AVC: aprenda como reconhecer os sinais e agir rápido para salvar vidas
Saber como reconhecer um AVC é o primeiro passo para agir a tempo, uma vez que os sinais podem aparecer sem avisar: rosto caído de um lado, fraqueza em um braço ou perna e fala enrolada que aparecem de repente estão entre os principais sintomas de AVC.
Diante de qualquer um deles, a orientação é direta: ligue imediatamente para o SAMU, no 192, mesmo que o sinal pareça leve ou desapareça em poucos minutos.
Neste artigo, você vai entender o que é o AVC, aprender o teste SAMU para identificar os sinais rapidamente, conhecer os tipos da doença, saber o que fazer (e o que evitar) até a chegada do socorro e ver como a prevenção começa em cuidados simples da rotina.
Leia até o fim e compartilhe com a sua família: numa emergência, a pessoa que reconhece os sinais pode ser você.
O que é AVC (derrame cerebral)
O acidente vascular cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame, acontece quando o sangue deixa de chegar a uma parte do cérebro, seja porque um vaso entupiu, seja porque se rompeu.
Sem oxigênio e nutrientes, as células dessa região começam a morrer em poucos minutos, e funções como movimento, fala, visão e equilíbrio podem ser afetadas.
Um estudo publicado na revista científica Stroke calculou que, a cada minuto sem tratamento, um AVC isquêmico típico destrói cerca de 1,9 milhão de neurônios.
Por isso, saber como reconhecer um AVC em segundos, faz diferença real: quanto mais cedo a pessoa chega a um hospital preparado, maiores as chances de sobrevivência e de recuperação.
A boa notícia é que o AVC tem tratamento, e grande parte dos casos está ligada a fatores que podem ser controlados. Mas tudo começa com uma atitude de quem está por perto: perceber que algo está errado.
Como reconhecer um AVC: o teste SAMU
O teste SAMU é a forma mais simples de saber como reconhecer um AVC em poucos segundos, sem nenhum equipamento. A sigla faz referência ao próprio serviço de urgência, e cada letra corresponde a uma verificação:
1. S de Sorriso: peça para a pessoa sorrir. Se um lado da boca ficar caído ou o rosto parecer torto, é sinal de alerta.
2. A de Abraço: peça para ela levantar os dois braços, como se fosse dar um abraço. Se um deles cair ou não conseguir subir, atenção.
3. M de Música (ou mensagem): peça para repetir uma frase simples ou cantar um trecho de uma música conhecida. Fala enrolada, palavras trocadas ou dificuldade para entender o que é dito indicam alteração.
4. U de Urgência: se houver falha em qualquer um dos três testes, ligue imediatamente para o 192.
Os primeiros sinais de derrame costumam surgir de forma súbita, em alguém que estava bem minutos antes. E um detalhe importante: basta um único sinal para acionar o socorro. Não é preciso esperar que todos apareçam juntos.
Outros sinais de alerta do AVC
Saber como reconhecer um AVC também passa por conhecer sinais menos óbvios. Os sintomas variam conforme a região do cérebro atingida e, às vezes, são confundidos com labirintite, enxaqueca ou cansaço. Fique atento quando surgirem de repente:
• No corpo: dormência, formigamento ou fraqueza em um lado do corpo, no rosto, no braço ou na perna.
• Na cabeça: dor de cabeça súbita e muito intensa, sem causa aparente e diferente das dores habituais.
• Na visão e no equilíbrio: perda ou embaçamento da visão em um ou nos dois olhos, visão dupla, tontura forte, desequilíbrio ou dificuldade para andar.
• Na consciência: confusão mental, sonolência, náuseas, vômitos e até perda de consciência, manifestações mais frequentes no AVC hemorrágico.
O que fazer quando os sintomas desaparecem sozinhos
Em alguns casos, os sinais duram poucos minutos e somem. Pode parecer alívio, mas esse episódio, chamado de ataque isquêmico transitório (AIT), funciona como um aviso de que um AVC pode acontecer em seguida.
Por isso, a recomendação é a mesma: não espere melhorar e procure atendimento de emergência.
