Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 28/08/2021 às 16h57

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), publicou neste sábado (28), no Diário Oficial, um decreto que institui o chamado “passaporte da vacina” para todos os eventos da cidade que tiverem mais de 500 pessoas, a partir de 1º de setembro. De acordo com o decreto, a exigência de apresentação obrigatória do comprovante de vacinação contra a Covid-19 vai valer para shows, feiras, congressos e jogos, onde o participante terá que apresentar o comprovante físico ou virtual de ao menos uma dose da vacinação contra a Covid-19. “Os estabelecimentos e serviços pertencentes ao setor de eventos, tais como shows, feiras, congressos e jogos, com público superior a 500 pessoas, deverão, a partir do dia 1º de setembro de 2021, solicitar ao público, para acesso ao local do evento, comprovante de vacinação do cidadão contra COVID-19, que será autenticado pelo Passaporte da Vacina previsto no artigo 1º deste decreto. (...) Será exigida, no mínimo, a comprovação da primeira dose da vacina”, disse o texto do decreto. A apresentação do comprovante de vacinação para a entrada em estabelecimentos comerciais como bares, restaurantes e shoppings ficou de fora do decreto e foi adiada pela Prefeitura de São Paulo, ainda não tem data para começar a valer, conforme o G1 publicou nesta sexta-feira (27) . Os estabelecimentos que não respeitarem a exigências do decreto deste sábado (28) e os demais protocolos estabelecidos pela Vigilância Sanitária ficarão sujeitos às penalidades previstas no Decreto nº 59.298, de 23 de março de 2020, que estabelece multa e até interdição do local. De acordo com a Prefeitura de SP, os participantes dos eventos poderão apresentar o “passaporte da vacina” através de QR Code, disponível no aplicativo E-saúde (saiba como baixar aqui), da Secretaria Municipal da Saúde, ou comprovante físico da imunização. Poupatempo Digital Em nota enviado ao G1 nesta sexta (27), a Secretaria Estadual da Saúde afirmou que já oferece o comprovante de vacinação, em formato impresso e digital, também pelo aplicativo do Poupatempo Digital. "Ambos os formatos estão disponíveis para qualquer pessoa imunizada. O município é responsável pelo registro das doses de vacinas contra COVID-19 aplicadas na população local e tem acesso a estas informações na plataforma estadual Vacivida", diz a pasta. De acordo com o governo de SP, o aplicativo Poupatempo Digital reúne os dados de vacinação dos cidadãos dos 645 municípios do estado de São Paulo para comprovação da imunização contra a Covid-19 (saiba como baixar aqui). Nesta sexta, a cidade do Rio de Janeiro também anunciou que cariocas e turistas terão de comprovar que se vacinaram para poder entrar em locais de uso coletivo na cidade a partir de 1º de setembro. Definição das regras Na segunda-feira (23), Nunes anunciou que o comprovante seria obrigatório para todos os bares, restaurantes e shoppings da cidade, o que gerou reação negativa do setor. Pouco depois, no mesmo dia, o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, afirmou que o o passaporte seria opcional para esses setores. Aparecido fez a ressalva de que apenas restaurantes com eventos e teatros de shoppings, por exemplo, teriam obrigatoriedade na exigência comprovante. Não ficou claro, portanto, as regras exatas que deveriam ser seguidas. Segundo a gestão municipal, a Vigilância Sanitária municipal faria a publicação da norma para regulamentar o assunto entre quinta (25) e sexta-feira (27). Nunes também afirmou que uma multa será aplicada em caso de descumprimento da medida, mas o valor não foi informado. "O conceito principal é que os estabelecimentos só vão poder aceitar pessoas que estejam com vacina [contra a Covid-19]. Esse é o passaporte. Se o estabelecimento estiver com pessoas sem vacina, e isso for observado pela Vigilância Sanitária, ele sofrerá multa.", disse o prefeito na segunda-feira. "O conceito principal