Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

YAHOO! FINANÇAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 29/01/2021 às 21h54

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Não é ético realizar compra e distribuição privada de vacinas contra a Covid-19 durante situação de pandemia e escassez de imunizantes e de insumos, segundo parecer do comitê de bioética do Hospital Sírio-Libanês, composto por 20 profissionais das mais diversas áreas, como médicos, enfermeiras, psicólogas e advogados. O texto foi acatado pela instituição. No documento, o comitê entende que a compra pela iniciativa privada vai gerar a vacinação de indivíduos fora dos grupos prioritários e que isso fere os princípios fundamentais de equidade, integralidade e universalidade, fundamentos do SUS. Segundo comitê, a própria lógica que gera o benefício de uma campanha de vacinação também ficaria comprometida. "Ao desrespeitar uma fila única para um bem escasso e necessário a todos, priorizando indivíduos com maiores privilégios ou maior poder em detrimento de indivíduos que possam mais se beneficiar, compromete também a solidariedade que gera a coesão social necessária para viver em sociedade." Segundo o documento, iniciativas dessa natureza podem acentuar ainda mais as desigualdades e injustiças já excessivas no Brasil, e que, por isso, a prática não é condizente com os princípios éticos. "Seria uma escolha entendida por esse comitê como inadequada moralmente, além, do ponto de vista pragmático, de colocar em risco o próprio conceito do que é uma nação." Segundo o médico Daniel Forte, presidente do comitê, a discussão chegou numa bifurcação: ou se preza o individualismo, o cada um por si com o caos social como consequência, ou se preza pela equidade e por oferecer mais para quem precisa mais. "É o próprio fundamento de um hospital, da saúde e o que se entende por sociedade." Também sob o ponto de vista pragmático, observa o médico, somente vacinando as pessoas com maior risco é que se tem maior benefício e se previne o colapso do sistema de saúde. "Se o sistema colapsa, tanto a pessoa de maior quanto a de menor risco morre. Evitando o colapso você beneficia inclusive quem não foi vacinado." Como alternativa, o comitê diz que apoia ações colaborativas e transparentes, envolvendo a compra privada de vacinas com doação de 100% das doses para serem disponibilizadas conforme os critérios do SUS. "Ações solidárias dessa natureza, além do benefício tangível ao sistema de saúde e à população, inspiram uma sociedade a ser melhor e buscar o bem comum", diz O Hospital Israelita Albert Einstein tem manifestado posicionamento semelhante. Segundo o presidente Sidney Klajner, por ora, vacina só pelo SUS. Para ele, quando houver maior disponibilidade de oferta, a rede privada poderia entrar. Ele acredita que isso possa ocorrer no segundo semestre deste ano. Klajner faz uma comparação com o que aconteceu com os testes PCR, que eram escassos no primeiro momento e que depois se tornaram muito acessíveis.

SP2/TV GLOBO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 29/01/2021 às 19h09

