Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

VOCÊ S/A ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 30/11/2020 às 15h07

Escritório da Unilever, em São Paulo: retorno gradual e pagamento de táxi para quem depende de transporte público (Omar Paixão/VOCÊ S/A) no último mês, governos como os de São Paulo e Rio de Janeiro anunciaram o fim gradual da quarentena imposta para controlar a pandemia da covid-19. Os escritórios já podem voltar a funcionar, e as empresas têm mais um desafio nesta crise: retomar o trabalho físico com segurança. Mas elas estão indo com calma. De acordo com uma pesquisa da consultoria KPMG feita com 722 executivos, 35% preveem que o retorno acontecerá entre setembro e dezembro; 21% planejam a volta ainda em agosto; e 9% só querem regressar em 2021. “Ninguém sabe o que vai acontecer. Todos estão estudando os cenários possíveis e fazendo planos em cima disso”, diz André Coutinho, sócio líder de clientes e mercados da KPMG. Ainda segundo o levantamento da consultoria, a maior parte das companhias fará a retomada de maneira gradual, sem deixar que todos os funcionários estejam ao mesmo tempo no escritório. O período será de experimentação, inclusive quanto aos protocolos de segurança. “Não existe legislação específica, apenas recomendações de diversos órgãos oficiais”, diz Denise Moraes, diretora de projetos do AKMX, escritório de arquitetura corporativa. Mas já existem alguns consensos sobre quais estratégias as organizações terão que aplicar em cada momento da jornada de trabalho. A seguir, mapeamos as principais mudanças. Quem usa transporte público deve seguir trabalhando de casa — assim como aqueles que são de grupos de risco. Pelo menos esse é o protocolo que empresas como a Unilever, que tem um plano de retomada gradual, estão preferindo adotar. Nos casos em que é imprescindível a presença no escritório ou na fábrica, a multinacional de bens de consumo está pagando táxi para garantir o deslocamento com menor risco — o benefício também é acessível a quem depende de ônibus, trem ou metrô para acessar o fretado da companhia. E a recepção aos funcionários é diferente: conta com medição de temperatura de todos. “Quem estiver febril será direcionado para o serviço de saúde”, diz Luciana Paganato, diretora de RH da Unilever. Além dessas medidas, especialistas aconselham que exista flexibilização dos horários de entrada, almoço e saída. “A ideia é evitar aqueles picos de recepção lotada, filas para entrar e sair, e elevadores cheios”, diz a arquiteta Denise. Na Roche Diagnóstica, divisão da farmacêutica suíça voltada para análises laboratoriais, tablets de leitura facial foram instalados e verificam tanto a temperatura dos empregados quanto se eles estão usando máscara. A empresa também decidiu fazer uma testagem em massa: os cerca de 2.000 empregados e terceiros terão a opção de se submeter a um teste para detectar a covid-19 em um sistema drive-thru. Os familiares também poderão fazer o teste a um preço acessível. “Isso é importante porque você consegue monitorar se as ações de prevenção estão funcionando ou não”, diz Henrique Vailati, diretor de RH da Roche Diagnóstica. “Acreditamos que a testagem seja primordial para entender como a pandemia está evoluindo. ” Assim como na Unilever, na farmacêutica quem é do grupo de risco deve continuar em casa, e os que apresentam qualquer sintoma da covid-19 são orientados a não se deslocar até o trabalho. “As empresas precisam criar políticas que permitam às pessoas informar seus sintomas sem ser discriminadas nem prejudicadas”, diz Maura Salaroli, infectologista e gerente médica da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Sírio-Libanês. – – (Arte/VOCÊ S/A) Em vez de bloquinho ou caneca, há grandes chances de que seu próximo brinde corporativo seja um kit de higiene. Afinal, máscara e álcool em gel têm sido os grandes aliados para se defender da covid-19, e muitas empresas