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Sua Saúde

Usar repelente e evitar regiões de surto são estratégias contra febre mayaro

 
Fonte: Dra. Maria Beatriz Sousa Dias, infectologista no Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 23/12/2016
Usar repelente e evitar regiões de surto são estratégias contra febre mayaro

Depois da febre chikungunya e do zika vírus, chegou a vez da febre mayaro chamar a atenção de autoridades sanitárias. O principal transmissor dessa doença é o mosquito Haemagogus janthinomys, habitante de florestas e zonas rurais. No entanto, nos últimos meses, tem surgido a hipótese de o vírus mayaro ser transmitido também por mosquitos com hábitos urbanos, como o Aedes aegypti.

Recentemente, durante um projeto de pesquisa da Fundação de Medicina Tropical (órgão ligado ao governo do Amazonas), o material genético desse vírus foi encontrado no Aedes. No entanto, segundo a dra. Maria Beatriz Souza Dias, infectologista no Hospital Sírio-libanês, ainda faltam dados que comprovem a capacidade de esse mosquito, principal transmissor da dengue, ser também um transmissor do mayaro.

Ciclo de transmissão do vírus mayaro

Os micos-estrelas (saguis) são os principais hospedeiros do vírus mayaro, enquanto que os mosquitos silvestres Haemagogus janthinomys são os principais transmissores.

Ao picar um macaco infectado, o mosquito armazena o vírus e pode transmitir para uma pessoa ao picá-la na sequência. Em locais onde ocorrem surtos de febre mayaro, os mosquitos podem transmitir o vírus também de uma pessoa para outra, espelhando assim a doença.

Como ainda não há a comprovação de que mosquitos urbanos também transmitam o mayaro, não se sabe se pessoas infectadas por esse vírus em regiões de surto são capazes de levar e espalhar a doença para as cidades.

Isolado pela primeira vez em 1954 na floresta de Mayaro (por isso a doença recebeu esse nome), na ilha de Trindad em Trinidad e Tobago, o primeiro surto dessa doença no Brasil foi descrito em 1955, no Pará. Desde então, alguns casos têm sido registrados no Norte e no Centro-Oeste do País. Entre dezembro de 2014 e janeiro de 2016, foram registrados 343 casos suspeitos nessas regiões, dos quais 70 foram confirmados. Em nenhum deles, porém, ficou comprovado que a transmissão ocorreu em centros urbanos.

Dado esse histórico, a dra. Maria Beatriz acha pouco provável que aconteça uma epidemia de febre mayaro em zonas urbanas, como ocorre com a dengue e, mais recentemente, com a zika e a chikungunya.

Como o vírus mayaro se manifesta?

As pessoas infectadas pelo vírus mayaro geralmente apresentam sintomas semelhantes aos da dengue, febre chikungunya e zika, como:

  • Febre (branda ou moderada) de início repentino.
  • Cansaço.
  • Dor de cabeça.
  • Dor muscular.
  • Prostração (fraqueza).
  • Dores nas articulações, que podem se tornar crônicas.

Na maioria das vezes, esses sintomas iniciam-se de um a três dias depois de a pessoa ter sido infectada e desaparecem em uma a duas semanas, sem necessidade de tratamento específico, ou seja, apenas com a reação do organismo. Entretanto, esse tempo pode variar conforme a imunidade de cada pessoa. Em alguns casos, a febre mayaro pode provocar também manchas vermelhas na pele (exantema) e inflamação crônica nas articulações, como a febre chikungunya.

Segundo a dra. Maria Beatriz, não há descrições de doença neurológica ou más-formações genéticas causada pela febre mayaro, como ocorre com o zika vírus. No entanto, ela ressalta que se trata de uma doença incomum, cujas consequências e meios de transmissão ainda não estão totalmente conhecidos. "Com as informações que temos até agora, a gravidade clínica referente à febre mayaro é similar àquela da dengue e da chikungunya", compara a médica.

Diagnóstico e tratamento da febre mayaro

A suspeita de febre mayaro pelos médicos geralmente ocorre em pacientes que se apresentam com os sintomas descritos acima, cujos exames excluem dengue, zika e chikungunya e que estiveram em locais de surto, como alguns vilarejos dos estados de Goiás, do Pará e do Tocantins.

O diagnóstico é feito através do quadro clínico do paciente e de exames de sangue (ensaio de imunoabsorção enzimática [Elisa], imunoglobulina M [IgM], reação da transcriptase reversa, seguida de reação em cadeia da polimerase [RT-PCR] ou cultura de células). Pela raridade da doença, porém, esses exames são realizados apenas em institutos públicos de pesquisa.

Segundo a dra. Maria Beatriz, como a maioria dos casos de dengue, chikungunya e zika não passam por exames laboratoriais confirmatórios, especula-se que alguns supostos diagnósticos dessas doenças, em zonas de florestas, sejam na verdade de febre mayaro. Contudo o tratamento dessas doenças é similar, ou seja, apenas contra os sintomas.

A recomendação médica geral para essas doenças é manter-se bem hidratado e permanecer em repouso, caso contrário pode haver piora do quadro clínico. Medicamentos analgésicos ou anti-inflamatórios podem ser indicados pelo médico para amenizar a dor e a febre. Já os medicamentos contendo ácido acetilsalicílico (AAS) também devem ser evitados, pois seu uso pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas.

Como me prevenir?

As medidas de prevenção contra a infecção do vírus mayaro consistem em minimizar a exposição à picada do mosquito transmissor, principalmente em áreas recentemente afetadas do estado de Goiás, do Tocantins e do Pará. Essas medidas são:

  • Evitar a exposição em áreas de mata das 9h às 16h - período em que o mosquito transmissor encontra-se mais ativo.
  • Usar roupas que protejam contra a picada do inseto, como calças e camisetas de mangas compridas, e repelentes.
  • Hospedar-se em locais com ar-condicionado, telas ou véus mosquiteiros, que impeçam a entrada de mosquitos.
  • Eliminar possíveis criadouros de mosquitos, como pneus, garrafas, baldes, entre outros objetos que possam armazenar água parada.