Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 30/05/2021 às 03h00

Nova alta da Covid-19 volta a lotar hospitais privados de SP Instituições se adaptam para continuar atendendo outras enfermidades Cláudia Collucci são paulo Com o aumento de internações por Covid-19, hospitais privados de São Paulo voltam a lotar e planejam adaptações para que os pacientes com outras doenças não fiquem desassistidos. Não há previsão de suspensão de cirurgias e procedimentos eletivos por enquanto. Nesta sexta (28), o Hospital AlbertEinstein trabalhava com 106% de taxa de ocupação geral. Isso quer dizer que havia pacientes no pronto atendimento à espera de um leito. As internações incluem casos de Covid-19, outras doenças e pacientes cirúrgicos. "Desde o final do ano, a gente não parou. As pessoas estão procurando para fazer suas cirurgias adiadas, o que é bom. Estamos trabalhando no limite” explica Sidney Klajner, presidente do Einstein. Segundo ele, como medida preventiva, será montada na próxima semana uma tenda em anexo ao hospital para atender pacientes não Covid19 de baixa complexidade. “Os casos de Covid19 estão aumentando dia a dia. Volta a pressão na demanda dos prontos-socorros, aumentam internações em leitos normais, mas, principalmente, nas UTIs” diz Francisco Balestrin, presidente do Sindhosp (sindicato dos hospitais, clínicas e laboratórios paulistas). Nesta sexta (28), a UTI Covid do Hospital Alemão Oswaldo Cruz estava com 99% de ocupação. Eram 141 pacientes internados, sendo 69 na UTI. O hospital como um todo tinha taxa de ocupação de 96%. "Se compararmos a taxa de ocupação de UTI Covid-19 da primeira semana do mês com a semana vigente, dia 28 de maio, o crescimento foi de 25%”, diz o Oswaldo Cruz em nota. Reforça ainda que é possível a abertura de novos leitos de internação e de UTI de acordo com as demandas. O Einstein observa um crescimento contínuo de internações por Covid desde o dia 14 de maio, quando havia 114 pacientes hospitalizados e uma disponibilidade de 121 leitos para a doença. Com o aumento de casos, o número de leitos subiu para 172. Nas últimas quarta (26) e quinta (27), os internados por Covid somavam 168. Nesta sexta, eram 164, dos quais 75 em unidades de terapia intensiva e semi-intensiva. “De dez dias para cá, observamos um aumento linear, que é reflexo do comportamento das pessoas” diz Klajner. No Einstein, a curva de aumento das consultas por telemedicina de pacientes com sintomas de Covid tem funcionado como preditor da alta de internações dias depois. “Isso tem permitido a gente Desde sexta passada, observamos um aumento consistente de internações. Não dá para bater o martelo de que se trata de uma terceira onda, mas preocupa muito. A dúvida é se é uma oscilação ou se vai continuar subindo. O nosso temor é que continue subindo Felipe Duarte gerente de práticas médicas do Hospital Sírio-Libanês se programar para não deixar de atender aquilo que não é Covid. As pessoas não podem protelar mais. Operei na semana passada uma urgência de vesícula. A paciente retardou a ida ao hospital porque estava esperando melhorar a pandemia. [Devido ao agravamento] , precisou ficar uma semana internada porque teve pancreatite”, conta Klajner. O Hospital Sírio Libanês registrava no início deste mês 139 pacientes internados por Covid, com uma taxa de ocupação geral de 80%. No dia 17, passou para 141 internados e 75% de ocupação. Nesta sexta, somava 186 pacientes e uma ocupação geral de 93%. "Desde sexta passada, observamos um aumento consistente de internações. Não dá para bater o martelo de que se trata de uma terceira onda, mas preocupa muito. A dúvida é se é uma oscilação ou se vai continuar subindo. O nosso temor é que continue subindo”, diz Felipe Duarte, gerente de práticas médicas do Sírio. Ele explica que o hospital lançará mão dos planos adotados nas últimas duas ondas da pandemia para redimensionar os espaços. "A gente consegue fazer um rearranjo e adaptar as estruturas para responder a esse aumento dos dois lados, dos casos de Covid e dos não-Covid.” Segundo Duarte, o pronto atendimento e os exames de diagnóstico de Covid o termômetros para o aumento de internações que costuma ocorrer em seguida. “Desde a última semana a gente observa uma alta de novos diagnósticos e do volume de atendimento no PA, já reflexo do relaxamento de medidas sociais que levam a mais contaminações." A rede de hospitais São Camilo também já computa alta de internações por Covid. Nesta sexta, tinha 76% de taxa de ocupação nas enfermarias e 67% nas UTIs. No dia 14 de maio, as respectivas taxas eram de 60% e 50%. “Como os percentuais variam constantemente, a instituição tem remanejado diariamente seus leitos internos para garantir que pacientes com outras comorbidades graves também sejam atendidos”, diz o hospital em nota. Com a população mais idosa já vacinada, tem caído afaixa etária dos pacientes mais críticos. Um levantamento do Sindhosp mostra que hoje 18% dos pacientes de UTI Covid têm entre 35 e 59 anos. Em 2020, eles representavam 10%. “Outro fator é a exposição da população mais jovem, que relaxou mais nas medidas de distanciamento”, diz Duarte.