têm distribuído esses itens para os funcionários. Totens de álcool em gel e produtos de limpeza para higienizar mesas e computadores também ganham espaço. E, claro, a máscara passa a fazer parte do dress code. “O distanciamento social e a máscara são muito importantes para evitar o contágio”, diz Marcos Loreto, diretor médico técnico da Omint, que fornece planos de saúde para empresas. Uma dificuldade, no entanto, é garantir que todos usem o aparato o tempo todo e o troquem a cada duas horas. É comum que muitos vistam a máscara por algum tempo e depois a retirem ou fiquem com ela sem cobrir o nariz e a boca. As companhias terão que criar políticas de educação para explicar aos empregados a importância de usá-la continuamente. – – (Arte/VOCÊ S/A) no caso de equipamentos compartilhados, como impressoras, bebedouros e mesas compartilhadas, é provável que cada um seja responsável por limpá-los antes e depois do uso — e fica a necessidade de higienizar bem as mãos depois da atividade. Essa medida também exigirá a presença mais frequente de equipes de limpeza, que deverão higienizar os espaços comuns mais vezes ao dia. “As pessoas terão que ter esse cuidado em superfícies altamente tocadas, como botões de elevadores, maçanetas e impressoras”, diz Marcos, da Omint. No caso das estações de trabalho, os profissionais também devem ser responsáveis por mantê-las sem sujeira. “A ideia é dar autonomia para o próprio usuário limpar sua mesa na frequência que achar mais recomendada”, diz a arquiteta Denise. Com pessoas dividindo o mesmo espaço, o desafio é manter a segurança nos ambientes fechados e, normalmente, sem muita circulação de ar dos escritórios. “No começo falavam em colocar divisórias de acrílico em todos os lugares, nos escritórios e até nas praias”, diz Enrico Benedetti, sócio da Arealis, escritório de arquitetura. Mas, ele aponta, isso teria impacto negativo, por tornar o ambiente menos agradável. Soluções como distanciar as mesas, aproveitando espaços como salas de reunião e de colaboração, têm ganhado a preferência. Além disso, quando possível, as janelas e portas devem ficar abertas, mesmo com ar-condicionado. “Ter o máximo de ventilação ajuda a evitar que partículas com o vírus se depositem por muito tempo”, explica a infectologista Maura. Por essas razões as empresas estão adotando sistemas de rodízio de trabalho para diminuir a ocupação do prédio. “A gente deve ter 30% das pessoas trabalhando no escritório, de maneira rotativa”, diz Henrique, da Roche. Na Unilever, a previsão é que, por enquanto, apenas 15% dos empregados voltem à sede da companhia — de forma voluntária e alternada. Para isso, a empresa desenvolveu um sistema que funciona como uma passagem de avião: o funcionário acessa um aplicativo e “compra” sua passagem para estar na empresa. “Ele responde a um questionário de saúde, diz se usa transporte público para chegar ou não e se apresenta algum risco”, diz Luciana. Na hora do “check-in”, o sistema aponta qual mesa deverá ser ocupada pelo profissional. E as estações de trabalho terão distância de 2 metros em relação à mesa da frente e de 1,67 metro em relação à mesa ao lado. Além de facilitar o controle do contágio, a medida serve para ir testando as novas possibilidades. “A ideia é treinar todo mundo nos protocolos de distanciamento e em relação aos fluxos de movimento”, diz Luciana. Exemplos são as escadarias e os corredores, que terão rotas determinadas para evitar aglomeração. – – (Arte/VOCÊ S/A) Na hora do almoço, esqueça aquelas mesas cheias de gente, conversando alto e dividindo sobremesas. Para evitar o contágio, as palavras de ordem agora são precaução e distância. “O refeitório é uma área de alto risco, porque você tira a máscara”, diz Marcos, da Omint. Por isso, as mesas devem ser espaçadas e ocupadas por pessoas longes umas das outras. Segundo Marcos, o ideal seria que cada um levasse os próprios talheres ou usasse descartáveis, para