imunizações o estado de são paulo tem direito a mais de quatrocentas mil doses deste novo lote a notícia mais animadora do dia sobre vacinação saiu do instituto butantan um novo lote com um milhão e oitocentas mil doses da corona vacchi foi liberado para o ministério da saúde quatrocentas e dez mil doses ficam aqui em são paulo é a parte que cabe ao estado no plano nacional de imunização estas vacinas já estavam prontas desde o começo do mês fazem parte de um lote maior de quatro milhões e cem mil doses fabricadas pelo instituto butantan novecentas mil já tinham sido entregues ao governo federal me formar ter um reforço nas doses o governo disse que será possível concluir a primeira fase da vacinação em pouco mais de uma semana e em seguida começar a imunização dos idosos com esse quantitativo chegando de doses pelo instituto butantan nós podemos ampliar então pros trabalhadores de saúde e finalizar com os trabalhadores de saúde a primeira fase de vacinação até o dia oito de fevereiro na próxima quarta-feira devem chegar no aeroporto internacional de guarulhos cinco milhões e quatrocentos mil litros do ifa o ingrediente farmacêutico ativo base para fabricação de mais vacinas imediatamente começará a produção de oito milhões e seiscentas mil doses da corona vac aqui na fábrica do instituto butantan do total de doses disponíveis o estado vai continuar aplicando apenas a metade e guardar a outra metade para a segunda dose que foi pleiteado ao ministério o questionamento que foi feito o ministério se nós poderíamos utilizar essas doses que foram guardadas para ampliar de forma mais célere à imunização e que o ministério desce portanto uma garantia de que naquele prazo da segunda dose nós teríamos mais vacinas isso não foi colocado pelo ministério então por uma questão de segurança e respeito a todos que foram imunizados nós mantivemos essas doses guardar hoje o governo do estado também confirmou a intenção do ministério da saúde de comprar mais cinquenta e quatro milhões de doses da corona vac para distribuição em todo o país incluindo são paulo o anúncio veio durante a entrevista coletiva com uma boa notícia é uma notícia que todos nós estamos aguardando e esperamos que isso se concretize na próxima terça feira qualquer maneira uma notícia muito interessante muito positiva neste momento outra notícia positiva veio do laboratório janssen a eficácia global da vacina que foi testada aqui na capital inclusive chegou a sessenta e seis por cento segundo a johnson johnson nos testes mundiais com mais de sete mil e quinhentos voluntários a vacina foi oitenta e cinco por cento eficaz em evitar os casos graves e cem por cento eficaz em prevenir hospitalizações e mortes vinte e oito dias depois de uma única aplicação aqui em são paulo o cirurgião sérgio arap foi um dos voluntários do grupo com comorbidades ele tem hipertensão o médico acredita que tenha recebido a dose da vacina e não placebo a substância que não tem efeito mas é necessária para a comprovação dos resultados eu tive vários sintomas que parecem muito que eu fui de fato vacinado então é que com um pouco de dor no braço um pouco de vermelhidão no braço e tive uma febrícula de trinta e sete trinta e sete dois mas não chegou a ter febre bem nem mal está então provavelmente a é acaba considerando que isso pode ser que eu tenha tomado de fato algo assim mas eu não consigo saber e não posso saber por enquanto é bioquímico luís reis que também fez parte dos testes aqui no brasil ficou muito contente de ter ajudado neste momento em que a produção de mais vacinas é essencial em todo o mundo terão oportunidade de contribuir para esse desenvolvimento num momento tão excepcional como esse pra mim é o motivo de grande orgulho e eu me sinto muito honrado em poder contribuir uma boa notícia até porque a gente precisa de muito mais vacinas inclusive de outros fabricantes a agência ainda não fez o pedido emergencial visa que é obrigatório para que essa vacina seja usada aqui no brasil são paulo foi o primeiro estado do país a vacinar contra convide a gente vai conferir agora como é que anda a vacinação aqui no estado a primeira dose você se lembra foi aplicada no dia dezessete de fevereiro no domingo e de lá pra cá trezentas e cinquenta e cinco mil oitocentas e cinquenta e nove pessoas foram vacinadas em são paulo até o balanço parcial das dezoito horas de hoje isso corresponde a zero vírgula setenta e sete por cento da população do estado.

CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 29/01/2021 às 06h00

O diretor-geral do Hospital Sírio-libanês em Brasília e oncologista, Gustavo Fernandes, foi taxativo sobre a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) e de um Programa Nacional de Imunização (PNI) consolidado no enfrentamento à covid-19 em todo o Brasil. “O caos que a gente descreve hoje seria amplificado exponencialmente”, declarou ao CB.Saúde — parceria entre o Correio e a TV Brasília — em entrevista à repórter Bruna Lima. De acordo com ele, sempre há pontos em que se pode melhorar, entretanto, é preciso compreender que o combate à pandemia exige escolhas difíceis e rápidas dos gestores da Saúde. Para ele, o principal entrave brasileiro, neste momento, é a disputa política em torno das negociações sobre a vacinação. “O problema que a gente tem hoje é com aquisição de vacinas. (...) tem uma hora que a gente precisa se unir. A gente já entendeu que a vacina salva-vidas, é o que vai tirar a gente do meio dessa confusão. Então, vamos juntar todo mundo em torno dessa pauta”. Confira alguns trechos da entrevista: Por que os profissionais de saúde são os primeiros a serem vacinados e não, por exemplo, idosos internados? Em um cenário em que é preciso fazer escolhas, elas sempre vão doer em uns mais do que em outros. Eu acho que a vacinação dos profissionais de saúde tem alguns benefícios. Primeiro: é que essa é uma força de trabalho muito exposta à covid-19. Temos de agradecer a essas pessoas por estarem brigando há quase um ano contra isso. Uma outra justifica é que quando um profissional de saúde adoece, ele gera dois problemas: a doença dele e a falta de mão de obra no sistema de saúde. Uma terceira é que até que um profissional de saúde seja detectado com a doença, ele ainda pode transmiti-la tanto para outros colegas quanto para pacientes vulnerabilizados no hospital por conta de outras doenças. Eu tenderia a vacinar os profissionais que não tiveram covid19, que são 30% ou 40% dos que estão na linha de frente. Existe reinfecção, mas são casos pequenos que tendem a ser menos graves. E junto com eles, eu vacinaria os idosos, principalmente acima de 80, e depois entre 60 e 80 com morbidades, mas com o mesmo critério: aqueles que não tiveram covid19. Como o Brasil está lidando com a questão da gestão da saúde pública e privada no âmbito da pandemia? Espaço para melhorar sempre tem. Não consigo concordar com tudo que o Ministério da Saúde faz e fez. Inclusive, critico ações do ministério desde que eu tenho algum tipo de noção. Mas, também é bastante interessante reconhecer que a existência do SUS dentro de um cenário como esse é o que viabiliza o país a estar da forma que ele está hoje. Se não tivesse um sistema de saúde que oferecesse condições para as pessoas serem atendidas, um sistema de vacinação, o caos que a gente descreve hoje seria amplificado logaritmicamente. É bastante interessante que haja espaço para melhorar o SUS. Nós temos problemas de gestão, de logística, de desigualdade, de parametrização, mas temos o luxo de ter no Brasil um sistema de saúde que se propõe a atender todo mundo, inclusive, os não brasileiros. Potencial para melhorar, tem. É preciso, daqui para frente, engatar ainda mais o nosso programa nacional de imunização a partir do momento que chegarem novas doses de vacina contra a covid19? O Brasil possui postos de saúde instituídos em todos os municípios. O brasileiro está acostumado a se imunizar no posto, os técnicos de saúde são treinados para isso. Temos um programa estabelecido há décadas, e o problema que a gente tem, hoje, é com a aquisição de vacina. Hoje, tem uma brigalhada política horrorosa, chega uma hora que precisamos nos unir e chegar e dizer: já entendemos, nós já temos a vacina, a vacina salva-vidas, e é o que vai tirar a gente dessa confusão. Vamos juntar todo mundo em torno dessa pauta para poder comprar vacina. Havia uma expectativa em relação à pandemia de que a gente teria uma nova crise na saúde, provocada por pessoas que deixaram de fazer procedimentos médicos de rotina ou que interromperam tratamentos. Isso está mesmo acontecendo? Essa é uma previsão que se confirmou. Olhando na clínica, no consultório, vemos o surgimento de casos de câncer, por exemplo, em estágio muito mais avançado do que a gente costumava ver, porque as pessoas não estão fazendo seus exames de check-ups. Elas estão com medo de ir ao hospital, de buscar assistência médica. Aí, vem um paciente que perdeu 10kg e que está com dificuldade para se alimentar, mas que não consegue vencer a barreira da porta de casa para poder ir buscar um serviço. Então, as mortes em casa também aumentaram ao longo do mundo inteiro, quer dizer, morte cardiológica, morte respiratória... isso talvez machuque um pouco o impacto da redução do número de mortes por câncer que vem ocorrendo proporcionalmente em todo o mundo. Foi publicado, nesta semana, um estudo de caso britânico que relata a história de um paciente com linfoma avançado que contraiu a covid-19 e teve remissão desse linfoma. Como isso é possível? Essa história é repetitiva na história da medicina. Isso é possível e é real, e, provavelmente, se deve a uma provocação do sistema imune que o vírus faz. Um cirurgião americano chamado William Coley, que viveu até a década de 1930, mais ou menos, percebeu pela primeira vez que um doente tinha um sarcoma no pescoço e pegou uma infecção no braço. Depois dessa infecção, o sarcoma diminuiu, e nós estamos aqui quase cem anos depois falando disso. A infecção de pele, assim como a covid19, não trata o tumor, mas, a partir dessa observação, se desenvolveu a imunoterapia. Com uma pesquisa nesse campo, pesquisadores ganharam o Nobel de medicina em 2018. Assim, o princípio de provocar o sistema imune vale muito, mas infectar as pessoas com qualquer coisa já foi tentado no passado e deu muito errado, não é recomendado. * Estagiária sob a supervisão de Adson Boaventura

