União de cardiologia e oncologia amplia cuidados ao paciente
O progresso no tratamento contra o câncer tem aumentado cada vez mais a expectativa de vida desses pacientes. Com isso, porém, novos desafios surgem, como o enfretamento dos efeitos dos medicamentos oncológicos no coração. A gravidade do problema fez aumentar o interesse da medicina pela cardio-oncologia, área que vem sendo acompanhada de perto pelo Sírio-Libanês.
Em 2011, o diretor geral do Centro de Cardiologia do Sírio-Libanês, dr. Roberto Kalil Filho, deu início a este trabalho, coordenando a criação da 1ª Diretriz Brasileira de Cardio-Oncologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Mais recentemente, em maio, o Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa organizou o 1º Simpósio Internacional de Cardio-Oncologia, reunindo em São Paulo alguns dos principais especialistas do mundo no assunto. E para novembro, está prevista a realização de um evento sobre cardiologia e exercícios físicos em pacientes com câncer.
“Há vários anos se falava da cardio-oncologia, mas pouco empenho se dava para a parte científica. Desde então, passamos a juntar mais cardiologistas e oncologistas para entender melhor essas questões”, conta dr. Kalil.
Para o diretor geral do Centro de Oncologia do Sírio-Libanês, dr. Paulo Hoff, a possibilidade de ter as duas especialidades muito bem representadas dentro da instituição foi essencial para poder oferecer um atendimento completo e pesquisas em cardio-oncologia. “Por isso, entendemos ser nossa responsabilidade liderar as discussões sobre o tema e promover um intercâmbio científico”, comentou.
Estilo de vida saudável se torna ainda mais importante
Entre os problemas provocados no coração relacionados ao tratamento do câncer, a toxidade é a mais frequente. Estima-se que aproximadamente 2% das pessoas que fazem uso de alguns tipos de medicamentos contra o desenvolvimento de tumores (antineoplásicos) apresentam insuficiência cardíaca em decorrência dessa terapia. Além disso, a imobilidade, o aumento da atividade inflamatória e as alterações de coagulação, condições comuns nos pacientes com câncer, também estão sendo pesquisados para se saber o quanto interferem na saúde cardíaca.
“Passamos a monitorar mais os pacientes oncológicos com exames cardiológicos de rotina. Se percebemos que há muitos efeitos colaterais dos quimioterápicos no coração, estudamos interromper ou mudar a medicação”, explica dr. Kalil.
A dra. Marilia Higuchi dos Santos, coordenadora do Serviço de Cardio-Oncologia do Sírio-Libanês, e também cardiologista do Hospital e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), acredita que o Sírio-Libanês tem conseguido responder bem ao problema porque conta com vários profissionais que atuam nas duas áreas. “Nossos cardiologistas e oncologistas estão sempre ligando um para o outro para trocar informações sobre os pacientes”, conta. Ela explica que os médicos alertam sobre quais pacientes estão com pressão alta, diabetes ou ganhando peso, por exemplo.
Com todo o conhecimento adquirido e a troca de informação entre as equipes, tem se estimulado cada vez mais a adoção de um estilo de vida saudável durante o tratamento contra o câncer, explica a oncologista clínica Laura Testa. “Faz parte do nosso arsenal de tratamento a prática de exercícios físicos, ter uma alimentação adequada, não fumar, e controlar a hipertensão arterial, diabetes e colesterol”, comentou.
Estudos demonstram que pacientes com estilo de vida saudável têm mais força para enfrentar o câncer e as quimioterapias e menor chance de desenvolver ou de voltar a ter tumores.
“Sabemos também que a obesidade e o sedentarismo estão relacionados ao desenvolvimento do câncer. Identificar e reverter essas condições nos pacientes que já passaram por um tratamento oncológico é fundamental para evitar uma nova doença”, avalia dr. Paulo Hoff.