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População idosa aumenta e precisa de uma casa segura

Publicado em 04/01/2017


A média de idade da população brasileira está aumentando. Por isso, é urgente e necessária a adaptação de casas e cidades para receber bem quem está envelhecendo. Esse é o tema da segunda reportagem da série especial sobre os idosos que o Jornal Nacional apresenta esta semana.

O quartinho tem que ficar perfeito. Toda casa passa por uma transformação quando vai receber um bebê. E não são só os móveis. Muda a decoração, mudam os hábitos de todo mundo, e tudo bem. A família considera normal adaptar o ambiente e a rotina ao nascimento e ao crescimento das crianças.

Mas quando nós envelhecemos ou quando nossos avós vêm morar conosco, essa adaptação não é tão natural. Mas é cada vez mais necessária. Em 1980, de cada cem brasileiros, seis tinham mais de 60 anos. Hoje, são 14.

"Quando tem um velho na nossa família, a gente também tem que abrir espaço no coração, na mente, no bolso para receber esse idoso, acolher ele da melhor maneira possível, porque isso vai causar um benefício tanto para a gente como para o idoso", diz a geriatra Lilian Schafirovits Morillo, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Dona Nair aprendeu de um jeito doloroso como é importante adaptar a casa. Ela tem 86 anos e levou um tombo. "Não quebrei nada. Só ficou inchado", conta.

Para não acontecer de novo, foi conhecer as armadilhas que nós montamos em casa sem perceber.

"Eu não uso tapete. Tem risco da gente pisar e 'peft'", diz dona Nair.

As cadeiras de plástico podem escorregar, abrir por conta do peso, e acaba caindo no chão. Tem mais. O fio do telefone, as pantufas escorregadias, o banquinho para pegar o pote na prateleira e os brinquedos dos netinhos.

Algumas adaptações simples deixam a casa muito mais segura para os idosos. Por exemplo, caminho livre. Mesa de centro vira mesa de canto, tapete é melhor não ter, mas para quem não abre mão, é melhor prende as pontas com uma fita adesiva.

Outra medida é trocar o pé do sofá por um mais alto, porque na hora de levantar é preciso ter menos força nas pernas. A cadeira também tem que ser firme e não pode escorregar para evitar uma queda na hora da refeição.

No quarto, tem umas mudanças também bastante interessantes. A cama, a mesma coisa, um pouco mais alta para facilitar na hora de levantar. Os idosos levantam muito durante à noite para ir ao banheiro. Então, do lado da cama é bom ter uma luz.

O banheiro é um dos lugares mais perigosos da casa, onde acontecem muitos acidentes. A primeira adaptação pode ser feita dentro do box. Alguns idosos sentem tonturas por causa dos remédios. Então, é seguro tomar banho sentado.

O vaso sanitário também pode ser suspenso, sem trocar a louça, só com um adaptador que fica fixo com parafusos. Mais fácil para sentar, e muito mais fácil na hora de levantar se do lado tiver instalado um corrimão para puxar o corpo.

Adaptar a casa é o primeiro passo. O segundo é adaptar a cidade inteira.

"No Brasil, um dos grandes problemas que a gente está tendo em relação ao envelhecimento e à longevidade é essa vida corrida, essa cidade urbana, essa violência, e ninguém tem tempo para o idoso", afirma Alexandre Kalache, presidente do Centro de Longevidade Brasil.

Se essa vida é problema, uma diferente pode ajudar. Quem mora em Veranópolis, na Serra Gaúcha, sabe disso. É pequena: 24 mil habitantes. E foi apontada pela ONU, na década de 1990, como uma das três cidades com maior expectativa de vida no mundo.

Na época, os dados da prefeitura mostravam que os idosos viviam quase uma década a mais em Veranópolis: até os 77,7 anos, enquanto a expectativa de vida no Brasil não chegava a 69 anos.

Veranópolis ganhou o apelido de terra da longevidade. A cidade se adaptou para ninguém ficar enfurnado em casa. Todo dia tem atividade, como curso de artesanato. Os idosos também ajudam a fazer o almoço comunitário da igreja. Ajudar é um santo remédio.

A comida das nonas inspirou o cardápio do restaurante giratório, a maior atração turística da cidade. O salão vive lotado.

Ficar mais velho, em Veranópolis, é motivo de comemoração. A saúde de quem tem mais de 60 anos vai bem.

"Eles são atendidos através de um atendimento precoce. Vejo um número muito menor de hospitalizações do que há 20 ou 30 anos atrás", afirma Waldemar de Carli (PMDB), prefeito de Veranópolis.

A experiência de Veranópolis foi observada em 22 anos de pesquisa e os resultados de questionários e exames físicos mostram que o estilo de vida e o acolhimento ajudam a envelhecer bem.

"A pesquisa mostrou que essa convivência familiar causa um bem-estar maior ao idoso, ele é muito mais feliz e tem menos depressão. Então, eu acho que isso é muito importante", explica Neide Bruscato, pesquisadora da Associação Veranense de Saúde.


Fonte: g1.globo.com

Assunto(s): Bem-estar; Saúde
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