Bronquiolite e VSR em bebês: sintomas, sinais de alerta e cuidados

Coriza, tosse e febre baixa que evoluem para chiado no peito e respiração acelerada podem ser bronquiolite. Saiba quais sinais pedem atendimento imediato e como cuidar do bebê.
Hospital Sírio-Libanês
Hospital Sírio-Libanês
28/10/2026 13 min de leitura

Bronquiolite e VSR em bebês costumam entrar na rotina da família sem aviso. Tudo começa com o nariz escorrendo e uma tosse que parece de resfriado comum. Em poucos dias, porém, o bebê passa a respirar mais rápido, surge um chiado no peito, as mamadas ficam interrompidas e as noites viram vigília, com pais e mães atentos a cada respiração.
 

É nesse momento que aparecem as dúvidas mais difíceis: é só uma virose? Dá para cuidar em casa? É hora de ir ao pronto-socorro? 
 

Neste artigo, reunimos tudo o que você precisa saber sobre bronquiolite e VSR em bebês: o que é a doença, como diferenciá-la da bronquite e do resfriado, quais sintomas observar, quando procurar ajuda, como é o tratamento e como proteger o seu filho. 
 

Se o bebê já apresenta dificuldade para respirar ou está recusando o peito ou a mamadeira, não espere para buscar ajuda: o Pronto Atendimento Pediátrico do Sírio-Libanês funciona 24 horas por dia. Siga a leitura!
 

O que é bronquiolite e o que é o VSR
 

Falar de bronquiolite e VSR em bebês é falar de uma doença e do vírus que mais a provoca. A bronquiolite é a doença: uma inflamação das vias aéreas inferiores que atinge principalmente crianças menores de 2 anos. O vírus sincicial respiratório (VSR) é a sua principal causa.
 

Mas, afinal, o que é o vírus sincicial respiratório? O VSR é um vírus respiratório muito comum na infância. Em crianças maiores e adultos, costuma ficar restrito ao nariz e à garganta, causando apenas sintomas de resfriado. Nos bebês, porém, as vias aéreas são estreitas e o sistema imunológico ainda está em formação, o que facilita a chegada do vírus aos bronquíolos, as menores vias aéreas dos pulmões.
 

É aí que a bronquiolite se instala. Nos bronquíolos, o vírus provoca inflamação, inchaço e acúmulo de muco e secreção em canais que já são muito finos, o que dificulta a passagem do ar e deixa a respiração mais trabalhosa.
 

Outros vírus, como rinovírus, parainfluenza, influenza e adenovírus, também podem causar bronquiolite, mas com menos frequência.
 

Os números ajudam a entender por que bronquiolite e VSR em bebês merecem atenção. Segundo o Ministério da Saúde, o VSR responde por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e por 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de 2 anos. 
 

Em 2025, o Brasil registrou 43.946 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados pelo vírus, e mais de 36 mil das hospitalizações por VSR foram de crianças nessa faixa etária, o equivalente a 82,5% dos registros.
 

A bronquiolite é contagiosa?
 

Sim, a bronquiolite é contagiosa, porque os vírus que a causam passam facilmente de uma pessoa para outra.
 

Como o vírus se espalha
 

O VSR é transmitido por gotículas de secreção eliminadas ao tossir, espirrar ou falar, e também pelo contato com mãos, brinquedos e superfícies contaminadas, levados depois ao nariz, à boca ou aos olhos. 
 

Um detalhe importante: um adulto ou irmão mais velho com um simples resfriado pode estar com VSR e transmiti-lo ao bebê sem saber.
 

Por que os casos aumentam no outono e no inverno
 

Os casos de bronquiolite e VSR em bebês aumentam nos meses mais frios, quando as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados e o vírus circula com mais facilidade. No Brasil, o Ministério da Saúde aponta que o pico sazonal começa a partir de março, e a circulação varia entre as regiões do país. 
 

Porém, mesmo com a chegada da primavera, o vírus não desaparece: casos continuam acontecendo. Por isso, é preciso tomar alguns cuidados para prevenir a bronquiolite no dia a dia.


