Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus

FORBES BRASIL/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 30/09/2020 às 03h00

OS EFEITOS DA COVID-19 NA PELE Meses após o novo coronavírus surgir no cenário mundial - e a Covid-19 ser declarada pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) -, os sintomas da doença estão mais claros, e nós, médicos, aprendemos a tratar essa doença de forma mais eficaz. Entre os sintomas mais comuns estão febres, fadiga, dor de cabeça, tosse, anosmia (perda do olfato) e agência (perda do paladar), e, com menor intensidade e frequência, um número crescente de dermatologistas que trataram de pacientes confirmados com coronavírus relataram padrões e tendências de doenças da pele. A partir dessa observação, foi sugerido que algumas lesões cutâneas também podem estar relacionadas à Covid-19. Um estudo publicado por pesquisadores italianos, em março de 2020, no Journal of the European Academy of Dermatology, relatou que 18 de 88 pacientes com Covid-19 (cerca de 20,4%) desenvolveram lesões cutâneas. Tais lesões foram encontradas, especialmente, no tronco, nas mãos e nos pés. A maioria dos casos apresentava manchas e lesões avermelhadas, erupções parecidas com as do sarampo ou urticárias. Tendo em vista a relevância deste e de outros relatos, a Associação Americana de Dermatologia resolveu coletar informações vindas de vários dermatologistas sobre as manifestações cutâneas apresentadas em pacientes com coronavírus. A partir da reunião de mais de 300 relatos recebidos, uma alteração peculiar, apelidada de “dedos do pé de Covid19”, foi comum à maioria dos casos. Trata-se de um fenômeno observado em alguns países, principalmente em pessoas mais jovens, em que os dedos dos pés ficam avermelhados e até arroxeados. Alguns descrevem ainda uma sensação de ardência na área. A lesão não parece estar associada à gravidade da doença e tende a desaparecer em poucos dias. Além dos “dedos dos pés de Covid”, a publicação apontou outra lesão cutânea que parece ser um padrão entre os pacientes que foram hospitalizados, chamada livedo reticular, que se manifesta como uma descoloração da pele, caracterizada pelo surgimento de linhas avermelhadas ou azuladas, de contornos irregulares, que seguem com exatidão a disposição das veias. De acordo com os especialistas, essa anomalia está relacionada a problemas de coagulação do sangue e se manifesta principalmente nos braços, nas pernas e nas nádegas. O estudo ainda revela que existe a ideia de que o vírus pode superestimular o sistema imunológico em certos pacientes. Mais uma condição foi relatada, desta vez em um artigo publicado pelo Journal de Médecine Vasculaire (JMV): a presença de manchas escuras parecidas com as de queimaduras de frio, além de sinais de urticárias. Em nota, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) ressalta que ainda é cedo para tirar uma conclusão definitiva sobre o tema. Entre as limitações que precisam ser consideradas, há o fato de os estudos serem pequenos, além de apresentarem falhas metodológicas. Não dá para afirmar se elas aparecem antes ou depois dos sintomas clássicos — ou mesmo por causa de medicamentos e outras infecções coexistentes. Portanto, a prudência indica que o melhor a fazer é ficarmos atentos em relação ao surgimento de qualquer desses sinais ou sintomas. Se isso ocorrer, nada de pânico: procure sempre um médico especialista. ® “A PARTIR DA REUNIÃO DE MAIS DE 300 RELATOS RECEBIDOS, UMA ALTERAÇÃO PECULIAR, APELIDADA DE ‘DEDOS DO PÉ DE COVID’, FOI COMUM À MAIORI A DOS CASOS.” Dra. Letícia Nanci Médica do Hospital Sírio-Libanês, médica-responsável pela Clinica Dermatológica Leticia Nanci; membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD); da American Academy of Dermatology (AAD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD)

HOSPITAIS BRASIL ONLINE
Data Veiculação: 30/09/2020 às 00h00

O 1º Congresso Virtual da SBPC/ML tem trazido muitas informações de extrema importância sobre o que o setor de Medicina Laboratorial está fazendo a fim de estudar e entender melhor sobre o novo Coronavírus e contribuir para o tratamento de tantas pessoas que sofrem com a doença. O Dr. Luiz Vicente Rizzo, diretor do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, trouxe uma importante contribuição, quando falou sobre o tema “Repositório COVID-19 Data Sharing/BR: o primeiro repositório de dados para pesquisa sobre COVID-19 do Brasil”. Na ocasião, ele apresentou o repositório de dados Covid-19, uma iniciativa pioneira que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) montou, com o gerenciamento da Universidade de São Paulo (USP) e a participação do Grupo Fleury e os Hospitais Sírio Libanês e Hospital Israelita Albert Einstein, com o objetivo de compartilhar dados de alta relevância, a fim de gerar informações não só para um grupo restrito de especialista, mas para outros que têm os mesmos interesses. “Isso é absolutamente fundamental. Quando permitimos que outros vejam nossos resultados, também adquirimos conhecimento e nos aprimoramos”, explica. Já são dois trabalhos publicados com os dados colocados nessa plataforma. “Temos a impressão de que as pessoas que analisarão os dados conseguirão ver coisas que talvez nós não enxerguemos. Estamos monitorando com muito cuidado essas análises externas publicadas, e isso tem sido útil para melhorar ainda mais nosso desempenho. De acordo com o Dr. Luiz, atualmente, as três instituições juntas possuem um conjunto de dados composto por 120 mil pacientes testados para Covid-19. “Usamos esses dados com uma frequência bastante razoável. O Einstein publicou mais de 50 trabalhos em resposta à pandemia de Covid-19 em diversas áreas do cuidado com a saúde”. O médico ainda diz que a possibilidade de compartilhar abertamente na internet essas informações fará com que os dados sejam cada vez mais úteis para a humanidade. É importante ressaltar que se trata de um ambiente extremamente seguro e a privacidade dos pacientes preservada. O site é o repositoriodatasharingfapesp.uspdigital.usp.br. Por esta nova mídia, dois trabalhos já firam publicados, o que é uma coisa importante. “Um deles é foi relacionado a computação, que analisou como conseguimos produzir tantos dados de um indivíduo só, ou seja, somente uma pessoa é capaz de produzir alguns terabytes de informação”. O especialista afirma que “uma das poucas coisas que ganhamos nessa pandemia é o entendimento de que só teremos o melhor desfecho para a humanidade trazendo para a discussão todos os possíveis atores e fatos científicos. Isso por si só é algo bom diante de um cenário horroroso de tantas mortes. Outra vantagem é dividir com outras instituições que gostariam de participar conosco de um processo de excelência de obtenção e curadoria de dados”, conclui.

