Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 28/02/2020 às 17h41

Mais um caso suspeito de novo coronavírus foi descartado no Distrito Federal nesta sexta-feira. Desta vez, em um paciente que voltou recentemente da Itália e estava com sintomas semelhantes ao do novo vírus. A pessoa procurou o Hospital Sírio-Libanês, que fica na Asa Sul, no início desta semana. Os exames atestaram se tratar de uma gripe comum, causada por um vírus da família do corona, mas não o Covid-19. De acordo com o hospital, todos os procedimentos foram tomados e todos os órgãos competentes, como o Ministério da Saúde, informados. Por se tratar de uma pessoa que apresentava sintomas e tinha estado em um país com casos relatados, o caso foi tratado como suspeito até a confirmação por exames clínicos. 

Até esta quinta-feira (27/2), Brasília tinha cinco casos suspeitos registrados pelo Ministério da Saúde. Em todo o Brasil, são monitorados 182 casos. Somente uma pessoa, em São Paulo, foi diagnosticada com o Covid-19. Comitê criado no DF Nesta sexta-feira (28/2), o Governo do Distrito Federal instituiu o Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COE) para enfrentamento do coronavírus. 

O COE é formado por 19 gestores e suplentes da Secretaria de Saúde, que alinharão as ações de combate ao Covid-19. O centro terá como atribuições analisar os padrões de ocorrência, distribuição e confirmação dos casos suspeitos de coronavírus no DF; elaborar os fluxos e protocolos de vigilância, assistência e laboratório; capacitar servidores da Secretaria de Saúde e das unidades privadas de saúde, de forma a ampliar o potencial de resposta contra a doença; e subsidiar os gestores com informações técnicas sobre o assunto, para a melhor tomada de decisões.

METRÓPOLES/BRASÍLIA
Data Veiculação: 28/02/2020 às 17h08

Seis casos são investigados como suspeitos de coronavírus no Distrito Federal. A informação foi dada ao Metrópoles pelo subsecretário de Vigilância Epidemiológica do DF, Divino Martins, nesta sexta-feira (28/02/2020). Até a última quinta-feira (27/02/2020), eram cinco pacientes em observação por similaridades de sintomas com a nova doença, segundo a Secretaria de Saúde. 

Até a tarde desta sexta, sete casos foram notificados. Entretanto, uma mulher que foi internada no Hospital Sírio-Libanês após viagem à Itália teve resultado negativo para a doença, e foi liberada da unidade hospitalar. Embora o número tenha crescido, ainda não há confirmação positiva para o coronavírus, segundo a autoridade local, o que deixa o GDF até este momento em estado de alerta. “Esses pacientes se enquadram nos protocolos e têm o histórico de visita a locais ou a outros doentes investigados pela saúde pública”, disse Martins à coluna. O subsecretário explica, contudo, que a quantidade de notificações de prováveis coronavírus varia e pode ser alterada de tempos em tempos, uma vez que a todo momento resultados de exames modificam o cenário atual. 

“Até o início da noite, há grande possibilidade de que alguns desses casos já sejam descartados. Tudo acontece de forma muito dinâmica e com bastante cuidado”, emendou. Além da análise feita pela equipe do Laboratório Central da Secretaria de Saúde, amostras também são encaminhadas para o Ministério da Saúde testar a contraprova a fim de obter a certeza do diagnóstico. Plano de Contingência Para enfrentar o coronavírus, o GDF montou o Plano de Contingência para a Epidemia da Doença e lançou um Centro de Operações de Emergência (COE). 

A composição do grupo foi publicada nesta sexta-feira (28/02/2020). O grupo intersetorial da Secretaria de Saúde passa a reunir integrantes de várias regionais da pasta, a fim de centralizar informações sobre casos suspeitos e confirmados do coronavírus no Distrito Federal. O novo comitê também será responsável por repassar informações certeiras sobre os pacientes ao Ministério da Saúde. Força-tarefa Além do Hran, considerado referência para atendimentos à população local, o Hospital de Base (HBDF) e o Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib) têm protocolo específico para o tratamento de casos notificados de coronavírus pela Secretaria de Saúde, a depender da vulnerabilidade do paciente.

