Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 29/05/2021 às 23h15

Com o aumento de internações por Covid-19, hospitais privados de São Paulo voltam a lotar e planejam adaptações para que os pacientes com outras doenças não fiquem desassistidos. Não há previsão de suspensão de cirurgias e procedimentos eletivos por enquanto. (Nesta sexta 928), o Hospital Albert Einstein trabalhava com 106% de taxa de ocupação geral. Isso quer dizer que havia pacientes no pronto-atendimento à espera de um leito. As internações incluem casos de Covid-19, de outras doenças e os pacientes cirúrgicos. "Desde o final do ano, a gente não parou. As pessoas estão procurando para fazer suas cirurgias adiadas, o que é bom. Estamos trabalhando no limite", explica Sidney Klajner, presidente do Einstein. Segundo ele, como medida preventiva, será montada na próxima semana uma tenda em anexo ao hospital para atender pacientes não-Covid de baixa complexidade. "Nitidamente, os casos de Covid estão aumentando dia a dia. Volta a pressão na demanda dos prontos-socorros, aumentam internações em leitos normais, mas, principalmente, nas UTIs”, diz Francisco Balestrin, presidente do Sindhosp (sindicato dos hospitais, clínicas e laboratórios paulistas). Nesta sexta (28), a UTI Covid do Hospital Alemão Oswaldo Cruz estava lotada, com 99% de ocupação. Eram 141 pacientes internados, sendo 69 na UTI. O hospital como um todo tinha taxa de ocupação de 96%. "Se compararmos a taxa de ocupação de UTI Covid-19 da primeira semana do mês com a semana vigente, dia 28 de maio, o crescimento foi de 25%", diz o Oswaldo Cruz em nota. Reforça ainda que é possível a abertura de novos leitos de internação e de UTI de acordo com as demandas. O Einstein observa um crescimento contínuo de internações por Covid desde o dia 14 de maio, quando haviam 114 pacientes hospitalizados e uma disponibilidade de 121 leitos para a doença. Com o aumento de casos, o número de leitos subiu para 172. Nas últimas quarta (26) e quinta (27), os internados por Covid somavam 168. Nesta sexta, havia 164, dos quais 75 em unidades de terapia intensiva e semi-intensiva. “De dez dias para cá, observamos um aumento linear, que é reflexo do comportamento das pessoas”, afirma Sidney Klajner. No Einstein, a curva de aumento das consultas por telemedicina de pacientes com sintomas de Covid tem funcionado como preditor do aumento de internações alguns dias depois. “Isso tem permitido a gente se programar para não deixar de atender aquilo que não é Covid. As pessoas não podem protelar mais. Operei na semana passada uma urgência de vesícula. A paciente retardou a ida ao hospital porque estava esperando melhorar a pandemia. [Devido ao agravamento], precisou ficar uma semana internada porque teve pancreatite”, conta Klajner. O Hospital Sírio-Libanês registrava no início deste mês 139 pacientes internados por Covid, com uma taxa de ocupação geral do hospital de 80%. No dia 17, passou para 141 internados, e 75% de ocupação. Nesta sexta, somava 186 pacientes, com uma taxa de ocupação geral de 93%. “Desde sexta passada, observamos um aumento consistente de internações. Não dá para bater o martelo de que se trata de uma terceira onda, mas preocupa muito. A dúvida é se é uma oscilação ou se isso vai continuar subindo. O nosso temor é que continue subindo”, diz Felipe Duarte, gerente de práticas médicas do Sírio. Ele explica que o hospital lançará mão dos planos adotados nas últimas duas ondas da pandemia para redimensionar os espaços. “A gente consegue fazer um rearranjo e adaptar as estruturas para conseguir responder a esse aumento dos dois lados, dos casos de Covid e dos não-Covid.” Segundo Duarte, o pronto-atendimento e os exames de diagnóstico de Covid-19 funcionam como termômetros para o aumento de internações que costuma ocorrer em seguida. “Desde a última semana a gente observa uma alta de novos diagnósticos e do volume de atendimento no PA, já reflexo do relaxamento de medidas sociais que levam a mais contaminações.” Um pouco menos sobrecarregada, a rede de hospitais São Camilo também já computa alta de internações por Covid. Nesta sexta, tinha 76% de taxa de ocupação nas enfermarias e 67% nas UTIs. No dia 14 de maio, as respectivas taxas eram de 60% e 50%. “Como os percentuais variam constantemente, a instituição tem remanejado diariamente seus leitos internos para garantir que pacientes com outras comorbidades graves também sejam atendidos”, diz o hospital em nota. Com a população mais idosa já vacinada, tem caído a faixa etária dos pacientes mais críticos. Um levantamento do Sindhosp mostra que hoje 18% dos pacientes de UTI-Covid têm entre 35 e 59 anos. Em 2020, eles representavam 10%. No Sírio, antes havia uma concentração de pacientes acima de 75 anos. Agora, estão entre 40 e 50 anos. “Outro fator é a exposição da população mais jovem, que relaxou mais nas medidas de distanciamento”, diz Felipe Duarte.

