Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

CRESCER ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 28/10/2021 às 16h30

Não é incomum as pessoas se depararem com informações sobre vacina hoje em dia, principalmente quando o assunto é covid-19. No entanto, é necessário estar atento! Muitas fakes news vêm circulando ultimamente e acabam atrapalhando o processo de imunização. Pensando em esclarecer as dúvidas dos leitores relacionadas às vacinas contra o novo coronavírus, a CRESCER conversou com Max Igor, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, Francisco Oliveira, gerente médico e Infectologista do Sabará Hospital Infantil e com o infectologista pediátrico Renato Kfouri, vice-presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Os especialistas falaram de alguns mitos e verdades sobre a imunização. Confira! Quem se infectou com a covid-19 não deve tomar a vacina? É muito frequente uma pessoa pensar que como já foi infectada pelo coronavírus, já está imunizada e nem precisa mais tomar a vacina. No entanto, tome cuidado com essa afirmação. Afinal, já foram vistos casos de pessoas que se reinfectaram. Segundo Francisco Oliveira, a imunização é indicada mesmo para quem teve uma infecção documentada. O médico explica que estudos já mostraram que o nível de anticorpos pode cair, então é possível que depois de um tempo após a infecção natural também se espere uma queda da imunidade. Dessa forma, a vacinação é importante para garantir uma proteção mais prolongada para a população. "Imunizar pessoas que já tiveram uma infecção prévia pode estimular uma resposta imunológica muito melhor. É como se estivesse dando uma dose de reforço, o que faz com que a duração da imunidade se prolongue", afirma o infectologista. Especialistas esclarecem os principais mitos relacionados à vacinação (Foto: Pexels) não tive reação à vacina, ela não funcionou? Pode ficar tranquilo! Se você não teve que ficar de cama após cada uma das doses, isso não quer dizer que não funcionou. De acordo com o infectologista Max Igor, a reação da vacina não está associada diretamente à resposta vacinal. O médico explica que as proteínas da covid-19 causam, geralmente, uma resposta inflamatória muito intensa. As pessoas que têm mais reação provavelmente são mais sensíveis ao estímulo inflamatório. Francisco Oliveira também acrescenta que certas vacinas são mais reatogênicas e provocam mais reação que outras. Por exemplo, a vacina da AstraZeneca costuma ter um percentual de reação mais elevado que as outras, mas há pessoas que tomam esse imunizante e não têm reação nenhuma. A vacina causa a doença? Não, nenhuma das vacinas disponíveis no Brasil contra a covid-19 podem causar a doença, elas apenas ensinam o sistema imunológico a se defender dos agentes virais. A diferença entre elas está na forma como isso acontece, ou seja, na maneira como fazem o nosso organismo ter essa resposta. A CoronaVac é produzida com o vírus inativado, ou popularmente conhecido como vírus "morto", assim não poderia causar a doença, destaca o infectologista do Hospital Sírio-Libanês. Outro mecanismo é o de RNA mensageiro, usado pela Pfizer. Esse tipo de vacina carrega apenas um código genético do vírus, que funciona como se fosse um "manual" para que as células do corpo produzam determinadas proteínas e, assim, ativem o sistema imunológico. Por fim, ainda temos as vacinas desenvolvidas com a tecnologia de vetor viral, como nos casos dos imunizantes da AstraZeneca (Oxford/Fiocruz) e da Janssen (Johnson & Johnson), que são produzidas a partir de um adenovírus (tipo de vírus que causa o resfriado comum) modificado, que não pode se replicar nem provocar a doença. Como isso é