EXAME.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 29/01/2021 às 06h00

O debate no Brasil sobre a compra de vacinas contra o coronavírus pela iniciativa privada ganhou força com as notícias recentes de negociações de empresas com a AstraZeneca e a Bharat Biotech. Para além da discussão sobre se é eticamente desejável que o setor privado compre vacinas — que tem argumentos em ambos os lados –, há ainda no arcabouço jurídico sobre a pandemia alguns entraves para uma compra que não seja totalmente para o SUS, diz Daniel Wang, professor de Direito da Fundação Getulio Vargas (FGV). A pandemia mostrou que a inovação será cada dia mais decisiva para seu negócio. Encurte caminhos, e vá direto ao ponto com o curso Inovação na Prática Uma das principais normas sobre o tema é uma resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa (de número 444, publicada em dezembro de 2020), que define que as vacinas autorizadas para uso emergencial são “preferencialmente” destinadas aos programas de saúde pública do Ministério da Saúde. Assim, seria difícil uma compra por empresas privadas sem responsabilizar ao mesmo tempo o governo por alguma negligência na aquisição das doses. “‘Preferencialmente’ não é ‘obrigatoriamente’. O Ministério da Saúde pode escolher não comprar a vacina, e a partir daí as doses podem ficar para o setor privado”, diz Wang. “Mas se as vacinas estiverem disponíveis para compra em algum lugar e aprovadas pela Anvisa, por que o Ministério não compraria? Como o governo justificaria isso legalmente neste momento? Aí é que está o entrave”, diz. Há até agora duas frentes em discussão. A mais recente são as notícias de que um consórcio de grandes empresas negocia para comprar 33 milhões de doses da vacina de AstraZeneca/Oxford, com parte ou totalidade doadas ao SUS, enquanto o restante seria usado para imunização de funcionários. Já a Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC) discute a compra de 5 milhões de doses da vacina Covaxin, da Bharat Biotech, da Índia — esta última ainda não aprovada pela Anvisa e sem acordo de compra fechado com o governo brasileiro até o momento. Se persistir, o debate pode também terminar envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), como já aconteceu em outros temas relacionados à vacina, diz o professor. Wang é doutor em Direito e mestre em Filosofia e Políticas Públicas pela London School of Economics e formado em Ciências Sociais e Direito pela USP, além de atuar como membro do Comitê de Bioética do Hospital Sírio-Libanês. Leia abaixo os principais trechos da entrevista. A primeira leva de doses da AstraZeneca foi aprovada pela Anvisa neste mês e, portanto, o único entrave para que seja mais usada no Brasil é a pouca disponibilidade de doses. Nesse cenário, o que diz a legislação sobre uma eventual compra de vacinas pela iniciativa privada? Primeiro, é difícil entender ainda de onde viriam essas vacinas. A AstraZeneca não está conseguindo entregar nem o que já vendeu a países europeus. Mas vamos supor então que a AstraZeneca ou outros resolvam vender para esse grupo de empresas brasileiras. Para as vacinas conseguirem ser usadas no Brasil, precisariam de autorização emergencial da Anvisa. E essa autorização está hoje regulada na Resolução Colegiada 444, de 2020. Ela diz que as vacinas autorizadas são “preferencialmente” para uso do Ministério da Saúde. O que esse preferencialmente significa: que se a vacina for aprovada emergencialmente, o Ministério da Saúde tem prioridade para comprar tudo que houver disponível. Mas “preferencialmente” não é “obrigatoriamente”. O Ministério da Saúde pode escolher não comprar, e a partir daí as doses podem ficar para o setor privado. Mas se as vacinas estiverem disponíveis para compra em algum lugar e aprovadas pela Anvisa, por que o Ministério não compraria? Como o governo justificaria isso legalmente neste momento? Aí é que está o entrave. Não entendo em que situação o Ministério da Saúde poderia abrir mão legitimamente, dada nossa escassez de vacinas. Quando falaria “não vou querer essa vacina aprovada, pode levar”. O presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer em um evento que era favorável à autorização para as empresas negociarem, mesmo se oferecendo ao SUS somente metade das doses compradas. Nesse caso, como ficaria o cenário juridicamente? Provavelmente o governo federal iria ter de se explicar ao STF sobre por que abriu mão da vacina se estava aprovada e se havia doses para comprar. Já há uma ação em que o STF está monitorando a política nacional de imunização para a covid19, a ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 756, em que o Supremo cobra o plano de vacinação e diz que o governo só pode excluir uma vacina do plano por custo, segurança e eficácia. E nesse caso da AstraZeneca, não se aplicaria, porque são as vacinas