Mitos e verdades sobre as pedras nos rins

Urologia; Nefrologia e Diálise
Fonte: Dr. Artur Henrique Brito, urologista no Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 12/01/2017

Segundo estimativas do Ministério da Saúde, durante a vida, aproximadamente 12% dos homens e 6% das mulheres terão cálculo renal, também conhecido como litíase renal ou pedra nos rins. Trata-se da formação de cristais nos rins, que se manifestam através de pequenas pedrinhas no aparelho urinário (rins, ureteres, bexiga e uretra).

Essas pedrinhas se desenvolvem, principalmente, pelo aumento de substâncias como cálcio e ácido úrico na urina ou pela diminuição de citrato, o que provoca constantes discussões sobre como podemos nos prevenir dos cálculos renais.

Com apoio do Dr. Artur Henrique Brito, urologista no Hospital Sírio-Libanês, desvendamos abaixo alguns dos principais mitos e verdades envolvendo as pedras nos rins.

Churrasco aumenta o risco de pedra nos rins.
VERDADE — Alimentos ricos em proteína animal, sobretudo, quando muito salgados, como o churrasco, tendem a elevar a quantidade de sódio no organismo. “Dieta com alto teor de sódio aumenta a excreção urinária de sais, como cálcio e oxalato, aumentado então o risco de formação de cálculo renal”, explica o dr. Brito.

Frutos do mar aumentam o risco de pedra nos rins.
VERDADE — Alimentos como camarão, lula, lagosta, caranguejo, entre outros que compõem os frutos do mar, são muito ricos em sódio. A ingestão desses alimentos com frequência (mais de uma vez por semana) pode elevar a quantidade de sódio na urina, aumentando a excreção urinária de cálcio e oxalato e também contribuir para a formação de cálculos.

Ingestão de sementes de tomate pode causar pedra nos rins.
MITO — O risco de desenvolvimento de cálculos renais não está associado à ingestão de sementes nem de caroços.

Pouca ingestão de líquido aumenta o risco de pedras nos rins.
VERDADE — A urina atua na eliminação de cristais sólidos de sais e minerais. “Ao bebermos pouco líquido, a urina fica mais concentrada, o que aumenta a concentração desses cristais e a chance de se formarem cálculos nos rins”, explica o dr. Brito. Recomenda-se então um consumo mínimo de 2,5 litros de água por dia às pessoas que já tiveram pedra nos rins ou que têm histórico desse problema na família.

Casos de pedras nos rins aumentam nos períodos de calor.
VERDADE — Nesses períodos, as pessoas tendem a ficar mais desidratadas, pois transpiram mais. Com isso, o rim tem menos líquido para filtrar, aumentam as chances de o paciente ficar com a urina mais concentrada, elevando o risco de agregação dos cristais. “Essa soma de fatores faz com que o paciente tenha um risco maior de formação de cálculos renais”, comenta o dr. Brito.

Criança não tem pedras nos rins.
MITO — Apesar de os cálculos renais afetarem principalmente as pessoas dos 20 aos 50 anos de idade, eles também podem ocorrer na infância. O aparecimento de cálculos na infância aumenta a possibilidade de haver doenças de herança genética, como cistinúria, acidose tubular renal e hiperoxalúria primária. O cálculo renal de cistina, tipo raro e mais grave de pedra nos rins, por exemplo, também afeta crianças. Esse tipo de defeito hereditário nos túbulos renais leva a um excesso de eliminação urinária de cistina (tipo de aminoácido natural), provocando uma baixa solubilidade da cistina na urina e, consequentemente, a formação de cálculo renal. Nesses casos, o tratamento dos cálculos é mais complicado, pois os pacientes já tratados podem apresentar novos cálculos com muita frequência.

Ingestão de bebidas cítricas ajuda a prevenir pedras nos rins.
VERDADE — Sucos naturais de frutas cítricas, como limão e laranja, são ricos em ácido cítrico e são eliminados na urina na forma de citrato. A eliminação do citrato na urina ajuda a prevenir a formação de cálculos renais.

Durante as crises de pedra nos rins, se movimentar ou trocar de posição na cama ajuda a diminuir a dor.
MITO — As dores provocadas pelos cálculos renais são muito fortes, tanto que são frequentemente comparadas por algumas pessoas com a dor do parto. Elas se instalam na região lombar, quase sempre de um lado só das costas, e costumam passar para a lateral do abdômen, pelve e genitais à medida que as pedras progridem pelas vias urinárias. No entanto, diferentes posições ou movimentos corporais não influem no aparecimento nem na intensidade da dor, afirma o dr. Brito.

Como tratar as pedras nos rins?

O tratamento dos cálculos renais é uma das especialidades do Núcleo Avançado de Urologia do Hospital Sírio-Libanês. Além de um corpo clínico qualificado, esse grupo oferece os mais avançados procedimentos de diagnóstico das pedras nos rins, como ultrassonografia do trato urinário, tomografia computadorizada de abdômen e radiografia contrastada dos rins (urografia excretora).

Quando confirmada a presença de cálculos renais, a definição do melhor tratamento a ser seguido vai depender do tamanho, da localização e do tipo do cálculo.

Entre os procedimentos mais realizados para a retirada de pedra nos rins está a cirurgia de ureteroscopia. Esse procedimento consiste na passagem de um aparelho muito delicado (ureteroscópio) através da uretra para extrair os cálculos localizados no ureter.

Já os cálculos renais de maior tamanho são tratados através de um acesso percutâneo direto ao rim. Existe também um método minimamente invasivo sem nenhuma incisão, conhecido como litotripsia extracorpórea por ondas de choque. Esse procedimento consiste na aplicação de ondas de choque sobre as pedras, a partir de um aparelho chamado litotriptor, sem necessidade de qualquer tipo de incisão ou passagem de aparelho no paciente.

Em alguns tipos de cálculo, como o cálculo de ácido úrico, pode-se tentar dissolver os cálculos apenas com medicamentos que aumentam o pH da urina.

Saiba mais sobre os tratamentos oferecidos pelo Hospital Sírio-Libanês contra os cálculos renais.