feito? Esses adenovírus são usados como transportadores, carregando informações genéticas do coronavírus para estimular a resposta imunológica. Isso significa que, ao receber a vacina, o corpo inicia um processo de defesa, produzindo anticorpos contra aquele invasor. Assim, se uma pessoa vier a entrar em contato com o vírus da covid-19, o organismo já terá uma memória capaz de combater o vírus. Estou doente. Posso tomar a vacina? De acordo com Francisco Oliveira, é recomendado adiar a vacinação em casos de quadro infeccioso agudo. Por exemplo, pessoas que estão com febre alta devem esperar esse cenário passar para tomar a vacina, porque há a dificuldade de diferenciar se essa febre está sendo provocada como uma reação vacinal ou se está sendo causada pela doença. Já no caso de pessoas que tiveram covid-19, o recomendado é esperar 28 dias, contando a partir do primeiro dia do sintoma. A vacina pode causar trombose? Esse tipo de efeito adverso não é muito frequente, mas as vacinas de vetores virais — como da AstraZeneca e da Janssen, conforme citado anteriormente — têm sido associadas a casos de trombose. De acordo com Francisco Oliveira, algumas pessoas que tomaram esses imunizantes tiveram um risco aumentado de apresentar eventos trombóticos, que é quando há a formação de coágulos em determinadas veias do corpo. O médico explica que, geralmente, isso acontece em pessoas mais jovens e porque há a produção de anticorpos contra as plaquetas (substâncias responsáveis pela coagulação), induzida pela vacinação. "O anticorpo acaba agrupando as plaquetas. O agrupamento de plaquetas com outras substâncias que participam da coagulação forma os coágulos, o que leva à obstrução de alguns vasos", explica o especialista. Kfouri esclarece que esse tipo de trombose não é a habitual, mas sim uma versão autoimune, "que cursa com plaquetas baixas [justamente porque estão agrupadas], que chamamos de trombocitopenia automine. O risco varia por volta de um caso a cada cerca de 500 mil doses aplicadas. Então, o benefício, o número de vidas salvas e casos prevenidos é muito maior do que o eventual risco desse quadro", ressalta o médico. Ele acrescenta: "como se trata de um tipo de trombose diferente, autoimune, não tem nenhuma contraindicação a quem já teve trombose. Todo mundo deve ser vacinado normalmente, independente de ter tido ou não trombose no passado". O mesmo é defendido pela Anvisa. De acordo com a agência, casos raros de trombose em combinação com trombocitopenia (TTS) têm sido detectados no Brasil e no mundo, mas, até o momento, os benefícios das vacinas da AstraZeneca e da Janssen superam os riscos do uso desses produtos. Por isso, o órgão mantém a recomendação de se vacinar a população com esses imunizantes, que só não estão indicados para as gestantes – elas podem tomar as outras opções disponíveis, como CoronaVac e Pfizer. Em nota, a Anvisa também ressalta a importância do diagnóstico precoce. Então, fique atento a sintomas como falta de ar, dor no peito, inchaço ou dor nas pernas, dor abdominal persistente e sintomas neurológicos, incluindo dores de cabeça graves. Também devem ser considerados como alerta a ocorrência de visão turva, confusão, convulsões, petéquias (pequenas manchas vermelhas ou marrons em partes do corpo), hematomas ou outras manifestações hemorrágicas em áreas do corpo diversas do local da vacinação, após a aplicação da vacina. A vacina causa o aborto? Renato Kfouri destaca que não há evidências de que a vacinação de gestantes traga qualquer malefício. "Já temos muitas gestantes vacinadas, especialmente nos Estados Unidos, mostrando que essas mulheres, comparando com grávidas não vacinadas, não tiveram maior incidência de