Síndrome nefrótica: sintomas, causas e quando investigar proteína na urina

Edema, urina espumosa e proteína na urina podem indicar síndrome nefrótica. Entenda os sinais, as causas e quando investigar.
Dra Liliana Bahia Pereira Secaf
30/07/2026 6 min de leitura
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síndrome nefrótica afeta pessoas de todas as idades e, muitas vezes, se instala de forma silenciosa antes de se revelar por sinais como inchaço persistente, urina espumosa e ganho de peso inexplicável. Quando o diagnóstico chega tarde, os danos à função renal já podem estar avançados.

Entender o que é a síndrome nefrótica, reconhecer seus sintomas precocemente e saber quando buscar avaliação especializada faz toda a diferença no curso do tratamento. Neste artigo, abordamos causas, diagnóstico e as principais opções terapêuticas disponíveis. Siga a leitura.

O que é síndrome nefrótica?

síndrome nefrótica é uma condição renal caracterizada pela perda excessiva de proteína na urina, consequência de uma lesão nos filtros do rim que compromete sua capacidade de reter proteínas no sangue.

Quando isso acontece, instala-se uma cascata de desequilíbrios no organismo. A queda da albumina reduz a pressão que mantém o líquido dentro dos vasos, favorecendo seu extravasamento para os tecidos. Ao mesmo tempo, o fígado tenta compensar a perda proteica aumentando a produção de lipoproteínas, elevando o colesterol e os triglicérides.

Quais são os principais sintomas da síndrome nefrótica?

Os sintomas da síndrome nefrótica costumam surgir de forma gradual e podem ser confundidos com outras condições, o que atrasa o diagnóstico. Conhecê-los é o primeiro passo para a investigação adequada.

Edema (inchaço)

edema é o sinal mais frequente e mais perceptível. Aparece tipicamente ao redor dos olhos ao acordar, nos tornozelos e pernas ao longo do dia. Quando associado a proteinúria, termo técnico para a presença elevada de proteína na urina, a síndrome nefrótica passa a ser considerada.

A formação de edema ocorre porque os glomérulos, filtros microscópicos dos rins, quando lesados por mecanismos imunológicos, metabólicos ou tóxicos, perdem a capacidade de reter proteínas como a albumina. 

A membrana que compõe essa barreira altera sua permeabilidade, deixando passar moléculas que deveriam permanecer na circulação. Com menos albumina no sangue, o líquido extravasa para os tecidos, e o edema se instala.

Urina espumosa

A presença de espuma persistente na urina indica o excesso de proteína sendo eliminada pelos rins. É um sinal que frequentemente leva o paciente à primeira consulta e nunca deve ser ignorado.

Ganho de peso

Na síndrome nefrótica, o acúmulo de líquido nos tecidos pode provocar um ganho de peso rápido e não intencional, desproporcionalmente alto em relação à ingestão alimentar. Esse sintoma, combinado ao edema progressivo, reforça a necessidade de avaliação especializada.

Quais são as principais causas da síndrome nefrótica?

As causas da síndrome nefrótica se organizam em duas grandes categorias: as que afetam os rins diretamente (primárias) e as que envolvem o rim como parte de uma doença sistêmica (secundárias).

Doenças primárias (glomerulopatias primárias)

As glomerulopatias primárias mais comuns incluem:

  • Doença de lesão mínima: principal causa em crianças, com excelente resposta aos corticosteroides.
  • Glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF): mais prevalente em adultos, com comportamento variável.
  • Nefropatia membranosa: associada a anticorpos anti-PLA2R, frequentemente idiopática em adultos.
  • Glomerulonefrite membranoproliferativa: menos frequente, mas de maior complexidade diagnóstica e terapêutica.

Doenças sistêmicas

Diversas condições podem comprometer os glomérulos e desencadear a síndrome nefrótica, entre elas:

  • Diabetes mellitus: a nefropatia diabética é a causa mais comum de síndrome nefrótica em adultos no mundo.
  • Lúpus eritematoso sistêmico (LES): a nefrite lúpica pode se manifestar com padrão nefrótico.
  • Amiloidose: deposição de proteína anômala nos tecidos renais.
  • Infecções e neoplasias: em determinados contextos clínicos, podem ser gatilhos para o quadro.