Tipos de AVC: isquêmico e hemorrágico
Existem dois tipos principais de AVC, com causas e evolução diferentes:
| AVC isquêmico | AVC hemorrágico | |
| O que acontece | Um coágulo ou uma placa de gordura entope uma artéria e impede a passagem de sangue | Um vaso sanguíneo se rompe e o sangue extravasa dentro ou ao redor do cérebro |
| Frequência | Cerca de 85% dos casos | Cerca de 15% dos casos |
| Gravidade | Varia conforme a área atingida e o tempo sem circulação | Menos comum, mas causa morte com mais frequência |
| Causas mais associadas | Acúmulo de placas nas artérias e coágulos formados no coração | Pressão alta descontrolada e ruptura de aneurisma |
Na prática, a diferença entre AVC isquêmico e hemorrágico só é confirmada no hospital, com exame de imagem. Quem está ao lado não precisa identificar o tipo: o que importa é saber como reconhecer um AVC pelos sinais e acionar ajuda.
Essa é também a razão pela qual nenhum remédio deve ser dado em casa, já que os efeitos podem agravar os sintomas.
O que fazer em caso de AVC (e o que evitar)
Saber como reconhecer um AVC é metade do caminho. A outra metade é agir da forma certa nos minutos seguintes, que podem definir o tamanho das sequelas.
O que fazer
• Ligue imediatamente para o 192 (SAMU) ou para o Corpo de Bombeiros, no 193, e siga as orientações da central.
• Anote o horário em que os sintomas começaram. Se a pessoa acordou com os sinais, informe o último horário em que ela foi vista bem. Essa informação orienta o tratamento no hospital.
• Mantenha a pessoa em posição segura. Se estiver consciente, deitada ou recostada, com a cabeça levemente elevada. Se estiver inconsciente ou vomitando, deitada de lado, para evitar engasgos.
• Separe documentos e a lista de medicamentos que ela usa para entregar à equipe de socorro.
• Se precisar levá-la por conta própria, procure um hospital com pronto atendimento e tomografia disponível 24 horas. A orientação da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBAVC) é evitar postos de saúde e UPAs, que não oferecem a estrutura necessária para o tratamento do AVC.
O que evitar
• Não ofereça remédios, água ou alimentos. O AVC pode afetar a capacidade de engolir, e medicamentos tomados por conta própria podem piorar o quadro, principalmente no AVC hemorrágico.
• Não espere os sintomas passarem para decidir procurar ajuda.
• Não deixe a pessoa sozinha até a chegada do socorro.
• Não dirija se for você quem está com os sintomas.
Diagnóstico e tratamento do AVC
Ao chegar ao hospital, a equipe confirma o diagnóstico com exames de imagem. A tomografia computadorizada de crânio costuma ser o primeiro exame, por ser rápida e mostrar se há sangramento, e a ressonância magnética pode complementar a avaliação. Exames de sangue, como a glicemia, ajudam a descartar outras causas para os sintomas.
O tratamento depende do tipo de AVC e do tempo desde o início dos sinais.
No AVC isquêmico, o objetivo é desobstruir a artéria o quanto antes. Isso pode ser feito com a trombólise, medicamento aplicado na veia que dissolve o coágulo, indicado para pacientes elegíveis em até 4 horas e meia do início dos sintomas, ou com a trombectomia mecânica, procedimento em que um cateter remove o coágulo de uma artéria de grande calibre.
Esse intervalo em que o tratamento é possível é chamado de janela terapêutica, e é por isso que o horário anotado por quem presenciou a cena é tão valioso.
No AVC hemorrágico, o foco é controlar a pressão arterial e o sangramento, com monitoramento intensivo e, em alguns casos, cirurgia.
Sequelas e reabilitação
As sequelas de AVC dependem da área do cérebro atingida, da extensão da lesão e da rapidez do atendimento. Entre as mais comuns estão:
• Motoras: fraqueza ou paralisia de um lado do corpo, dificuldade para caminhar e perda de coordenação.
• De fala e linguagem: dificuldade para articular palavras, encontrar termos ou compreender o que é dito.