malformações nos bebês, parto prematuro ou mesmo o abortamento. Não houve nenhuma mudança no perfil das gestações", afirma. + Vacinas contra covid não aumentam risco de aborto espontâneo, afirmam dois novos estudos O infectologista Max Igor também ressalta a segurança das vacinas. "Ela não causa uma resposta inflamatória tão alta. O sistema imune das pessoas é feito para produzir anticorpos contra várias coisas. Isso não é algo que faça mal ao bebê. De toda forma, evita-se aplicar a vacina nos primeiros três meses, porque é o período de embriogênese, formação dos órgãos", explica. + Novo estudo reforça vacinação contra covid-19 na gravidez: "Não há evidências de maior risco de aborto espontâneo" O especialista lembra que a própria covid-19 é extremamente perigosa para as grávidas, trazendo diversas complicações, entre elas o aumento do risco de trombose, por exemplo. "Por provocar alterações da coagulação, a covid-19 pode causar uma limitação da atividade da placenta, podendo levar ao parto prematuro ou abortamento". Ou seja, ele reforça que a doença é um risco muito maior para a gestante. + Todas as grávidas, tentantes e puérperas devem tomar a vacina contra a covid-19 o mais rápido possível, diz CDC A vacina muda o DNA? De acordo com Max Igor, o nosso DNA está dentro do núcleo da célula. Dessa forma, o RNA — tecnologia usada por algumas vacinas, como a da Pfizer — não chega ao núcleo da célula. "O RNA serve para levar mensagem para produzir proteínas do vírus. É como dar um manual para as células produzirem proteínas do vírus, só que esse manual é rasgado após uso. O RNA é degradado", diz o médico. Preciso fazer exame para sabe se estou protegido? Segundo o infectologista Francisco Oliveira, não é recomendado que as pessoas façam esse tipo de exame, principalmente porque os anticorpos (que costumamos medir por exames) representam apenas uma parte da nossa resposta imune. Dessa forma, existe outro compartimento da resposta imunológica, que são as células de memórias e alguns tipos específicos de resposta de linfócitos, que não conseguimos medir por meio da dosagem de anticorpos. "Esse tipo de resposta imunológica está preservado. É o que garante o que chamamos de memória imunológica. Quando um corpo tem contato novamente com o agente, mesmo que não tenhamos anticorpo já pronto, nós vamos responder de forma muito mais rápida, produzindo anticorpos, do que da primeira vez que tivemos contato com o agressor", explica o especialista. Assim, o médico enfatiza que o fato do exame vir negativo ou com dosagem baixa de anticorpos não significa dizer que não existe resposta imunológica, que a vacina não funcionou. "Nós temos tipos de linfócitos que coordenam a resposta imunológica. Eles ficam com a memória do contato prévio com o agente infeccioso. Quando temos contato novamente com o vírus, eles começam a se multiplicar e vão estimular a produção de anticorpos", esclarece. Assim, realizar esse tipo de exame só vai trazer mais dúvidas. + “Não considero uma medida segura neste momento", diz a pediatra Ana Escobar sobre a liberação de máscaras em locais abertos Após a vacina estou 100% protegido? Duas doses da vacina têm alta eficácia no combate à covid-19, mas não significa proteção 100%. O infectologista Max Igor explica que há chances, apesar de bem pequenas, de algumas pessoas desenvolverem quadros graves da doença ou mesmo morrer após serem infectadas, mesmo estando imunizadas, principalmente no Brasil em que a circulação do vírus ainda é muito alta. "Essa situação de proteção maior vai existir quando a doença circular menos", destaca o médico. Então, é importante manter os cuidados, como o uso de máscaras, álcool em gel e evitar aglomerações.

