Pós-operatório de Cirurgias de Cabeça e Pescoço – o que esperar?
O período após uma cirurgia de cabeça e pescoço costuma gerar dúvidas e algum receio. Essa região é visível e ligada à respiração, fala, alimentação e funções metabólicas; por isso, o corpo precisa de tempo e cuidados para se recuperar. Nos primeiros dias, é comum ter dor leve a moderada, inchaço e certa dificuldade para engolir ou falar, dependendo do procedimento. Esses sintomas costumam melhorar nas primeiras 48 a 72 horas. Analgésicos, pastilhas e compressas geladas ajudam no alívio.
Em algumas cirurgias, especialmente no pescoço, pode ser usado um dreno — um pequeno tubo que remove líquidos da cicatrização. Ele fica por alguns dias e deve estar bem fixado. Caso o líquido mude de aspecto, haja mau cheiro ou o dreno se solte, é importante comunicar a equipe. Como muitas vezes é necessário também o uso de medicação endovenosa na internação, roupas com botões e bolsos facilitam o manejo desses dispositivos.
A alimentação também exige atenção. Em cirurgias de tireoide, paratireoide e procedimentos menores, geralmente é possível retomar a dieta no mesmo dia, preferindo alimentos ricos em cálcio nos dois primeiros casos. Já nas cirurgias envolvendo boca, língua, garganta ou laringe, as orientações são mais específicas, e a fonoaudióloga define a consistência adequada dos alimentos para evitar engasgos. Em alguns casos, pode ser necessária uma sonda de alimentação, introduzida pelo nariz (nasoenteral) ou pelo abdome (gastrostomia). É fundamental mantê-la bem fixada, seguir as orientações nutricionais e avisar a equipe em caso de entupimento, saída da sonda, vômitos, diarreia ou desconforto.
Quando há necessidade de traqueostomia, surgem cuidados adicionais. Nos primeiros dias, é normal haver secreções mais espessas. As equipes ensinam a limpeza correta ao redor da abertura na pele (estoma). A cânula deve estar sempre bem fixada e só ser trocada ou aspirada conforme orientação. Para evitar rolhas de secreção, o ar inspirado deve ser mantido úmido por inalações com soro, umidificadores ou nebulizações. Se houver aumento de secreção, dificuldade respiratória, sangramento, febre ou mau cheiro, a equipe deve ser avisada. Apesar do estranhamento inicial, a maioria das pessoas se adapta bem. Quando não é possível produzir voz, a fonoaudióloga ajuda a estabelecer outras formas de comunicação.
Especialmente após cirurgia de esvaziamento cervical, que envolve manipulação de nervos e músculos, algumas alterações temporárias podem ocorrer: dormência na pele e orelha, sensação de repuxamento, rouquidão, dificuldade para engolir ou elevar o braço. Pelo mesmo motivo, após cirurgias das glândulas salivares, principalmente da parótida, pode haver paralisia do nervo facial, dificultando o fechamento do olho do lado operado. O uso de colírios lubrificantes, pomadas e proteção noturna ajuda a evitar irritações até a recuperação do movimento. Pode haver também escape de líquidos pelo canto da boca, tratado com exercícios de fonoterapia.
Em cirurgias da tireoide e paratireoide, alterações leves da voz são comuns e costumam melhorar em semanas, podendo ser assistidas por fonoterapia. Pode haver também redução do cálcio, que pode causar formigamentos ou cãibras, sendo tratada com reposição precoce de cálcio e vitamina D, conforme orientação do cirurgião.
Em cirurgias maiores, como as realizadas para tumores, a recuperação é mais lenta e pode haver risco de abertura parcial da ferida, acúmulo de saliva ou linfa, infecções ou pequenas áreas de necrose em retalhos reconstrutivos. Mesmo assim, a maioria dessas complicações é tratável. O acompanhamento integrado das equipes de cirurgia, fonoaudiologia, fisioterapia e nutrição é essencial.
No dia a dia, deve-se evitar esforço físico, carregar peso e dirigir até liberação médica. Fumar e a exposição ao sol prejudicam a cicatrização e devem ser evitados. Roupas abertas na frente facilitam o vestir. O curativo deve permanecer limpo, seco e ser manipulado o mínimo possível; para o banho, deve ser protegido com plástico.
Pacientes submetidos a cirurgias de pequeno e médio porte costumam retomar atividades leves em 10 a 15 dias, com recuperação total entre 3 e 6 semanas. As consultas de retorno são fundamentais para acompanhar a cicatrização, a reabilitação, a medicação, a dieta e detectar precocemente eventuais problemas.
Por fim, a recuperação envolve também o lado emocional. É comum sentir ansiedade, insegurança ou impacto na imagem corporal. Conversar com a equipe, com a família e, quando necessário, com um psicólogo, ajuda muito. Com os cuidados adequados, a grande maioria dos pacientes evolui muito bem.
Sinais de alerta — avise seu cirurgião e procure atendimento imediato
- Inchaço rápido no pescoço
- Sangramento ativo
- Febre acima de 37,8 °C
- Dor forte que não melhora
- Falta de ar ou ruído para respirar
- Perda ou obstrução da cânula de traqueostomia ou da sonda de alimentação
- Dificuldade para engolir e aspiração de alimentos com engasgos
- Saída de secreção com mau cheiro pelo local da cirurgia
- Curativo encharcado ou aumento brusco da drenagem
- Cãibras ou formigamentos
O Núcleo de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Sírio-Libanês atua de forma especializada no diagnóstico e tratamento das doenças da tireoide, paratireoides, glândulas salivares e tumores da região cervical, integrando assistência cirúrgica de alta complexidade, avaliação multidisciplinar e acompanhamento contínuo. A atuação conjunta com áreas como endocrinologia, oncologia, patologia, radiologia e medicina nuclear permite a definição de condutas individualizadas, com foco em segurança, precisão diagnóstica e melhores desfechos clínicos para cada paciente.