é que os estabelecimentos só vão poder aceitar pessoas que estejam com vacina [contra a Covid-19]. Esse é o passaporte. Se o estabelecimento estiver com pessoas sem vacina, e isso for observado pela Vigilância Sanitária, ele sofrerá multa.", disse o prefeito na segunda-feira. Desde a última terça-feira (17), o estado extinguiu as regras da quarentena e não há mais restrições de público nem de horário de funcionamento para o comércio e serviços. Apenas o uso da máscara continua obrigatório e há recomendação para que aglomerações sejam evitadas. No último final de semana, houve registro de aglomeração de pessoas sem máscaras e bares lotados na capital. Associações apontam falta de diálogo Ao G1, a Associação Nacional de Restaurantes (ANR) afirmou na segunda-feira que vê com preocupação a decisão de exigência do passaporte. A entidade, que representa grandes redes alimentícias, disse ainda não houve diálogo com o setor antes da proposição da medida. "A ANR entende que qualquer decisão que venha a impactar o setor deve ser precedida de diálogo com as autoridades. Bares e restaurantes enfrentaram e ainda enfrentam a pior crise de sua história em decorrência da pandemia. E em um momento de recuperação, vemos com muita preocupação exigir de consumidores atestados de vacina", diz o texto. "A ANR entende que qualquer decisão que venha a impactar o setor deve ser precedida de diálogo com as autoridades. Bares e restaurantes enfrentaram e ainda enfrentam a pior crise de sua história em decorrência da pandemia. E em um momento de recuperação, vemos com muita preocupação exigir de consumidores atestados de vacina", diz o texto. O comunicado diz ainda que a associação é a favor da vacinação e do uso de máscaras, além de medidas para evitar que o vírus se propague, mas que "exigir certificados de vacinação pode fazer sentido em países onde poucos têm se vacinado, mas esse não é o caso do Brasil". A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em São Paulo afirma que a exigência pode ser um incentivo à vacinação, mas ressalva que o aplicativo pode ser um obstáculo para os clientes. "Sendo um incentivo à vacinação, o setor vê como apoio. A única ressalva e preocupação que o setor tem é com a funcionalidade desse aplicativo para que não seja um impeditivo ou obstáculo para frequência dos seus usuários, clientes, e também dos próprios estabelecimentos preocupados com o manuseio e a utilização desse aplicativo", afirmou o diretor Rodrigo Goulart. A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) disse que está em "desacordo com a medida proposta pela Prefeitura de São Paulo de exigir o passaporte de vacinação em teatros de shoppings, conforme anunciado pelo secretário." "Para a entidade, a medida é considerada extemporânea, pois impõe severos custos e dificulta o acesso a um setor fortemente impactado pela Covid-19 e que já dispõe de rigorosos protocolos sanitários de operação elaborados pela consultoria do Hospital Sírio Libanês", disse por meio de nota. Quarentena A quarentena contra o coronavírus foi encerrada no estado de São Paulo pelo governador João Doria (PSDB) no dia 17 de agosto, antes que a maioria da população esteja imunizada com as duas doses da vacina contra a Covid-19 e com indicadores da pandemia melhores, mas ainda fora de controle. Além disso, há a preocupação com o avanço da variante delta do coronavírus no país. Bares, restaurantes, academias e cinemas não têm mais restrição de horário ou quantidade de público para operar. As exceções são os shows, que estão permitidos, desde que com público sentado, e eventos esportivos com público, que continuam proibidos. A utilização de máscara segue obrigatória. O governador havia afirmado que shows com público em pé, torcidas em estádios e pistas de danças continuariam proibidos até 1º de novembro. Mas voltou atrás ao anunciar que o jogo entre Brasil e Argentina, no dia 5 de setembro, terá liberação para 12 mil pessoas como "evento-teste".

