Tecnologia reduz riscos de gêmeos e trigêmeos na reprodução assistida

 
Fonte: Dr. Carlos Alberto Petta, coordenador médico do Laboratório de Reprodução Humana do Sírio-Libanês
Publicado em 10/09/2014

Conseguir que a fecundação ocorra, mas evitar que a gravidez seja múltipla é um dos maiores desafios da reprodução assistida. Para a técnica de fertilização in vitro (FIV), por exemplo, aproximadamente 25% dos procedimentos realizados no País resultam em gêmeos, trigêmeos e até quadrigêmeos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida.

FIV e inseminação artificial são técnicas diferentes de reprodução assistida

A fertilização in vitro (FIV), também conhecida por “bebê de proveta”, consiste na formação do embrião fora do corpo da mulher (em laboratório). O processo se inicia com a estimulação à produção de óvulos com uso de hormônios. Em seguida, os óvulos são colhidos e fertilizados em laboratório com os espermatozoides selecionados. Alguns dias depois, é feita a transferência de embriões para a cavidade uterina da mulher.

Na inseminação artificial ou intrauterina, o procedimento começa com estimulo da ovulação por meio de um tratamento hormonal. Depois, transfere-se o sêmen previamente colhido e melhorado em laboratório para a cavidade uterina em um momento próximo da ovulação. Nesta técnica, de grau de resultados mais baixo que a FIV, a fecundação ocorre dentro do organismo materno.

A inseminação artificial não é realizada no Sírio-Libanês.

“Ao saber que a fertilização deu certo, os país comemoram. Se for gêmeos, também ficam felizes e começam a pensar na dupla, mas a partir de três, eles tendem a ficar com medo”, conta o coordenador médico do Laboratório de Reprodução Humana do Sírio-Libanês, dr. Carlos Alberto Petta.

A preocupação dos pais com a gestação múltilpla tem justificas. Além de fugir do planejado e exigir muito mais trabalho depois do parto, ela representa riscos acrescidos para a saúde da mãe e dos bebês.

Nesse tipo de gravidez são frequentes os partos prematuros, o que pode levar à ocorrência de baixo peso para os bebês e uma maior chance de eles contraírem doenças. Já para a gestante, é normal que sofram mais com enjôos, havendo um risco aumentado de desenvolverem hipertensão, falta de ar, diabetes, anemia ou mesmo de apresentarem hemorragias e abortos espontâneos nos primeiros meses de gravidez.

Para diminuir as chances de gestação múltipla, o Conselho Federal de Medicina recomenda desde 2010 a limitação do número de embriões na reprodução assistida. Em mulheres com até 35 anos podem ser inseridos no máximo dois embriões. Já naquelas que têm entre 36 a 39 anos, a limitação passa a ser de três embriões. Para mulheres com mais de 40 anos, o limite estabelecido é de quatro embriões.

O limite varia de acordo com a idade porque em mulheres mais velhas as chances de os embriões efetivarem uma gravidez são menores. Entretanto, pode acontecer de todos serem concebidos, gerando dois, três ou quatro bebês.

“A transferência de mais de um embrião é muitas vezes necessária para aumentar as chances de êxito”, explica dr. Petta. “Não podemos nos preocupar apenas com a gestação múltipla e nos esquecermos do sonho daquela mulher, que é engravidar”, ressalta.

Mais precisão na fertilização

Embora no Sírio-Libanês a gestação múltipla na FIV ocorra em aproximadamente 20% dos casos, abaixo da média nacional de 25%, os laboratórios do Centro de Reprodução Humana têm feito sucessivos investimentos para diminuir esses números.

Hoje, os aparelhos disponíveis na unidade possibilitam uma melhor seleção de espermatozoides e óvulos, aumentando assim as chances de engravidar implantando um número menor de embriões. “Já temos capacidade de reconhecer visualmente, entre vários embriões, aquele que tem mais chance de efetivar a gravidez”, ressalta dr. Carlos Alberto Petta.

Para o coordenador médico do Laboratório de Reprodução Humana, esta é uma área da medicina em que devem ocorrer mais avanços. “Queremos chegar a um estágio em que faremos a fertilização de apenas um embrião e obteremos sucesso, acabando com a gestação múltipla na reprodução assistida”, avalia dr. Petta.