O que é uma biópsia e como deve ser feita?

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Dr André Luiz de Freitas Perina

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Diante da suspeita clínica de determinada lesão, quase sempre é necessário obter uma amostra da área suspeita para análise ao microscópico por um médico patologista, a fim de que haja uma confirmação diagnóstica. O procedimento de obtenção de material para análise especializada é conhecido como biópsia.

Nem sempre é possível distinguir clinicamente se uma lesão de pele é benigna ou maligna. Assim, a biópsia permite excluir ou confirmar o diagnóstico de câncer. Quando o diagnóstico é confirmado, o patologista é capaz de determinar o tipo de câncer e fornecer dados específicos sobre a lesão, permitindo uma caracterização objetiva e detalhada que ajudará na escolha e orientação do tratamento definitivo. Ou seja, além de fornecer o diagnóstico, características da lesão obtidas a partir da análise do material poderão influenciar decisões como: tipo de cirurgia, extensão das margens de segurança, necessidade de tratamentos complementares e, até mesmo, a opção por alternativas de tratamentos não cirúrgicos.

Alguns cuidados técnicos são fundamentais para que o material retirado seja adequado para análise. Os tipos mais comuns de biópsia são: excisional, incisional, biópsia por “punch”, biópsia por agulha grossa (“Tru-cut” ou “core biopsy”) e biópsia aspirativa por agulha fina (PAAF). Algumas vezes é aconselhável que se planeje uma biópsia guiada por imagem, o que possibilita o acesso a áreas específicas dentro da lesão, particularmente nas situações de lesões mais profundas.

No caso dos tumores de pele, a escolha da técnica de biópsia pode variar segundo características da lesão, localização e condições do paciente. São mais comuns as biópsias excisionais, incisionais e as biópsias por “punch”. Biópsia excisional é a técnica na qual a lesão é removida em sua totalidade, por completo, porém sem margens definitivas. Nas biópsias incisionais, um ou mais “pedaços” da lesão são removidos, como uma “cunha”, obtendo-se material suficiente para a análise antes de se planejar a retirada definitiva da lesão. Nas biópsias por “punch”, utiliza-se um cilindro de superfície cortante que, ao ser girado, se aprofunda na pele e permite a remoção de um “cone” de tecido que pode alcançar até a gordura subcutânea.

Em lesões menores, a preferência é dada para as biópsias excisionais. No entanto, em determinadas regiões do corpo e/ou em lesões de maior tamanho, as biópsias incisionais ou por “punch” podem ser indicadas, evitando criar dificuldades de fechamento do local em um momento no qual ainda não se tem o diagnóstico definitivo. Vamos lembrar que a biópsia tem por objetivo determinar o diagnóstico e não é uma operação definitiva. Ou seja, biópsias com retirada completa de lesões maiores devem ser evitadas, pois darão origem a uma cicatriz grande que, a depender do diagnóstico, precisará ser removida no procedimento definitivo, causando um defeito ainda maior que poderia ser evitado.

Resumo de como planejar uma biópsia de lesão de pele:

  1. Lesões pequenas que permitem um fechamento simples após a retirada, sem necessidade de grandes cicatrizes ou reconstruções plásticas: biópsia excisional (retirada completa da lesão com 1 a 2mm de margem, contemplando toda a profundidade da pele);
  2. Lesões maiores que não permitiriam um fechamento simples caso a lesão fosse completamente removida: biópsia incisional cirúrgica ou por “punch”;
  3. A posição da cicatriz da biópsia deve ser planejada a fim de ser removida com facilidade de acordo com a proposta de cirurgia definitiva. Nos membros, a cicatriz deve ficar no sentido longitudinal, acompanhando o sentido do membro;
  4. O material da biópsia deve ser sempre identificado e enviado ao patologista e nunca descartado; nos casos de lesões múltiplas, as mesmas devem ser identificadas individualmente e armazenadas separadamente, em frascos distintos.

Existem outros tipos de biópsia de lesões de pele. A biópsia tipo “shaving” é feita com uma lâmina removendo um fragmento superficial da lesão. A técnica de curetagem representa a raspagem realizada por meio de uma cureta que retira vários e pequenos fragmentos de pele. Em ambas as técnicas, não é possível a análise das regiões mais profundas da lesão, sendo essa uma desvantagem. Assim, biópsias por “shaving” e curetagem são restritas a indicações muito precisas.

Como vimos, a biópsia, apesar de ser um procedimento simples na maioria das vezes, requer obediência a alguns princípios de cirurgia oncológica, com vistas a evitar maiores danos e prejuízos no momento do tratamento definitivo. Nesse sentido, valorizamos muito o planejamento, a qualidade do material e o encaminhamento para um patologista especializado. Só assim será possível obter todas as informações necessários para o planejamento terapêutico.