A Síndrome Mielodisplásica é um Câncer? Entenda Tudo Sobre Essa Doença Hematológica

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Dra. Maria Cristina Seiwald

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Escrito por: Dra. Maria Cristina Seiwald, Hematologista do Centro de Oncologia, CRM-SP 151737 Foto2_Blog_Hematologia_Síndrome_Mielodisplásica.webp O diagnóstico precoce é essencial para o tratamento da síndrome mielodisplásica. Imagem: Freepik

A saúde do sangue é essencial para o bom funcionamento do organismo, e qualquer alteração em sua produção pode desencadear uma série de complicações. Entre as doenças hematológicas mais desafiadoras está a síndrome mielodisplásica (SMD), um grupo de distúrbios que afetam diretamente a medula óssea. Mas afinal, a síndrome mielodisplásica é considerada um câncer?

Neste artigo, vamos esclarecer essa e outras dúvidas comuns sobre a SMD, abordando sintomas, diagnóstico, tratamentos disponíveis e os principais fatores de risco.

O que é a Síndrome Mielodisplásica?

A síndrome mielodisplásica, também conhecida como SMD, é um conjunto de doenças caracterizadas pela produção anormal e ineficaz de células sanguíneas na medula óssea. A medula óssea é o tecido responsável por produzir os componentes do sangue: glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Em pessoas com SMD, essa produção é defeituosa, podendo levar ao aparecimento de células sanguíneas imaturas, chamadas blastos e a contagem destas células é fundamental para a avaliação de risco da doença.

Como consequência, o paciente pode apresentar anemia, infecções frequentes e sangramentos anormais. A condição pode ser classificada como:

● SMD primária: quando surge de forma espontânea, sem causa conhecida.
● SMD secundária: quando é provocada por tratamentos prévios, como quimioterapia ou radioterapia, ou pela exposição a substâncias tóxicas.

Afinal, a Síndrome Mielodisplásica é Câncer?

Sim, a síndrome mielodisplásica é considerada um tipo de câncer. Mais especificamente, trata-se de uma neoplasia hematológica maligna, ou seja, um câncer que afeta o sangue e a medula óssea.

A SMD pode ainda progredir para leucemia mieloide aguda (LMA), uma forma mais agressiva de câncer do sangue. Essa transformação ocorre em cerca de 30% dos casos.

Quais são os Sintomas da SMD?

Os sintomas da síndrome mielodisplásica podem variar de pessoa para pessoa, mas em geral, estão relacionados à deficiência das células sanguíneas:

Fadiga excessiva e fraqueza (decorrente da anemia)
Infecções recorrentes (devido à baixa de glóbulos brancos)
Sangramentos fáceis e hematomas frequentes (por conta da baixa de plaquetas)
Palidez, tonturas e falta de ar
● Em casos mais avançados, pode haver febre, perda de peso e dores ósseas

Como os sintomas podem ser confundidos com outras condições menos graves, o diagnóstico precoce é essencial para o sucesso do tratamento.

Fatores de Risco: Quem Está Mais Suscetível?

A SMD pode afetar pessoas de todas as idades, mas é mais comum em idosos, geralmente acima dos 60 anos. Outros fatores de risco incluem:

Exposição a agentes químicos como benzeno, solventes e pesticidas
Histórico de tratamento com quimioterapia ou radioterapia
Tabagismo
● Doenças genéticas ou distúrbios hematológicos anteriores
● Histórico familiar de doenças do sangue

Mesmo assim, muitos pacientes desenvolvem a doença sem fatores de risco identificáveis, o que torna o acompanhamento médico regular ainda mais importante, especialmente para pessoas idosas ou com histórico oncológico.

Como é feito o Diagnóstico da Síndrome Mielodisplásica?

O diagnóstico da SMD envolve uma série de exames laboratoriais e análises clínicas, com o objetivo de avaliar a saúde do sangue e da medula óssea. Os principais exames incluem:

Hemograma completo: detecta alterações nos níveis de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas.
Mielograma: exame que avalia a medula óssea, geralmente feito por aspiração do osso do quadril.
Biópsia de medula óssea: permite uma análise mais detalhada da estrutura da medula.
Citogenética e testes moleculares: identificam alterações nos cromossomos das células, fundamentais para classificar a gravidade da doença e planejar o tratamento.

A partir desses exames, o médico hematologista pode classificar a SMD em diferentes subtipos e graus de risco, que avalia a expectativa de progressão da doença para leucemia aguda.

Quais são os Tratamentos Disponíveis para SMD?

O tratamento da síndrome mielodisplásica depende do risco da doença, da idade do paciente e da presença de outras condições de saúde. As opções terapêuticas mais utilizadas incluem:

1. Tratamento de suporte

Inclui transfusões de sangue e plaquetas, além do uso de antibióticos quando houver infecções ou profiláticos. Isto ajuda no controle de sintomas e melhora na qualidade de vida.

2. Medicamentos estimulantes da medula óssea e modulador da

maturação de células vermelhas Medicamentos estimulantes da medula óssea, como eritropoetina, estimulam a produção de glóbulos vermelhos pela medula óssea, ajudando a combater a anemia, que é um dos sintomas mais comuns da doença.

O luspatercepte não é exatamente um estimulante da medula óssea tradicional, como a eritropoetina, mas sim um modulador da maturação de células vermelhas. Ele ajuda a medula óssea a produzir mais glóbulos vermelhos maduros em pacientes com certos tipos de anemia.

Ambos os medicamentos são mais eficazes nas SMDs de baixo risco.

3. Agentes hipometilantes

Medicamentos como azacitidina e decitabina, atuam na medula óssea para ### estimular a produção de células saudáveis e reduzir a progressão para leucemia.

4. Terapia imunossupressora

Utilizada em casos selecionados, especialmente na SMD hipocelular.

5. Imunomoduladores

A lenalidomida é um medicamento usado na SMD, especialmente em pacientes com uma alteração genética chamada deleção do cromossomo 5q del(5q). Melhora a produção de células do sangue, especialmente os glóbulos vermelhos.

6. Transplante de medula óssea

É a única forma de tratamento curativa, mas só é indicada para pacientes com alto risco de progressão e que estejam em boas condições clínicas para enfrentar o procedimento. Por isso, nem todos são candidatos ao transplante.

Qual é o Prognóstico da Síndrome Mielodisplásica?

O prognóstico da SMD é bastante variável e depende de vários fatores, como:

● Idade do paciente
● Subtipo da SMD
● Número de blastos na medula óssea
● Alterações genéticas identificadas
● Resposta ao tratamento

Em casos de SMD de baixo risco, muitos pacientes convivem com a doença por anos com acompanhamento médico e tratamento de suporte. Já os casos de alto risco exigem terapias mais agressivas e têm maior chance de evoluir para leucemia.

A Importância do Diagnóstico Precoce

A síndrome mielodisplásica (SMD) é um tipo de câncer hematológico que afeta a medula óssea, comprometendo a produção normal das células sanguíneas. O diagnóstico precoce e o acompanhamento com um hematologista especializado são fundamentais para garantir melhores resultados no tratamento e aumentar a sobrevida dos pacientes.

Se você apresenta sintomas persistentes como anemia, infecções frequentes ou sangramentos anormais, não ignore esses sinais. Procure um especialista e realize os exames necessários. Identificar a doença precocemente pode fazer toda a diferença no seu tratamento e qualidade de vida.

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