Transplante de medula óssea: Mitos e Verdades

O transplante de medula óssea é um procedimento essencial no tratamento de diversas doenças hematológicas e oncológicas. Entenda o que é a medula óssea, os tipos de transplante — autólogo e alogênico —, e descubra os principais mitos e verdades sobre o processo, a compatibilidade e a recuperação
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Dra. Maria Eduarda Alonso Joaquim de Carvalho

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O que é a medula óssea?

A medula óssea é um tecido esponjoso que fica dentro dos ossos e é onde são produzidas todas as células do sangue: hemácias, leucócitos e plaquetas.

Tipos de transplante de medula óssea

1. Transplante Autólogo
Neste tipo de transplante, o paciente recebe suas próprias células-tronco da medula óssea. As células são coletadas antes do tratamento e depois, são reinfundidas no paciente para restaurar a medula óssea.

2. Transplante Alogênico
Aqui, as células-tronco vêm de um doador compatível, que pode ser um irmão ou irmã (transplante aparentado) ou um doador voluntário cadastrado em bancos de medula (transplante não aparentado).

Mitos e Verdades sobre o Transplante de Medula Óssea

"O transplante é uma cirurgia."

Mito.
Apesar do nome, o transplante de medula óssea não é uma cirurgia. O processo é semelhante a uma transfusão de sangue. É um procedimento realizado em ambiente hospitalar, mas que exige preparação intensa, envolve altas doses de quimioterapia e exige acompanhamento rigoroso depois.

"O transplante é feito na coluna vertebral."
Mito.
A medula óssea não tem relação com a medula espinhal. A coleta das células-tronco é feita do osso da bacia (em alguns casos) ou do sangue após estimulação com medicamentos.

"O transplante envolve quimioterapia."
Verdade.
Para a realização de um transplante de medula óssea, a quimioterapia é utilizada antes do procedimento, seja no transplante autólogo quanto no alogênico. O objetivo da quimioterapia é destruir as células doentes e abrir espaço na medula óssea para as novas células-tronco, seja do paciente ou do doador.

"Encontrar um doador compatível pode ser difícil."
Verdade.
A compatibilidade é genética. Fora da família, a chance de encontrar um doador totalmente compatível pode ser de 1 em 100 mil. Por isso, o cadastro de doadores voluntários é tão importante.

"Nem todas as pessoas podem ser doadoras de medula óssea"
Verdade.
Nem todo mundo pode doar medula óssea. Para se cadastrar como doador voluntário é preciso ter entre 18 e 35 anos, estar em bom estado de saúde e não ter doenças infecciosas ou câncer. Pessoas com histórico de doenças autoimunes ou hematológicas também não podem doar. A triagem é rigorosa para garantir a segurança do doador e do paciente.

"O transplante pode curar algumas doenças."
Verdade.
O transplante pode oferecer cura ou controle a longo prazo das doenças hematológicas e mesmo não hematológicas.

"Depois do transplante, a recuperação é rápida."
Mito.
A recuperação é lenta. O sistema imunológico demora meses para se reconstituir. O paciente precisa de acompanhamento médico constante e cuidados rigorosos com infecções, alimentação e medicamentos.