Como é feito o diagnóstico da síndrome nefrótica?

O diagnóstico da síndrome nefrótica é fundamentalmente laboratorial, mas pode exigir investigação histológica para identificar a causa subjacente e orientar o tratamento de forma precisa.

Exames de urina

A investigação começa pela detecção e quantificação da proteína na urina. Os exames utilizados são:

  • Urina rotina (EAS): detecção inicial de proteinúria.
  • Proteinúria de 24 horas: quantifica a perda diária (acima de 3,5g/dia confirma o diagnóstico em adultos).
  • Relação proteína/creatinina urinária: alternativa prática à coleta de 24 horas, com boa correlação clínica.

Exames de sangue

Incluem dosagem de albumina sérica, perfil lipídico, avaliação da função renal (ureia e creatinina) e sorologias para investigação de causas secundárias, como FAN, anti-DNA nativo e sorologias virais.

Biópsia renal (quando necessário)

A biópsia renal é indicada para definir a extensão da lesão renal, auxiliar na identificação da etiologia (causa) e definir o tratamento. O exame histológico identifica o padrão de lesão glomerular, permitindo uma escolha terapêutica mais precisa. 

Como é o tratamento da síndrome nefrótica?

tratamento da síndrome nefrótica é individualizado conforme a causa identificada, mas segue uma lógica que combina o controle dos sintomas, o manejo das complicações e o tratamento da condição de base.

O primeiro passo é conter o impacto imediato da perda proteica. O manejo do edema e da proteinúria envolve:

  • restrição de sódio na dieta;
  • uso de diuréticos;
  • controle rigoroso da pressão arterial.

Em paralelo, quando a síndrome nefrótica decorre de uma doença sistêmica, como diabetes ou lúpus, o controle adequado da condição de base é determinante para reduzir a perda proteica e preservar a função renal a longo prazo.

Nas formas primárias, o tratamento farmacológico específico tem como principal recurso os corticosteroides. Quando há resistência ou dependência aos corticosteroides, recorre-se a imunossupressores, como ciclosporina, tacrolimus ou micofenolato de mofetila. 

Em situações específicas, também podem ser indicados imunobiológicos, como o rituximabe, especialmente em casos de síndrome nefrótica por doença de lesões mínimas ou glomeruloesclerose segmentar e focal, e o avacopan, quando a síndrome nefrótica está associada a vasculites ANCA-relacionadas, sempre conforme a indicação clínica e a etiologia da doença. 

Quando procurar um nefrologista?

Qualquer paciente com edema progressivo, especialmente periorbitário ao acordar ou em membros inferiores, associado à presença de urina espumosa, deve ser investigar as causas e a possível correlação com a síndrome nefrótica.

Além disso, a detecção de proteína na urina acima dos valores de referência, mesmo em exames de rotina, é indicação para encaminhamento ao nefrologista. Não é necessário aguardar a progressão dos sintomas para buscar avaliação especializada.

O acompanhamento regular com nefrologista permite ajustes no tratamento, monitoramento da função renal e prevenção ativa de complicações.

Em muitos casos, a remissão completa é alcançável com o tratamento correto, tornando o acompanhamento especializado determinante para o prognóstico a longo prazo.

Se você identificou sintomas como edema progressivourina espumosa ou recebeu resultado alterado em um exame de urina, não adie a investigação. O diagnóstico precoce da síndrome nefrótica protege a função renal e melhora significativamente os desfechos do tratamento. 

Núcleo de Nefrologia do Hospital Sírio-Libanês é formado por especialistas dedicados ao diagnóstico e ao tratamento de doenças renais, com acompanhamento individualizado em cada etapa da jornada do paciente, do diagnóstico à escolha do tratamento mais adequado para cada caso.

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