Novos tratamentos em tumores raros

 
Fonte: Dra. Brenda Gumz, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília; Dr. Allan Pereira, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.
Publicado em 03/06/2019

O encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês), que acontece em Chicago esta semana, tem sido um momento para falar também de alguns tipos mais raros de câncer. Houve boas e más notícias nessa seara. O estudo Keynote 062, por exemplo, encontra-se nesse primeiro grupo.

Ele avaliou o uso do medicamento pembrolizumabe para o tratamento dos tumores de estômago e junção esôfago-gástrica metastáticos ou não ressecáveis. Segundo explica a Dra. Brenda Gumz, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, a droga apresentou o que é chamado de “não-inferioridade” na área médica. Explica-se: o benefício do novo tratamento em termos de controle da doença se assemelha ao da quimioterapia convencional, porém com um perfil de toxicidade melhor, com menos efeitos colaterais. “Além disso, há um sub-grupo de pacientes que recebeu imunoterapia e apresentou maior sobrevida global quando comparado ao grupo que recebeu apenas a quimioterapia”, diz Dra. Brenda. Na prática, trata-se de mais uma importante opção no tratamento de tumores avançados na junção esôfago-gástrica.

O congresso também trouxe boas notícias sobre tumor metastático de vias biliares. “Quando o paciente apresentava resistência ao tratamento, ele não tinha outra opção terapêutica com adequada comprovação científica de que realmente trazia benefícios”, explica o Dr. Allan Pereira, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília. O estudo, chamado de ABC 06, avaliou o uso de quimioterapia como opção de segunda linha em comparação com cuidados paliativos. “O tempo de sobrevida desses pacientes dobrou, e agora passa a ser o padrão de tratamento para essas situações”, explica o médico.

No entanto, nem todas as notícias foram boas. Estudo que avaliou a droga olaratumabe para o tratamento de sarcoma de partes moles, também um tipo menos frequente de tumor, não comprovou aumento na sobrevida quando associado ao tratamento padrão com quimioterapia. As informações obtidas a partir desse estudo podem abrir caminhos para possíveis novos tratamentos, mesmo que a pesquisa não tenha demonstrado um efeito positivo com a droga em questão.