evitar o compartilhamento de materiais. “Deve-se evitar também o serviço de bufê”, diz. Afinal, os utensílios usados para se servir e a própria comida ficam expostos a todos. Outra medida envolve, mais uma vez, alternar os grupos. “Se for um número muito grande de pessoas para almoçar, o melhor é escalonar os horários”, diz Maura, do Sírio-Libanês. A famosa pausa para tomar um café e puxar conversa com os colegas também deve ser menos animada — pelo menos por enquanto. Na Unilever, por exemplo, que não tem refeitório, a quantidade de pessoas por vez nas copas será limitada. Um micro-ondas ficará disponível, mas deve ser higienizado antes e depois de cada uso. Até o uso dos banheiros mudará. Na Roche, a indicação será de ocupá-los com no máximo duas pessoas — mesmo os sanitários tendo capacidade para muito mais. Uma luz de led do lado de fora irá indicar a lotação. “Medidas assim são mais para educar quanto aos cuidados”, diz Henrique. Henrique Vailati, diretor de RH da Roche Diagnóstica: tablets na recepção verificarão a temperatura e se os empregados estão de máscara Henrique Vailati, diretor de RH da Roche Diagnóstica: tablets na recepção verificarão a temperatura e se os empregados estão de máscara (Leandro Fonseca/VOCÊ S/A) A Associação Médica do Texas, nos Estados Unidos, criou uma escala das atividades e locais com mais e menos risco de contágio pelo coronavírus. No topo estão a viajar de avião e frequentar grandes eventos. Por isso, prepare-se para continuar fazendo reuniões virtuais, participando de celebrações online e conversando com colegas que trabalham em outras localidades pelo computador, em vez de embarcar numa aeronave. Embora esses encontros virtuais cortem os custos com viagens corporativas, as companhias precisam investir dinheiro para garantir que os funcionários tenham acesso a boas tecnologias de acesso remoto. “Se você trabalhar com ferramentas que não são eficientes, as pessoas vão querer voltar ao modelo anterior”, diz André, da KPMG. “Serão necessárias plataformas, sistemas e processos automatizados para não ter perda de produtividade. ” Os treinamentos também devem seguir virtualmente, o que, na avaliação de Lucas Nogueira, diretor de recrutamento da Robert Half, consultoria de recrutamento em São Paulo, é um desafio para as empresas. “Uma coisa é treinar o profissional dentro do escritório e ter mais controle sobre o que ele faz. Outra são as ferramentas e mecanismos que existem para treinar alguém de forma remota, especialmente um profissional que acaba de entrar na empresa”, explica. Tudo isso mostra uma mudança de comportamento: a ideia de que talvez o contato físico não seja sempre necessário para fechar negócios. Práticas como visitas para prospecção de clientes e viagens de negócio estão sendo repensadas, mesmo para depois da pandemia. – – (Arte/VOCÊ S/A) essas transformações indicam que os escritórios deverão ser menores, com pessoas se revezando no uso. Esses ambientes serão vistos como pontos de encontro, e haverá tendência a pulverizar os locais de trabalho, deixando de existir apenas uma sede que abrigue muita gente. De acordo com Mariana Lima, sócia arquiteta da Arealis, clientes estão mapeando as cidades para oferecer espaços mais próximos às casas dos funcionários, o que possibilitaria a ida ao escritório com menor tempo de deslocamento. Isso é importante porque, para muitos profissionais, trabalhar de casa pode ser inviável e desgastante, seja por falta de espaço ou de estrutura, seja por questões familiares ou particulares e as companhias deve ficar atentas a esses fatores. Na tentativa de minimizar esses pontos, a Roche Diagnóstica deu alguns benefícios aos funcionários em home office, como uma verba de até 1.000 reais para que quem estivesse em casa pudesse comprar material de escritório, como monitor ou cadeira. “Queríamos fornecer boas ferramentas de trabalho para todos, mesmo em casa”, explica Henrique.

