Hábitos que ajudam a prevenir doenças reumatológicas
Quais hábitos de vida ajudam a prevenir ou aliviar doenças reumatológicas?
As doenças reumáticas são inúmeras, todas doenças crônicas, inflamatórias, e/ou autoimunes, e/ou metabólicas, que acometem todo o organismo: pele, articulações, músculos, vasos sanguíneos, órgãos internos como coração, pulmão, rins, glândulas, sistema nervoso etc.
Assim como nas demais doenças crônicas, há fases de remissão (com poucos ou sem sintomas) e fases de atividade (fases sintomáticas). Nem sempre é fácil entender exatamente porque as fases de atividade da doença acontecem. No entanto, alguns fatores são classicamente descritos tanto para deflagrar uma doença, desencadear a atividade de doença ou até dificultar a resposta ao tratamento convencional.
Com a enorme gama de doenças reumáticas, é muito difícil falar em prevenção. No entanto, as medidas que têm papel em minimizar sintomas, sem dúvida também ajudam na prevenção.
O manejo do estresse, controle de peso, dieta, exercícios físicos, tabagismo, higiene oral e vacinação, são elementos modificáveis que agregam muito valor ao tratamento medicamentoso. A poluição do ar, sonora e visual, piora o estresse, e também por outros mecanismos químicos e inflamatórios têm sido relacionadas não só às doenças pulmonares, mas também auto-imunes (que são mais frequentes em grandes centros urbanos),
O estresse está presente na vida moderna e é um fator que tanto pode desencadear um quadro reumático que estava “dormente”, ou piorar uma doença já diagnosticada.
O estresse emocional, tanto a ansiedade quanto a depressão, causam uma reação química que ativa o sistema imune, causando ou exacerbando a doença auto-imune, também aumentam os fatores inflamatórios, interferindo na modulação da dor, fadiga e alteração da qualidade e intensidade do sono.
Aliás, dor crônica, fadiga e alteração do sono, que ocorrem em várias doenças reumáticas, comprometem o desempenho nas atividades sociais, diminuem a disposição para eventos de lazer, atividades com amigos, no dia a dia familiar e na vida conjugal. Também, o desempenho no trabalho é frequentemente impactado uma vez que a atenção pode estar diminuída.
Estes sintomas melhoram paralelamente à melhora da doença como um todo, com o bom controle medicamentoso. No entanto, o tratamento não farmacológico é fundamental
Converse com seu médico sobre estes sintomas. A aderência ao tratamento (regularidade na medicação), suporte familiar no entendimento da sua condição e eventual acompanhamento psicológico são de grande valia.
Meditação: as práticas ativas de meditação ou “mindfulness" auxiliam enormemente no controle do estresse, diminuem os sintomas de ansiedade e depressão, melhorando o foco nas atividades intelectuais e do dia a dia.
Yoga e Tai Chi Chuan: trabalham a concentração, a musculatura, além do foco respiratório com efeito vagal, que melhoram a ansiedade, sentimentos de tristeza, além do fortalecimento muscular, equilíbrio e flexibilidade.
Exercício na água: a temperatura morna para levemente quente aliviam muito a dor e promovem relaxamento muscular, por causa da pressão da água, melhora a rigidez articular, alivia o edema e permite flutuar. Também, pela propriedade de diminuir o efeito de carga antigravitacional facilita a realização de exercícios de mobilidade, melhorando também a flexibilidade e a amplitude articular.
O mundo moderno nos leva ao sedentarismo.
Moramos em apartamentos em prédios com elevadores. A insegurança das ruas, associada às más condições das calçadas e poucas áreas públicas de lazer nos deixa ainda mais parados. De forma geral, o exercício físico faz parte do tratamento de todas as doenças crônicas. O exercício físico estimula a secreção de substâncias anti-inflamatórias (interleucinas) do nosso próprio organismo, combatendo as interleucinas inflamatórias que promovem a doença. Por isso, todos os pacientes que fazem exercícios regulares 3 ou mais vezes por semana, tomam menos remédio do que os pacientes sedentários.
Além da propriedade anti-inflamatória e ajudar a regular o nosso sistema imune, o exercícios promovem o aumento de neurotransmissores que estão relacionados à felicidade, disposição física e cognitiva, apetite, fadiga, depressão, ansiedade e melhora do sono, além da sociabilidade.
O ganho de massa muscular, implica em fortalecimento, que aumenta a estabilidade articular diminuindo a dor principalmente na osteoartrose e lombalgia crônica, como também na fibromialgia, melhoram a marcha e o equilíbrio diminuindo significativamente o risco de queda e fratura nos pacientes com osteoporose e síndrome da fragilidade. A fratura osteoporótica é de alta morbidade e mortalidade e o exercício físico é um tratamento modificador de doenças.
O exercício melhora a capacidade cardiovascular, respiratória, controle pressórico e peso, importantes, já que doenças reumáticas pioram todos estes sistemas.
O tabagismo, alimentação e vacinas ficam para um próximo capítulo.