Como prevenir a bronquiolite no dia a dia
 

A prevenção de bronquiolite e VSR em bebês começa com hábitos simples, recomendados pelo Ministério da Saúde:


●    lavar as mãos com água e sabão ou álcool em gel antes de pegar o bebê, e pedir que as visitas façam o mesmo;
●    evitar contato próximo do bebê com pessoas gripadas ou resfriadas, inclusive beijos no rosto e nas mãos;
●    evitar aglomerações, principalmente nos primeiros meses de vida e nos períodos de maior circulação do vírus;
●    manter a casa arejada e limpar com frequência brinquedos e superfícies de uso comum;
●    não expor o bebê à fumaça de cigarro, nem dentro de casa, nem no carro;
●    manter o aleitamento materno sempre que possível, já que o leite materno ajuda a proteger contra infecções;
●    manter a caderneta de vacinação em dia.

 

Diferença entre bronquiolite, bronquite e resfriado
 

Os nomes parecidos confundem muitos pais, e entender a diferença entre bronquiolite, bronquite e resfriado ajuda a saber o que esperar. 
 

Pense nas vias aéreas como uma árvore de cabeça para baixo: a traqueia é o tronco, os brônquios são os galhos maiores e os bronquíolos, os galhos mais finos. O resfriado fica nas vias aéreas superiores (nariz e garganta), a bronquite atinge os brônquios e a bronquiolite chega aos bronquíolos, bem perto dos alvéolos, onde acontece a troca de oxigênio.
 

O quadro abaixo resume as principais diferenças entre as doenças:
 

 

Resfriado

Bronquite

Bronquiolite

Onde aconteceNariz e gargantaBrônquios, as vias aéreas maioresBronquíolos, as menores vias aéreas
Quem costuma afetarPessoas de todas as idadesCom mais frequência, crianças maiores e adultosPrincipalmente bebês
Sintomas típicosCoriza, espirros, tosse leve e febre baixaTosse persistente, às vezes com catarroChiado no peito, respiração rápida e esforço para respirar
Ponto de atençãoCostuma melhorar em poucos diasTosse que não melhora merece avaliaçãoEsforço respiratório e dificuldade para mamar exigem atendimento

Na prática, o quadro de bronquiolite e VSR em bebês costuma começar como um resfriado, e só com o passar dos dias fica claro que o vírus desceu para as vias aéreas inferiores. Por isso, acompanhar a evolução é tão importante.
 

A Dra. Beatriz Maihara, pneumologista e pediatra do Hospital Sírio-Libanês, orienta os pais sobre doenças respiratórias, principalmente nos períodos mais frios do ano, como inverno.

 

Sintomas de bronquiolite no bebê
 

Os sintomas de bronquiolite e VSR em bebês costumam seguir uma sequência, o que ajuda a família a acompanhar o quadro com mais segurança.
 

Nos primeiros dias
 

No início, os sintomas de bronquiolite no bebê são os de um resfriado comum: coriza, nariz entupido, espirros, tosse e febre baixa, que nem sempre aparece. O bebê pode ficar mais irritado e mamar um pouco menos por causa do nariz obstruído.
 

Depois de alguns dias, o que acontece?
 

Em geral, entre o terceiro e o quinto dia, o quadro muda. Aparecem o chiado no peito (sibilância), a respiração acelerada e uma tosse mais intensa. Essa costuma ser a fase mais intensa da doença. Muitos bebês, mesmo respirando um pouco mais rápido, continuam alertas e mamando bem, o que é um bom sinal.
 

Em recém-nascidos e prematuros, a doença pode se manifestar de forma diferente: às vezes, o primeiro sinal é uma pausa na respiração, antes mesmo do chiado. A bronquiolite também pode vir acompanhada de uma infecção de ouvido (otite), outro motivo para manter o acompanhamento do pediatra.
 

Quem tem mais risco de quadros graves
 

Os quadros mais intensos se concentram nos primeiros meses de vida, com pico de incidência entre 2 e 6 meses de idade. O cuidado precisa ser redobrado com bebês prematuros, recém-nascidos, crianças com baixo peso ao nascer, bebês com doenças do coração, dos pulmões ou do sistema imunológico e aqueles expostos à fumaça de cigarro.
 

Sinais de alerta: quando procurar o pronto-socorro
 

Na maioria dos casos de bronquiolite e VSR em bebês, a evolução do quadro não é preocupante. Ainda assim, este é o ponto mais importante: o maior sinal de alerta é o bebê cansar para respirar ou não conseguir se hidratar. 

