Com reposição de nicotina, parar de fumar repentinamente é melhor

Doenças Pulmonares e Torácicas; Oncologia; Cardiologia
Fonte: Dr. Daniel Deheinzelin, pneumologista do Núcleo de Doenças Pulmonares e Torácicas do Hospital Sírio-Libanês.
Publicado em 31/05/2016

O Brasil e vários outros países celebram em 31 de maio o Dia Mundial Sem Tabaco. Você fuma? Se sim, que tal aproveitar a data e fazer deste dia o seu último como fumante? Segundo um estudo recente da Universidade de Oxford (Reino Unido), marcar uma data e parar de fumar de uma hora para a outra tem mais efeito do que parar aos poucos.

Esse estudo envolveu 697 fumantes que desejavam largar o cigarro. Eles foram divididos em dois grupos: o de cessação abrupta, que marcou um dia e deixou de fumar naquele dia; e o de cessação gradual, que também marcou um dia, mas foi reduzindo o consumo do cigarro nas duas semanas anteriores. Depois de um mês, observou-se que 39% dos que tentaram parar aos poucos obtiveram êxito, contra 49% dos que fizeram na data estipulada, o que representa 25% a mais.

Todos os participantes da pesquisa receberam aconselhamentos e terapias de substituição de nicotina, o que deve ser lembrado como diferencial na estratégia de parar de fumar de forma abrupta, afirma o dr. Daniel Deheinzelin, pneumologista do Núcleo de Doenças Pulmonares e Torácicas do Hospital Sírio-Libanês.

Segundo explica o médico, os fumantes geralmente sofrem de dois tipos de dependência:

  • Química – Necessidade do corpo de receber nicotina.
  • Comportamental – Vontade de fumar diante de situações cotidianas específicas, como dirigir, falar ao telefone, tomar café, entre outras.

Ao parar de fumar de forma abrupta, aqueles que fazem substituição de nicotina por meio de adesivos, chicletes ou sprays bucais, na verdade, interrompem apenas a dependência comportamental. Por isso, observa-se uma maior taxa de êxito.

No entanto, além da substituição de nicotina, existe outra forma terapêutica comum para enfrentar o tabagismo, que é o uso de medicamentos à base de vareniclina. Embora essa substância não tenha sido analisada pelo estudo da Universidade de Oxford, o dr. Deheinzelin observa em sua experiência clínica que os pacientes submetidos à vareniclina tendem a obter mais êxito quando param de fumar aos poucos. “Isso ocorre porque esses medicamentos não contêm nicotina, mas uma molécula similar que engana o cérebro, portanto tirar a nicotina (presente nos cigarros) gradualmente do organismo apresenta melhores resultados”, avalia o especialista.

Malefícios do tabaco

Estudos indicam que o tabagismo diminui a expectativa de vida dos homens em aproximadamente 12 anos e das mulheres em 11 anos.

Os efeitos do tabaco no organismo são praticamente imediatos. Em poucas horas após começar a fumar a pessoa já tem monóxido de carbono na corrente sanguínea e pode ter mais dificuldade de praticar atividade física. Depois de anos fumando, aumentam as chances de câncer, cegueira, enfisema pulmonar, acidente vascular cerebral (AVC), envelhecimento precoce, entre outros problemas.

Em média, as pessoas que querem parar de fumar tentam três vezes até conseguir. Após seis meses sem fumar, porém, as chances de retornar ao vício diminuem.

Hospital Sírio-Libanês ajuda mais de 50% dos pacientes a pararem de fumar

A melhor estratégia para parar de fumar, seja abruptamente ou aos poucos, com reposição de nicotina ou com medicamentos à base de vareniclina, depende das características de cada pessoa. No Núcleo de Cessação do Tabagismo Hospital Sírio-Libanês, criado em 2007, médicos e psicólogos atuam de forma conjunta para conhecer o grau de dependência de cada paciente e assim definir os cuidados a serem seguidos.

“Aqueles que dizem que o cigarro noturno é o preferido provavelmente têm uma dependência comportamental maior do que química”, avalia o dr. Deheinzelin. “Pela abstinência da nicotina durante o sono, o natural seria que o cigarro mais esperado fosse o primeiro, logo ao acordar”, acrescenta. (Veja aqui seu grau de dependência).

O tratamento antitabagismo no Hospital Sírio-Libanês dura de 8 a 12 semanas e tem uma taxa de sucesso superior a 50% entre os participantes, enquanto o índice de sucesso dos que tentam parar por conta própria é de aproximadamente 5%.

Para mais informaçoes procure o Núcleo de Cessação do Tabagismo e  conte com o suporte dos nossos especialistas.