OMS estima que 60% dos adultos não fazem mínimo necessário de atividade física

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Dr Tiago Lazzaretti Fernandes

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Orientações sobre atividade física

​​Introdução

A sociedade moderna possui, historicamente, um gasto energético menor devido às facilidades tecnológicas e à valorização econômica das atividades intelectuais. A falta de atividade física é reconhecidamente um problema de saúde pública, sendo um dos principais fatores de risco para a mortalidade global (1).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 60% dos adultos não realizam as recomendações mínimas de ati​vidade física para a prevenção de doenças e que o risco cardiovascular aumenta em 50% com o sedentarismo (1).

Avaliação inicial

Sabemos que o histórico médico de cada indivíduo é muito importante, porém, há evidências de que os benefícios da atividade física regular são muito maiores do que o risco inerente dos eventos adversos (2).

Os eventos de maior gravidade, como infarto agudo do miocárdio e morte súbita, estão relacionados a atividades físicas de maior intensidade, além de serem relativamente raros (2).

A avaliação médica inicial tem por objetivo excluir os indivíduos em condições de risco aumentado para a prática do exercício ao mesmo tempo em que se propõe a evitar gastos desnecessários com exames subsidiários e não criar barreiras para a prática do mesmo.

Grupos específicos

Adultos

O exercício físico deve ser prescrito igual a uma medicação, incluindo o tipo de atividade, frequência, intensidade, duração e precauções. Iniciar as atividades de forma muito intensa pode levar o indivíduo a desistir da prática por achar o exercício desconfortável ou por não conseguir continuar o programa.

Os adultos, em geral, devem realizar 150 minutos semanais de exercício aeróbio com intensidade moderada ou 75 minutos em intensidade alta (2). A marcha rápida com a presença do aumento do ritmo cardíaco perceptível ao indivíduo e ocasionando dificuldade para falar pode ser classificada como exercício moderado. Lembrar que esta atividade deve ser cumprida ao longo da semana e em períodos mínimos de 10 minutos por prática.

A população de adultos também deverá realizar exercícios para fortalecimento dos grandes grupos musculares por pelo menos duas vezes por semana. Recomenda-se a realização de oito a dez tipos de exercícios diferentes para os principais grupos musculares durante 15 a 20 minutos após uma atividade aeróbia.

O American College of Sports Medicine possui uma série de documentos para o uso da população em geral e profissionais da saúde, incluindo questionários para avaliação inicial, planilhas com exemplos de treino aeróbio, fortalecimento muscular e alongamento, no endereço eletrônico www.exerciseismedicine.org (4)

A progressão do exercício, por sua vez, pode ser realizada, primeiramente, com o aumento do número de repetições. Quando o indivíduo executar a série de modo confortável, recomenda-se a adição de 5% a carga prévia (3).

Idosos

Embora a atividade física não possa parar o processo do envelhecimento biológico, existem evidências de que o exercício regular pode aumentar a expectativa de vida e limitar o desenvolvimento ou progressão de doenças crônicas.

Os idosos necessitam, além da atividade programada para a população adulta, exercícios de fortalecimento muscular se não houver contraindicações clínicas por motivo de doenças cardiovasculares.

Andar costuma ser a atividade mais recomendada. Exercícios na água e bicicleta estacionária podem ser adequados para aqueles idosos com limitação à marcha.

Medidas para prevenir ou diminuir o risco de quedas e a autonomia para as atividades do dia-a-dia devem ser atentadas para esta faixa etária.

Doenças cardiovasculares

Exercícios resistidos são contraindicados em pacientes com arritmias cardíacas não controladas, cardiomiopatia hipertrófica instável, insuficiência cardíaca descompensada, hipertensão pulmonar grave, estenose de aorta grave e sintomática, miocardite, endocardite ou pericardite agudas, dissecção de aorta e síndrome de Marfan (3).

Pacientes com diagnóstico de diabetes, pressão arterial não controlada, uso de marca-passo ou desfibrilador e limitações musculoesqueléticas são classificados como de alto risco e devem consultar um médico antes do início do exercício resistido (2) (3).

Crianças de cinco a 16 anos

As crianças e jovens necessitam de 60 minutos diários de atividade física adequada para o desenvolvimento de cada idade. Devem envolver exercícios combinados de coordenação, agilidade e equilíbrio, além de atividades aeróbias e de força (1).

Obesos

Indivíduos que queiram perder peso, prevenir a obesidade ou manter o peso após a sua diminuição necessitam de períodos de atividade física superiores a 250 minutos por semana (5).

Considerações finais

A motivação à prática de atividade física e estratégias de aderência devem ser constantes a todos os pacientes, a fim de que o sedentarismo não seja mais um problema de saúde pública.

Bibliografia

  1. World Health Organization: Global Recommendations on Physical Activity for Health. Geneva: WHO; 2010.

  2. Phillips EM, Kennedy MA. The exercise prescription: a tool to improve physical activity. PM R [Internet]. 2012; 4(11):818–25.

  3. Williams MA, Haskell WL, Ades PA, Amsterdam EA, Bittner V, Franklin BA, et al. Resistance exercise in individuals with and without cardiovascular disease: 2007 update: a scientific statement from the American Heart Association Council on Clinical Cardiology and Council on Nutrition, Physical Activity, and Metabolism. Circulation. 2007;116(5):572–84.

  4. Exercise is MedicineTM. (ACSM), Am. Coll. Sport. Med. Available from: http://exerciseismedicine.org/

  5. Donnelly JE, Blair SN, Jakicic JM, Manore MM, Rankin JW, Smith BK. American College of Sports Medicine Position Stand. Appropriate physical activity intervention strategies for weight loss and prevention of weight regain for adults. Med. Sci. Sports Exerc. 2009; 41(2):459–71.