VISÃO HOSPITALAR/BRASÍLIA
Data Veiculação: 28/10/2021 às 00h00

Estudo foi apresentado no congresso europeu de nutrição e metabolismo, um dos mais importantes eventos científicos do mundo Um estudo inédito feito no Brasil mostra como pacientes com COVID-19 internados podem apresentar quadros de desnutrição, impactando na ingestão de proteínas e calorias, e revela como a nutrição especializada contribui para a recuperação desses pacientes. A pesquisa foi realizada no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, e no Hospital de Caridade São Vicente de Paula, em Jundiaí (SP) e foi apresentada no congresso da Sociedade Europeia de Nutrição e Metabolismo (ESPEN) em setembro deste ano. Liderada pelo Dr. Dan Waitzberg, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e um dos maiores especialistas em terapia nutricional do Brasil, e pelo Dr. Paulo Cesar Ribeiro, chefe da comissão de terapia nutricional do Hospital Sírio-Libanês. O ESPEN é um dos eventos científicos mais importantes do mundo. Segundo os autores, o objetivo foi compreender como as manifestações gastrointestinais e sensoriais (MGSs), como diarreia, constipação, náuseas, anorexia, dor abdominal, paladar alterado e perda de olfato, podem afetar a nutrição de pacientes com COVID-19 internados. O estudo mostrou que os pacientes com MGSs dificilmente atingiam pelo menos 60% das suas necessidades energético-proteicas, favorecendo o surgimento da desnutrição. “Atualmente, sabemos que COVID-19 pode prejudicar também o sistema digestivo, muscular e imunológico, entre outros. Em nossa pesquisa, os pacientes ingeriram suplemento hipercalórico (2,4kcal por ml), hiperprotéico (24% valor calórico total), normolipídico (35,3% valor calórico total), Nutridrink® Compact Protein (SNO). Isso ajudou os pacientes a alcançarem as suas necessidades energético-proteicas.”, explica Waitzberg. A quantidade calórica e proteica segue as orientações da ESPEN. Assim, a pesquisa brasileira analisou se a ingestão de 600 kcal mais 35g de proteína diariamente poderia diminuir o risco nutricional causado pela COVID-19. “Segundo os dados, os pacientes que receberam SNO tiveram suas necessidades energético-proteicas atendidas em 95,7% do tempo. Em comparação, apenas 69,6% dos pacientes que receberam a dieta padrão alcançaram mais de 60% das necessidades energético-proteicas. “O estudo mostra que a nutrição especializada tem um papel muito importante na recuperação do paciente com COVID-19, oferecendo um tratamento mais preciso e eficaz para o paciente e otimizando um sistema de saúde que ainda está sobrecarregado”, comenta Waitzberg. Outro estudo, publicado na Rússia em julho de 2021 na revista Clinical nutrition and metabolismo, também traz evidências de como a nutrição especializada contribui para que pacientes com COVID-19 na UTI tenham menos tempo de internação e de suporte respiratório. A pesquisa, liderada por membros da Sociedade Nacional Russa de Nutrição Parenteral e Enteral (RSPEN) e da Pirogov Russian National Research Medical University também revelou que o suplemento Nutridrink® contribuiu para a recuperação de força muscular e melhor pontuação no aspecto físico de qualidade de vida dos pacientes. O novo corpo de evidência demonstra que a desnutrição é altamente prevalente entre pacientes hospitalizados com COVID-19 e que o uso de Nutridrink® permite que esses pacientes atinjam suas necessidades energéticas-proteicas ainda durante o período intra-hospitalar. Isso contribui para melhora da força muscular, qualidade de vida após alta e reduz em 3,31 dias o tempo de internação e 1,4 dia o suporte respiratório do paciente. Projeto NutriCOVer As pesquisas fazem parte de um programa global chamado NutriCOVer, realizado pela Danone Nutricia – divisão de nutrição especializada da Danone, e que tem como objetivo incentivar pesquisas independentes e colaborações para impulsionar coletivamente a discussão do impacto nutricional da COVID-19 e o uso de terapia nutricional especializada durante a recuperação da doença. Os estudos são liderados pelos principais especialistas e sociedades médicas de forma independente. Márcia Schöntag, Diretora de Assuntos Médicos e Acesso ao Mercado da Danone explica como funciona o programa. “O NutriCOVer forneceu financiamento para pesquisas a fim de apoiar o avanço da ciência e fomentar o conhecimento sobre o papel da Nutrição no manejo da COVID-19. Assim, os estudos foram iniciados e conduzidos por pesquisadores experientes de forma independente em vários países”. Ao todo, 16 países em todo o mundo fazem parte do programa NutriCOVer. Quatro estudos, feitos na Espanha, na França, na Rússia e no Brasil, foram publicados ou estão em vias de publicações nos principais periódicos do mundo. O contexto da Nutrição Especializada no Brasil Atualmente, a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), estabelecida pelo Ministério da Saúde, tem o objetivo de melhorar as condições de alimentação, nutrição e saúde da população brasileira por meio da promoção de práticas alimentares adequadas e saudáveis, a vigilância alimentar e nutricional, a prevenção e o cuidado integral dos agravos relacionados à alimentação e nutrição. Entretanto, o documento não engloba a nutrição especializada – um importante eixo para o tratamento da desnutrição hospitalar e relacionada a outras condições clínicas. Também não foram estabelecidas pelo Ministério da Saúde diretrizes nutricionais para pacientes com Covid-19, o que dificulta a padronização de orientações aos profissionais da saúde, aumentando o risco de desnutrição nesses pacientes e podendo impactar na recuperação da doença. “A Política Nacional de Alimentação e Nutrição foi um grande avanço do Ministério da Saúde, pois traz imprescindíveis diretrizes para a atenção primária. No entanto, há um gargalo estrutural que é a ausência de diretrizes sobre a nutrição especializada, que constitui um importante eixo para o tratamento da desnutrição hospitalar e relacionada a outras condições clínicas que tem impactado a recuperação de pacientes, por exemplo, com Covid-19”, ressalta Márcia Schöntag, Diretora de Assuntos Médicos e Acesso ao Mercado da Danone.

