Bursite no joelho: sintomas, causas e tratamento adequado
Joelho inchado, quente e dolorido sem ter sofrido uma pancada. Esse conjunto de sintomas pode ser sinal de bursite no joelho, uma inflamação que afeta estruturas pequenas, mas indispensáveis para o bom funcionamento da articulação.
A boa notícia é que, na maioria dos casos, a bursite responde bem ao tratamento sem cirurgia. Mas para isso, é fundamental entender o que está acontecendo no seu joelho, reconhecer os sinais certos e buscar orientação médica no momento adequado.
Neste artigo, você vai encontrar tudo o que precisa saber: o que é a bursite, por que ela causa tanto desconforto, como é tratada e o que fazer para evitar que volte.
O que é bursite no joelho e como ocorre a inflamação na bursa?
Função da bursa na articulação do joelho
Para entender a bursite, primeiro é preciso conhecer as bursas, pequenas bolsas cheias de líquido que ficam posicionadas entre ossos, tendões e músculos ao redor das articulações.
Pense nelas como almofadas de proteção: elas evitam o atrito entre as estruturas do joelho durante os movimentos do dia a dia, como dobrar, esticar, subir escadas ou agachar.
No joelho, existem várias bursas. As mais afetadas pela bursite são:
- Bursa pré-patelar, localizada na frente da patela (o "osso da rótula"), é a mais comum em joelhos que ficam muito tempo ajoelhados ou apoiados no chão;
- Bursa infrapatelar, abaixo da patela;
- Bursa anserina, na parte interna do joelho, frequentemente relacionada à artrose e ao sobrepeso.
Quando alguma dessas bolsinhas sofre sobrecarga ou agressão, o líquido interno aumenta, a parede da bursa se inflama e surgem os sintomas típicos da bursite.
Por que a inflamação na bursa do joelho acontece?
A inflamação na bursa do joelho pode ter várias origens. As mais frequentes são:
- Pressão repetitiva: pessoas que ficam ajoelhadas por longos períodos, como jardineiros, trabalhadores da construção civil ou praticantes de algumas artes marciais, sobrecarregam diretamente a bursa pré-patelar;
- Traumatismo direto: uma pancada na frente do joelho pode desencadear a inflamação de forma aguda.
- Esforço físico excessivo: corredores, ciclistas e praticantes de esportes de alto impacto podem ser mais vulneráveis;
- Infecção bacteriana (bursite séptica): quando uma bactéria penetra na bursa por meio de um corte ou arranhão. Isso requer tratamento com antibióticos e atenção médica urgente. Em alguns casos pode até ser necessária uma intervenção cirúrgica;
- Doenças sistêmicas: artrite reumatóide, gota e outras condições inflamatórias também podem desencadear bursite como parte do quadro geral.
A bursite no joelho também pode afetar outras articulações do corpo. O quadril, o ombro e o cotovelo são locais igualmente frequentes de inflamação das bursas.
Bursite no joelho: sintomas mais comuns
Bursite no joelho sintomas no dia a dia
Os sintomas da bursite no joelho variam conforme o tipo de bursa afetada e a intensidade da inflamação, mas os sinais mais comuns incluem:
- Dor localizada no joelho, que piora ao agachar, subir escadas ou ficar em pé por muito tempo;
- Inchaço visível na região anterior (frente) ou interna do joelho;
- Sensação de calor na área inflamada;
- Vermelhidão na pele sobre a bursa;
- Rigidez matinal, especialmente nas primeiras horas do dia;
- Limitação de movimento, com dificuldade para dobrar ou esticar o joelho completamente.
Na bursite anserina (parte interna do joelho), é comum a dor aparecer ou piorar à noite, frequentemente acordando o paciente.
Joelho inchado na frente e sensibilidade ao toque
Um dos sinais mais característicos da bursite pré-patelar é o joelho inchado na frente, uma espécie de "coxim" mole e bem delimitado sobre a patela, que pode crescer progressivamente.
Ao tocar essa região, a sensibilidade é quase imediata: qualquer pressão leve já provoca desconforto. Em alguns casos, o inchaço é tão evidente que chega a parecer uma bolha sob a pele.
É importante diferenciar esse quadro de outras condições que também causam joelho inchado, como o derrame articular (acúmulo de líquido dentro da própria articulação), doenças dos tendões ou lesões de menisco. Por isso, a avaliação médica é indispensável.
Atenção: se o joelho estiver muito vermelho, quente e com febre associada, procure atendimento médico imediatamente. Esses sinais podem indicar bursite infecciosa, uma situação que exige tratamento urgente.
Como é feito o diagnóstico da bursite no joelho?
Avaliação clínica e exame físico
Na maioria dos casos, o diagnóstico da bursite no joelho é clínico, ou seja, feito a partir da história do paciente e do exame físico realizado pelo médico ortopedista.
Durante a consulta, o profissional vai:
- Perguntar sobre o início e localização da dor, atividades físicas e hábitos de trabalho;
- Avaliar postura e alinhamento do joelho;
- Palpar (tocar) as estruturas ao redor para identificar o ponto exato de inflamação;
- Testar a amplitude de movimento da articulação;
- Investigar condições associadas, como trauma, artrose do joelho ou doenças inflamatórias (reumáticas)
Esse cuidado é fundamental porque o joelho tem estruturas muito próximas — tendões, ligamentos, meniscos, cartilagem, e os sintomas podem se sobrepor entre diferentes diagnósticos.