O GLOBO ONLINE/RIO DE JANEIRO
Data Veiculação: 28/08/2021 às 04h30

SÃO PAULO — As mortes em UTI de pacientes com Covid-19 no país registraram forte queda este mês frente ao pico registrado em março. Apesar da boa notícia, profissionais de saúde estão preocupados com o aumento de idosos nos leitos. A proporção destes entre os internados subiu de 27,1% em junho para 43% em agosto segundo a Fiocruz. Segundo levantamento da instituição, feito a pedido do GLOBO, a morte de internados em UTI para Covid registrou uma queda de 89,8% na primeira semana de agosto frente ao registrado na semana de 21 de março, quando o Brasil bateu o recorde de notificações de óbitos pela doença nos leitos intensivos: 11.115 mortes. A Flourish chart — Há uma redução evidente na sobrecarga, mas alertamos para os patamares ainda altos de ocupação e uma aparente tendência de reganho de casos, com possível reversão da queda até agora observada nas próximas semanas, como temos observado no Rio de Janeiro, epicentro da circulação da Delta no país — afirma Raphael Guimarães, pesquisador de Saúde Pública da Fiocruz. Os dados do levantamento da Fiocruz, compilados pelo pesquisador a partir do SIVEP-GRIPE, indicam que as mortes pela doença nas UTIs têm se concentrado desde meados de julho nos idosos de 70 a 79 anos. Os óbitos também voltaram a se concentrar em idosos (69,2%), segundo o último Boletim da Fiocruz. O crescimento nas mortes rearfima a importância da terceira dose das vacinas para proteger essa faixa etária. E ainda: Boletim da Fiocruz aponta tendência de crescimento dos casos de SRAG no Brasil Segundo médicos que atuam nestas unidades, a reabertura generalizada em cidades como São Paulo em meio à maior circulação da variante Delta põe em risco o alívio da sobrecarga dos leitos de UTI conquistado graças à campanha de vacinação. A Flourish chart . Os mais velhos, que têm maior risco de agravamento e morte pela doença, são os mais afetados pela alta transmissão comunitária que faz com que até mesmo os raros casos de vacinados que apresentam casos graves apareçam com mais frequência nas UTIs. Receio Na UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, chefiada por Jacques Sztajnbok, a população mais longeva voltou a ser o público predominante com Covid-19. Os casos são em menor número e a pressão nos leitos diminuiu consideravelmente, relata Sztajnbok, o que permitiu que a unidade voltasse a receber pacientes graves de doenças infecciosas como HIV e leptospirose. Mas o receio de uma nova onda, ainda que em menor intensidade do que as anteriores, paira sobre sua UTI. — Esperamos que não aconteça, mas o risco e o temor são grandes. Uma só dose das vacinas têm eficácia reduzida contra a Delta. É imprescindível que a população receba as duas doses completas e não abandone as medidas de proteção, pois temos reabertura ampla em meio à variante Delta, a mais infecciosa desde o início da pandemia — diz. A boa notícia, segundo Sztajnbok, é que os médicos hoje conhecem melhor a doença e incorporaram terapias e protocolos com maior eficácia, como o uso da dexametasona, que diminui a mortalidade em até 30%. Segundo o professor de medicina intensiva da USP Luciano Azevedo, os casos atuais nos leitos intensivos em que atua, no Hospital de Clínicas e no Sírio Líbanês, se concentram no geral em pacientes idosos, em sua maioria vacinados, e em alguns poucos jovens não vacinados. Entre os idosos, os casos são mais moderados do que antes era observado, com menor necessidade de intubação e menor dependência da ventilação — o que pode ser um bom indicativo da atuação das vacinas em prevenir o agravamento da doença. A Flourish chart — Observamos uma diminuição substancial nos casos nas UTIs de hospitais públicos e privados. Mas os números indicam uma tendência de reversão dessa queda nas próximas semanas. Acreditamos que os casos devem aumentar com o avanço da variante Delta, mas torcemos para que não seja como em março. Segundo a Fiocruz, apesar de queda de 0,9% na mortalidade no país na última semana, a alta circulação do vírus, a retomada da circulação ao patamar da pré-pandemia e o progresso lento da cobertura vacinal acendem um alerta para o possível aumento de idosos em UTIs pelo Brasil nas próximas semanas. Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave registrados no país, dos quais cerca de 96% são Covid-19, pararam de cair e em nove estados — SP e RJ inclusos — apresentaram curva ascendente entre 15 e 21 de agosto.

