O efeito “vacina” da radioterapia

 
Fonte: Dr. Rafael Gadia, Diretor de Radioterapia do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.
Publicado em 01/06/2019

A combinação de imunoterapia e radioterapia é um dos temas que está sendo debatido durante o encontro anual da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, que acontece em Chicago esta semana. Estudos anteriores demonstraram que a radioterapia tem a função de estimular o sistema de defesa do corpo, mesmo em uma área distante do ponto de irradiação, um efeito chamado de abscopal. A partir desse conhecimento, postulou-se a possibilidade de a radioterapia ter um efeito antitumoral sistêmico – ou seja, em todo o corpo e não apenas no local onde foi aplicado.

Partindo dessa perspectiva, uma série de pesquisas se propuseram a avaliar como a combinação da radioterapia e da imunoterapia poderia ajudar os pacientes com câncer. A radioterapia atua em diferentes frentes de ação, estimulando o sistema de defesa a aumentar a quantidade de células que combatem o câncer e melhorar o reconhecimento do tumor pelo sistema imunológico. “A aplicação da radioterapia é como uma ‘vacina’, permitindo que o corpo gere uma resposta imunológica contra o tumor”, explica o Dr. Rafael Gadia, Diretor de Radioterapia do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.

Estudos já comprovaram que a associação da radioterapia e imunoterapia apresentou eficácia superior ao tratamento com apenas uma linha de atuação, aumentando o tempo de sobrevida dos pacientes. No entanto, em pacientes metastáticos, os resultados ainda são mistos. “Estamos focando nossos esforços em pesquisas que ajudem a compreender a melhor forma de associar a imunoterapia e a radioterapia para beneficiar o paciente oncológico”, reforça Dr. Gadia.