Epicondilite atinge até crianças e pode ser tratada com exercícios para reabilitação

Cirurgia da Mão e Microcirurgia Reconstrutiva
Fonte: Dr. Edgard de Novaes França Bisneto, ortopedista e traumatologista no Núcleo de Cirurgia da Mão e Microcirurgia Reconstrutiva do Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 22/12/2015

​​​​O termo “tendinite” é usado para designar processos inflamatórios crônicos que atacam o tendão. A inflamação pode ocorrer em várias partes do corpo, como ombros, cotovelos, joelhos, mãos e tornozelos. Quando ocorre nos músculos e tendões do cotovelo, é chamada de epicondilite, doença caracterizada pelo desgaste do sistema musculoesquelético. Sua ocorrência é mais comum na lateral externa do braço — epicondilite lateral —, mas pode surgir também na face interna. Nesse caso, é a chamada epicondilite medial.

A doença é causada por qualquer esforço repetitivo, seja no trabalho (digitação ou uso do mouse por períodos prolongados, por exemplo), seja em uma atividade de lazer (como em uma partida de tênis). Seus principais sintomas são dor localizada, desconforto, sensação de peso, formigamento, dormência, inchaço, enrijecimento muscular, falta de firmeza nas mãos e sensação de diminuição de força.

“O paciente herda a predisposição de desenvolver algum tipo de inflamação mediante uma atividade repetitiva. Em um grupo de pessoas que exercem uma atividade semelhante, uma delas pode ter dor e outra não, porque é uma característica individual, como ter pressão alta, diabetes, enxaqueca”, diz o dr. Edgard de Novaes França Bisneto, ortopedista e traumatologista no Núcleo de Cirurgia da Mão e Microcirurgia Reconstrutiva do Hospital Sírio-Libanês.

Em alguns casos, quando a inflamação se inicia, o paciente, em uma tentativa de evitar que a dor aumente, acaba causando uma transferência de função, mudando os hábitos que levam à dor. “É frequente quem tem epicondilite se queixar de dor no ombro e torcicolo. Ao evitar o movimento que incomoda, a pessoa sobrecarrega outro grupo muscular.”

Segundo ele, com o uso intenso de aparelhos como celulares, tablets e videogame, é cada vez mais frequente crianças e adolescentes com diagnóstico de epicondilite.

Como diagnosticar

O diagnóstico é clínico, baseado na história do paciente e nos sintomas relatados. Os exames de imagem podem não detectar a doença.

Tratamento

A doença, assim como toda patologia crônica, não tem cura, mas tem seus sintomas muito diminuídos ou mesmo ausentes com o tratamento correto. Este tem o objetivo de minimizar as dores que surgem durante as crises. Nesses casos, é indicado o uso de anti-inflamatórios e o paciente é orientado a diminuir as atividades que podem sobrecarregar a região afetada. ​

Fisioterapia e terapia ocupacional também contribuem para a melhoria dos sintomas, pois elas recapacitam o membro afetado. O cirurgião explica que a literatura médica cita muitas terapias alternativas para o tratamento da epicondilite, como ultrassom de baixa amplitude, cirurgia e infiltrações com corticoides ou toxina botulínica. Porém, comenta, o paciente só deve optar por uma dessas terapias quando o tratamento tradicional, ou seja, a reabilitação, não apresentar resultados depois de pelo menos seis meses.

Além disso, o dr. França recomenda a prática de atividades físicas. “Os exercícios aeróbicos são fundamentais para manter a doença controlada. Eles melhoram a circulação e a irrigação muscular. Assim, a musculatura adquire maior resistência para a execução das atividades diárias.”

Alguns pacientes fazem uso de talas, mas elas não são recomendadas pelo cirurgião porque apenas limitam o movimento, não tratam a inflamação. “O risco, nesse caso, é de, ao retirá-las, o paciente ter o que chamamos de efeito rebote, sentindo uma dor ainda mais intensa ocasionada pela movimentação de um músculo que estava sem atividade.”

Se não tratada, a epicondilite pode causar limitação dos movimentos, dor crônica ou surgimento de outros problemas, como travamento dos dedos, formigamento nas mãos, dor para girar o punho ou cistos.

O Núcleo de Cirurgia da Mão e Microcirurgia Reconstrutiva do Hospital Sírio-Libanês conta, em sua equipe, com médicos ortopedistas especializados e capacitados para oferecer ao paciente a melhor opção de tratamento para os casos de lesões por esforços repetitivos.

O hospital possui também um Centro de Reabilitação com uma equipe multidisciplinar que conta, entre seus membros, com fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. A definição dos especialistas que atuarão junto a cada paciente é feita de acordo com as necessidades e a complexidade do caso.