ESTADÃO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 30/11/2020 às 16h12

A Universidade de São Paulo oferece a partir desta terça-feira, 1, um teste rápido que identifica o coronavírus pela saliva. Criado pelo Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco do Instituto de Biociências, em parceria com o Instituto de Química, o teste RT-Lamp detecta casos de covid-19 em até 24 horas. Na fase inicial, ele estará disponível apenas na capital paulista para 90 pessoas por dia, entre atendimentos presenciais e remotos. O teste simplifica o método de coleta e análise. É possível até solicitar o kit de coleta para fazer o exame em casa. O próprio paciente recolhe a saliva em um tubo de ensaio no sistema de autocoleta. Os resultados são enviados por e-mail. Indolor e não invasivo, o teste dispensa o uso de swabs, aquela espécie de cotonete que recolhe amostras de nasofaringe. Isso também significa menor risco de infecção, pois não há necessidade da atuação de um profissional de saúde. Tão preciso e sensível quanto o RT-PCR, referência na detecção de casos ativos do novo coronavírus, o teste pela saliva é mais barato. A coleta presencial custa R$ 90 enquanto o PCR oscila entre R$ 350 e R$ 400. A pesquisadora Maria Rita Passos-Bueno explica que a redução de custos se deve ao fato de o teste da saliva não precisar extrair o ácido nucleico das amostras. Isso requer reagentes importados e caros. Esse ácido, também conhecido como RNA, é um composto “primo” do DNA. Resumindo: os processos são mais simples no teste da saliva. Um dos grandes desafios dos pesquisadores foi padronizar o teste, ou seja, criar soluções químicas que mantivessem o coronavírus estável, sem sofrer a ação das inúmeras enzimas presentes na saliva. Foram realizados mais de mil testes em 25 funcionários do Instituto de Química e 30 pessoas relacionadas ao Instituto de Biociências. “Com o teste RT-Lamp, a população poderá contar com uma opção mais acessível, segura e rápida de testagem”, explica a coordenadora do projeto. O teste da saliva e o PCR são diferentes dos chamados “testes rápidos”, aqueles que pretendem detectar anticorpos contra o novo coronavírus em cerca de 20 minutos e são normalmente vendidos nas farmácias. Eles não servem para diagnosticar a covid-19 nem para definir casos assintomáticos. Eles identificam apenas se a pessoa possui anticorpos sem definir em que momento ela foi infectada. Além disso, nem todos os testes rápidos foram avaliados tecnicamente, o que pode contribuir para o aumento dos chamados falso negativos ou positivos. Os pesquisadores alertam que as cargas do novo coronavírus são maiores do 2º ao 7º dia após o contágio, o que aumenta o risco de transmissão. Isso reforça a necessidade de realização de testes logo após a possível contaminação, assim que os primeiros sintomas forem percebidos. O projeto de pesquisa do teste da saliva conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo (Fapesp) e da JBS, empresa do ramo alimentício que destinou R$ 50 milhões para 38 pesquisas científicas de enfrentamento ao coronavírus. Os pesquisadores agora buscam mais investimentos para ampliar a capacidade de testagem. O número de atendimentos por dia, por exemplo, pode aumentar. Além disso, o objetivo é oferecer o teste em localidades com pouca infraestrutura para coleta e análise, incluindo os laboratórios de referência das universidades. “No momento atual é necessário um teste direto ao consumidor, de acesso fácil, custo acessível e que permita a testagem a fim de identificar pessoas infectadas. Qualquer teste deve apresentar uma boa sensibilidade para detectar altos níveis de cargas virais, que conferem maior risco de contágio. Esta estratégia é fundamental para detecção de assintomáticos e diminuição do risco de contágio”, opina a pesquisadora. Outras pesquisas detectar o novo coronavírus pela saliva é um tema que vem atraindo a atenção dos cientistas. Um grupo de pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, publicou artigo na revista científica MedRxiv apresentando o desenvolvimento de um teste para coronavírus a partir da saliva chamado SalivaDirect. Nos últimos meses, a Food and Drugs Administration (FDA), agência regulatória de medicamentos e alimentos americana, autorizou o desenvolvimento de cinco testes que utilizavam saliva como amostra. Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) também desenvolveram um teste semelhante. O projeto está em fase final de validação e, depois, seguirá para aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Desenvolvido inicialmente para empresas e hospitais, o teste meuDNA Covid foi lançado no final do mês passado em uma parceria do laboratório Mendelics com o Hospital Sírio-Libanês. Disponível na capital e em algumas cidades da Grande São Paulo, o exame custa R$ 169 e o resultado também fica pronto em 24 horas. Como fazer o teste da saliva? Pessoalmente: Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da USP Endereço: Rua do Matão, 106 – Cidade Universitária - Butantã Remotamente: Kit para autocoleta entregue no endereço de preferência. O portador aguardará o paciente finalizar sua coleta para levar o material ao laboratório. Valores: R$ 90,00 (USP) e R$ 150,00 (entrega) Agendamento: www.genomacovid19.ib.usp.br Pagamento: cartão de crédito e boleto. Prazo de entrega: 24 horas

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 30/11/2020 às 09h05

O prefeito de São Caetano do Sul, José Auricchio Júnior (PSDB), recebeu alta e deixou o hospital Sírio-Libanês, na região central de São Paulo, neste domingo (29). De acordo com a assessoria de imprensa do prefeito, ele cumpre os protocolos de quarentena em casa. Auricchio foi internado no dia 15 de novembro, após sentir um mal-estar em razão do diagnóstico de coronavírus. Ele chegou ficar na Unidade de Terapia Intensiva da unidade médica "por conta de alterações nos padrões respiratórios" e precisou da ventilação mecânica. Prefeito reeleito Auricchio foi reeleito prefeito de São Caetano do Sul na última eleição municipal. O mandato, no entanto, vai depender de decisão da Justiça eleitoral. Ao final da apuração, ele recebeu 42.842 votos, 45,28% dos votos válidos. Fábio Palácio (PSD) recebeu 30.404 votos, 32,13% dos votos válidos. A candidatura de Auricchio foi negada pela juíza Ana Lucia Fusaro, da 166ª Zona Eleitoral de São Caetano do Sul, com base na Lei da Ficha Limpa. O atual prefeito tem duas condenações por receber doações irregulares na campanha de 2016.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 30/11/2020 às 03h00

Internações por Covid19 aumentam há semanas; Doria anuncia após eleição atualização de plano. A cidade de São Paulo poderá retroceder de fase no Plano SP contra a Covid-19, nesta segunda-feira (30). A regressão de fase, caso se concretize, será anunciada um dia após a eleição do segundo turno da capital paulista, no qual Bruno Covas (PSDB) —apoiado pelo governador do estado, João Doria (PSDB)—, derrotou Guilherme Boulos (PSOL). A capital, neste momento, encontra-se na fase 4, verde, a mais branda em termos de restrições, assim como as regiões de Campinas, Sorocaba e Baixada Santista. Outra parcela grande do estado está na fase 3, a amarela. Ao todo são cinco fases. O regresso a fases anteriores não deve ocorrer em todo o estado, segundo afirmou recentemente João Gabbardo, coordenador-executivo do centro de contingência. Especialistas vinham alertando para a expansão preocupante da Covid19 no estado. O governo estadual e 0 municipais, contudo, resistiram a uma reanálise imediata da situação paulistana, apesar da crescente ocupação em hospitais privados de referência de leitos destinados a pacientes com o novo coronavirus. Os hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês foram alguns dos que tiveram aumento recente nos casos de