo em repouso. Esse padrão de dor não é exclusivo da lesão de menisco, pois outras condições do joelho, como inflamação dos tendões ou desgaste da cartilagem, podem causar sintomas semelhantes. 

Por isso, a avaliação médica é essencial para identificar a causa correta.

Como é feito o diagnóstico da lesão de menisco?

diagnóstico é feito a partir de duas etapas complementares: a avaliação médica presencial com história clínica e exame físico e os exames de imagem. Juntas, elas permitem confirmar se há lesão no menisco, identificar sua localização e extensão, e definir o tratamento mais indicado para cada caso.

Avaliação clínica e exame físico

Na consulta, o ortopedista vai conversar com você sobre como e quando os sintomas começaram, se existiu um trauma associado, o que melhora ou piora a dor, e se houve alguma lesão anterior nesse mesmoo joelho. 

Em seguida, realiza o exame físico, que inclui a palpação do joelho para identificar pontos dolorosos, avaliação da amplitude de movimento e testes de movimentação específicos para avaliar o menisco.

Entre os testes mais utilizados estão:

  • Teste de McMurray: o médico dobra e gira o joelho lentamente para verificar se há dor ou estalido na linha da articulação.

  • Teste de Apley: realizado com o paciente deitado de bruços; o médico aplica pressão e faz rotação no joelho para verificar se há dor.

Exame para lesão de menisco, como a ressonância magnética

A ressonância magnética do joelho é o exame mais indicado para confirmar a lesão de menisco. Ela não utiliza radiação e produz imagens detalhadas das estruturas internas da articulação, incluindo os meniscos, os ligamentos e a cartilagem. 

Com esse exame, é possível ver exatamente onde está a lesão, qual é o seu tamanho e se há outras estruturas comprometidas.

Em alguns casos, o médico também pode solicitar uma radiografia do joelho. Embora esse exame não mostre o menisco diretamente, ele ajuda a avaliar o eixo do membro como um todo, o espaço entre os ossos da articulação e a verificar se há sinais de desgaste articular (artrose) ou outras alterações ósseas.

Menisco rompido: tratamento clínico e cirúrgico

Nem toda lesão de menisco exige cirurgia. A escolha do tratamento depende de vários fatores: o tamanho e a localização da ruptura, a idade do paciente, o nível de atividade física, e se a lesão responde bem ao tratamento conservador inicial. 

A decisão deve sempre ser tomada com o médico responsável, levando em conta a situação individual de cada pessoa. Entenda o que pode ser indicado.

Menisco rompido: tratamento sem cirurgia

O tratamento conservador, sem cirurgia, é a primeira opção em muitos casos, especialmente nas lesões causadas pelo desgaste ou em rupturas pequenas localizadas em áreas com boa irrigação sanguínea. As principais medidas incluem:

  • Repouso relativo: reduzir as atividades que causam dor, sem necessariamente ficar completamente parado.
  • Gelo: aplicar gelo sobre o joelho por 15 a 20 minutos, algumas vezes ao dia, para ajudar a reduzir o inchaço e a dor.
  • Medicamentos: anti-inflamatórios e analgésicos podem ser prescritos pelo médico para controlar a dor e a inflamação durante o período de recuperação.
  • Fisioterapia: é parte fundamental do tratamento. O fisioterapeuta orienta exercícios para diminuir a inflamação e a dor no joelho, fortalecer a musculatura ao redor do joelho, melhorar o equilíbrio e recuperar a amplitude de movimento da articulação.
  • Infiltração articularem situações específicas, o médico pode indicar a aplicação de medicamento diretamente na articulação para aliviar a dor e facilitar a reabilitação. Essa conduta deve sempre ser individualizada entre o médico e o paciente.

Cirurgia de menisco: quando é necessária?

cirurgia de menisco pode ser indicada quando o tratamento conservador não traz melhora após algumas semanas, quando o joelho trava e não consegue ser esticado, ou quando a lesão compromete de forma significativa as atividades do dia a dia ou a prática esportiva. 