Procure atendimento imediatamente se notar:
 

●    respiração muito rápida ou com esforço, com as costelas afundando a cada inspiração (tiragem), as narinas abrindo e fechando ou a barriga subindo e descendo com força;
●    pausas na respiração (apneia), especialmente em recém-nascidos e prematuros.
●    lábios, língua ou pontas dos dedos arroxeados ou azulados (cianose);
●    recusa em mamar ou dificuldade para se alimentar, com o bebê largando o peito ou a mamadeira porque não consegue respirar e mamar ao mesmo tempo;
●    sinais de desidratação, como fraldas bem menos molhadas que o habitual, boca seca, choro sem lágrimas ou vômitos frequentes;
●    sonolência excessiva, prostração ou irritabilidade intensa, com o bebê difícil de acordar ou de acalmar;
●    gemido a cada respiração ou chiado muito intenso;
●    febre em bebês com menos de 3 meses, ou febre persistente com piora dos sintomas.
 

Uma dica prática: observe o bebê com o peito e a barriga à mostra, em um momento em que ele esteja calmo. Assim fica mais fácil perceber se o tórax está afundando e se a respiração está acelerada. Na dúvida, a avaliação médica é sempre o caminho mais seguro.
 

Como é o tratamento
 

Uma das perguntas mais comuns dos pais é se a bronquiolite tem tratamento. A resposta é sim, mas ele é diferente do que muitos imaginam: não existe um remédio que elimine o VSR. 
 

O cuidado com bronquiolite e VSR em bebês é de suporte, ou seja, busca manter o bebê confortável, hidratado e respirando bem enquanto o próprio organismo combate o vírus.
 

De forma geral, a maioria das crianças se recupera em 3 a 5 dias, sem sequelas. A tosse e o chiado, porém, podem persistir por 2 a 4 semanas, e isso faz parte da recuperação. O que merece atenção é a piora: se o bebê voltar a ter esforço para respirar, febre depois de dias sem ela ou dificuldade para mamar, ele deve ser reavaliado.
 

Cuidados em casa
 

A maioria dos bebês se recupera em casa, com acompanhamento do pediatra. O cuidado mais importante é a hidratação: ofereça o peito ou a mamadeira com mais frequência e em volumes menores, já que o bebê cansa mais rápido ao mamar. 

A lavagem nasal com soro fisiológico, feita conforme orientação do pediatra, ajuda a desobstruir o nariz, principalmente antes das mamadas e do sono. Também vale manter o ambiente arejado e totalmente livre de fumaça.
 

Um alerta importante: xaropes, antibióticos e outros medicamentos não devem ser dados por conta própria. Antibióticos não agem contra vírus e só são indicados se houver uma infecção bacteriana associada, o que é pouco comum.
 

Qualquer medicamento, inclusive para febre, deve seguir a prescrição do pediatra, com a dose adequada ao peso e à idade do bebê.
 

Quando é preciso internar
 

Alguns bebês precisam de internação para receber suporte, como oxigênio, hidratação pela veia ou por sonda, aspiração das secreções e monitoramento contínuo da respiração. 
 

Isso costuma acontecer quando há esforço respiratório importante, queda na oxigenação, pausas na respiração ou dificuldade para se alimentar, e é mais comum em bebês muito pequenos ou com outras condições de saúde.
 

Imunização contra o VSR
 

Atualmente, a proteção também conta com estratégias de imunização contra bronquiolite e VSR em bebês, disponíveis na rede pública e privada.
 

A primeira é a vacina contra o VSR para gestantes, aplicada em dose única a partir da 28ª semana de gestação. Os anticorpos produzidos pela mãe passam para o bebê pela placenta e reduzem o risco de formas graves e de internações nos primeiros seis meses de vida. Desde dezembro de 2025, ela está disponível no SUS.
 

A segunda são os anticorpos monoclonais, que oferecem ao bebê anticorpos prontos contra o vírus, com proteção logo após a aplicação. Esse tipo de imunização é indicado para bebês prematuros (nascidos com até 36 semanas e 6 dias de gestação) e para crianças de até 23 meses com determinadas condições de saúde, como:
 

●    cardiopatia congênita;
●    broncodisplasia;
●    imunocomprometimento grave;
●    síndrome de Down;
●    fibrose cística;
●    doenças neuromusculares;
●    e anomalias congênitas das vias aéreas.

Converse com o pediatra ou o obstetra para saber qual estratégia é indicada para o seu caso. O Centro de Imunização do Hospital Sírio-Libanês também pode orientar sobre a vacinação da gestante.
 