• De deglutição: dificuldade para engolir, conhecida como disfagia, que aumenta o risco de engasgos.
• Cognitivas e emocionais: alterações de memória, atenção, raciocínio e humor.
• Visuais e sensitivas: perda de parte do campo de visão e dormência persistente.
A reabilitação é parte do tratamento e costuma começar ainda durante a internação. O trabalho envolve uma equipe multiprofissional, com fisiatras, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicólogos, que ajuda o paciente a recuperar movimentos, fala e autonomia nas tarefas do dia a dia.
Familiares e cuidadores também recebem orientações para apoiar esse processo em casa. Saiba mais sobre o Centro de Reabilitação do Hospital Sírio-Libanês.
Quem tem mais chance de ter um AVC
O AVC pode acontecer com qualquer pessoa, mas alguns perfis concentram risco maior. A Organização Mundial do AVC estima que uma em cada seis pessoas no mundo terá um AVC ao longo da vida (SBAVC).
Conhecer os fatores que pesam nessa conta ajuda a saber quando redobrar a atenção.
Condições de saúde já diagnosticadas
É o grupo de maior peso. Hipertensão, diabetes tipo 2 e colesterol alto lideram a lista de fatores de risco do Ministério da Saúde, junto com sobrepeso e obesidade.

Arritmias cardíacas, como a fibrilação atrial, doenças das válvulas do coração e distúrbios de coagulação também aumentam o risco, porque favorecem a formação de coágulos que podem chegar ao cérebro.
Quem já teve um AVC ou um ataque isquêmico transitório também entra no grupo de maior atenção.
Hábitos da rotina
Tabagismo, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e uso de drogas ilícitas aparecem entre os principais fatores de risco, segundo o Ministério da Saúde.
Alimentação desequilibrada e estresse mal administrado completam o quadro. A boa notícia é que esse é justamente o grupo sobre o qual dá para agir a partir de hoje.
Idade, sexo e histórico familiar
O risco cresce com a idade avançada e é maior entre homens, conforme o Ministério da Saúde. O histórico familiar também conta e não elimina a influência dos hábitos: parentes costumam compartilhar rotina, alimentação e predisposição a hipertensão e diabetes, o que reforça a importância do acompanhamento médico regular em quem tem casos na família.
Pessoas jovens também entram na conta
Cerca de 10% dos casos ocorrem em pessoas com menos de 55 anos, segundo a SBAVC. Por isso, idade jovem nunca é motivo para descartar os sinais: saber como reconhecer um AVC vale para qualquer faixa etária.
Nessa faixa, o quadro costuma estar ligado a distúrbios de coagulação, alterações nos vasos e aos mesmos hábitos de risco dos adultos mais velhos
Como prevenir o AVC
Tão importante quanto saber como reconhecer um AVC é reduzir as chances de ele acontecer. Um amplo estudo internacional publicado na revista The Lancet, com participantes de 32 países, mostrou que dez fatores de risco modificáveis estão associados, em conjunto, a cerca de 90% do risco de AVC.
A pressão alta aparece como o mais importante deles, o que torna a aferição regular e o tratamento orientado pelo médico uma das medidas mais eficazes de prevenção. Além desse cuidado:
• controlar o diabetes e o colesterol;
• não fumar;
• praticar atividade física com regularidade;
• manter uma alimentação equilibrada e o peso adequado;
• cuidar do estresse;
• e moderar o consumo de álcool completam a lista de cuidados com maior impacto.
Quem tem arritmias cardíacas, como a fibrilação atrial, também precisa de acompanhamento, já que elas favorecem a formação de coágulos que podem chegar ao cérebro. Consultas periódicas permitem identificar esses fatores cedo, muitas vezes antes de qualquer sintoma.
Diante de qualquer sinal de AVC, ligue para o 192 sem esperar. Passada a fase de emergência, o acompanhamento com especialistas é essencial para investigar a causa, controlar os fatores de risco e planejar a reabilitação.
O Centro de Reabilitação, parte do Serviço de Reabilitação do Hospital Sírio-Libanês, tem por missão fazer com que seus pacientes atinjam seus objetivos funcionais, dentro de seu potencial físico, funcional e psicossocial, para que consigam retomar da melhor forma possível suas rotinas familiar e de trabalho.