Quando exames de imagem são necessários
Em casos mais complexos, o médico pode solicitar exames complementares para confirmar o diagnóstico de bursite ou descartar outras condições, como artrose, lesões de menisco ou síndrome do impacto.
Os exames mais utilizados são:
A aspiração do líquido, quando necessária, é um procedimento simples, que além de auxiliar no diagnóstico pode trazer alívio imediato do inchaço. A aspiração deve ser realizada com técnica adequada.
Tratamento para bursite no joelho
A boa notícia é que a maioria dos casos de bursite no joelho responde bem ao tratamento conservador, ou seja, sem necessidade de cirurgia.
Controle da inflamação e da dor
O objetivo inicial é controlar a inflamação e aliviar a dor para que o paciente volte às atividades do dia a dia de forma gradual.
As principais medidas incluem:
- Repouso relativo: evitar as atividades que desencadeiam ou pioram os sintomas, sem necessariamente ficar totalmente imobilizado.
- Aplicação de gelo: compressas frias por 15 a 20 minutos, 3 a 4 vezes ao dia, especialmente nas primeiras 48 a 72 horas, o gelo ajuda a reduzir o inchaço e a dor.
- Elevação do membro: manter o joelho elevado (acima do nível do quadril) quando possível ajuda a diminuir o edema (inchaço).
- Fisioterapia: fundamental para reabilitação, alívio da dor e prevenção de novas crises.
Confira também: 6 dicas para acabar com as dores no joelho
Medicamentos, repouso e orientações médicas
O médico poderá prescrever medicamentos para acelerar a recuperação:
- Anti-inflamatórios: eduzem a inflamação e a dor. Devem ser usados sempre sob orientação médica, respeitando a dose e o tempo indicados
- Corticosteroides (infiltração): uma injeção de corticoide diretamente na bursa inflamada pode ser indicada nos casos que não respondem ao tratamento inicial. O alívio costuma ser rápido e duradouro.
- Antibióticos: indicados exclusivamente na bursite séptica (infecciosa), após identificação do agente causador.
- Analgésicos: para controle da dor em casos mais leves ou quando os anti-inflamatórios são contraindicados.
Evite a automedicação. O uso prolongado de anti-inflamatórios sem acompanhamento médico pode causar problemas gástricos, renais e cardiovasculares.
Nos casos mais raros, quando há infecção grave, bursite crônica que não responde a nenhum tratamento ou calcificações dentro da bursa, a cirurgia para remoção da bursa (bursectomia) pode ser considerada.
Quanto tempo dura a bursite no joelho e como prevenir recidivas
A duração da bursite no joelho varia bastante de pessoa para pessoa. Em casos agudos e tratados precocemente, a melhora pode ocorrer em 2 a 6 semanas.
Já nos casos crônicos, quando a inflamação persiste por mais de 3 meses, a recuperação pode ser mais longa e exigir abordagens combinadas.
Fatores que influenciam a recuperação
Os principais fatores que atrapalham a recuperação são:
- Atraso no início do tratamento: adiar o tratamento da bursite.
- Presença de doenças associadas: artrose, gota ou artrite reumatoide dificultam a resolução da inflamação.
- Excesso de peso: aumenta a carga sobre as articulações do joelho.
- Retorno precoce às atividades: voltar às atividades físicas intensas antes da bursa estar completamente recuperada é uma das principais causas de recidiva.
Cuidados no dia a dia e nas atividades físicas
Adotar algumas medidas simples no cotidiano pode reduzir significativamente o risco de novas crises de bursite:
No trabalho e nas atividades domésticas:
- Use joelheiras de proteção ao trabalhar ajoelhado por longos períodos;
- Faça pausas regulares para mudar de posição e movimentar as articulações;
- Evite superfícies duras sem proteção para os joelhos.
Na prática esportiva:
- Aqueça sempre antes de treinar e alongue ao final;
- Aumente a intensidade dos treinos de forma gradual, nunca de uma vez;
- Use calçados adequados para cada modalidade esportiva;
- Respeite os sinais do corpo: dor é sinal de alerta, não de superação.
No controle do peso e saúde geral:
- Manter um peso saudável reduz diretamente a carga sobre os joelhos;
- Atividades de baixo impacto, como natação e ciclismo, são excelentes aliadas para quem tem histórico de bursite.
Acompanhamento médico regular:
Pessoas com doenças reumáticas ou histórico de bursite recorrente devem manter acompanhamento periódico com ortopedista ou reumatologista.
Quando procurar um médico?
Procure atendimento médico se:
- O joelho estiver inchado, quente e doloroso sem causa aparente.
- Os sintomas não melhorarem após alguns dias de repouso e gelo.
- Houver febre associada ao inchaço (pode indicar infecção).
- A dor estiver limitando suas atividades do dia a dia ou o sono.
- Você tiver histórico de artrite, gota ou outra doença que afete as articulações.
A bursite no joelho tem tratamento eficaz. Quanto mais cedo iniciado, mais rápida e completa tende a ser a recuperação.
Texto validado por Dr. Camilo Partezani Filho