que o próprio governo já começou a distribuir. Para além da resolução da Anvisa, que trata da aprovação emergencial, há outros pontos possíveis na lei sobre esse tema? Considerando na Constituição o direito à saúde e princípios de universalidade e igualdade, haveria argumentos muito fortes para forçar o governo a criar uma fila única de vacinação — o que vai na contramão do que se discute, por exemplo, caso metade das doses compradas fossem para as empresas compradoras, ou caso fossem direto para clínicas privadas, no caso da vacina indiana. Sobretudo porque está faltando vacina no SUS. Se não faltasse, seria outra questão. Já é o que acontece com as demais vacinas no Brasil, que estão também na iniciativa privada tranquilamente, porque as obrigatórias não faltam no posto de saúde. Nisso estamos falando da vacina da AstraZeneca, que já teve as primeiras doses aprovadas pela Anvisa. Mas é no caso da Covaxin, vacina indiana? O argumento das clínicas privadas é de que o SUS não tem ainda acordo fechado para comprar essa vacina, então o setor privado não estaria competindo, seriam doses extras. Esse não competir é em termos. Vamos supor que essa vacina indiana tenha resultados muito bons quando terminar os testes, e a Anvisa a aprova. Por que o SUS não a compraria? Além disso, se formos olhar o Plano Nacional de Imunização, ele atesta que o governo está em negociação com essa indústria indiana. Então as clínicas privados não competem agora, quando a vacina ainda não foi aprovada pela Anvisa. Além disso, por enquanto, a Anvisa não está aprovando vacinas que não fizeram testes no Brasil — que é a mesma situação da Sputnik V, em debate na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6661; ainda não foi julgada, o ministro Ricardo Lewandowski somente pediu esclarecimentos. Mas no momento que tiver evidência de que a vacina indiana funciona, e no momento em que ela puder ser comprada, eu não vejo por que não poderia ser distribuída na rede pública. O Direito também pode levar em consideração um debate ético? Com certeza. Acho que a grande preocupação nesse debate em termos de legislação é o setor privado competindo por vacinas com o setor público. As empresas falam que não estão competindo com o SUS, mas o SUS não consegue atender a demanda atual. Então é como se houvesse uma “reservinha” para o setor privado comprar. Em poucas semanas já discutimos duas possibilidades de compra na rede privada. Outros debates devem surgir. O senhor vê o tema chegando ao STF, ainda que esse caso específico com as empresas e a AstraZeneca termine não se concretizando? Eu diria que é até esperado. O Supremo está atuando em diversas frentes com relação à política de vacinação, pediu esclarecimentos ao governo federal, autorizou estados e municípios a terem as próprias políticas de vacinação, também abriu a possibilidade de vacinação compulsória. Agora, por exemplo, o STF foi chamado para questionar a não-avaliação da Sputnik V. Na ação em que o STF controla a política federal, a ADPF 756, havia pedido para que o Supremo mandasse o Ministério da Saúde comprar vacina. Mas o STF não chegou a este ponto de dizer “vai ter que comprar”. Então, haverá o ônus de o governo explicar o porquê de eventualmente não estar comprando uma vacina. Mas até agora não dá para dizer que o Supremo vai chegar ao ponto de mandar comprar. O debate sobre o governo abrir mão de uma vacina também está acontecendo com a Pfizer, quando o governo argumentou que a vacina causaria “frustração” e teria problemas de logística. Pode haver consequências legais? Neste caso, o argumento de frustração é um argumento ruim para a decisão em si, que não é tão absurda do ponto de vista legal. O que estava acontecendo: os governos em diversos países estavam fazendo apostas em vacinas. O Canadá tem mais vacina do que gente. O governo americano, por exemplo, deu um caminhão de dinheiro para fabricantes fazerem pesquisa, deu certo, agora está colhendo os frutos. Se a aposta tivesse dado errado, o dinheiro teria sido jogado fora. Então países ricos podem se dar ao luxo de fazer várias apostas. Países como o Brasil não têm esse poder. O Brasil apostou na AstraZeneca, São Paulo apostou na Coronavac. Eu não sei no detalhe se o governo poderia ter sido mais ou menos arrojado na negociação. A Justiça pode eventualmente avaliar. Mas por mais que muitas decisões da política de vacinação mereçam críticas, não é possível argumentar somente com base na decisão de não celebrar o acordo. Ainda não é um assinante? Assine e tenha acesso a todo o conteúdo da exame. Informe o seu e-mail cadastrado e você receberá um link para alterar a sua senha. Enviamos um email de recuperação no email informado, se não aparecer em sua caixa de entrada, por favor, verifique se a mensagem não apareceu em sua caixa de SPAM com o título: Exame: Recuperação de Senha.

