Feridas que não cicatrizam na pele e na boca: o que fazer?

Feridas que não cicatrizam podem indicar infecção, doenças crônicas ou câncer. Saiba quando investigar e procurar atendimento médico especializado.
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Sírio-Libanês

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Feridas que não cicatrizam são motivo de preocupação e nunca devem ser ignoradas. Em condições normais, o processo de cicatrização ocorre de forma organizada e previsível, passando por três fases principais: inflamatória, proliferativa e de remodelação tecidual. Em feridas simples, esse processo costuma durar de 7 a 21 dias, dependendo da localização e da extensão. Quando a ferida ultrapassa esse tempo sem apresentar melhora, é fundamental investigar o motivo, pois algo está interferindo na regeneração dos tecidos.

Entendendo o processo de cicatrização

A cicatrização é um fenômeno biológico complexo que envolve a interação de células inflamatórias, fatores de crescimento, proteínas e colágeno. Qualquer desequilíbrio nesse mecanismo pode atrasar ou até impedir a reparação. O tecido de granulação, que é a base da cicatrização, precisa de um ambiente úmido, boa oxigenação e adequada irrigação sanguínea para se formar. Quando um desses fatores falha, o resultado é uma ferida crônica ou de difícil cicatrização.

Principais causas de feridas que não cicatrizam

Diversas condições podem comprometer o processo de cicatrização, tanto locais quanto sistêmicas: • Infecção local: a presença de bactérias ou fungos impede a regeneração do tecido, mantendo o processo inflamatório ativo. • Má circulação sanguínea: doenças arteriais, venosas ou linfáticas reduzem o aporte de oxigênio e nutrientes. É comum em pacientes com diabetes, hipertensão, varizes ou trombose venosa profunda. • Trauma repetido: feridas em áreas de atrito, na pele ou mucosa oral, podem reabrir constantemente. • Doenças sistêmicas: diabetes, insuficiência renal, doenças autoimunes e imunossupressão dificultam a resposta cicatricial. • Deficiências nutricionais: falta de proteínas, zinco, ferro e vitamina C interfere na formação do colágeno e na epitelização. • Uso de medicamentos: corticóides, quimioterápicos e anticoagulantes podem atrasar a cicatrização. • Neoplasias (cânceres): feridas que não cicatrizam podem ser o primeiro sinal de um tumor inicial em evolução, principalmente em áreas expostas ao sol ou em mucosas (boca e garganta)

Feridas na pele

Lesões cutâneas persistentes, que não conseguem cicatrizar e manter constantemente uma crosta com ou sem sangramento, devem sempre ser avaliadas por um médico. Em algumas situações, o que parece ser uma simples ferida pode representar uma lesão pré-maligna ou maligna, exigindo biópsia para o diagnóstico. Manchas ou pintas novas, elevados, com crostas ou sangramento, dolorosas ou irregulares merecem atenção redobrada

Feridas na boca

Feridas na mucosa oral também merecem atenção. Lesões que não cicatrizam em até 15 dias precisam ser avaliadas por um cirurgião de cabeça e pescoço. Úlceras endurecidas, semelhantes a aftas que não melhoram, com bordas elevadas, dor à palpação, sangramento fácil ou áreas brancas e vermelhas irregulares (leucoplasias e eritroplasias) podem indicar lesões potencialmente malignas.

O câncer de cavidade oral tem maiores chances de cura quando diagnosticado precocemente. Por isso, qualquer ferida que persista ou reapareça frequentemente, deve ser investigada por meio de exame clínico detalhado e biópsia.

Sinais de alerta

Procure atendimento especializado se: • A ferida dura mais de 2 a 3 semanas sem melhora. • Há dor intensa, vermelhidão, inchaço, secreção purulenta ou mau cheiro. • A região apresenta endurecimento, sangramento fácil ou crescimento anormal. • A lesão surge sem motivo aparente ou aumenta progressivamente.

Esses sinais podem indicar infecção, comprometimento vascular ou até mesmo um processo neoplásico (tumor) em evolução. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento.

Como é feito o diagnóstico

O médico avalia o histórico clínico, os fatores de risco e o aspecto da ferida. Podem ser solicitados exames como exames de sangue, cultura bacteriana, ultrassonografia, tomografia e, em casos suspeitos, a biópsia. Somente com um diagnóstico preciso é possível direcionar o tratamento adequado e evitar complicações.

Tratamento

O tratamento depende da causa identificada e pode incluir: • Limpeza adequada e curativos especiais, que mantêm a ferida úmida e estimulam a granulação. • Controle rigoroso de doenças crônicas, como o diabetes e a hipertensão. • Uso de antibióticos ou antifúngicos, quando há infecção. • Suplementação nutricional e orientação alimentar. • Terapias avançadas, como laserterapia, oxigenoterapia hiperbárica e enxertos de pele ou retalhos microcirúrgicos. • Nos casos de câncer, o tratamento envolve cirurgia, possivelmente associada à radioterapia ou quimioterapia.

A escolha do tratamento deve ser individualizada, levando em conta a condição clínica do paciente, a extensão da lesão e a presença de comorbidades.

Prevenção

Algumas medidas simples podem ajudar a evitar feridas de difícil cicatrização: • Manter a pele hidratada e protegida contra traumas e queimaduras solares, através do uso diário de protetor solar. • Controlar doenças crônicas, especialmente diabetes e problemas vasculares. • Não fumar e evitar consumo excessivo de álcool, pois ambos prejudicam a oxigenação dos tecidos. • Manter boa higiene bucal e realizar consultas odontológicas periódicas. • Procurar atendimento médico ao primeiro sinal de lesão que não cicatriza.

Conclusão

Feridas que não cicatrizam na pele ou na boca não devem ser negligenciadas. Em muitos casos, são manifestações de problemas sistêmicos, infecções persistentes ou até doenças graves, como o câncer. Quanto antes forem investigadas, maiores são as chances de tratamento eficaz e recuperação completa. Se você tem uma ferida que não melhora com o tempo, procure avaliação médica especializada. O diagnóstico precoce é a chave para preservar a saúde, evitar complicações e garantir uma melhor qualidade de vida.