Como identificar sinais precoces de câncer de pele: o que observar nas pintas e manchas

A detecção precoce do câncer de pele é essencial para aumentar as chances de cura. Neste blog, você aprende como observar pintas, manchas e outras alterações da pele, entendendo os sinais de alerta mais importantes e quando procurar ajuda médica especializada.
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Dra. Beatrice Abdalla

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6 min de leitura

O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil e no mundo.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele não melanoma (carcinoma basocelular e espinocelular) corresponde a mais de 30% de todos os diagnósticos de câncer no país, com mais de 220 mil novos casos por ano. Já o melanoma, tipo menos frequente porém mais agressivo, representa cerca de 4% dos tumores de pele e registra mais de 8 mil casos anuais, sendo responsável por grande parte das mortes por câncer de pele.

A boa notícia é que, quando diagnosticado precocemente, o melanoma pode ter chance de cura acima de 90%. Por isso, conhecer os sinais de alerta em pintas, manchas e outras lesões da pele é fundamental para proteger a saúde e reduzir complicações futuras.

O que causa o câncer de pele e quem tem mais risco?

O câncer de pele surge pela multiplicação anormal das células da pele, em geral relacionada à exposição excessiva à radiação ultravioleta (UV), seja do sol ou de câmaras de bronzeamento artificial. Alguns fatores aumentam o risco:

  • Exposição solar intensa e acumulada ao longo da vida
  • Pele clara, olhos claros, cabelos ruivos ou loiros
  • Pele que queima com facilidade e não bronzeia
  • História pessoal e/ou familiar de câncer de pele (melanoma ou não melanoma)
  • Pacientes transplantados ou em uso de medicações imunossupressoras
  • Atividades profissionais ou esportivas ao ar livre
  • Síndromes genéticas e presença de muitas pintas (nevos), especialmente se irregulares

Embora seja mais comum em pessoas de pele clara, o câncer de pele também pode ocorrer em indivíduos de pele morena e negra.

Quais sinais devo observar?

Regra ABCDE das pintas

A regra ABCDE ajuda na identificação de pintas (ou nevos) suspeitas de melanoma:

  • A – Assimetria: quando uma metade da pinta não é igual à outra.
  • B – Borda irregular: margens recortadas, irregulares ou mal definidas.
  • C – Cor: presença de mais de uma cor ou variação de tonalidade (marrom, preto, vermelho, branco, azul).
  • D – Diâmetro: lesões maiores que 6 mm (aproximadamente o tamanho de uma borracha de lápis). Importante: alguns melanomas podem ser menores.
  • E – Evolução: qualquer mudança recente na pinta — tamanho, forma, cor ou sintomas como sangramento, crostas, coceira ou dor.

A figura do ABCDE ajuda o paciente a visualizar melhor esses sinais e pode ser usada como guia no autoexame.

Além do ABCDE, um sinal muito útil é o chamado “patinho feio”: aquela pinta que parece diferente das outras do próprio paciente merece ser observada com mais atenção.

Outros sinais de alerta nas pintas e manchas

  • Lesões novas ou que mudam rapidamente
  • Manchas que sangram, formam crostas, úlceras ou não cicatrizam em até duas a quatro semanas
  • Pintas em áreas de difícil visualização, como costas, couro cabeludo e plantas dos pés
  • Manchas escuras sob as unhas (que não melhoram como “machucado”)

Também é importante lembrar que 10% a 20% dos melanomas podem ser pouco pigmentados ou até sem pigmento, aparecendo como lesões rosadas, brilhantes ou elevadas — o que pode dificultar o reconhecimento.

Sinais de alerta para outros tipos de câncer de pele (não melanoma)

Além das pintas escuras, o câncer de pele também pode se manifestar como:

  • Pequena “bolinha” ou lesão brilhante, cor da pele ou rosada, que pode sangrar com facilidade ou formar crosta (típico de carcinoma basocelular).
  • Ferida que não cicatriza, principalmente em áreas muito expostas ao sol, como rosto, orelhas, couro cabeludo, dorso das mãos e lábios.
  • Placa ou “casquinha” áspera, espessada, que descama ou dói (podendo ser queratose actínica ou carcinoma espinocelular).
  • Lesões em lábios ou cicatrizes antigas que formam uma ferida persistente.

Qualquer uma dessas alterações deve motivar uma avaliação com dermatologista.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito por avaliação clínica com dermatologista, que examina toda a pele do paciente. Podem ser utilizados:

  • Dermatoscopia: aparelho com lente e luz que permite maior detalhamento das lesões.
  • Mapeamento corporal total e dermatoscopia digital: indicados para pacientes com muitos nevos (células produtoras de pigmento) ou maior risco, auxiliam a comparar fotos ao longo do tempo e detectar mudanças precoces.
  • Biópsia da pele: retirada de um pequeno fragmento da lesão, enviada para exame no laboratório, que confirma ou afasta o diagnóstico de câncer de pele.

Para pacientes com múltiplos nevos, histórico de nevos atípicos, histórico pessoal ou familiar de melanoma, ou outros fatores de alto risco, o seguimento ideal inclui exame dermatológico regular, geralmente a cada 6 a 12 meses, com exame clínico completo e dermatoscopia. O intervalo é individualizado.

Existe prevenção?

As medidas a seguir ajudam a prevenir tanto o melanoma quanto o câncer de pele não melanoma:

  • Evite o sol nos horários de maior intensidade, especialmente entre 10h e 16h, quando a radiação ultravioleta (UV) é mais forte.

  • Use protetor solar diariamente, mesmo em dias nublados: Escolha um protetor de amplo espectro (UVA/UVB) Utilize FPS ≥ 30
    Reaplique a cada 2–3 horas ou após suor intenso e banho.

  • Use barreiras físicas de proteção, que aumentam a segurança no dia a dia:
    roupas com proteção UV,
    chapéu de aba larga,
    óculos escuros com filtro UV.

  • Evite completamente câmaras de bronzeamento artificial. Elas aumentam significativamente o risco de melanoma, especialmente em jovens.

  • Faça autoexame da pele regularmente (cerca de 1 vez por mês), observando pintas e manchas com ajuda de espelho ou de outra pessoa para áreas de difícil visualização.

Procure um dermatologista se notar qualquer mudança recente, como:

  • crescimento da pinta ou mancha,
  • mudança de cor,
  • sangramento,
  • coceira persistente,
  • crostas,
  • lesões que não cicatrizam.

Pessoas com muitas pintas, nevos atípicos ou histórico familiar de melanoma devem ter ainda mais atenção. Nesses casos, recomenda-se:

  • consultas dermatológicas periódicas,
  • exame clínico completo da pele,
  • quando indicado, dermatoscopia,
  • fotografia corporal total,
  • monitoramento digital de pintas ao longo do tempo.

Educação e prevenção contínua são fundamentais: entender os sinais de alerta e manter hábitos de fotoproteção ajudam a reduzir a incidência do câncer de pele e a aumentar as chances de diagnóstico precoce.

Observar pintas e manchas e reconhecer sinais de alerta faz toda a diferença no diagnóstico precoce do câncer de pele. Se você notar alguma alteração na pele ou tiver dúvidas sobre o que está vendo, não adie a avaliação. Se você apresenta sintomas ou faz parte de um grupo de maior risco, agende uma consulta com um dermatologista.