BLOGS-O GLOBO
Data Veiculação: 29/01/2021 às 04h00

O presidente do Hospital Albert Eistein, Sidney Klajner, vê chances de que vacinas contra a Covid-19 cheguem a redes privadas de saúde no início do segundo semestre. O médico afirma que a perspectiva é otimista e defende que, até que a escassez dos imunizantes não seja superada, eles só sejam adquiridos pela rede pública. – Numa perspectiva otimista, acredito que a vacina pode estar amplamente disponível na rede pública e privada no início do segundo semestre. Se imaginarmos que existem cerca de 200 pesquisas de novas vacinas, daqui a pouco teremos outros produtores oferecendo. Acredito que, em cerca de seis meses, as fábricas que já têm hoje vacinas aprovadas em vários países, como a da Pfizer, Astrazeneca/Fiocruz e Sinovac/Butantan, estarão recebendo os insumos e produzindo. Além disso, outras vacinas vão chegar. Por isso, talvez tenhamos um número de concorrentes para vacina que a torne disponível e sem a escassez que estamos vendo hoje. – Disse Klajner à coluna. O diretor-geral do Hospital Sírio Libanês, Paulo Chapchap, tem outra expectativa. Para ele, a possibilidade de pessoas se vacinarem em hospitais privados ainda não está no horizonte. – Na Europa já estão faltando vacinas. Nos EUA, também. Não antevejo a possibilidade de vivermos uma abundância capaz de suprir a demanda dos países e também chegar à iniciativa privada para que disponibilize a vacina de acordo com seus critérios. Pode acontecer? Pode. Mas o cenário hoje é uma porcentagem pequena da população vacinada e planos de vacinação atrasando. Podemos ter mais escassez do que estamos tendo agora. – Afirmou o diretor do Sírio-Libanês. Tanto Klajner quanto Chapchap defendem que as redes privadas de saúde devem atuar hoje na vacinação auxiliando o SIstema Único de Saúde (SUS). – Neste momento de escassez de vacina não adianta, no nosso modo de ver, termos como contemplar a população que acessa o Eistein, quando o que é necessário é uma vacinação coletiva para dar certo. A função do setor privado hoje é auxiliar o SUS no que seja necessário para a vacinação. Esse auxílio pode acontecer em frentes como logística, armazenamento e o que mais for necessário. – Afirmou Klajner. Além disso, ambos se posicionam contra a aquisição de imunizantes por empresas privadas. Para eles, isso pode fazer com que pessoas que não estão na lista de prioridades sejam vacinadas antes das que estão. – Se a iniciativa privada quiser comprar e doar vacinas para o governo, melhor ainda, aumenta nosso pool de vacinas, mas tem que doar 100% para governo, nenhuma a menos do que 100%. Porque, senão, elas vão sair da escala de prioridade que visa salvar vidas e diminuir o contágio. Na hora que as empresas vacinarem seus funcionários, entre eles estarão pessoas que não estão na escala de prioridades, naquele momento. E como é um bem escasso, essa pessoa está tirando a vacina de quem é prioridade. - disse Paulo Chapchap.

CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA | Outros
Data Veiculação: 29/01/2021 às 03h00