A equipe multidisciplinar no Centro é composta por fisiatras, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, profissionais de educação física, psicólogos (incluindo neuropsicologia) e terapeutas ocupacionais. A equipe conta também com o suporte de nutricionistas e profissionais de enfermagem, além dos serviços de tele reabilitação e reabilitação domiciliar.
Conheça mais sobre o Centro de Reabilitação do Hospital Sírio-Libanês.
Perguntas frequentes sobre AVC
1. O que é AVC?
AVC é a sigla de acidente vascular cerebral, também chamado de derrame. Ele acontece quando um vaso que leva sangue ao cérebro entope ou se rompe, deixando as células da região afetada sem oxigênio. É uma emergência médica que exige atendimento imediato.
2. Quais são os primeiros sinais de derrame?
Os mais comuns são boca torta, fraqueza ou dormência em um lado do corpo e fala enrolada, sempre de início súbito. Também podem surgir dor de cabeça forte e repentina, alteração na visão, tontura e perda de equilíbrio. A forma mais prática de saber como reconhecer um AVC é aplicar o teste SAMU: sorriso, abraço, música e urgência.
3. Os sintomas de AVC podem passar sozinhos?
Podem, e isso não significa que o risco passou. Sinais que duram minutos e desaparecem podem indicar um ataque isquêmico transitório, um alerta de que um AVC pode ocorrer em breve. A orientação é procurar atendimento de emergência mesmo assim.
4. Qual a diferença entre AVC isquêmico e hemorrágico?
O isquêmico, responsável por cerca de 85% dos casos, ocorre quando uma artéria é obstruída. O hemorrágico, cerca de 15% dos casos, acontece quando um vaso se rompe e causa sangramento; é menos frequente, mas costuma ser mais grave. Só os exames de imagem feitos no hospital confirmam o tipo.
5. O que fazer em caso de AVC?
Ligue imediatamente para o 192, anote o horário de início dos sintomas e mantenha a pessoa em posição segura, sem oferecer remédios, água ou comida. Se for preciso levá-la por conta própria, procure um hospital com pronto atendimento e tomografia disponível 24 horas.
6. Quanto tempo existe para tratar um AVC?
Cada minuto conta. No AVC isquêmico, o medicamento que dissolve o coágulo pode ser aplicado em pacientes elegíveis até cerca de 4 horas e meia após o início dos sintomas, e a retirada do coágulo por cateter pode ser indicada em casos selecionados. Ainda assim, quanto antes o tratamento começa, melhores tendem a ser os resultados.
7. AVC tem cura?
O AVC tem tratamento, e muitas pessoas recuperam total ou parcialmente suas funções, principalmente quando o atendimento é rápido e a reabilitação começa cedo. Depois do episódio, o acompanhamento médico contínuo é fundamental para reduzir o risco de um novo AVC.
8. Quais são as sequelas de AVC mais comuns?
Fraqueza ou paralisia de um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender, dificuldade para engolir e alterações de memória e atenção estão entre as mais frequentes. A intensidade varia conforme a área atingida e o tempo até o tratamento, e a reabilitação ajuda a recuperar parte dessas funções.
9. Jovem pode ter AVC?
Sim. Embora seja mais comum com o avanço da idade, o AVC pode acontecer em qualquer fase da vida. Um estudo brasileiro feito em Joinville (SC), citado pela SBAVC, identificou aumento de 66% na incidência de AVC isquêmico em pessoas com menos de 45 anos ao longo de dez anos. Por isso, os sinais de alerta nunca devem ser ignorados por causa da idade.
10. Como prevenir um AVC?
Controlar a pressão arterial, o diabetes e o colesterol, não fumar, praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada e moderar o álcool são as medidas mais importantes. Consultas regulares ajudam a identificar fatores de risco antes que causem problemas. E saber como reconhecer um AVC continua sendo essencial para agir rápido caso ele aconteça.
Texto validado pro Dr. Eduardo Genaro Mutarelli CRM - 42777