Estresse e descuidos com a saúde elevam risco de AVC

Cardiologia; Obesidade e Transtornos Alimentares; Diabetes
Fonte: Dr. Eli Faria Evaristo, neurologista no Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 30/10/2015

​​​Um recente estudo multicêntrico europeu, divulgado pela revista médica The Lancet, associou o trabalho em excesso a um maior risco de acidente vascular cerebral (AVC), o popular derrame. A pesquisa acompanhou, durante oito anos, cerca de 600 mil homens e mulheres da Europa, dos Estados Unidos e da Austrália, e concluiu que aqueles que trabalhavam mais de 55 horas por semana tinham uma chance 33% maior de ter AVC do que os que trabalhavam entre 35 e 40 horas semanais.

Segundo os organizadores dessa pesquisa, ainda não se sabe a relação exata entre o excesso de trabalho e o AVC, mas suspeita-se que as pessoas que trabalhem 11 horas ou mais, por pelos menos cinco dias da semana, sofram mais de estresse e tenham menos tempo para cuidar da saúde.

Tipos de AVC

O AVC pode ser definido como o surgimento de um déficit neurológico súbito causado por problemas nos vasos sanguíneos do sistema nervoso central. Pode ser dividido em:

AVC isquêmico — Obstrução ou redução brusca do fluxo sanguíneo em uma artéria cerebral, geralmente provocada por tromboses ou embolias. Esse tipo de AVC é mais comum e causa a falta de circulação no território vascular. Em alguns casos, esse tipo de lesão pode ser bem leve e ocorrer várias vezes sem a pessoa perceber.

AVC hemorrágico — Ruptura espontânea (não traumática) de um vaso, com extravasamento de sangue para o interior do cérebro. Embora seja menos comum, tende a ser mais grave.

Neurologista no Hospital Sírio-Libanês e especialista em AVC, o dr. Eli Faria Evaristo explica que o mecanismo pelo qual o estresse aumenta o risco de AVC é ainda incerto e provavelmente multifatorial, mas por si só pode ser um fator de risco para os derrames. “Estamos falando de uma reação do organismo que para enfrentar possíveis ameaças, como uma discussão ou uma reunião tensa no trabalho, causa modificações bioquímicas e cardiovasculares, por exemplo, elevando o batimento cardíaco e a pressão arterial”, esclarece. “Quando o estresse se torna rotina, ele passa ser uma patologia, aumentando os riscos para um AVC”, acrescenta.

Além de estarem mais vulneráveis ao estresse, as pessoas que trabalham excessivamente também tendem a se alimentar mal, fazer menos atividade física, ingerir mais bebidas alcoólicas, ter maior incidência de hipertensão e diabetes, além de, provavelmente, ter menos tempo para cuidar de seus próprios problemas de saúde. “Temos observado que os pacientes que vivem sob forte estresse acabam, muitas vezes, esquecendo-se de tomar seus medicamentos e de realizar os exames de rotina”, alerta o dr. Evaristo.

O AVC é uma das principais causas de morte e de sequelas no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o derrame atinge mais de 16 milhões de pessoas ao redor do globo a cada ano. Destas, seis milhões morrem. No Brasil, são quase 100 mil mortes anualmente.

Para chamar a atenção sobre o problema, a OMS elegeu, em 2006, o dia 29 de outubro como o Dia Mundial do AVC. A data é lembrada no Brasil e em vários outros países com ações que visam aumentar a conscientização da população sobre suas formas de prevenção e tratamento.

Diagnóstico de riscos e tratamento do AVC

Por se tratar de um problema vascular, todos os fatores de risco para as doenças cardíacas também devem ser levados em conta na prevenção do AVC. São eles:

  • Estresse
  • Hipertensão
  • Sedentarismo
  • Obesidade
  • Diabetes
  • Tabagismo
  • Álcool em excesso
  • Colesterol elevado
  • Apneia do sono

Segundo o dr. Eli Faria Evaristo, os problemas no coração que também podem aumentar o risco para o AVC são principalmente aqueles que produzem batimentos cardíacos desregulados, como a fibrilação atrial, o infarto, as doenças nas válvulas e a doença de Chagas. “Esses problemas favorecem a formação de coágulos dentro do coração, que ao se desprenderem podem chegar aos vasos do cérebro, diminuindo o fluxo sanguíneo e causando um AVC.”

O AVC pode afetar pessoas de todas as faixas etárias, mas é mais comum depois dos 55 anos de idade. A partir dos 20 anos de idade, no entanto, indica-se o início de exames de check-up para saber o risco de problemas cardiovasculares na população em geral. Já para pessoas com histórico de AVC na família, o médico pode solicitar os exames de forma mais individualizada.

Além dos testes que detectam fatores de risco para o coração, alguns exames de imagem das carótidas (artérias localizadas no pescoço e que irrigam a cabeça) ou da parte interna do crânio também podem ser solicitados em casos específicos para monitorar os riscos de AVC.

O Hospital Sírio-Libanês oferece a seus pacientes todos esses exames e se destaca por ter um Núcleo de Medicina Avançada que integra as várias especialidades da medicina envolvidas na prevenção e no tratamento do AVC, como a neurologia, a cardiologia e a endocrinologia.

O Pronto Atendimento do Hospital Sírio-Libanês segue protocolos internacionais para o atendimento de pacientes com AVC, buscando sempre diagnosticar e cuidar com urgência dos pacientes nessa condição.

Dentro de um período de até quatro horas e meia após o início do AVC isquêmico, por exemplo, pode ser utilizado, para a maioria dos casos, um medicamento injetável com efeito trombolítico. Esse medicamento é capaz de promover a dissolução do coágulo que obstrui o vaso sanguíneo.

O Hospital Sírio-Libanês oferece também aos pacientes com AVC isquêmico a trombectomia mecânica. Essa técnica, nos casos selecionados, permite a desobstrução da artéria com uso de um stent, diminuindo as sequelas do derrame, quando realizado em até seis horas após seu início.

No caso de um AVC hemorrágico, os primeiros cuidados são para interromper ou diminuir o sangramento. Uma cirurgia pode ser necessária para retirar o coágulo e aliviar a pressão intracraniana.

Os tratamentos contra o AVC sempre exigem cuidados imediatos. Portanto, fique atento a qualquer déficit neurológico de início súbito. Os principais sintomas do AVC isquêmico são: perda repentina da força muscular, dormência na face, no braço e na perna, tonturas, alterações da memória, formigamentos de um lado só do corpo e perda da visão de um dos olhos. Nos casos de AVC hemorrágico, além dos sintomas já mencionados, costuma ocorrer dor de cabeça repentina, náuseas e vômitos.

Diante de sintomas do AVC, procure urgentemente um serviço médico de pronto atendimento e evite a automedicação, inclusive o uso imediato de ácido acetilsalicílico (AAS) ou outros medicamentos semelhantes, a fim de evitar complicações hemorrágicas. É necessário, primeiramente, a confirmação do diagnóstico e a orientação médica para o tratamento adequado.