Epilepsia tem tratamento. Conheça os sinais dessa doença

Dor e Distúrbios do Movimento
Fonte: Dra. Eliana Garzon, neurologista no Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 29/07/2016
Epilepsia tem tratamento. Conheça os sinais dessa doença

​Nosso cérebro possui, aproximadamente, 86 bilhões de neurônios. A comunicação entre eles acontece por meio de impulsos elétricos; quando estes se tornam excessivos ou anormais, podem causar epilepsia. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a epilepsia é um problema de saúde comum, podendo atingir pessoas de todas as idades, etnias, sexo e classe econômica, porém 70% daqueles que procuram tratamento conseguem controlar a doença.

A epilepsia (repetição de crises epilépticas, sem fator desencadeante) se apresenta, principalmente, por meio de crises epilépticas, conhecidas popularmente por convulsões. Essas crises duram segundos ou minutos e podem causar:

  • Abalos musculares.
  • Queda ao chão.
  • Perda da consciência.
  • Movimentos automáticos de mãos, boca, face ou pernas.
  • Perda de urina ou, mais raramente, fezes.

A língua não deve ser segurada durante uma convulsão

Um dos grandes mitos envolvendo o socorro das pessoas com crises epilépticas envolve o cuidado com a língua, pois muitos acreditam erroneamente que há risco de a pessoa enrolar ou engolir a língua.

Na verdade, nunca se deve colocar objetos, a mão ou os dedos na boca de quem está tendo uma convulsão. A língua não enrola. Colocar objetos pode ferir a pessoa ou mesmo provocar fraturas nos ossos faciais. Colocar o dedo na boca de quem está convulsionando pode ferir tanto a pessoa em convulsão quanto o dedo de quem está tentando ajudar.
O correto é somente proteger a cabeça e não se preocupar com a língua. Pode sim haver mordedura na língua, durante uma convulsão, mas isso certamente é menos traumático e mais fácil de ser resolvido do que uma lesão em articulações ou fraturas de ossos da face, cujo tratamento pode, até mesmo, ser cirúrgico.

Em certos casos, porém, a percepção das crises pode ser mais difícil. "Isso ocorre em alguns tipos de crises. Um exemplo são as crises em que o único sintoma é um desligamento momentâneo e breve", comenta a médica. "O indivíduo pode não perceber que se desligou e outras pessoas tentam chamar sua atenção, mas ele não responde. Continua na posição em que estava, como se estivesse pensando por alguns instantes, os olhos ficam abertos e parece estar com o olhar distante, vago…", descreve a médica.

Existem, ainda, as crises que ocorrem exclusivamente durante o sono. Estas podem não ser presenciadas pelos familiares e o indivíduo pode ter completa amnésia sobre o ocorrido. A pessoa acorda, por vezes, com dores musculares, cansada e não é infrequente haver mordedura da língua.

Crise epiléptica nem sempre é epilepsia

Estima-se que 10% da população pode ter uma única crise epilética no decorrer da vida. Desses casos, metade costuma ocorrer na infância e na adolescência, com maior risco antes de um ano de idade. Outro período mais suscetível é na terceira idade. Na infância, o cérebro é mais propenso em função do amadurecimento cerebral. Na terceira idade, outros problemas de saúde, como acidente vascular cerebral (AVC), tumor e demência, podem estar presentes e facilitar a ocorrência de crises.

No entanto, nem sempre uma crise epiléptica é epilepsia. A hipoglicemia (taxa baixa de açúcar no sangue), o aumento súbito da temperatura corporal, o excesso de drogas e álcool ou mesmo alguns medicamentos em pessoas sensíveis também podem causar convulsão. O tratamento é a correção do fator desencadeante, como corrigir os níveis de açúcar no sangue, a temperatura corporal ou ainda a retirada da droga ou do medicamento que casou a convulsão.

