Cisto pilonidal: o que é, causas, sintomas e quando a cirurgia é indicada

Dor na base da coluna que piora ao sentar, inchaço e saída de pus na região do cóccix são sinais que o cisto pilonidal não deve ser ignorado. Entenda quando tratar e quando a cirurgia pode ser necessária.
Hospital Sírio-Libanês
Hospital Sírio-Libanês
02/10/2026 7 min de leitura
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Aquela dor persistente na base da coluna que piora quando você senta com a presença de pús pode ter um nome: cisto pilonidal. Trata-se de uma cavidade anormal formada na região do cóccix, logo acima da divisão das nádegas, que pode conter pelos e tecido inflamado, e que tem grande tendência a se infectar quando não tratada. 

A condição afeta principalmente homens jovens entre 15 e 30 anos, mas pode surgir em qualquer pessoa com os fatores predisponentes. 

Neste artigo, você vai encontrar uma explicação clara sobre o que é o cisto pilonidal, como ele se forma, quais sintomas indicam infecção ou abscesso, quando a cirurgia é necessária e como o diagnóstico é feito. Se você reconhece algum dos sinais descritos aqui, continue lendo e saiba quando é hora de buscar avaliação com um especialista. 

O que é o cisto pilonidal e por que ele se forma 

O cisto pilonidal é uma lesão adquirida, não congênita. Ele se forma quando pelos soltos na região da fenda glútea penetram a pele, provocando uma reação de corpo estranho no tecido subcutâneo.  

O organismo tenta isolar esses pelos formando uma cavidade que, ao longo do tempo, acumula secreção, detritos e mais pelos. 

Alguns fatores aumentam significativamente a predisposição à doença: 

  • Hirsutismo (excesso de pelos) na região sacrococcígea, que amplia a oferta de pelos soltos capazes de penetrar a pele; 
  • Profundidade da fenda glútea, de origem genética, que favorece o aprisionamento de pelos e o atrito; 
  • Sedentarismo e longos períodos sentado, que aumentam a pressão e a fricção na região; 
  • Obesidade e sudorese excessiva, que fragilizam a barreira cutânea local; 
  • Histórico familiar, que indica componente hereditário na predisposição à doença. 

A condição chegou a ser chamada informalmente de "doença do jipe" durante a Segunda Guerra Mundial, quando ficou evidente sua associação com longas horas de permanência sentado em veículos militares.  

Segundo a American Society of Colon and Rectal Surgeons (ASCRS), a doença pilonidal tem incidência três a quatro vezes maior em homens do que em mulheres. 

Sintomas do cisto pilonidal 

Os sintomas do cisto pilonidal variam bastante conforme o estágio da doença. Nas fases iniciais, a condição pode ser completamente assintomática: a lesão existe, mas o paciente não sente nada e ela é identificada apenas por acaso em um exame clínico. 

Com a progressão da inflamação ou o surgimento de infecção, os sinais se tornam evidentes: 

  • Dor na região do cóccix, que se intensifica ao sentar ou permanecer muito tempo na mesma posição; 
  • Inchaço e endurecimento localizado na base da coluna; 
  • Vermelhidão e calor na pele que recobre a área afetada; 
  • Saída de pus ou secreção serossanguinolenta por um ou mais orifícios na pele; 
  • Febre, especialmente nos quadros de abscesso agudo. 

paciente sentado no sofá falando no telefone enquanto segura um termômetro

A complicação mais intensa é o abscesso pilonidal: uma coleção de pus que se forma rapidamente, causa dor severa e exige drenagem cirúrgica de urgência.  

Nos casos crônicos, podem se desenvolver fístulas, que são tratos entre a cavidade e a superfície da pele que permanecem abertos e drenam intermitentemente, mesmo em períodos de dor reduzida. 

Um detalhe importante: a dor no cisto pilonidal nem sempre é constante. Períodos de melhora entre as crises são comuns e podem atrasar o diagnóstico, levando o paciente a subestimar a gravidade da condição. 

Cisto pilonidal tem cura? 

Sim, o cisto pilonidal tem cura. Com o tratamento adequado e indicado no momento correto, é possível resolver a condição de forma definitiva. 

O tratamento do cisto pilonidal é definido de acordo com a fase em que a doença se encontra: 

Fase aguda (abscesso) 

A prioridade é drenar o abscesso. O procedimento é realizado em ambiente ambulatorial ou hospitalar, com anestesia local, e alivia a dor rapidamente. No entanto, a drenagem isolada não trata a causa: resolve o problema imediato, mas não impede recorrências. 

