Biópsia líquida veio para ficar

 
Fonte: Dr. Marcelo Cruz, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês.
Publicado em 31/05/2019

O termo biópsia líquida surgiu há poucos anos. No começo, havia muita confusão sobre o que de fato é uma biópsia líquida, mas a confusão maior, inclusive entre médicos, era entender como avaliar seu resultado. O tema é um dos destaques do encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês), que acontece esta semana em Chicago.

Na teoria, a biópsia líquida consiste em retirar amostras de sangue para analisar tumores de forma mais rápida e menos invasiva. Na prática, o resultado deste exame não funciona da mesma forma que uma biópsia tradicional, na qual retira-se um pedaço sólido do tumor para análise patológica.

Se com a biópsia tradicional o médico espera receber um laudo que aponta se há presença de célula cancerosa na região analisada, na variação líquida do exame os resultados mostram os tipos de mutações genéticas presentes nas células cancerosas, permitindo identificar o melhor caminho para o tratamento de cada paciente.

Entre as vantagens desse tipo de exame está o fato de não ser invasivo, de o resultado sair mais rápido e de conseguir pegar uma amostra maior. Esse ponto é muito importante, pois as células cancerosas são muito heterogêneas e uma mutação pode estar presente numa região e não em outra. Se é retirada uma amostra pequena, uma mutação pode passar despercebida no exame. “A biópsia líquida veio a acrescentar mais ferramentas nessa nova era de medicina de precisão”, explica Dr. Marcelo Cruz, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês.

Segundo o médico, o resultado de cada exame precisa ser avaliado por uma equipe multidisciplinar qualificada, a fim de se obter resultado máximo a partir do laudo. “No Sírio-Libanês, realizamos semanalmente encontros chamados de ‘Molecular Tumor Boards’, nos quais uma equipe multidisciplinar avalia os resultados de cada caso e determina qual será a melhor conduta terapêutica”, explica Cruz.

A biópsia líquida, exame já oferecido no Sírio-Libanês, é usada hoje somente em pacientes com câncer metastático, em que o tumor inicial se desprendeu do local de origem e espalhou pelo corpo. Estudos apresentados na ASCO 2019 estão levantando a possibilidade de esse exame ser usado em pacientes que não têm a doença. “No futuro próximo, poderemos usar a biópsia líquida para ajudar a rastrear pacientes e aumentar o diagnóstico precoce”, conclui o médico.