Cuidado pediátrico no Sírio-Libanês
 

Diante de sinais de bronquiolite e VSR em bebês, o olhar atento da família faz diferença, mas não substitui a avaliação médica. Acompanhar a respiração, a hidratação e o comportamento do bebê, e buscar ajuda sem demora diante de qualquer sinal de alerta, é o caminho mais seguro para atravessar a doença com tranquilidade.
 

O Hospital Sírio-Libanês Bela Vista conta com um Pronto Atendimento Pediátrico que funciona 24 horas, 7 dias por semana, com pediatras emergencistas e retaguarda de equipes em mais de 20 especialidades pediátricas, como pneumologia, cardiologia e infectologia. O atendimento vai de recém-nascidos a adolescentes de 16 anos.
 

Para o acompanhamento de rotina, o Núcleo Avançado de Especialidades Pediátricas do Hospital Sírio-Libanês reúne em um só lugar especialidades pediátricas a fim de atender as necessidades específicas de cada criança e seus familiares.

 

Conheça mais sobre o Núcleo Avançado de Especialidades Pediátricas do Hospital Sírio-Libanês.
 

Perguntas frequentes sobre bronquiolite e VSR em bebês
 

1. A bronquiolite é sempre causada pelo VSR?
 

Não. O VSR é o principal responsável, com cerca de 75% dos casos, mas outros vírus, como rinovírus, parainfluenza, influenza e adenovírus, também podem provocar a doença. Os cuidados e os sinais de alerta são os mesmos, independentemente do vírus.
 

2. Adultos e crianças maiores também pegam o VSR?
 

Sim. O VSR infecta pessoas de todas as idades, mas em crianças maiores e adultos saudáveis costuma causar apenas sintomas de resfriado. O risco está justamente aí: quem está resfriado pode transmitir o vírus para um bebê sem perceber.
 

3. Qual é a diferença entre bronquiolite e bronquite?
 

A diferença está no local da inflamação. A bronquite atinge os brônquios, as vias aéreas maiores, e é mais frequente em crianças maiores e adultos. A bronquiolite afeta os bronquíolos, as menores vias aéreas dos pulmões, e acomete principalmente crianças menores de 2 anos.
 

4. Bronquiolite sempre dá febre?
 

Não. A febre costuma aparecer, geralmente baixa, mas nem todo bebê com bronquiolite tem febre. Em bebês com menos de 3 meses, qualquer febre deve ser avaliada pelo pediatra.
 

5. A bronquiolite é perigosa?
 

Na maioria dos casos, o quadro que se apresenta é leve e o bebê se recupera em casa. Ela pode se tornar grave, principalmente em recém-nascidos, prematuros e crianças com doenças do coração, dos pulmões ou da imunidade. Por isso, o mais importante é observar o esforço para respirar e a hidratação.
 

6. Posso dar xarope ou fazer inalação por conta própria?
 

Não. Não existe remédio que elimine o vírus, e medicamentos usados sem indicação podem não ajudar e ainda atrasar a avaliação correta. Qualquer medicamento, inclusive para febre, deve ser usado apenas com orientação do pediatra.
 

7. Quanto tempo dura a bronquiolite?
 

A maioria dos bebês melhora em 3 a 5 dias, mas a tosse e o chiado podem durar de 2 a 4 semanas, o que é esperado. Se houver piora depois de uma fase de melhora, o bebê deve ser reavaliado.
 

8. O bebê pode ter bronquiolite mais de uma vez?
 

Pode. A infecção pelo VSR não gera proteção duradoura, e outros vírus também podem causar a doença. Em geral, os episódios seguintes são mais leves. Quando os episódios de chiado se repetem, vale conversar com o pediatra para investigar outras causas.
 

9. Bebê com bronquiolite pode ir à creche?
 

O ideal é que o bebê fique em casa enquanto estiver com sintomas, tanto para se recuperar quanto para não transmitir o vírus a outras crianças. O retorno deve ser combinado com o pediatra, considerando a melhora da respiração, da alimentação e a ausência de febre.
 

10. Existe vacina contra a bronquiolite?
 

Não há vacina aplicada diretamente no bebê, mas existem duas formas de imunização contra o VSR: a vacina para gestantes, a partir da 28ª semana, que transfere anticorpos ao bebê pela placenta, e os anticorpos monoclonais, indicados para bebês com maior risco. O pediatra orienta qual estratégia se aplica a cada caso.