Outros problemas, como ansiedade excessiva e alterações psiquiátricas, podem provocar desmaios, que, clinicamente, são muito parecidos com as crises epilépticas. Nesses casos, não há a ocorrência de descargas cerebrais anormais e, por esse motivo, não é epilepsia.

As principais causas da epilepsia são:

  • Genética - Pode ser causada por anormalidades nos cromossomos ou por mutações nos genes.

  • Estrutural - Ocorre quando há um dano cerebral, como traumatismo craniano, tumor cerebral, AVC e infecções como a meningite e a encefalite.

  • Metabólica (mais rara) - Ocorre quando há deficiência ou falha de determinadas substâncias no organismo. Um exemplo é a proteína GLUT1 - que é uma molécula responsável por transportar glicose para dentro do cérebro. Nessa situação é como se o cérebro estivesse sem glicose o tempo todo, o que leva a um funcionamento anormal do órgão, causando as crises epilépticas, além de outros sintomas.

Como diagnosticar e tratar a epilepsia?

O primeiro passo é uma avaliação clínica, com o maior grau de detalhes possível, para obter todo o histórico do paciente. Após a avaliação e o exame clínico, o médico neurologista pode solicitar alguns exames. É importante saber que o diagnóstico é clínico. "Os exames serão necessários para uma série de condutas médicas, mas mesmo que eles não mostrem alterações, não afasta o diagnóstico clínico", explica a dra. Eliana.

Os exames ajudarão a determinar o tipo de epilepsia e o que está causando as crises. Os mais comumente solicitados são:

  • Ressonância magnética ou tomografia computadorizada.
  • Exames laboratoriais de sangue e urina.
  • Eletroencefalograma (exame que mede a atividade elétrica do cérebro).

No Hospital Sírio-Libanês está disponível também o exame de videoeletroencefalograma (vídeo-EEG). Para a realização desse procedimento, o paciente é internado e passa por uma monitorização contínua. Suas ondas cerebrais são gravadas, em vídeo digital, simultaneamente com seus comportamentos até ocorrer uma convulsão. "Essas informações possibilitam um diagnóstico mais preciso e, consequentemente, melhor definição do tratamento e dos cuidados a serem tomados", avalia a neurologista.

O tratamento para a epilepsia tem como principal objetivo o controle das crises, melhorando assim a qualidade de vida dos pacientes. Na maioria dos casos, ele é feito com medicamentos de uso oral, mas também poderá ser indicado tratamento cirúrgico.

O Núcleo de Neurologia e Neurociências do Hospital Sírio-Libanês conta com profissionais especializados no diagnóstico e no tratamento da epilepsia.

Informações importantes

Para controlar as crises e seguir normalmente as atividades diárias

  • Utilize corretamente os medicamentos, seguindo os horários e a dose prescrita.
  • Avise o médico caso haja algum efeito colateral relacionado à medicação.
  • Se precisar tomar outro medicamento, avise o médico, pois podem ocorrer interações medicamentosas.
  • Evite o uso de álcool e de outras drogas ilícitas.
  • Durma bem e mantenha hábitos saudáveis de vida.

Para ajudar alguém durante uma crise epiléptica:

  • Mantenha a calma e, se possível, peça ajuda.
  • Coloque a pessoa em local seguro de forma que não se machuque, caso tenha contrações musculares.
  • Deixe a cabeça em posição mais alta do que o corpo.
  • Caso esteja de óculos, retire-os.
  • Não coloque nenhum objeto na boca da pessoa nem tente segurar sua língua.
  • Se a pessoa estiver com roupas apertadas, cintos ou gravatas, procure desapertá-los para evitar traumas.
  • Não tente restringir os movimentos da pessoa em convulsão.
  • Se a crise durar mais de cinco minutos, ligue para o SAMU (192) para levar a pessoa para um hospital o mais rápido possível.
  • Tente achar alguma identificação (principalmente se há algum cartão identificando que a pessoa apresenta epilepsia).
  • Quando a crise passar, coloque a pessoa de lado para que não aspire suas secreções.
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