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 30/09/2020 às 19h00

Estudo do Hospital Sírio-Libanês feito com 40 pacientes no estado mais grave de Covid-19 revelou que a perda muscular nesses casos pode chegar a 2% por dia no período crítico da infecção —quando são necessárias a intubação e a imobilização para a respiração mecânica. O dado reforça a necessidade de a reabilitação do paciente começar o quanto antes para agilizar o processo de recuperação, especialmente em idosos que já tenham alguma limitação de mobilidade e que podem perder qualidade de vida e se tornarem mais dependentes após a saída do hospital. A sarcopenia (perda de massa muscular) acontece naturalmente nos mais velhos, mas pacientes que ficam na UTI por longos períodos podem ter o processo acelerado por falta de movimento ou até por ação de alguns medicamentos. No caso da Covid-19, o dano é potencializado pelo período maior de internação —que passa de 15 dias em alguns casos—, uso de corticoides para combater infecções e possível ação do vírus e da inflamação que ele desencadeia no tecido muscular e nos nervos, explica Isabel Chateaubriand, coordenadora médica da Reabilitação do Hospital Sírio-Libanês e líder da pesquisa. "O paciente mais grave de Covid-19 perde em apenas um ou dois dias o que uma pessoa com idade de 50 a 60 anos perde em dois anos. É como se ele tivesse um superenvelhecimento", afirma a médica. Segundo ela, entre os 50 e 60 anos de idade uma pessoa pode perder até 10% da massa muscular naturalmente. Dor muscular e fraqueza são dois dos sintomas mais frequentes em pessoas infectadas pelo Sars-Cov-2. Em editorial de junho deste ano, o periódico internacional Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle afirmou que o músculo esquelético possui o receptor ECA2, ao qual o vírus se liga para danificar as células. De acordo com Chateaubriand, o relato de dores musculares e fadiga mesmo em casos mais brandos da doença indicam lesão nos músculos. Segundo ela, as perdas são notadas em pessoas de todas as idades, mas são mais intensas nos mais velhos, que já passam por um processo natural de redução dos músculos. Os mais jovens e com melhor condicionamento físico são os que têm maiores chances de reverter o quadro completamente. "Uma pessoa de 35 anos que teve a doença e perdeu cerca de 20% da sua reserva de músculos pode ter dificuldade para andar no começo. Se o paciente tiver mais de 50 anos, as dificuldades serão ainda maiores", diz. "Outras funções também podem ficar prejudicadas; precisamos dos músculos para fazer digestão, fazer o coração bater." A Covid-19 pode deixar consequências em diversas partes do corpo como pulmão, coração, vasos sanguíneos, rins e cérebro. A perda de olfato, sintoma comum durante a doença, também pode durar por meses. Como se trata de uma doença nova, não se sabe ao certo por quanto tempo esses efeitos podem permanecer. "Por muitos meses pensamos só em como manter o paciente vivo e as estratégias de reabilitação ficaram em segundo plano. Passado o primeiro impacto, é hora de pensar em como devolver o paciente para sua casa da melhor forma possível", diz a médica. Os pesquisadores do Sírio-Libanês usaram uma técnica baseada em imagens de ultrassom para medir a qualidade e a perda de músculos nos pacientes. Os estudos sobre a sarcopenia que possibilitaram os últimos resultados estão em andamento há pelo menos dois anos na instituição. "Quando veio a pandemia, notamos que os pacientes perdiam músculos muito rapidamente e decidimos usar a mesma técnica para medir essa perda", conta Chateaubriand. De acordo com ela, está claro que iniciar a fisioterapia e a terapia ocupacional o quanto antes acelera a recuperação. As abordagens para a reabilitação incluem exercícios, melhorias na nutrição e estímulos elétricos para o músculo. Pacientes com melhor condicionamento físico e maior reserva de músculos tendem a reagir mais rapidamente durante a recuperação, diz Chateaubriand. A médica lembra da necessidade de manter músculos saudáveis e em proporção adequada para o melhor enfrentamento e recuperação de doenças. Estudo anterior realizado pelo mesmo grupo mostrou que pessoas com maior reserva de músculos têm uma melhora mais rápida após uma cirurgia. Para fazer esse reservatório, Chateaubriand recomenda cerca de 150 minutos de atividade aeróbica (corrida, caminhada, natação, entre outras) e duas sessões de exercícios de força por semana, nutrição adequada e controle doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. Desnutrição e obesidade também levam a uma perda de músculos mais rápida, alerta a especialista.