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Data Veiculação: 28/10/2021 às 16h30

Infectologistas esclarecem as principais dúvidas sobre a imunização contra a covid-19. Confira! Não é incomum as pessoas se depararem com informações sobre vacina hoje em dia, principalmente quando o assunto é covid-19. No entanto, é necessário estar atento! Muitas fakes news vêm circulando ultimamente e acabam atrapalhando o processo de imunização. Pensando em esclarecer as dúvidas dos leitores relacionadas às vacinas contra o novo coronavírus, a CRESCER conversou com Max Igor, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, Francisco Oliveira, gerente médico e Infectologista do Sabará Hospital Infantil e com o infectologista pediátrico Renato Kfouri, vice-presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Os especialistas falaram de alguns mitos e verdades sobre a imunização. Confira! Quem se infectou com a covid-19 não deve tomar a vacina? É muito frequente uma pessoa pensar que como já foi infectada pelo coronavírus, já está imunizada e nem precisa mais tomar a vacina. No entanto, tome cuidado com essa afirmação. Afinal, já foram vistos casos de pessoas que se reinfectaram. Segundo Francisco Oliveira, a imunização é indicada mesmo para quem teve uma infecção documentada. O médico explica que estudos já mostraram que o nível de anticorpos pode cair, então é possível que depois de um tempo após a infecção natural também se espere uma queda da imunidade. Dessa forma, a vacinação é importante para garantir uma proteção mais prolongada para a população. "Imunizar pessoas que já tiveram uma infecção prévia pode estimular uma resposta imunológica muito melhor. É como se estivesse dando uma dose de reforço, o que faz com que a duração da imunidade se prolongue", afirma o infectologista. CDC recomenda vacina da Pfizer para crianças e adolescentes, nos EUA (Foto: Pexels) Especialistas esclarecem os principais mitos relacionados à vacinação (Foto: Pexels) Não tive reação à vacina, ela não funcionou? Pode ficar tranquilo! Se você não teve que ficar de cama após cada uma das doses, isso não quer dizer que não funcionou. De acordo com o infectologista Max Igor, a reação da vacina não está associada diretamente à resposta vacinal. O médico explica que as proteínas da covid-19 causam, geralmente, uma resposta inflamatória muito intensa. As pessoas que têm mais reação provavelmente são mais sensíveis ao estímulo inflamatório. Francisco Oliveira também acrescenta que certas vacinas são mais reatogênicas e provocam mais reação que outras. Por exemplo, a vacina da AstraZeneca costuma ter um percentual de reação mais elevado que as outras, mas há pessoas que tomam esse imunizante e não têm reação nenhuma. A vacina causa a doença? Não, nenhuma das vacinas disponíveis no Brasil contra a covid-19 podem causar a doença, elas apenas ensinam o sistema imunológico a se defender dos agentes virais. A diferença entre elas está na forma como isso acontece, ou seja, na maneira como fazem o nosso organismo ter essa resposta. A CoronaVac é produzida com o vírus inativado, ou popularmente conhecido como vírus "morto", assim não poderia causar a doença, destaca o infectologista do Hospital Sírio-Libanês. Outro mecanismo é o de RNA mensageiro, usado pela Pfizer. Esse tipo de vacina carrega apenas um código genético do vírus, que funciona como se fosse um "manual" para que as células do corpo produzam determinadas proteínas e, assim, ativem o sistema imunológico. Por fim, ainda temos as vacinas desenvolvidas com a tecnologia de vetor viral, como nos casos dos imunizantes da AstraZeneca (Oxford/Fiocruz) e da Janssen (Johnson & Johnson), que são produzidas a partir de um adenovírus (tipo de vírus que causa o