Congelamento de tecido ovariano

Nos últimos anos a procura por preservação da fertilidade seja por motivos oncológicos ou não oncológicos tem crescido muito. Especialistas acreditam que existem evidências suficientes para considerar a criopreservação de tecido ovariano uma técnica válida e eficaz e não mais como uma técnica experimental.

A preservação da fertilidade por meio da criopreservação de tecido ovariano é realizada a mais de 20 anos e o primeiro relato de nascido vivo após o descongelamento e autotransplante de tecido ovariano ocorreu em 2004. Desde então diversos outros casos de nascidos vivos após transplante de tecido ovariano foram relatados.

A criopreservação de tecido ovariano é a única técnica viável nos casos de pacientes que necessitam de quimioterapia imediata ou para pacientes pré-púberes, que por algum motivo terão a fertilidade comprometida. Deve ser realizada antes do início do tratamento oncológico. A técnica não pode ser aplicada em pacientes com determinados tipos de canceres, como aqueles do tecido sanguíneo, devido os riscos de reintrodução de células cancerosas após o transplante.

O método mais comum para obtenção de tecido ovariano é por videolaparoscopia, onde pode ser retirados fragmentos do córtex ovariano onde estão localizados folículos primordiais com os oócitos. Após a obtenção do tecido ovariano, este é transportado para o laboratório de criopreservação onde ocorre o preparo do tecido para a criopreservação.

O transplante pode ser ortotópico (mesma região do ovário) ou heterotópico (outra região, como o antebraço ou parede abdominal). Quando ortotópico, a gestação natural pode ser obtida. Nos demais casos ou quando não for obtida gestação natural, a estimulação ovariana e fertilização in vitro pode ser indicada. Em todos os casos, além da possibilidade de gestação, a função hormonal ovariana pode ser reestabelecida.