Nesses casos, o procedimento mais comum é a artroscopia, uma cirurgia minimamente invasiva feita por meio de pequenas incisões, com câmera e instrumentos cirúrgicos específicos.

As abordagens cirúrgicas mais utilizadas são:

  • Retirada parcial do menisco (meniscectomia parcial): remove apenas a parte lesionada e instável. Ainda é um dos procedimentos mais realizados no mundo e, na maioria dos casos, permite retorno relativamente rápido às atividades.
  • Sutura do menisco: Sempre que possível esse deve ser o tratamento de escolha. Quando possível, o menisco é costurado para preservar sua forma e o maior volume de tecido. É mais indicada em pacientes jovens, com lesões em locais com boa circulação sanguínea, mas pode ser realizado em pacientes com mais idade a depender da qualidade do tecido meniscal. A recuperação é mais longa, mas os benefícios a longo prazo são maiores.
  • Transplante de menisco: indicado em casos raros, quando o menisco foi completamente removido em cirurgia anterior e a pessoa apresenta dor persistente, especialmente se for jovem e ativa.

Qual o tempo de recuperação após lesão de menisco?

O tempo necessário para se recuperar de uma lesão de menisco depende da gravidade do caso, do tipo de tratamento realizado e do quanto a pessoa se engaja no processo de reabilitação. 

Seguir as orientações do médico e do fisioterapeuta é o fator que mais influencia a qualidade e a velocidade da recuperação.

Recuperação após tratamento conservador

Com o tratamento sem cirurgia, a maioria dos pacientes começa a notar melhora significativa da dor e do inchaço entre 4 e 8 semanas

O retorno às atividades do dia a dia costuma acontecer de forma gradual dentro desse período. Para atividades de maior impacto, como a prática de esportes, o prazo pode se estender até 3 meses.

Vale lembrar que o tratamento conservador não repara o tecido lesionado, mas ajuda a controlar os sintomas e a compensar a lesão por meio do fortalecimento muscular e da adaptação articular

Em muitos casos, especialmente nos de origem degenerativa, isso é suficiente para que a pessoa retome suas atividades com qualidade de vida satisfatória.

Tempo de recuperação após cirurgia de menisco

Após a retirada parcial do menisco por artroscopia, a recuperação tende a ser rápida. A maioria dos pacientes recebe alta no mesmo dia e pode caminhar com apoio logo nas primeiras semanas. 

O retorno às atividades habituais ocorre em torno de 4 a 8 semanas, e o retorno ao esporte entre 2 e 3 meses, dependendo da avaliação do médico.

Quando o menisco é suturado (costurado aos tecidos), o prazo de recuperação é mais longo, pois o tecido precisa se cicatrizar antes de ser submetido a esforço. O processo costuma ser dividido em fases:

  • Primeiras 6 semanas: proteção da articulação com restrição de carga, uso de muletas e exercícios leves orientados pelo fisioterapeuta.
  • Entre 6 e 12 semanas: introdução gradual do apoio total do peso, exercícios funcionais e treinamento da marcha.
  • Entre 3 e 6 meses: retorno progressivo às atividades esportivas, com critérios estabelecidos pelo médico e fisioterapeuta.
  • Retorno ao esporte competitivo: em geral, após 4 a 6 meses, com liberação médica individualizada.

Conclusão

A lesão de menisco é uma condição que, na maioria dos casos, tem tratamento eficaz, seja por meio de reabilitação ou, quando necessário, de cirurgia. 

Quanto mais cedo o diagnóstico é feito e o tratamento iniciado, maiores são as chances de recuperação completa e de preservação da saúde do joelho a longo prazo.

Se você está sentindo dor ao dobrar o joelho, percebeu inchaço persistente ou tem dificuldade para se movimentar normalmente, procure um médico ortopedista em São Paulo ou Brasília. A avaliação 

Texto validado pelo Dr. Camilo Partezani Helito - CRM 129646