resfriado comum) modificado, que não pode se replicar nem provocar a doença. Como isso é feito? Esses adenovírus são usados como transportadores, carregando informações genéticas do coronavírus para estimular a resposta imunológica. Isso significa que, ao receber a vacina, o corpo inicia um processo de defesa, produzindo anticorpos contra aquele invasor. Assim, se uma pessoa vier a entrar em contato com o vírus da covid-19, o organismo já terá uma memória capaz de combater o vírus. Estou doente. Posso tomar a vacina? De acordo com Francisco Oliveira, é recomendado adiar a vacinação em casos de quadro infeccioso agudo. Por exemplo, pessoas que estão com febre alta devem esperar esse cenário passar para tomar a vacina, porque há a dificuldade de diferenciar se essa febre está sendo provocada como uma reação vacinal ou se está sendo causada pela doença. Já no caso de pessoas que tiveram covid-19, o recomendado é esperar 28 dias, contando a partir do primeiro dia do sintoma. A vacina pode causar trombose? Esse tipo de efeito adverso não é muito frequente, mas as vacinas de vetores virais — como da AstraZeneca e da Janssen, conforme citado anteriormente — têm sido associadas a casos de trombose. De acordo com Francisco Oliveira, algumas pessoas que tomaram esses imunizantes tiveram um risco aumentado de apresentar eventos trombóticos, que é quando há a formação de coágulos em determinadas veias do corpo. O médico explica que, geralmente, isso acontece em pessoas mais jovens e porque há a produção de anticorpos contra as plaquetas (substâncias responsáveis pela coagulação), induzida pela vacinação. "O anticorpo acaba agrupando as plaquetas. O agrupamento de plaquetas com outras substâncias que participam da coagulação forma os coágulos, o que leva à obstrução de alguns vasos", explica o especialista. Kfouri esclarece que esse tipo de trombose não é a habitual, mas sim uma versão autoimune, "que cursa com plaquetas baixas [justamente porque estão agrupadas], que chamamos de trombocitopenia automine. O risco varia por volta de um caso a cada cerca de 500 mil doses aplicadas. Então, o benefício, o número de vidas salvas e casos prevenidos é muito maior do que o eventual risco desse quadro", ressalta o médico. Ele acrescenta: "como se trata de um tipo de trombose diferente, autoimune, não tem nenhuma contraindicação a quem já teve trombose. Todo mundo deve ser vacinado normalmente, independente de ter tido ou não trombose no passado". O mesmo é defendido pela Anvisa. De acordo com a agência, casos raros de trombose em combinação com trombocitopenia (TTS) têm sido detectados no Brasil e no mundo, mas, até o momento, os benefícios das vacinas da AstraZeneca e da Janssen superam os riscos do uso desses produtos. Por isso, o órgão mantém a recomendação de se vacinar a população com esses imunizantes, que só não estão indicados para as gestantes – elas podem tomar as outras opções disponíveis, como CoronaVac e Pfizer. Em nota, a Anvisa também ressalta a importância do diagnóstico precoce. Então, fique atento a sintomas como falta de ar, dor no peito, inchaço ou dor nas pernas, dor abdominal persistente e sintomas neurológicos, incluindo dores de cabeça graves. Também devem ser considerados como alerta a ocorrência de visão turva, confusão, convulsões, petéquias (pequenas manchas vermelhas ou marrons em partes do corpo), hematomas ou outras manifestações hemorrágicas em áreas do corpo diversas do local da vacinação, após a aplicação da vacina. A vacina causa o aborto? Renato Kfouri destaca que não há evidências de que a vacinação de gestantes traga qualquer malefício. "Já temos muitas gestantes vacinadas, especialmente nos Estados Unidos, mostrando que essas mulheres, comparando com grávidas não