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 28/02/2020 às 14h15

Enquanto cientistas e autoridades de saúde em todo o mundo correm para entender e combater um novo tipo de coronavírus, boatos e correntes nas redes sociais espalham a ideia de que haveria uma arma poderosa e ao alcance de todos na prevenção ao vírus, mesmo em locais sem infecções confirmadas como o Brasil. De acordo com artigos e vídeos divulgados nas redes sociais, trata-se da vitamina D — em forma de suplementos, injeção ou da simples exposição diária ao sol, a depender do boato. Segundo estes, ela contribuiria na prevenção ao coronavírus ao fortalecer o sistema imunológico (o sistema de defesa do corpo). 

É #FAKE que produtos importados da China podem conter coronavírus É #FAKE texto que manda beber água quente para evitar coronavírus Alguns destes boatos aos quais à BBC News Brasil teve acesso têm tom excessivamente alarmista, por vezes apocalíptico e com a ideia de que haveria informações sendo ocultadas da população. (Confira alguns de nossos textos e vídeos com dicas sobre como identificar notícias falsas).

Essas recomendações já foram refutadas pelo Ministério da Saúde, que afirmou: "Até o momento, não há nenhum medicamento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo novo coronavírus." Em linhas gerais, as recomendações do ministério em relação ao novo coronavírus seguem o que vem sendo divulgado internacionalmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS): lavar recorrentemente as mãos; usar lenço descartável na higiene nasal; cobrir nariz e boca ao espirrar e tossir; evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca; evitar contato próximo com pessoas com infecções respiratórias agudas ou que apresentem sintomas da doença; entre outros. 

A Sociedade Brasileira de Infectologia também publicou uma nota no último dia 7 sobre fake news referentes à vitamina D, afirmando que "jamais" a entidade publicou que "preconiza o reforço de imunidade como a única estratégia preventiva contra a infecção pelo coronavírus", tampouco a recomendação de "imunomodulação usando vitamina D em dose alta e injetável", conforme indicaram alguns boatos. Sede da OMS em Geneva, que recebeu conferência sobre pesquisas abordando o novo coronavírus; recomendações de prevenção da organização internacional focam em medidas de higiene. 

Hoje, a recomendação para uso de suplemento de vitamina D, em forma de comprimidos por exemplo, é feita apenas para grupos de risco de deficiência desta substância, e, mesmo assim, após exames, consultas e prescrição médica. 

A recomendação é motivada principalmente por aquele que é o papel mais conhecido e essencial da vitamina D: ela participa da absorção do cálcio pelo organismo, contribuindo assim para a saúde dos ossos. Estão incluídos nos grupos de risco para carência da vitamina D, segundo o mais recente posicionamento das sociedades brasileiras de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), idosos com mais de 60 anos; gestantes e lactantes; pessoas com osteoporose; pessoas com as chamadas doenças osteometabólicas, como raquitismo; entre outros. "Cientificamente, a gente não está autorizado a usar vitamina D fora da prevenção de doenças ósseas, de quedas de idosos e na população de risco. Se não tem evidência científica de que há benefícios (para o público em geral), não está autorizado", resumiu à BBC News Brasil José Antonio Miguel Marcondes, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Mas se, para alguns grupos, a ingestão de suplementos é recomendada, não se pode esquecer que a vitamina D também pode — e deve — chegar a todos através das vias "naturais": principalmente a partir da pele exposta ao sol e, em menor medida, através da alimentação. Mas a vitamina D fortalece o sistema imunológico? Mas, afinal, a vitamina D pode ajudar no fortalecimento do sistema imunológico — inclusive diante de doenças respiratórias virais, como o novo coronavírus? Pelos especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a ciência ainda não encontrou uma resposta clara a essa pergunta — e, por isso mesmo, não veem evidências para recomendar seu uso no reforço do sistema imunológico. Marcondes explica que, apesar do nome, a vitamina D é um hormônio. 