Caos seria amplificado sem o SUS” » entrevista GUSTAVO FERNANDES Em entrevista ao CB.Saúde, médico diz que saúde pública e programa de vacinação consolidado foram a chave para que 0 cenário no Brasil não fosse ainda pior durante a pandemia Odiretor-geral do Hospital Sírio-libanês em Brasília e oncologista, Gustavo Fernandes, foi taxativo "O caos que a gente descreve hoje seria amplificado exponencialmente”, declarou ao CB.Saúde — parceria entre 0 Correio e a TV Brasília— em entrevista à repórter Bruna Lima. De acordo com ele, sempre há sobre a importância do Sisptoenmtoas em que se pode melhorar, Único de Saúde (SUS) e de ume nPtrreot-anto, é preciso compreender grama Nacional de Im unização (PNI) consolidado no enfrentamento à covid-19 em todo 0 Brasil. Por que os profissionais de saúde são os primeiros a serem vacinados e não, por exemplo, idosos internados? Em um cenário em que é preciso fazer escolhas, elas sempre vão doer em uns mais do que em outros. Eu acho que a vacinação dos profissionais de saúde tem alguns benefícios. Primeiro: é que essa é uma força de trabalho muito exposta à covid-19. Temos de agradecer a essas pessoas por estarem brigando há quase um ano contra isso. Uma outra justifica é que quando um profissional de saúde adoece, ele gera dois problemas: a doença dele e a falta de mão de obra no sistema de saúde. Uma terceira é que até que um profissional de saúde seja detectado que 0 combates à pandemia exigem escolhas difíceis e rápidas dos gestores da Saúde. Para ele, 0 principais com a doença, ele ainda pode transmiti-la tanto para outros colegas quanto para pacientes vulnerabilizados no hospital por conta de outras doenças. Eu tenderia a vacinar os profissionais que não tiveram covid19, que são 30% ou 40% dos que estão na linha de frente. Existe reinfecção, mas são casos pequenos que tendem a ser menos graves. E junto com eles, eu vacinaria os idosos, principalmente acima de 80, e depois entre 60 e 80 com comorbidades, mas com 0 mesmo critério: aqueles que não tiveram covid19. Como 0 Brasil está lidando com a questão da gestão da saúde pública e privada no âmbito da pandemia? Entrave brasileiro, neste momento, é a disputa política em torno das negociações sobre a vacinação. "O problema que a gente tem hoje é com aquisição de vacinas. (...) tem uma hora que a gente precisa se unir. A gente já entendeu que a vacina salva-vidas, é o que vai tirar a gente do meio dessa confusão. Então, vamos juntar todo mundo em torno dessa pauta". Confira alguns trechos da entrevista: Espaço para melhorar sempre tem. Não consigo concordar com tudo que 0 Ministério da Saúde faz e fez. Inclusive, critico ações do ministério desde que eu tenho algum tipo de noção. Mas, também é bastante interessante reconhecer que a existência do SUS dentro de um cenário como esse é 0 que viabiliza 0s países a estar da forma que ele está hoje. Se não tivesse um sistema de saúde que oferecesse condições para as pessoas serem atendidas, um sistema de vacinação, 0 casos que a gente descreve hoje seria amplificado logaritmicamente. É bastante interessante que haja espaço para melhorar 0 SUS. Nós temos problemas de gestão, de logística, de desigualdade, deparametrização, mas temos 0 luxos de ter no Brasil um sistema de saúde que se propõe a atender todo mundo, inclusive, os não brasileiros. Potencial para melhorar, tem. É preciso, daqui para frente, engatar ainda mais 0 nosso programa nacional de imunização a partir do momento que chegarem novas doses de vacina contra a covid? O Brasil possui postos de saúde instituídos em todos os municípios. O brasileiro está acostumado a se imunizar no posto, os técnicos de saúde são treinados para isso. Temos um programa estabelecido há décadas, e 0 problemas que a gente tem, hoje, é com a aquisição de vacina. Hoje, tem uma brigalhada política horrorosa, chega uma hora que precisamos nos unir e chegar e dizer: já entendemos, nós já temos a vacina, a vacina salva-vidas, e é 0 que vai tirar a gente dessa confusão. Vamos juntar todo mundo em torno dessa pauta para poder comprar vacina. Havia uma expectativa em relação à pandemia de que a gente teria uma nova crise na saúde, provocada por pessoas que deixaram de fazer procedimentos médicos de rotina ou que interromperam tratamentos. Isso está mesmo acontecendo? Essa é uma previsão que se confirmou. Olhando na clínica, no consultório, vemos 0 surgimentos de casos de câncer, por exemplo, em estágio muito mais avançado do que a gente costumava ver, porque as pessoas não estão fazendo seus exames de check-ups. Elas estão com medo de ir ao hospital, de buscar assistência médica. Aí, vem um paciente que perdeu lOkg e que está com dificuldade para se alimentar, mas que não consegue vencer a barreira da porta de casa para poder ir buscar um serviço. Então, as mortes em casa também aumentaram ao longo do mundo inteiro, quer dizer, morte cardiológica, morte respiratória... isso talvez machuque um pouco 0 impactos da redução do número de mortes por câncer que vem ocorrendo proporcionalmente em todo 0 mundos. Foi publicado, nesta semana, um estudo de caso britânico que relata a história de um paciente com linfoma avançado que contraiu a covid-19 e teve remissão desse linfoma. Como isso é possível? Essa história é repetitiva na história da medicina. Isso é possível e é real, e, provavelmente, se deve a uma provocação do sistema imune que o vírus faz. Um cirurgião americano chamado William Coley, que viveu até a década de 1930, mais ou menos, percebeu pela primeira vez que um doente tinha um sarcoma no pescoço e pegou uma infecção no braço. Depois dessa infecção, 0 sarcomas diminuíram, e nós estamos aqui quase cem anos depois falando disso. A infecção de pele, assim como a covid19, não trata 0 tumor, mas, a partir dessa observação, se desenvolveu a imunoterapia. Com uma pesquisa nesse campo, pesquisadores ganharam 0 Nobel de medicina em 2018. Assim, 0 princípio de provocar o sistema imune vale muito, mas infectar as pessoas com qualquer coisa já foi tentado no passado e deu muito errado, não é recomendado. * Estagiária sob a supervisão de Adson Boaventura DIRETOR-GERAL DO HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS Ed Alves/CB/D.A Press »JÉSSICA GOTLIB » ANA CLARA AVENDANO*

