Estudos ajudam a identificar quando usar a quimioterapia

 
Fonte: Dr. Rudinei Linck e Dra. Andrea Shimada, oncologistas do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Publicado em 04/06/2019

Não são só estudos que avaliam novos medicamentos que são anunciados durante o encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês), que acontece em Chicago esta semana. Uma pesquisa apresentada durante o evento avaliou a indicação de quimioterapia após remoção cirúrgica do tumor de mama, processo chamado de terapia adjuvante, terapia que ajuda a paciente em um tratamento curativo. Segundo explica o Dr. Rudinei Linck, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, existem exames que podem indicar quando a quimioterapia adjuvante é desnecessária e, dessa forma, o tratamento pode ser realizado de maneira mais simples, com menor toxicidade, mas com igual chances de cura. “Este exame analisa a expressão gênica da biópsia do tumor”, explica o médico.

A novidade anunciada durante o encontro anual da ASCO desse ano foi uma avaliação complementar do estudo TAILORx, determinando com maior precisão quando indicar quimioterapia ou apenas terapia endócrina para mulheres jovens, com menos de 50 anos. “Antes desse teste, indicávamos a quimioterapia após a cirurgia com base em critérios como o tamanho do tumor, a sua análise patológica e o comprometimento de glândulas próximas à mama, chamadas de linfonodos. Agora, podemos integrar essas informações com o resultado do teste de expressão gênica e definir com maior precisão o melhor tratamento para nossas pacientes”, diz Dr. Rudinei.

Com base nesse novo estudo, podemos solicitar este exame, já disponível no Hospital Sírio-Libanês, para analisar o risco de cada paciente desenvolver câncer metastático no futuro e assim definir com maior precisão o melhor tratamento para os pacientes. “Se a paciente estiver dentro dos critérios que o estudo avaliou como seguros, ela não precisará mais realizar a quimioterapia adjuvante”, explica o médico. Isso trará uma maior segurança à paciente, pois evitará que seja submetida ao tratamento quimioterápico desnecessariamente.

Resistência

Outro ponto discutido no encontro foi a resistência que o tumor pode adquirir ao longo do tratamento com um determinado medicamento, fazendo com que este deixe de funcionar. Um exemplo é a classe dos inibidores de ciclina, medicações muito eficazes para o tratamento do câncer de mama sensível ao hormônio. “É muito importante entender os mecanismos que o tumor desenvolve para conseguir resistir ao tratamento", explica Andrea Shimada, oncologista do Centro de Oncologia do Sírio-Libanês, em São Paulo.

Os tratamentos atuais funcionam por um tempo, mas, infelizmente, em algum momento, eles param de funcionar e o tumor passa a crescer novamente. O desenvolvimento de drogas que funcionam de forma sustentada é extremamente importante. Isso ajuda as pacientes a viverem mais. “Entender esses mecanismos ajuda a desenvolver novos alvos para futuras terapias.” completa.