Banco de dados digital ajuda na definição de tratamentos

Centro de oncologia
Fonte: Profa. Heimar de Fátima Marin, diretora de Inovação e Tecnologia da Informação do Hospital Sírio-Libanês; dr. Vladimir Ribeiro Pinto Pizzo, gerente de Informática Clínica do Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 02/02/2017
Banco de dados digital ajuda na definição de tratamentos

O computador está se tornando cada vez mais um aliado dos profissionais e das instituições de saúde. A enorme capacidade da tecnologia digital em armazenar dados tem permitido a criação de ferramentas para auxiliar nas pesquisas científicas e no tratamento dos pacientes.

Há mais de dez anos, o Hospital Sírio-Libanês vem coletando dados clínicos de seus pacientes por meio de prontuários eletrônicos. Esses dados, geralmente, são inseridos pelos profissionais de saúde diretamente nos sistemas de informação ou, se estiveram no papel, são digitalizados e posteriormente incorporados aos registros eletrônicos.

Computação cognitiva - Watson Oncology

O Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, instituição parceira do Sírio-Libanês em pesquisas oncológicas, participou do desenvolvimento do programa Watson Oncology da IBM (empresa norte-americana da área de informática).

Esse programa usa uma vertente da inteligência artificial, denominada pela própria IBM como "computação cognitiva", que é capaz de comparar as características clínicas dos pacientes com as disponíveis nas grandes bases de dados científicas internacionais.

O médico informa as características clínicas, laboratoriais e do tumor do paciente, por exemplo, e diante dessas informações o sistema emite uma opinião ranqueada sobre as opções de tratamento disponíveis, levando em conta as mais recomendadas e as contraindicadas.

Segundo o dr. Vladimir Ribeiro Pinto Pizzo, gerente de Informática Clínica do Hospital Sírio-Libanês, o Watson Oncology funciona como se fosse uma segunda opinião. "O Watson combina as informações clínicas dos pacientes com as características biológicas do tumor", comenta o dr. Pizzo.

"Ele possibilita que oncologistas que não tenham tanta experiência num determinado tipo de câncer recebam auxílio de um especialista digital", comenta.

O Hospital Sírio-Libanês estuda a possibilidade de usar esse programa integrado à sua própria plataforma digital para pacientes com câncer, segundo o dr. Pizzo.

Diretora de Inovação e Tecnologia da Informação no Hospital Sírio-Libanês, a profa. Heimar de Fátima Marin afirma que a instituição vem investindo em ferramentas digitais para facilitar as integrações e o gerenciamento das informações clínicas dos pacientes.

Para que servem os prontuários eletrônicos?

Uma vez digitalizados, os dados sobre os pacientes oferecem informações para a tomada de decisões clínicas; análises dos históricos dos pacientes já atendidos no Hospital Sírio-Libanês ou até mesmo decisões institucionais mais abrangentes, como a modificação de um processo que possa comprometer a segurança dos pacientes, estão disponíveis.

Outro benefício da digitalização das informações pode ser observado na administração dos medicamentos aos pacientes internados. Com os prontuários eletrônicos, a equipe médica do Hospital Sírio-Libanês é sempre informada sobre a hora e a dose certas de cada remédio; se o paciente tem algum tipo de alergia ou se já está tomando outro medicamento que pode provocar efeitos adversos.

A tecnologia pode ainda facilitar a busca por detalhes no histórico do paciente e a visualização de exames de imagem, permitindo avaliar dados específicos destes, o que contribui para o estabelecimento de diagnósticos mais precisos.

Banco de dados de pacientes com câncer

Na área oncológica, o Hospital Sírio-Libanês optou por desenvolver uma plataforma eletrônica especial. Isso ocorreu porque o seguimento ambulatorial dos pacientes com câncer tem diversas particularidades, explica o dr. Vladimir Ribeiro Pinto Pizzo, gerente de Informática Clínica do Hospital Sírio-Libanês.

Além de ser um tipo de cuidado bem próximo do paciente, o tratamento oncológico pode acontecer ao longo de meses ou anos; frequentemente exige internações e pode demandar tratamentos complexos. Nos casos de quimioterapia, por exemplo, o paciente pode apresentar sintomas associados que devem ser acompanhados de perto.

Segundo o dr. Pizzo, todas as consultas oncológicas são realizadas nesse sistema eletrônico e o médico inclui o paciente num protocolo de tratamento.

Esse protocolo conta com informações sobre os medicamentos utilizados, periodicidade de retornos, exames complementares necessários e dados da biologia dos tumores. Ou seja, se o tumor que está sendo tratado tem mutações específicas ou outros tipos de variantes que devem nortear os cuidados.

Criada há três anos, essa plataforma reúne informações de aproximadamente 36 mil pacientes das unidades do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo e Brasília. A partir dessa plataforma, os médicos oncologistas podem introduzir os dados e acessar as informações de seus pacientes.

O objetivo do Hospital Sírio-Libanês ao criar um banco de dados integrado é poder conhecer bem o perfil de cada paciente, analisar as opções de tratamento disponíveis e oferecer o melhor cuidado possível. "A tendência é que a contribuição da informática aumente cada vez mais, tornando-se uma das tecnologias mais promissoras no âmbito da saúde", avalia a profa. Heimar.