Perguntas Frequentes
A terapia com células CAR T ou CAR T-cell therapy (em inglês) é um tipo de imunoterapia que pode ser usada para o tratamento de pacientes com alguns tipos de cânceres hematológicos.
As células T pertencem ao sistema imunológico e atuam promovendo a defesa contra infecções nas condições habituais.
Nesse novo tratamento essas células T são coletadas do próprio paciente através de um procedimento de aférese, passam por uma modificação genética e são devolvidas ao paciente. A modificação genética pelas quais elas passaram gera uma reprogramação na função delas deixando-as capazes de reconhecer as células doentes e promovem um ataque imune contra as células tumorais.
Ao longo dos últimos anos, muitas células CAR-T tem sido desenvolvidas para diversos alvos, como, por exemplo, Leucemias, Linfomas e Mieloma Múltiplo.
No Brasil, a terapia com Células CAR-T está aprovada para as seguintes indicações: Linfoma Difuso de Grandes Células B (um subtipo de Linfoma Não Hodgkin) e Leucemia Linfoblástica Aguda, por enquanto em crianças e adultos jovens (até 25 anos), ambas no contexto de doenças recaídas e refratárias após tratamentos prévios.
Existem alguns fatores limitantes para a terapia CAR-T como por exemplo algumas comorbidades que o paciente apresente, a presença de infecção ativa, estado clínico não adequado, entre outras. Portanto, os pacientes precisam ser avaliados com muito cuidado, para garantir a maior segurança possível para esta terapia.
A terapia com células CAR-T é dividida em algumas etapas que citamos resumidamente abaixo:
Primeira etapa: coleta de células T - leucoaférese É realizada uma coleta de sangue que passa por uma máquina capaz de filtrar as células do sistema imune, os linfócitos.
O momento ideal para essa coleta varia para cada paciente e deve ser programado junto ao médico e toda equipe clínica.
Segunda etapa: modificação genética das células T As células T são enviadas para os centros especializados para que possam ser modificadas e adquiram a capacidade de agir com o tratamento contra o Câncer. Para os produtos farmacêuticos aprovados no Brasil essa manufatura das células é realizada fora do país e conta com uma logística específica e eficaz.
Enquanto as células estão sendo produzidas o paciente deverá seguir as recomendações médicas baseadas no seu caso.
Terceira etapa: Linfodepleção Após as células ficarem prontas e retornarem para o centro que o paciente é acompanhado, ele será convocado para realizar uma quimioterapia que tem o objetivo de abrir espaço no sistema imune para receber as células CAR-T e para que estas não enfrentem muita concorrência. Este procedimento, conhecido como linfodepleção, costuma acontecer de 5 a 7 dias antes da infusão das células CAR-T.
Infusão e cuidados posteriores Após o término da linfodepleção o paciente receberá as suas células T modificadas. A infusão deverá acontecer em um hospital credenciado, que tenha capacidade e experiência em realizar transplante de medula óssea (TMO).
A partir da infusão começamos a avaliar o paciente e acompanhar qualquer sinal de evento adverso ao tratamento para que seja prontamente resolvido.
A internação costuma durar entre 14 e 21 dias, podendo estender-se variando caso a caso.
A maioria dos pacientes apresentam sintomas leves relacionados a uma reação inflamatória, fruto da proliferação das células CAR-T e da liberação de substâncias (citocinas) que agem com a intenção de eliminar o tumor. Os sintomas mais comuns são fraqueza, astenia e febre.
Alguns pacientes evoluem com quadros inflamatórios mais graves cursando com alterações neurológicas, queda da pressão arterial, necessidade de oxigênio e internação em unidade de terapia intensiva (UTI).
Esses eventos adversos costumam ser autolimitados e podem ser tratados e controlados com tratamento adequado. Devido a estes eventos adversos potenciais, a terapia com células CAR-T deve ser realizada em um centro especializado e com uma equipe treinada para reconhecê-los e tratá-los.
Em primeiro lugar é o seu mecanismo de ação, utilizando o sistema imune do paciente. Em segundo lugar, a sua capacidade de induzir respostas muito boas e até a cura de pacientes com doenças agressivas e refratárias aos tratamentos prévios, para os quais não haveria opção disponível.
A principal diferença é o mecanismo de ação das terapias, enquanto a quimioterapia mata as células tumorais por uma gama diversa de mecanismos de ação, as células CAR-T utilizam o próprio sistema imune do paciente para tratar a doença.
Estas terapias têm diferença quanto a indicação, variam conforme a doença e condição clínica do paciente e apresentam perfis de toxicidade diferentes.
O melhor tratamento para cada paciente deve ser individualizado e contar com uma equipe experiente em um hospital com condições de oferecer o melhor tratamento possível.
Onde encontrar
- São Paulo
- Brasília