O GLOBO/RIO DE JANEIRO | Geral
Data Veiculação: 28/08/2021 às 03h00

As mortes em unidades de terapia intensiva (UTI) de pacientes com Covid-19 no país registraram forte queda neste mês frente ao pico registrado em março. Apesar disso, profissionais de saúde estão preocupados com o aumento de idosos nos leitos. A proporção dos mais velhos entre os internados em UTIs do Brasil subiu de 27,1% em junho para 43% em agosto, segundo dados da Fiocruz. De acordo com levantamento da instituição, feito a pedido do GLOBO, a morte de internados em UTI para Covid-19 registrou uma queda de 89,8% na primeira semana de agosto em relação ao registrado na semana de 21 de março, quando o Brasil bateu o recorde de notificações de óbitos pela doença nos leitos intensivos: 11.115 mortes. — Há uma redução evidente na sobrecarga, mas alertamos para os patamares ainda altos de ocupação e uma aparente tendência de reganho de casos, com possível reversão da queda, até agora observada, nas próximas semanas, como temos visto no Rio de Janeiro, epicentro da circulação da Delta no país — afirma Raphael Guimarães, pesquisador de Saúde Pública da Fiocruz. Os dados do levantamento da fundação, compilados pelo pesquisador a partir do Sivep-Gripe, indicam que as mortes pela doença nas UTIs têm se concentrado desde meados de julho nos idosos de 70 a 79 anos. Os óbitos também voltaram a se concentrar em idosos (69,2%), segundo o último Boletim da Fiocruz. O crescimento nas mortes reafirma a importância da terceira dose das vacinas para proteger essa faixa etária. RISCO DE SOBRECARGA Segundo médicos que atuam nessas unidades, a reabertura generalizada em cidades como São Paulo em meio à maior circulação da variante Delta põe em risco o alívio da sobrecarga dos leitos de UTI conquistado graças à campanha de vacinação. Os mais velhos, que têm maior risco de agravamento e morte pela doença, são os mais afetados pela alta transmissão comunitária, GANGORRA NAS UTIS Mortes nas unidades do país têm forte queda, mas número de idosos volta a crescer, o que preocupa profissionais de saúde MORTES EM UTIs COVID POR SEMANA DE NOTIFICAÇÃO 11.115 3 21 9 4 1 JAN MAR MAI JUL AG0 LETALIDADE NAS UTIs EM CASOS POSITIVOS PARA COVID-19 Em % 100 80 LETALIDADE NAS UTIS EM CASOS POSITIVOS PARA COVID-19 POR GÊNERO E FAIXA ETÁRIA Em % HOMENS MULHERES 63% 6( Média mulheres ■ 21 MAR ■ 1 AG0 65% 63o/0 II 31% 31% ■ Mulheres Homens 71 79 Fonte: Sivep-Gripe/Fiocruz 100 Editoria de Arte que faz com que até mesmo os raros casos de vacinados que apresentam casos graves apareçam com mais frequência nas UTIs. Na UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, chefiadapor Jacques Sztajnbok, a população mais longeva voltou a ser o público predominante com Covid-19. Os casos são em menor número, e a pressão nos leitos diminuiu consideravelmente, relata Sztajnbok, o que permitiu que a unidade voltasse a receber pacientes graves de doenças infecciosas como HIV e leptospirose. Mas o receio de uma nova onda, ainda que em menor intensidade do que as anteriores, paira sobre sua UTI. — Esperamos que não aconteça, mas o risco e o temor são grandes. Uma só dose das vacinas têm eficácia reduzida contra a Delta. E imprescindível que a população receba as duas doses completas e não abandone as medidas de proteção, pois temos reabertura ampla em meio à variante Delta, a mais infecciosa desde o início da pandemia—disse. A boa notícia, segundo Sztajnbok, é que os médicos hoje conhecem melhor a doença e incorporaram terapias e protocolos com maior eficácia, como o uso de remédios como a dexametasona, que, segundo ele, diminui a mortalidade em até 30%. O uso do medicamento para Covid19 deve ser analisado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária no mês que vem. Segundo o professor de medicina intensiva da USP Luciano Azevedo, os casos atuais nos leitos intensivos em que atua, no Hospital das Clínicas e no Sírio Libanês, se concentram no geral em pacientes idosos, em sua maioria vacinados, e em alguns poucos jovens não vacinados. Entre os idosos, os casos são mais moderados do que era observado antes, com menor necessidade de intubação e menor dependência da ventilação — o que pode ser um bom indicativo da atuação das vacinas em prevenir o agravamento da doença. REVERSÃO DA QUEDA — Observamos uma diminuição substancial nos casos nas UTIs de hospitais públicos e privados. Mas os números indicam uma tendência de reversão dessa queda nas próximas semanas. Acreditamos que os casos devem aumentar com o avanço da variante Delta, mas torcemos para que não seja como em março. Segundo a Fiocruz, apesar de queda de 0,9% na mortalidade no país na última semana, a alta circulação do vírus, a retomada da circulação ao patamar da pré-pandemia e o progresso lento da cobertura vacinai acendem um alerta para o possível aumento de idosos em UTIs nas próximas semanas. Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave registrados no país, dos quais cerca de 96% são Covid, pararam de cair e, em nove estados, apresentaram curva ascendente entre 15 e 21 de agosto.