vacinadas, não tiveram maior incidência de malformações nos bebês, parto prematuro ou mesmo o abortamento. Não houve nenhuma mudança no perfil das gestações", afirma. + Vacinas contra covid19 não aumentam risco de aborto espontâneo, afirmam dois novos estudos O infectologista Max Igor também ressalta a segurança das vacinas. "Ela não causa uma resposta inflamatória tão alta. O sistema imune das pessoas é feito para produzir anticorpos contra várias coisas. Isso não é algo que faça mal ao bebê. De toda forma, evita-se aplicar a vacina nos primeiros três meses, porque é o período de embriogênese, formação dos órgãos", explica. + Novo estudo reforça vacinação contra covid-19 na gravidez: "Não há evidências de maior risco de aborto espontâneo" O especialista lembra que a própria covid-19 é extremamente perigosa para as grávidas, trazendo diversas complicações, entre elas o aumento do risco de trombose, por exemplo. "Por provocar alterações da coagulação, a covid-19 pode causar uma limitação da atividade da placenta, podendo levar ao parto prematuro ou abortamento". Ou seja, ele reforça que a doença é um risco muito maior para a gestante. + Todas as grávidas, tentantes e puérperas devem tomar a vacina contra a covid-19 o mais rápido possível, diz CDC A vacina muda o DNA? De acordo com Max Igor, o nosso DNA está dentro do núcleo da célula. Dessa forma, o RNA — tecnologia usada por algumas vacinas, como a da Pfizer — não chega ao núcleo da célula. "O RNA serve para levar mensagem para produzir proteínas do vírus. É como dar um manual para as células produzirem proteínas do vírus, só que esse manual é rasgado após uso. O RNA é degradado", diz o médico. Preciso fazer exame para sabe se estou protegido? Segundo o infectologista Francisco Oliveira, não é recomendado que as pessoas façam esse tipo de exame, principalmente porque os anticorpos (que costumamos medir por exames) representam apenas uma parte da nossa resposta imune. Dessa forma, existe outro compartimento da resposta imunológica, que são as células de memórias e alguns tipos específicos de resposta de linfócitos, que não conseguimos medir por meio da dosagem de anticorpos. "Esse tipo de resposta imunológica está preservado. É o que garante o que chamamos de memória imunológica. Quando um corpo tem contato novamente com o agente, mesmo que não tenhamos anticorpo já pronto, nós vamos responder de forma muito mais rápida, produzindo anticorpos, do que da primeira vez que tivemos contato com o agressor", explica o especialista. Assim, o médico enfatiza que o fato do exame vir negativo ou com dosagem baixa de anticorpos não significa dizer que não existe resposta imunológica, que a vacina não funcionou. "Nós temos tipos de linfócitos que coordenam a resposta imunológica. Eles ficam com a memória do contato prévio com o agente infeccioso. Quando temos contato novamente com o vírus, eles começam a se multiplicar e vão estimular a produção de anticorpos", esclarece. Assim, realizar esse tipo de exame só vai trazer mais dúvidas. + “Não considero uma medida segura neste momento", diz a pediatra Ana Escobar sobre a liberação de máscaras em locais abertos Após a vacina estou 100% protegido? Duas doses da vacina têm alta eficácia no combate à covid-19, mas não significa proteção 100%. O infectologista Max Igor explica que há chances, apesar de bem pequenas, de algumas pessoas desenvolverem quadros graves da doença ou mesmo morrer após serem infectadas, mesmo estando imunizadas, principalmente no Brasil em que a circulação do vírus ainda é muito alta. "Essa situação de proteção maior vai existir quando a doença circular menos", destaca o médico. Então, é importante manter os cuidados, como o uso de máscaras, álcool em gel e evitar aglomerações.