Mutações associadas ao câncer de pulmão

 
Fonte: Dr. Fernando Santini, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Publicado em 02/06/2019

Com a medicina de precisão avançando e novas descobertas genéticas apontando para mutações que podem ser usadas como marcadores de novas drogas, torna-se cada vez mais fundamental conhecer bem o tipo de tumor que está sendo tratado. Cada paciente apresenta subtipos de tumores, que mostram a presença de diferentes tipos de mutações. Ao oferecer o medicamento correto que bloqueia essa mutação, é possível otimizar o tratamento.

No Sírio-Libanês, todo tratamento começa com um sequenciamento genético, que permite identificar o tipo exato de tumor do paciente. “Identificando quais são as mutações, podemos discutir se há medicamentos específicos já disponíveis para cada uma delas”, explica Dr. Fernando Santini, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Durante o encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês), que acontece em Chicago esta semana, foram apresentados estudos que avaliam novas drogas que têm como alvo mutações específicas associadas ao câncer de pulmão. A partir do momento que são identificadas, inicia-se a busca por formas de mantê-las sob controle. Para o pulmão, as mutações RET e MET, consideradas extremamente raras, já existem estudos que avaliam os medicamentos que atacam especificamente esses alvos, que são as drogas BLU667 e TAK788. Ainda em estágios iniciais, esse cenário mostra um pouco sobre como a evolução do tratamento para o câncer tem evoluído, focando na medicina de precisão.

Em um campo menos experimental, a ASCO também apresentou estudos que reavaliam condutas de tratamento para câncer de pulmão antes e após a cirurgia. “As pesquisas nos mostram que há mais pacientes que podem se beneficiar do uso da quimioterapia após a cirurgia, pessoas que antes não se enquadravam nos critérios para indicação do uso desse tratamento contínuo após a remoção do tumor, por serem pequenos, por exemplo”, explica Dr. Santini. Outras análises apresentadas na ASCO apontam para o uso da imunoterapia antes de realizar cirurgias, em casos iniciais da doença. “Dados iniciais apontam para um benefício nessa conduta terapêutica”, conclui.