Adenomiose: o que é, sintomas, diferenças em relação à endometriose e tratamento
A adenomiose costuma se manifestar como aquela cólica que deixa de ser "normal" e passa a comprometer o trabalho, o sono e a rotina da mulher, acompanhada de uma menstruação cada vez mais intensa.
É uma condição distinta da endometriose, embora as duas sejam frequentemente confundidas e possam, inclusive, coexistir na mesma paciente.
Essa confusão tem explicação: ambas envolvem o mesmo tipo de tecido endometrial fora do lugar esperado e compartilham sintomas. Mas o local em que esse tecido se instala muda tudo no diagnóstico e no tratamento.
Neste artigo, você vai entender o que é adenomiose e como ela se forma, reconhecer seus principais sintomas, esclarecer a diferença entre adenomiose e endometriose, conhecer como o diagnóstico é feito e quais são as opções de tratamento. Continue a leitura!
O que é adenomiose e como ela se forma
A adenomiose acontece quando o endométrio, a camada que reveste o interior do útero e descama a cada menstruação, invade o miométrio, que é a parede muscular do órgão.
Esse tecido infiltrado continua respondendo aos hormônios do ciclo, sangrando dentro do músculo a cada mês. O resultado é inflamação, espessamento da parede uterina e aumento do volume do útero, que se torna mais globoso e sensível.
Existem duas formas principais de apresentação da condição:
Adenomiose difusa
O tecido endometrial se espalha de maneira ampla por toda a parede do útero, sem formar uma lesão delimitada. É a apresentação mais comum.
Adenomiose focal
A infiltração se concentra em um ponto específico, podendo formar um nódulo conhecido como adenomioma, que às vezes lembra um mioma em exames de imagem.
Sintomas da adenomiose
Os sintomas da adenomiose tendem a se intensificar com o passar do tempo e raramente melhoram sozinhos. Os mais característicos são:
- Cólicas menstruais intensas e progressivas, que pioram mês a mês;
- Sangramento menstrual abundante, muitas vezes com coágulos;
- Útero aumentado e dolorido, sensível à palpação;
- Dor pélvica crônica, que pode ocorrer fora do período menstrual;
- Dificuldade para engravidar em parte das pacientes.
Vale destacar que a intensidade dos sintomas varia bastante. Algumas mulheres convivem com manifestações discretas, enquanto outras enfrentam um quadro que afeta de forma importante a qualidade de vida.
Quando o sangramento é volumoso e recorrente, também é possível desenvolver anemia, com cansaço e fraqueza associados.

Adenomiose e endometriose: qual a diferença
A principal diferença entre adenomiose e endometriose está no local em que o tecido endometrial se instala.
Na adenomiose, esse tecido invade o músculo da parede do próprio útero. Na endometriose, ele se implanta fora do útero, em órgãos como ovários, trompas, intestino ou peritônio.
Apesar dessa distinção, as duas condições têm muito em comum. Compartilham sintomas como dor pélvica e cólicas intensas, respondem aos mesmos estímulos hormonais e podem aparecer juntas na mesma paciente.
Justamente por isso, o diagnóstico diferencial feito por um especialista é fundamental. Identificar com precisão se há adenomiose, endometriose ou ambas é o que permite definir a estratégia de tratamento correta.
Como o diagnóstico da ademiose é feito
A investigação da adenomiose começa com a história clínica e o exame ginecológico, mas se apoia principalmente em exames de imagem.
O ultrassom transvaginal é o exame inicial e costuma trazer achados sugestivos, como útero globoso, espessamento da junção entre o endométrio e o miométrio e pequenos cistos no interior do músculo uterino.

Quando o quadro precisa de mais investigação, a ressonância magnética entra como ferramenta de confirmação, oferecendo imagens detalhadas da parede uterina.
Porém, o diagnóstico definitivo da adenomiose é histológico, ou seja, depende da análise do tecido do útero.
Um estudo conduzido com pacientes submetidas à histerectomia por causas benignas identificou adenomiose comprovada por exame histológico em 42,0% das mulheres, reforçando que a condição é mais comum do que se imagina e frequentemente subdiagnosticada.
Na prática, porém, esse exame raramente é necessário antes de iniciar o tratamento, já que a combinação de sintomas e imagem permite uma conduta segura na maioria dos casos.
Manejo da adenomiose: o que esperar do tratamento
A resposta direta para quem busca se a adenomiose tem cura é a seguinte: a cura definitiva só ocorre com a histerectomia, a retirada do útero. Para todas as demais pacientes, o objetivo do tratamento da adenomiose não é eliminar a condição, mas controlar os sintomas, o que é alcançado na grande maioria dos casos.
As opções de tratamento da adenomiose são escolhidas conforme a intensidade dos sintomas, a idade e o desejo reprodutivo de cada mulher.
- Controle sintomático inicial: anti-inflamatórios ajudam a aliviar a dor e a reduzir o fluxo, e os anticoncepcionais hormonais regulam o ciclo e diminuem o sangramento.
- DIU hormonal: considerado uma das primeiras linhas de tratamento, libera hormônio diretamente no útero, reduzindo de forma consistente o sangramento e as cólicas.
- Análogos do GnRH: reservados para casos mais intensos, induzem um estado temporário de pausa hormonal, aliviando os sintomas em situações específicas.
- Histerectomia: indicada para mulheres sem desejo de engravidar e com sintomas que não respondem às outras abordagens. É o único tratamento que resolve a adenomiose de forma definitiva.
Ou seja, embora a adenomiose não desapareça com a medicação, conviver com ela sem dor e sem sangramento excessivo é uma meta realista para a maioria das pacientes com o acompanhamento adequado.
Quando procurar o ginecologista
Alguns sinais indicam que a avaliação especializada não deve ser adiada:
- Cólicas que pioram progressivamente a cada ciclo;
- Sangramento que compromete a qualidade de vida ou causa cansaço persistente;
- Dificuldade para engravidar associada a um útero aumentado;
Se as cólicas, o sangramento intenso ou a dor pélvica fazem parte da sua rotina, vale agendar uma avaliação com um ginecologista para esclarecer o diagnóstico e definir, em conjunto, o melhor caminho de tratamento.
O Núcleo de Ginecologia do Hospital Sírio-Libanês conta com uma equipe de especialistas dedicada ao atendimento ginecológico de rotina, distúrbios do assoalho pélvico, incontinência urinária, sintomas do climatério e outras condições que afetam a saúde da mulher.
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Texto validado por Dra. Paolinne Lima Silva CRM - 23884