As boas e más notícias dos tumores gastrointestinais durante a ASCO 2019

 
Fonte: Dr. Tiago Biachi, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo e Dr. Tulio Pfiffer, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Publicado em 31/05/2019

Os tumores gastrointestinais são um dos principais temas discutidos durante o encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês), que acontece em Chicago nesta semana. Os tumores gastrointestinais são divididos em duas modalidades: colorretais e não-colorretais. Essa segunda categoria contempla câncer no estômago, pâncreas e esôfago, que são algumas das localidades que vamos discutir a seguir.

Muitos devem saber que o câncer de estômago é mais comum no Oriente, principalmente por conta da dieta. No entanto, pouco conhecido é o fato de que existem medicamentos que são usados para tratar mais especificamente populações oriundas daquela área, por conta de características distintas observadas em pessoas de origem oriental. Um dos estudos apresentados na ASCO 2019 foi justamente uma análise da combinação de drogas oxaliplatina e S1, um medicamento usado quase que exclusivamente no oriente. “Os resultados foram muito animadores e houve um aumento na sobrevida dos pacientes que fizeram uso desta combinação”, explica o Dr. Tiago Biachi, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Porém, não há só boas notícias no horizonte. Segundo explica o Dr. Biachi, estudo que avaliou o uso de imunoterapia associado à quimioterapia para câncer de estômago metastático, quando o tumor se disseminou pelo corpo, concluiu que não houve melhora no quadro dos pacientes. “Observou-se também que a imunoterapia isolada apresentou resultados semelhantes à quimioterapia já utilizada”, diz o médico. Tão importante quanto descobrir novos caminhos para tratar o câncer é identificar formas que não funcionam, caminhos que se mostram infrutíferos e estudos que avaliam a tolerância em doses diferentes.

Este é o caso de uma pesquisa em pacientes com câncer de esôfago e estômago considerados “frágeis”, seja pela idade ou pelo quadro geral de saúde. Segundo o Dr. Tulio Pfiffer, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, a pesquisa avaliou doses reduzidas de quimioterapia para avaliar se isso impactaria na eficácia do tratamento. “O estudo demonstrou que é possível reduzir as doses do medicamento, diminuindo dessa forma os efeitos colaterais, sem perder a eficácia da quimioterapia”, diz o médico.

Lembra da alteração genética chamada BRCA que fez com que a atriz Angelina Jolie optasse por fazer mastectomia? O que poucos sabem é que essa mesma alteração está associada ao câncer de pâncreas. Pesquisa apresentada durante o evento mostra que tumores avançados no pâncreas com BRCA alterado se beneficiaram do uso de uma droga oral chamada olaparibe, já utilizada em tumores de mama e ovário com esta mesma alteração. “A pesquisa mostra um caminho muito promissor e reforça a importância de conhecer as variações moleculares e como elas afetam o desenvolvimento e tratamento da doença”, conclui o Dr. Pfiffer.