O perigo das dietas da moda

 
Fonte: Dra. Claudia Cozer, endocrinologista e coordenadora do Núcleo de Obesidade e Transtorno Alimentar
Publicado em 21/05/2014

​O desejo de ficar em dia com a balança leva muita gente a adotar planos alimentares radicais que, além de resultarem em carência de nutrientes, podem causar fraqueza, indisposição e até mesmo o aumento do risco de males cardiovasculares.

Frequentemente surgem dietas consideradas mágicas, que são relacionadas à rápida perda de peso, mas é importante deixar claro que isso não significa sempre emagrecimento, já que muitas vezes não há redução de massa gorda. "Geralmente são dietas difíceis de ser seguidas em longo prazo e não remetem a uma vida saudável", observa a endocrinologista Claudia Cozer, coordenadora do Núcleo de Obesidade e Transtorno Alimentar do Sírio-Libanês.

Para piorar, passado o período de regime, existem grandes chances de se recuperar os quilos perdidos e até mesmo de somar alguns extras. "O organismo desenvolve mecanismos que favorecem o estoque de energia pós-restrição", explica Claudia.

A privação de nutrientes específicos e a prática de jejum interferem com os níveis de alguns hormônios e de substâncias que regulam o apetite. Esse desajuste causa respostas indesejáveis. Entre elas, a redução do metabolismo e do desejo por alimentos que forneçam glicose rápida, como os doces. "Há, ainda, uma tendência ao aparecimento de quadros compulsivos", ressalta.

Quando a dieta preconiza a exclusão do carboidrato, por exemplo, ocorre o aumento no consumo de outros nutrientes, tais como as proteínas e as gorduras, com destaque para as saturadas, encontradas em carnes, leite e outras fontes de origem animal, que em excesso têm sido associadas ao desequilíbrio das taxas de colesterol. Sem contar que extrapolar nas doses proteicas abre as portas para encrencas como a formação de cálculos renais, entre aqueles que já têm propensão, e outros distúrbios que prejudicam os rins e pioram suas funções.

Existe consenso entre os especialistas de que somente pela reeducação alimentar é que se consegue atingir e manter o peso ideal. O cardápio deve seguir as indicações da pirâmide, isto, é, contemplar fontes de carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e sais minerais de forma equilibrada, sem exagero, nem escassez. "É possível comer de tudo, mas com moderação e usando o bom senso", sugere Claudia.

Confira, a seguir, algumas das mais famosas dietas da moda:

  • Atkins

    Atkins

    Criada nos anos de 1960 pelo cardiologista americano Robert Atkins (1930 - 2003), sugere uma drástica diminuição no consumo de carboidratos, priorizando as proteínas.

  • South Beach

    South Beach

    Desenvolvida pelo médico americano Arthur Agatston, é similar à Atkins, porém, permite o consumo de carboidratos integrais nas fases mais avançadas e incentiva fontes proteicas magras.

  • Dukan

    Dukan

    Outra que privilegia a proteína. Foi criada pelo francês Pierre Dukan e também permite o consumo de carboidratos integrais com o passar do tempo. Mas as primeiras etapas têm restrição até de hortaliças.

  • Tipo sanguíneo

    Tipo sanguíneo

    No plano alimentar criado pelo médico americano Peter D’Adamo o cardápio varia conforme o tipo de sangue. Para as pessoas do grupo O, por exemplo, as carnes são bem-vindas. Carece de embasamento científico.

  • Antiglúten

    Antiglúten

    Trata-se de mais um modismo que não foi devidamente estudado. A restrição do glúten – uma proteína encontrada em cereais, caso do trigo – só está indicada para os portadores de doença celíaca, depois da avaliação de um médico.

  • Detox

    Detox

    Tem feito sucesso, embora também não conte com o aval da ciência. Estimula o consumo de líquidos, sejam caldos ou sucos, com a intenção de livrar o organismo de toxinas. Pode desencadear tonturas.

  • Pontos

    Pontos

    Criada pelo endocrinologista Alfredo Halpern, prega a aplicação de um sistema em que cada ponto equivale a 3,6 calorias. O bom é que não há proibições. Mas também requer orientação médica e de um nutricionista.