Covid19, acendendo um alerta entre médicos em um momento em que as medidas de prevenção contra a doença, como distanciamento social, evitar aglomerações e usar máscaras vêm sendo continuamente desrespeitadas. No Einstein, por exemplo, a alta de internações levou à priorização de pacientes de São Paulo e à transferência de procedimentos menos complexos a outras unidades do grupo. Durante a corrida pela prefeitura de São Paulo, inclusive, os próprios candidatos em diversos momentos causaram aglomerações. Boulos, na semana que se encerrou, recebeu diagnóstico de Covid19 após um peno do de intensificação de contatos na campanha. Co vas fora infectado anterior- Passou muito tempo [de avanço das internações por Covid19 no estado], já deveria ter fechado tempos atrás. É muito conflitante porque vai entrar no período de Natal. Vai ser uma situação difícil de balancear [...] É chocante. Começamos a ver aumento em quase todas as regiões. E, infelizmente, vai piorar. ” Wallace Casaca professor da Unesp e pesquisador do CeMEAI-USP (Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria) e coordenador do InfoTracker mente e ficou assintomático. Questionado sobre o agravamento da pandemia em São Paulo, Covas repetiu continuamente, nas semanas seguintes ao primeiro turno, dia 15, que a situação era estável. “Há uma estabilidade da pandemia na cidade de São Paulo”, disse neste sábado (28), além de condenara desconfiança em relação aos dados da vigilância sanitária. “A gente teve um aumento na quantidade de internações, mashá estabilidade em relação ao número de casos e óbitos. Desacreditar a vigilância sanitária é como desacreditar os dados do Inpe que apontam aumentos de queimada no Brasil. Esse tipo de ação é que partidariza e politiza um trabalho feito pelos técnicos da prefeitura”, disse. Os dados, porém, não respaldam o prefeito. O projeto InfoGripe, da Fiocruz, por exemplo, que acompanha os casos de Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave) no pais, mostra que São Paulo capital está com tendência moderada de aumento de casos da síndrome. A Srag é associado a sintomas como tosse e falta de ar e pode ser causada por diversos motivos, inclusive vírns respiratórios como o Sars-CoV-2. Por isso, pode servir como indicativo das tendências da atual pandemia no país. A situação é similar pelo país. O aumento das notificações de Srag ocorre em pelo menos 12 capitais, com tendências de crescimento de casos forte ou moderada, e em 21 das 27 unidades federativas. Segundo dados da Secretária do Estado de Saúde de São Paulo, as internações, no sábado (28), são quase 20% superiores às de 28 dias atrás. Novas internações em UTI ou enfermarias por casos confirmados ou suspeitos de Covid têm aumentado na Grande São Paulo desde ao menos os primeiros dias de novembro. Os pacientes internados em leitos de UTI chegaram, neste sábado, a cerca de 2463 (média móvel de 7 dias). Trata-se do maior valor desde em pelo menos dois meses (outubro e novembro). Também vem crescendo a ocupação dos leitos de UTI na Grande São Paulo, onde a taxa chegou a 58%. Especialistas têm alertado o governo há semanas que os dados apontavam para o retorno da expansão da pandemia em São Paulo e cobrado providências, que até o momento não vieram. Segundo o decreto de Doria que constituiu o Plano SP de restrição de atividades para controle da pandemia, a propagação da doença deve ser medida a partir de três indicadores: número de novos casos, número de novas internações (fator com maior peso na análise) e óbitos. "O número de novas internações reflete com maior precisão a incidência da doença na população avaliada”, afirma o anexo do decreto 64.994, de 28 de maio de 2020. “Esses três indicadores demonstram o intervalo epidêmico experimentado pela área, dando a medida da evolução da doença regionalmente. ” Com base nisso, o decreto afirma que a situação deve ser analisada semanalmente e