Prevenção continua sendo melhor remédio contra aids

Imunizações
Fonte: Dra. Maria Beatriz Souza Dias, infectologista e vice-diretora clínica do Hospital Sírio-Libanês.
Publicado em 01/12/2017

Desde que os primeiros casos de aids foram registrados no mundo até hoje já se passaram quase 40 anos. Durante esse tempo, muitos progressos foram feitos em relação ao tratamento da doença, mas o HIV continua se espalhando. No Brasil, segundo estimativas do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids (Unaids), ainda ocorrem mais de 130 novas infecções por dia.

Situações de risco de infecção do HIV

  • Sexo sem camisinha (anal, vaginal e oral).
  • Uso de seringa e agulhas por mais de uma pessoa.
  • Transfusão de sangue mal triado e sem os testes laboratoriais indicados.
  • Da mãe infectada para o bebê durante a gravidez, no parto e na amamentação.
  • Acidentes ou compartilhamento com instrumentos cortantes ou perfurantes não esterilizados.

Se você passou por uma situação de risco, faça o teste de HIV.

Fonte: Ministério da Saúde

Neste 1º de dezembro, Dia Mundial de Combate à Aids, a mensagem principal continua sendo a prevenção. “O controle da epidemia não foi atingido. Em parte, porque a tão esperada vacina ainda não existe; e em parte porque a alteração de comportamento necessária para o controle da transmissão é algo muito difícil de se conseguir”, avalia Dra. Maria Beatriz Souza Dias, infectologista e vice-diretora clínica do Hospital Sírio-Libanês.

De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2007 e 2016 a maioria das pessoas que contraíram o HIV no Brasil estava na faixa etária dos 20 aos 34 anos, com percentual de 52,3% dos novos casos. Para Dra. Maria Beatriz, as novas gerações não testemunharam o início da epidemia, quando a maioria das pessoas adoeciam com muito sofrimento e passaram a se expor a situações de risco, sem proteção. “Está ocorrendo uma banalização das consequências de estar infectado pelo HIV”, comenta a médica.

Medicamentos para prevenção

A estratégia de “Prevenção Combinada contra o HIV” tem sido o foco das ações do Ministério da Saúde nessa área. Além do incentivo ao preservativo e à mudança de comportamento que pode levar à infecção, o governo tem dado destaque ao uso de medicamentos como prevenção.

Sabe-se já há alguns anos que pessoas em tratamento com o coquetel antiaids (terapia antirretroviral — TARV) diminuem drasticamente as chances de transmissão do vírus em eventuais situações de risco, como diante de uma relação sexual sem camisinha. Esta é uma das razões porque os antirretrovirais passaram a ser indicados a todas as pessoas infectadas pelo HIV, independentemente de seu sistema imunológico já ter sido afetado ou não. Além disso, os medicamentos podem ser usados após exposição ao vírus ou até mesmo antes, de forma preventiva (profilaxia).

Na profilaxia pós-exposição (PEP), garantida por lei no País desde 1990, antirretrovirais são receitados por 28 dias às pessoas que possivelmente entraram em contato com o vírus, como em situações de acidentes com agulhas ou outros objetos que contenham sangue (acidente ocupacional), após violência sexual e diante de relações sexuais desprotegidas com pessoas de maior risco de portarem o HIV. Para que tenha eficácia, porém, a PEP tem que ser feita o mais rápido possível, não ultrapassando as 72 horas após a exposição ao vírus. A medicação age impedindo a entrada do HIV nas células.

Já a profilaxia pré-exposição (PrEP), cujo protocolo nacional foi lançado pelo Ministério da Saúde em setembro de 2017, envolve a ingestão diária de um comprimido (combinação dos antirretrovirais tenofovir e entricitabina) por pessoas que não estão infectadas, mas que se expõem de forma sistemática ao HIV. Entre as pessoas que geralmente têm a recomendação médica da PrEP, estão profissionais do sexo, casais sorodiscordantes (quando um tem o vírus e o outro não), transexuais, homens que fazem sexo com homens e usuários de drogas injetáveis.

Dra. Maria Beatriz ressalta a importância dos antirretrovirais no controle do HIV, mas lembra que muitas pessoas têm utilizado apenas a PrEP, abandonando os outros meios de prevenção, pois consideram que tomar medicamento é menos difícil do que mudar alguns comportamentos, como usar preservativo em todas as relações sexuais. Isso, no entanto, está levando ao aumento das demais infecções sexualmente transmissíveis.

Perspectivas contra a aids

Nos próximos dez anos, Dra. Maria Beatriz acredita que teremos avanços em relação ao desenvolvimento de uma vacina eficaz contra o HIV. Segundo a especialista, outra possível novidade será a criação de medicamentos injetáveis de efeito prolongado que permitirão a administração mensal ou em um maior intervalo de tempo para as pessoas já infectadas. “Esses medicamentos estão sendo testados e, se aprovados, devem ajudar na adesão do tratamento”, comenta.

A infectologista lembra ainda que aproximadamente 1% das pessoas com HIV é “controlador de longo tempo” e mantém baixa carga viral (poucas cópias do vírus no sangue) e boa imunidade, apesar de não receber tratamento. Em casos raros, alguns pacientes conseguiram desenvolver essa capacidade ao iniciarem o tratamento precocemente após a infecção. “A comunidade científica está buscando entender os mecanismos de controle desses indivíduos na busca de uma cura para a aids, mas é difícil precisar quando e se chegaremos lá”, comenta.

Até hoje, o único paciente considerado curado do HIV é um residente na Alemanha, Timothy Ray Brown, conhecido como paciente de Berlim. Ele foi submetido a um transplante de medula óssea em 2007, e seu doador foi escolhido não apenas pela compatibilidade genética, mas também por ser incapaz de produzir a proteína CCR5 — fundamental para que o HIV entre nas células. Houve então a cura do câncer e do vírus HIV. No entanto, esse procedimento é arriscado e não pode ser adotado em larga escala. Ou seja, a prevenção segue como o meio mais seguro de se ver livre do vírus HIV.

A rede pública de saúde oferece gratuitamente os insumos de prevenção e a TARV, mas o Hospital Sírio-Libanês conta em seu corpo clínico com médicos infectologistas especializados em tratar problemas decorrentes da imunodeficiência provocada pelo HIV. Eles atuam em parceria com outros profissionais, oferecendo cuidado multidisciplinar para esses pacientes.

No Centro de Diagnósticos do Hospital Sírio-Libanês, podem ser feitos desde testes que detectam a presença do vírus HIV no organismo até exames que avaliam a resposta de cada paciente ao tratamento da aids.

O Centro de Imunizações do Hospital Sírio-Libanês também oferece diversos tipos de vacinas para os pacientes com HIV, avaliando os riscos e os benefícios de se fazer a imunização para doenças como gripe, pneumonia, hepatite A, hepatite B, HPV, entre outras.