Fase eletiva (doença crônica ou recorrente) 

Após o controle da infecção aguda, a resolução definitiva passa pela cirurgia. Em casos selecionados, abordagens menos invasivas, como a aplicação de fenol ou a depilação a laser da fenda glútea, podem ser utilizadas como tratamento primário ou complementar, conforme protocolo do especialista. 

Além do tratamento médico, alguns cuidados do dia a dia contribuem para melhores resultados: manter a região limpa e seca, evitar longos períodos sentado e, quando orientado pelo coloproctologista, realizar a depilação regular da área para reduzir a oferta de pelos soltos na região. 

Quando a cirurgia para cisto pilonidal é indicada 

A cirurgia para cisto pilonidal representa a abordagem mais eficaz para a resolução definitiva da doença. Ela está indicada nas seguintes situações: 

  • Infecções recorrentes após drenagem de abscesso, com dois ou mais episódios; 
  • Abscesso drenado que não cicatriza, mantendo secreção ativa por fístula persistente; 
  • Presença de múltiplos tratos fistulosos ou cavidades de extensão significativa; 
  • Impacto relevante na qualidade de vida, com dor crônica, secreção contínua ou impossibilidade de sentar confortavelmente. 

As principais técnicas cirúrgicas disponíveis incluem: 

  1. Marsupialização: apresenta menor risco de infecção pós-operatória, mas exige mais tempo de cicatrização e cuidados locais. 
  2. Fechamento primário em linha média:  Permite recuperação mais rápida, mas está associada a maior taxa de recorrência quando a sutura é posicionada sobre a linha média. 
  3. Retalho de Karydakis e técnicas off-midline: São consideradas as abordagens com melhor relação entre cicatrização e baixa taxa de recidiva.  

A escolha da técnica leva em conta a extensão da doença, o histórico de cirurgias anteriores e as condições clínicas individuais do paciente. Apenas o coloproctologista, após avaliação completa, está apto a indicar a abordagem mais adequada para cada caso. 

Como é feito o diagnóstico do cisto pilonidal 

O diagnóstico do cisto pilonidal é fundamentalmente clínico. Na maioria dos casos, o coloproctologista identifica a condição pela história do paciente e pelo exame físico da região sacrococcígea, observando os orifícios característicos na fenda glútea, a presença de pelos visíveis, secreção e sinais inflamatórios. 

Exames de imagem não são necessários na maioria das apresentações, mas podem ser solicitados em situações específicas: 

  • Suspeita de extensão profunda da cavidade ou dos tratos fistulosos; 
  • Recorrência pós-cirúrgica com tratos de difícil delimitação ao exame físico; 
  • Necessidade de diferenciar o cisto pilonidal de outras condições, como fístula anal, hidradenite supurativa ou furúnculos infectados. 

O diagnóstico diferencial com a fístula anal, por exemplo, merece atenção especial: as duas condições têm origem e tratamento distintos, e confundi-las pode levar a abordagens cirúrgicas inadequadas. 

Além disso, a ultrassonografia e, em casos mais complexos, a ressonância magnética pélvica auxiliam no mapeamento das cavidades e tratos antes de reintervenções. 

paciente deitado em uma máquina da ultrassonografia ao lado de um operador

Quando procurar um especialista 

Alguns sinais indicam que a avaliação não deve ser postergada. A consulta com um coloproctologista deve ser agendada com prioridade quando o paciente apresenta: 

  • Febre associada a dor intensa na região do cóccix, sinal de abscesso em formação; 
  • Secreção persistente na fenda glútea, mesmo sem dor intensa; 
  • Episódios recorrentes de dor e inchaço na mesma localização; 
  • Histórico de drenagens anteriores sem tratamento cirúrgico definitivo; 
  • Piora progressiva dos sintomas, com aumento do volume da lesão ou dos orifícios de drenagem. 

O cisto pilonidal sem tratamento adequado tende a se cronificar. Cada episódio de infecção pode ampliar a extensão da lesão, complicar a futura abordagem cirúrgica e prolongar o tempo de recuperação. Quanto antes o diagnóstico for feito e a conduta definida, melhores as condições para um resultado definitivo. 

Identificar os sintomas cedo, não postergar a avaliação após episódios de infecção e contar com um especialista experiente são os elementos que fazem a diferença no resultado. Se você reconhece algum dos sinais descritos neste conteúdo, o próximo passo é agendar uma consulta com um coloproctologista. 

O Núcleo de Coloproctologia do Hospital Sírio-Libanês reúne especialistas com experiência no diagnóstico e tratamento cirúrgico do cisto pilonidal, e outras doenças cirúrgicas do cólon, reto e ânus. 

Saiba mais sobre o Núcleo de Coloproctologia do Hospital Sírio-Libanês. 

Texto validado por Dr. Bruno Augusto Alves Martins CRM - 19566