ter "monitoramento constante”. O próprio anexo, contudo, afirma que um quadro mais grave não necessariamente resultará na passagem de uma fase mais branda para outras mais rigorosas, “pois a capacidade hospitalar poderá estar apta a absorver o impacto”. Taxa de ocupação hospitalar acima de 80% e taxa de incidência de casos e óbitos diários acima de 2. Somente atividades essenciais são permitidas ■ Fase 2-Laranja Taxa de ocupação hospitalar entre 80% e 75% e taxa de incidência de casos e óbitos acima de 2 e entre 1 e 2, respectivamente. Shoppings, comércio e serviços são permitidos com capacidade limitada a 20% e horário reduzido a 4h diárias Fase 3 Amarela Taxa de ocupação hospitalar entre 80% e 75-70% e taxa de incidência de casos e óbitos entre 1 e 2 e abaixo de 1, respectivamente. Além de shoppings e comércio, bares, restaurantes, salões de beleza, barbearias e academias são permitidos, desde que com medidas de higiene e distanciamento, capacidade máxima de 40% e horário reduzido a 10 horas por dia ■ Fase 4-Verde Taxa de ocupação hospitalar abaixo de 75-70% e taxa de incidência de casos abaixo de 1 e de óbitos abaixo de 1 estável nos últimos 14 dias. Para chegar à fase verde, 0 municípios precisa permanecer por pelo menos 28 dias na fase anterior. Atividades culturais, como cinemas e eventos agora são permitidos. Capacidade dos centros comerciais, bares, restaurantes, academias, salões de beleza, barbearias e atividades culturais de até 60% e com horário de funcionamento de até 12 horas por dia Covid19 cresce e pressiona hospitais no interior de SP Carolina Vila-Nova americana (sp) Cerca de um mês depois de passar para a fase verde do Plano São Paulo e emmeio à campanha das eleições municipais, o interior do estado voltou a registrar crescimento nos números de novos casos, de novas mortes e de internações por Covid. Campinas, Sorocaba e Taubaté são hoje as regiões em situação mais crítica, segundo o SP Covid-19 InfoTracker, ferramenta criada por pesquisadores da USPe da Unesp para analisar e monitorar em tem p reais dados da pandemia em municípios paulistas. Essas três regiões mantêm o índice de retransmissão (Rt) do vírus muito acima de 1,0 considerado o limiar para se definir se a pandemia está sob controle. Até sexta (27), projeções apresentavam Rt de 1,69 em Campinas, 1,75 em Sorocaba e 2,04 em Taubaté. Com uma alta na taxa de transmissão do coronavirus e nas internações no estado, o governador João Doria (PSDB) disse que poderá retomar as restrições sociais. Apesar da pressão por enrijecimento vinda do próprio centro de contingência da Covid19, mudanças só seriam anunciadas nesta segunda (30), após o segundo turno das eleições. “Passou muito tempo, já deveria ter fechado tempos atrás. É muito conflitante porque vai entrar no período de Natal. Vai ser uma situação difícil de balancear”, afirma Wallace Casaca, professor da Unesp e pesquisador do CeMEAI-USP (Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria) e coordenador do InfoTracker. "É chocante. Começamos a ver aumento em quase todas as regiões. E, infelizmente, vai piorar. ” Parte dos técnicos do centro de contingência defendia que todo o estado voltasse já ao estágio amarelo. Mas João Gab- *Região Metropolitana de São Paulo Fonte: Secretaria Estadual de Saúde/Governo de São Paulo Internações em UTI por Covid19 em São Paulo Após período de queda, volume voltou a crescer neste mês média móvel do número de internados por Covid-19* 3.769 Volume de internações aumentou 22% no estado e 30% na Grande São Paulo em relação às últimas duas semanas 0' i 8.out. 16 24 l°.nov. 9 Fonte: Fundação Seade/Secretaria de Saúde de SP *Os dados consideram m a média móvel de 7 dias 17 25.nov. Covid19 recrudesce no interior de SP Médias diárias por semana epidemiológica Semanal: Semana 2: Semana 3: Semana 4: Semana 5: 25.outa 31.out l.nova7.nov 8.noval4.nov 15.nova 21.nov 22.nova 26 (não condu