Ela se liga a receptores próprios para estes hormônios dentro das células — "como se fosse um interruptor: uma vez que há esta ligação (hormônio e receptor), dispara-se uma série de eventos", explica o endocrinologista. "Existem algumas células do sistema imunológico que têm receptor de vitamina D. Então, ela pode ter algum papel na defesa, mas qual papel é esse, se é significativo ou não, não há evidências suficientes. É um assunto bastante discutido." "A questão do coronavírus, pode ser que no futuro a gente venha a conhecer (um papel), mas no momento não tem dados para sugerir dose de vitamina D." Portanto, mais uma vez: não havendo comprovação científica de benefícios ou de dosagem segura (há efeitos colaterais com a ingestão excessiva de vitamina D, como náusea e cálculo renal), não há recomendação médica. Lúcia de Fátima Campos Pedrosa, nutricionista e professora titular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), explicou à BBC News Brasil que, além da saúde óssea e do sistema de defesa, pesquisadores vêm testando as fronteiras da vitamina D em várias outras áreas. A própria Pedrosa coordena há alguns anos um projeto de pesquisa que acompanha níveis de vitamina D em pacientes com síndrome metabólica. "A função clássica da vitamina D era relacionada ao metabolismo ósseo. 

Com a evolução das pesquisas, percebeu-se que sua atuação não está somente nisso: existem receptores em outros tecidos, no cérebro, músculos, nos adipócitos...", exemplifica. "Era como se nosso organismo, de modo geral, estivesse preparado para acatar essa vitamina D. E no nosso organismo, tudo tem uma explicação. Se eu tenho um receptor para vitamina D, é porque aquele tecido precisa desse nutriente", diz, apontando que há pesquisas investigando o papel da vitamina D na diabetes, doenças neurológicas, cardiovasculares, alguns tipos de câncer, entre outras condições. O problema é que, por motivos também ainda em estudo, a deficiência de vitamina D (ou hipovitaminose) é um problema no Brasil e no mundo — ainda mais em países de maior latitude e com invernos severos, pois há menos exposição ao sol. Mas isto não é mais apenas uma preocupação em países frios. Peixes gordurosos e derivados do leite estão entre as principais fontes de vitamina D na alimentação — mas as dietas modernas são pobres nela, alertam especialistas — Foto: Unsplash "Existe uma estimativa geral de 20 a 59% (da população com deficiência de vitamina D) na América do Sul. Já fizemos em Natal (RN) pesquisa com idosos em instituições de longa permanência, o valor foi perto de 70%; com adolescentes, 45%. Já houve percentuais altos detectados também em São Paulo e outras partes do Nordeste", aponta a pesquisadora da UFRN. "De 80 a 90% da fonte de vitamina D que a gente tem circulante vem da exposição solar. 

A vitamina D é um hormônio préssintetizado na pele que precisa do estímulo, liberando uma enzima que é catalisada pela radiação UV", explica. "Mas o estilo de vida mudou muito: já saímos de casa com filtro solar; passamos o dia em ambientes fechados; e a alimentação, de maneira geral, é deficiente. Na minha experiência (com diferentes grupos), a deficiência de vitamina D na dieta é altíssima." No entanto, a exposição ao sol coloca uma encruzilhada: ela precisa chegar diretamente à pele, sem protetor solar ou camisas feitas para bloquear raios ultravioleta B. Como fazer isso sem desproteger a pele demais? "O que deve ser feito tanto em crianças quanto adultos é ir ao sol nos horários adequados (costuma-se recomendar de 10h-16h); deixar o corpo exposto ao sol por mais ou menos 20 minutos (por dia); e após esse período, aplica-se o protetor. Mas no primeiro momento, é importante dar a oportunidade para a síntese de vitamina D", sugere a nutróloga Nívea Bordin, da clínica Leger, em São Paulo. De qualquer forma, aí vai mais um ponto em que não há consenso científico: o tempo de exposição ao sol recomendado, já que podem influenciar fatores como a pigmentação da pele e a quantidade de gordura no corpo. 

Já na dieta, Bordin explica que as principais fontes da vitamina D são os peixes gordurosos (arenque, cavala, salmão, atum, etc); leites e derivados; e ovos. "A maioria das dietas modernas são pobres em vitamina D, e poucos são os países que possuem programas de fortificação com essa vitamina (o Brasil não tem, por exemplo, como faz por outro lado com o iodo no sal). Nos Estados Unidos, há óleo de fígado de bacalhau, ovo, leite, suco de laranja, cereais matinais fortificados."