Procedimentos e medicamentos podem manter a doença de Parkinson controlada

Dor e Distúrbios do Movimento
Fonte: Dr. Daniel Ciampi de Andrade, neurologista do Núcleo Avançado de Dor e Distúrbios do Movimento do Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 22/12/2017

A doença de Parkinson é um distúrbio neurodegenerativo caracterizado pela morte dos neurônios localizados no interior do cérebro, causando tremores, rigidez e dificuldade nos movimentos. Porém, não são somente sintomas motores que o paciente pode apresentar.

Depressão, ansiedade, perda do olfato, dor intensa, alterações no sono, constipação e alterações visuais são comuns, embora muitas vezes esses sintomas sejam subvalorizados. Por isso, o paciente ou seus familiares devem ficar atentos a qualquer mudança de comportamento e lembrar que a pessoa com Parkinson pode apresentar só um desses sintomas.

“O Parkinson é uma doença com sintomas desafiadores, mas nos últimos anos temos visto uma evolução nos medicamentos e nos procedimentos que têm o objetivo de manter a doença controlada”, explica Dr. Daniel Ciampi de Andrade, neurologista do Núcleo Avançado de Dor e Distúrbios do Movimento do Hospital Sírio-Libanês.

Entre as técnicas de cirurgia mais modernas para o tratamento da doença, o Dr. Ciampi cita a chamada terapia de estimulação cerebral profunda (DBS, sigla em inglês para deep brain stimulation), que consiste na implantação de um dispositivo semelhante a um marca-passo cardíaco para fornecer estimulação elétrica a determinadas regiões do cérebro. “A estimulação dessas regiões bloqueia os sinais que causam os tremores”, esclarece o médico.

Esse tipo de procedimento é indicado para pacientes que se encontram nos estágios mais avançados da doença ou para aqueles que já não respondem a outros tratamentos.

Medicamentos mais modernos

Segundo Dr. Ciampi, nos últimos anos, novas diretrizes têm surgido para o tratamento da doença de Parkinson. “Há cerca de um ou dois anos, novos medicamentos chegaram ao Brasil, como os chamados inibidores de MAO (monoaminoxidase), que podem controlar os sintomas da doença em suas várias fases”, diz o especialista.

Há também os medicamentos chamados agonistas dopaminérgicos, que têm a função de atuar como substitutos da dopamina, neurotransmissor produzido em uma área do cérebro que, no paciente com Parkinson, foi danificada. Esse neurotransmissor exerce funções relacionadas ao movimento, à memória, ao prazer e ao comportamento.

Outro tipo de tratamento que vem ganhando destaque é o uso de um medicamento em forma de adesivo, que deve ser aplicado sobre a pele limpa, seca e sem qualquer tipo de lesão ou machucado, na região dos ombros, braços ou abdômen. “Esse adesivo é trocado a cada 24 horas e sua vantagem está em melhorar a adesão ao tratamento, pois não há risco de o paciente esquecer a hora de tomar o medicamento”, explica Dr. Ciampi. Dentre os tratamentos citados, ele é o único que atua também no controle da dor, e não apenas dos sintomas motores.

“É importante ressaltarmos que a doença de Parkinson é tratável”, frisa o neurologista. Segundo ele, os diversos tipos de medicamentos disponíveis devem ser usados em combinações adequadas a cada paciente e fase de evolução da doença, garantindo assim melhor qualidade de vida e independência do indivíduo.

Outras terapias para o tratamento do Parkinson

Além de medicamentos, Dr. Ciampi explica que existem terapias clássicas que atuam mais especificamente nas alterações de marcha e equilíbrio. “Os pacientes com Parkinson esquecem movimentos simples, como o ato de sentar e levantar de uma cadeira, por exemplo, e precisam ser reeducados para que voltem a fazer esse tipo de movimento de maneira automática”, explica.

Segundo o médico, os exercícios de reabilitação devem ser aplicados por um fisioterapeuta especializado no tratamento de pacientes com Parkinson. Apesar de parecer simples, diz ele, a fisioterapia tem alta taxa de sucesso.

Estimulação cerebral não invasiva

Nos últimos meses, Dr. Ciampi tem se dedicado a uma pesquisa que utiliza a já conhecida técnica da estimulação magnética transcraniana (EMT), usada no controle dos tremores e dificuldades de movimento, para tratar também os sintomas não motores da doença de Parkinson.

“A EMT é uma técnica que vem sendo usada para doenças como depressão, esquizofrenia e, mais recentemente, para a doença de Parkinson. Uma bobina semelhante a um capacete é colocada sobre a cabeça do paciente e emite pulsos magnéticos que atuam sobre o cérebro de maneira focalizada, criando um campo magnético que irá penetrá-lo, sem necessidade de corte e sem causar dor. O tratamento é realizado em sessões que duram, em média, 15 minutos”, conta o especialista.

Na primeira semana, na chamada fase de indução, elas são realizadas diariamente. Depois, passam a ocorrer uma vez por semana; em seguida, quinzenalmente; e, por fim, mensalmente, nas chamadas sessões de manutenção.

Segundo Dr. Ciampi, a nova técnica, que está em fase de testes, poderá tratar a dor, a depressão e problemas relacionados à memória. Por enquanto, os pacientes participantes do estudo, que vem sendo realizado no Hospital das Clínicas de São Paulo, não apresentaram nenhum efeito colateral.

O Hospital Sírio-Libanês possui um Núcleo Avançado de Dor e Distúrbios do Movimento que conta com uma equipe multidisciplinar preparada para reconhecer e tratar os sintomas não motores nos pacientes com Parkinson. A equipe também oferece acompanhamento e orientação aos pacientes que desejam se submeter à estimulação magnética transcraniana.

O Hospital conta ainda, em seu Centro de Diagnóstico, com os mais modernos exames para a detecção da doença de Parkinson, como a tomografia computadorizada por emissão de fóton-único (SPECT-Scan) com Trodat, capaz de quantificar a produção de dopamina no cérebro.

Para agendamento de exames, ligue:

  • São Paulo – Telefone: +55 (11) 3394-0800.
  • Brasília – Telefone: (61) 3044-8888.