Região de Sorocaba: Itapeva, Itu, Sorocaba, Tatuí e Votorantim Internações 163 161 176 219 211 ^B Novos casos 109 145 WM 190 ■■ 205 ^B Novos óbitos 2 3m 3 444 5 A A Al Região de Campinas: Americana, Bragança Paulista, Campinas, Campo Limpo Paulista, Hortolândia, Indaiatuba, Jaguariúna, Jundiaí, Paulínia, Santa Bárbara d'0este, Sumaré e Várzea Paulista Região de Taubaté: Caraguatatuba, Guaratinguetá, Jacareí, Pindamonhangaba, São José dos Campos e Taubaté Novos óbitos 41111 41111 41111 4*111 6111111 Novos óbitos 2 3 1 2 1 2 1 2 ll Fontes: Covid19 Info Tracker bardo, coordenador-executivo do grupo, sinalizou que o estado não terá medida única. Wallace defende que as regiões de Campinas, Sorocaba e Taubaté saltem direto para a fase laranja, a segunda mais grave, pulando a amarela. Na fase laranja, shoppings centers, comércio de rua e serviço s em geral podem funcionar com capacidade limitada a 20% e durante 4 horas seguidas. Bares e restaurantes para consumo local, salões de beleza e barbearias e academias de esportes ficam proibidos. Já na fase amarela, shoppings centers, comércio de rua e serviços em geral podem funcionar e com capacidade a limitada a 40% e durante seis horas seguidas. Salões de beleza e barbearias podem abrir, bares e restaurantes ficam liberados para atendimento ao ar livre, e academias fecham. “Logo que recai na fase verde, a [pandemia na] Grande São Paulo já começa a estagnar. E no começo de novembro ela começa a ascender. E a gente começa a observar um movimento parecido nas regiões adjacentes a São Paulo, que são Campinas, Sorocaba e Taubaté”, explica Wallace. "O vírus está saindo da Grande São Paulo e da Baixada Santista e começando a migrar para o interior, passando por essas três regiões. Já está respingando em Piracicaba e Bauru”, afirmou. “A impressão que eu tenho é que está avançando mais rápido dessa vez. O interior tem que acender o alerta desde já.” Cálculos da ferramenta indicam que as três regiões passaram a registrar alta em novos casos a partir da semana com início em 8 de novembro. Entre 25 de outubro e 26 de novembro, esse aumento foi de 88,6% em Campinas, 88,1% em Sorocaba e 77,9% em Taubaté. Sorocaba e Taubaté apresentaram um aumento leve e constante de internações a partir do dia 8 (respetivamente, 31% e 42,4% no acumulado). Já Campinas, após várias semanas de queda, registrou um aumento abrupto (43,4%) de uma semana para outra a partir do último dia 22. Entre 25 de outubro e 26 de novembro, a média de novos óbitos diários subiu 50% em Campinas e 150% em Sorocaba. Em Taubaté, as mortes apresentam estabilidade —o que pode ser explicado, no entanto, pelo fato de os óbitos suspeitos terem subido 167% nesse período. É possível que a partir da próxima semana essa região também apresente aumento na média diária de mortes. O levantamento toma em consideração as regiões administrativas de saúde, que englobam 12 municípios em Campinas, 5 em Sorocaba e 6 em Taubaté. Dados da última semana, que terminaria no dia 28, foram computados apenas até o dia 26, o que in dica que o cenário pode ser ainda mais crítico. Em Americana, que faz parte da região de Campinas, a prefeitura passou a divulgar o boletim epidemiológico semanalmente em outubro, diante da queda de casos e de internações. Na última terça-feira (24), retomou a divulgação diária. Na sexta (27), a ocupação dos leitos de enfermaria para Covid19 do Hospital Municipal alcançou 83% —dos 18 leitos, 15 estavam ocupados. Na UTI, a ocupação era de 47% (8 de 17 leitos). Em relação ao mês anterior, o aumento na ocupação foi de 104% da enfermaria e 76,6% da UTI. A prefeitura informou em nota que “está acompanhando o aumento da demanda, analisando dia a dia a taxa de ocupação” e que, “por enquanto, ainda não houve necessidade de ampliação”. Atualmente, as regiões e com situação menos crítica e Rt ainda abaixo de 1,0 são Franca, Marília e Barretos, segundo o InfoTracker.