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 29/05/2021 às 04h00

Pouco mais de um mês depois do início das flexibilizações do comércio em São Paulo, as internações por covid-19 em hospitais públicos do estado saltaram na última semana. Em algumas unidades, o aumento chegou a ser de 317%. Os dados foram levantados pelo Info Tracker, grupo de pesquisa da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e da USP (Universidade de São Paulo), junto ao UOL, por meio do Censo Covid-19, plataforma do governo de São Paulo. Os números apontam um crescimento progressivo das internações em leitos voltados para pacientes com covid19 nos hospitais da Grande São Paulo, do litoral e do interior nos últimos sete dias. O hospital Emílio Ribas 2, no Guarujá (litoral paulista), por exemplo, tinha seis pessoas internadas com covid-19 na semana passada. Ontem, esse número foi para 25 —aumento de 317%. A unidade de saúde usada como hospital de campanha para covid-19 em Pindamonhangaba, no interior, também viu o número de pacientes internados com a doença quadruplicar. Eram quatro pacientes na semanada. Até ontem, eram 16 internados (300% de aumento). Ao menos 21 hospitais registram mais de 100% de aumento de pessoas internadas nos últimos dias. Hospitais particulares de São Paulo também veem o mesmo cenário. No hospital Albert Einstein, 137 pessoas estava internado com covid-19 no último sábado. Ontem, esse número subiu para 167. O hospital não informa a porcentagem de ocupação dos leitos. Já no Sírio Libanês, a taxa de ocupação de leitos totais do hospital está em 97%. Até ontem, eram 178 pacientes internados com covid-19. O hospital Oswaldo Cruz está com 91% de ocupação dos leitos voltados para covid-19, segundo o último boletim da unidade. São 138 pacientes hospitalizados em tratamento contra o novo coronavírus. Governo adia flexibilizações Levantamentos recentes noticiados pelo UOL já apontaram que os casos e internações por covid-19 estavam aumentando após o vírus ter voltado a circular com mais frequência nas ruas com as flexibilizações anunciadas pelo governo de São Paulo. A média móvel de casos está em curva crescente desde o dia 8 de maio, e o número de pessoas internadas segue o mesmo caminho, aumentando a cada dia. Além disso, os atrasos nos envios de insumos para as vacinas do Instituto Butantan e Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) desaceleraram a campanha de vacinação contra a covid-19 no país. Diante do cenário preocupante e alertado pelos médicos do Centro de Contingência ao Coronavírus, o governador, João Doria (PSDB), decidiu adiar mais uma vez uma nova leva de aberturas de serviços não essenciais. Nós tivemos também uma avaliação nesta semana de que não seria ainda o momento de avançar como havia pensado na semana anterior, e hoje nós temos aqui a extensão para continuarmos caminhando dessa forma. Houve um aumento na incidência de casos. Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência.