Hábitos que ajudam a prevenir doenças reumatológicas

Estresse e sedentarismo influenciam as doenças reumáticas. Veja como exercícios, meditação e mudanças na rotina aliviam sintomas e ajudam na prevenção.
Dra. Maria Angela do Amaral Gurgel Vianna
14/08/2026 4 min de leitura

Quais hábitos de vida ajudam a prevenir ou aliviar doenças reumatológicas? 

As doenças reumáticas são inúmeras, todas doenças crônicas, inflamatórias, e/ou  autoimunes, e/ou metabólicas, que acometem todo o organismo: pele, articulações, músculos, vasos sanguíneos, órgãos internos como coração, pulmão, rins, glândulas,  sistema nervoso etc.  

Assim como nas demais doenças crônicas, há fases de remissão (com poucos ou sem  sintomas) e fases de atividade (fases sintomáticas). Nem sempre é fácil entender  exatamente porque as fases de atividade da doença acontecem. No entanto, alguns  fatores são classicamente descritos tanto para deflagrar uma doença, desencadear a  atividade de doença ou até dificultar a resposta ao tratamento convencional.  

Com a enorme gama de doenças reumáticas, é muito difícil falar em prevenção. No entanto, as medidas que têm papel em minimizar sintomas, sem dúvida também ajudam  na prevenção.  

O manejo do estresse, controle de peso, dieta, exercícios físicos, tabagismo, higiene  oral e vacinação, são elementos modificáveis que agregam muito valor ao tratamento  medicamentoso. A poluição do ar, sonora e visual, piora o estresse, e também por  outros mecanismos químicos e inflamatórios têm sido relacionadas não só às doenças  pulmonares, mas também auto-imunes (que são mais frequentes em grandes centros  urbanos), 

estresse está presente na vida moderna e é um fator que tanto pode desencadear um  quadro reumático que estava “dormente”, ou piorar uma doença já diagnosticada.  

estresse emocional, tanto a ansiedade quanto a depressão, causam uma reação  química que ativa o sistema imune, causando ou exacerbando a doença auto-imune,  também aumentam os fatores inflamatórios, interferindo na modulação da dor, fadiga e  alteração da qualidade e intensidade do sono.  

Aliás, dor crônica, fadiga e alteração do sono, que ocorrem em várias doenças  reumáticas, comprometem o desempenho nas atividades sociais, diminuem a disposição  para eventos de lazer, atividades com amigos, no dia a dia familiar e na vida conjugal.  Também, o desempenho no trabalho é frequentemente impactado uma vez que a atenção  pode estar diminuída.  

Estes sintomas melhoram paralelamente à melhora da doença como um todo, com o bom  controle medicamentoso. No entanto, o tratamento não farmacológico é fundamental 

  • Converse com seu médico sobre estes sintomas. A aderência ao tratamento  (regularidade na medicação), suporte familiar no entendimento da sua condição e  eventual acompanhamento psicológico são de grande valia.  

  • Meditação: as práticas ativas de meditação ou “mindfulness" auxiliam enormemente no  controle do estresse, diminuem os sintomas de ansiedade e depressão, melhorando o  foco nas atividades intelectuais e do dia a dia.  

  • Yoga e Tai Chi Chuan: trabalham a concentração, a musculatura, além do foco  respiratório com efeito vagal, que melhoram a ansiedade, sentimentos de tristeza, além  do fortalecimento muscular, equilíbrio e flexibilidade.  

  • Exercício na água: a temperatura morna para levemente quente aliviam muito a dor e  promovem relaxamento muscular, por causa da pressão da água, melhora a rigidez  articular, alivia o edema e permite flutuar. Também, pela propriedade de diminuir o  efeito de carga antigravitacional facilita a realização de exercícios de mobilidade,  melhorando também a flexibilidade e a amplitude articular.  

O mundo moderno nos leva ao sedentarismo

Moramos em apartamentos em prédios  com elevadores. A insegurança das ruas, associada às más condições das calçadas e  poucas áreas públicas de lazer nos deixa ainda mais parados. De forma geral, o  exercício físico faz parte do tratamento de todas as doenças crônicas. O exercício  físico estimula a secreção de substâncias anti-inflamatórias (interleucinas) do nosso  próprio organismo, combatendo as interleucinas inflamatórias que promovem a doença.  Por isso, todos os pacientes que fazem exercícios regulares 3 ou mais vezes por  semana, tomam menos remédio do que os pacientes sedentários.  

Além da propriedade anti-inflamatória e ajudar a regular o nosso sistema imune, o  exercícios promovem o aumento de neurotransmissores que estão relacionados à  felicidade, disposição física e cognitiva, apetite, fadiga, depressão, ansiedade e  melhora do sono, além da sociabilidade.  

O ganho de massa muscular, implica em fortalecimento, que aumenta a estabilidade  articular diminuindo a dor principalmente na osteoartrose e lombalgia crônica, como  também na fibromialgia, melhoram a marcha e o equilíbrio diminuindo significativamente o  risco de queda e fratura nos pacientes com osteoporose e síndrome da fragilidade. A  fratura osteoporótica é de alta morbidade e mortalidade e o exercício físico é um  tratamento modificador de doenças.  

O exercício melhora a capacidade cardiovascular, respiratória, controle pressórico e peso, importantes, já que doenças reumáticas pioram todos estes sistemas. 

O tabagismo, alimentação e vacinas ficam para um próximo capítulo.