O GLOBO/RIO DE JANEIRO | Geral
Data Veiculação: 29/01/2021 às 03h00

Hospitais apostam em clínicas em aeroportos e empresas na pandemia Einstein abre unidade no Aeroporto de Guarulhos, com testes de Covid19. Sírio-Libanês e Oswaldo Cruz investem no setor corporativo IVAN MARTÍNEZ-VARGAS ivan.martinezvargas@sp.oglobo.com.br SÃO PAULO O mais recente movimento de diversificação de organizações privadas da área da saúde foi dado ontem pelo Albert Einstein, com a inauguração da primeira clínica do hospital em um aeroporto, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Segundo especialistas, a tendência deve se ampliar nos próximos anos e acirrar a competitividade no setor. Outros grupos, como Sírio-Libanês e Oswaldo Cruz apostam no setor corporativo e preveem ampliar oferta de ambulatórios em empresas. A nova unidade do Einstein vai realizar o teste RT-PCR para detecção do coronavírus e promete entregar os resultados em no máximo quatro horas. Também oferece vacinas do calendário básico de imunização (como a que previne a febre amarela) e guichês para consultas por telemedicina. — Cada vez mais o deslocamento das pessoas, com a pandemia, vai exigir a realização de testes negativos para o coronavírus, além de vacinas. Vimos a oportunidade de colocar isso à mão de quem vai viajar — diz o presidente do Albert Einstein, Sidney Klajner. Segundo o executivo, a unidade é a primeira de uma série. Já há conversas para a instalação de uma clínica similar no Galeão, no Rio. A clínica em Guarulhos fica no terminal 3 e funciona 24 horas por dia. A capacidade é de 800 exames diários. O investimento soma R$ 2,7 milhões, segundo Klajner. No futuro, de acordo com o executivo, as clínicas poderiam oferecer vacinas contra o coronavírus, assim que estiverem disponíveis no mercado privado. O hospital Sírio Libanês, por outro lado, vai investir cerca de R$ 20 milhões para expandir sua rede de clínicas para o mercado corporativo. A unidade de negócio foi criada em 2018 e é responsável por atender 200 mil pessoas, a maioria em São Paulo. —Nossa visão de negócio está direcionada para ser uma organização que investe em serviços de prevenção a doenças e promoção à saúde, com o serviço de ambulatórios, consultas e exames a grandes empre- DIVULGAÇA0 1 I.*j» ■* W •! í 1 i • • • B • I M Expectativa. Hospital pretende oferecer no futuro vacinas contra a Covid19 sas —diz Fabio Patrus, diretor de unidades externas e saúde corporativa do Sírio Libanês. Os contratos são feitos em conjunto com a empresa cliente e a operadora de saúde que presta serviços a ela. Itaú e Votorantim, além da Unimed Seguros e da Secretaria da Fazenda do Distrito Federal são alguns clientes. A meta da unidade é crescer 25% neste ano. Para isso, o Sírio Libanês vai abrir cinco clínicas voltadas ao público corporativo na Grande São Paulo. —Teremos uma nova unidade em cada região da cidade —diz Patrus. As clínicas são equipadas com ambulatórios, consultórios para consultas presenciais com especialistas, uma equipe multiprofissional e estrutura Dara atender a emergências de Daixa complexidade, além da sala de medicação. Segundo Patrus, como os funcionários têm o histórico acompanhado por médicos de família que costumam desenvolver uma relação com o paciente, a tendência é que as consultas gerem menos pedidos de exames, o que reduz a sinistralidade dos planos médicos. — Na nossa rede, a média é de cinco pedidos de exame por consulta, nos ambulatórios corporativos é a metade, os médicos já conhecem os pacientes—diz ele. O Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, quer expandir sua oferta de serviços ambulatoriais corporativos. — Já temos sob gestão 20 mil pacientes em ambulatórios em organizações como a Klabin e o hospital AC Camargo. Agora criamos uma área de negócios dedicada a esse mercado e queremos ter ambulatórios nas ruas — diz o diretor-executivo, Allan Paiotti. Segundo ele, a organização prevê ter entre três e cinco clínicas em São Paulo. Podem ser implementadas pelo próprio Oswaldo Cruz ou por meio de parcerias com redes que já têm clínicas privadas. — E factível que nossa base de clientes aumente para até cem mil vidas em um ano. A ideia é ganhar escala—afirma. Para Walter Cintra, professor da FGV, os movimentos dos hospitais estão em linha com a tendência mundial de diversificação de serviços no setor de saúde.

CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA | Outros
Data Veiculação: 29/01/2021 às 03h00

DF busca vacina para60 mil do ensino público e privado A Secretaria de Educação projeta abrir o ano letivo de 2021, em 8 de março, com os trabalhadores do setor imunizados contra a covid-19. Ontem, o secretário Leandro Cruz disse que a meta é vacinar todos os professores e os profissionais das áreas administrativas e de apoio das escolas públicas e particulares —no caso destas, as aulas têm início em janeiro e fevereiro. “Vidas humanas importam, todas elas. Damerendeira, do vigilante, do temporário, do efetivo, do professor”, afirmou Cruz. O GDF calcula que serão necessárias pelo menos 60 mil doses para atender a este público, na quarta etapa do plano de vacinação. Um sistema de excelência Diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês, Gustavo Fernandes exaltou no, CB.Saúde, a relevânciado sistema de saúde e do programa de imunização do Brasil. “O problema que temos, hoje, é com aquisição devacina.” Estados exigem comprade 2o lote Covid-19 leva risco à gravidez