Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 27/08/2021 às 13h50

A apresentação do comprovante de vacinação contra a Covid-19 para a entrada em estabelecimentos comerciais como bares, restaurantes e shoppings foi adiada pela Prefeitura de São Paulo e ainda não tem data para começar a valer. Segundo previsão anterior, o aplicativo com leitura de QR Code, batizado de "passaport6e da vacina", seria lançado nesta sexta-feira (27). O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou, no entanto, que ainda aguarda dados da Secretaria Estadual de Saúde para que o sistema comece a operar. “Gostaria de estar apresentando isso hoje, mas ainda nos falta a secretaria do estado liberar os dados para a gente inserir. Se eles não liberarem, eu vou apresentar de qualquer jeito amanhã [sábado], domingo, ou no máximo segunda-feira”, disse o prefeito em coletiva de imprensa nesta manhã. “Gostaria de estar apresentando isso hoje, mas ainda nos falta a secretaria do estado liberar os dados para a gente inserir. Se eles não liberarem, eu vou apresentar de qualquer jeito amanhã [sábado], domingo, ou no máximo segunda-feira”, disse o prefeito em coletiva de imprensa nesta manhã. Além do lançamento do aplicativo, também era prevista para essa semana a regulamentação da medida com esclarecimento das regras que deverão ser seguidas pelos comerciantes. Nesta sexta, a cidade do Rio de Janeiro também anunciou que cariocas e turistas terão de comprovar que se vacinaram para poder entrar em locais de uso coletivo na cidade a partir de 1º de setembro. Definição das regras Na segunda-feira (23), Nunes anunciou que o comprovante seria obrigatório na cidade, o que gerou reação negativa do setor. Pouco depois, no mesmo dia, o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, afirmou que o passaporte seria opcional em bares, restaurantes e shoppings. Aparecido fez a ressalva de que apenas restaurantes com eventos e teatros de shoppings, por exemplo, teriam obrigatoriedade na exigência comprovante. Não ficou claro, portanto, as regras exatas que deveriam ser seguidas. Segundo a gestão municipal, a Vigilância Sanitária municipal faria a publicação da norma para regulamentar o assunto entre quinta (25) e sexta-feira (27). Nunes também afirmou que uma multa será aplicada em caso de descumprimento da medida, mas o valor não foi informado. "O conceito principal é que os estabelecimentos só vão poder aceitar pessoas que estejam com vacina [contra a Covid-19]. Esse é o passaporte. Se o estabelecimento estiver com pessoas sem vacina, e isso for observado pela Vigilância Sanitária, ele sofrerá multa.", disse o prefeito na segunda-feira. "O conceito principal é que os estabelecimentos só vão poder aceitar pessoas que estejam com vacina [contra a Covid-19]. Esse é o passaporte. Se o estabelecimento estiver com pessoas sem vacina, e isso for observado pela Vigilância Sanitária, ele sofrerá multa.", disse o prefeito na segunda-feira. Desde a última terça-feira (17), o estado extinguiu as regras da quarentena e não há mais restrições de público nem de horário de funcionamento para o comércio e serviços. Apenas o uso da máscara continua obrigatório e há recomendação para que aglomerações sejam evitadas. No último final de semana, houve registro de aglomeração de pessoas sem máscaras e bares lotados na capital. Associações apontam falta de diálogo Ao G1, a Associação Nacional de Restaurantes (ANR) afirmou na segunda-feira que vê com preocupação a decisão de exigência do passaporte. A entidade, que representa grandes redes alimentícias, disse ainda não houve diálogo com o setor antes da proposição da medida. "A ANR entende que qualquer decisão que venha a impactar o setor deve ser precedida de diálogo com as autoridades. Bares e restaurantes enfrentaram e ainda enfrentam a pior crise de sua história em decorrência da pandemia. E em um momento de recuperação, vemos com muita preocupação exigir de consumidores atestados de vacina", diz o texto. "A ANR entende que qualquer decisão que venha a impactar o setor deve ser precedida de diálogo com as autoridades. Bares e restaurantes enfrentaram e ainda enfrentam a pior crise de sua história em decorrência da pandemia. E em um momento de recuperação, vemos com muita preocupação exigir de consumidores atestados de vacina", diz o texto. O comunicado diz ainda que a associação é a favor da vacinação e do uso de máscaras, além de medidas para evitar que o vírus se propague, mas que "exigir certificados de vacinação pode fazer sentido em países onde poucos têm se vacinado, mas esse não é o caso do Brasil". A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em São Paulo afirma que a exigência pode ser um incentivo à vacinação, mas ressalva que o aplicativo pode ser um obstáculo para os clientes. "Sendo um incentivo à vacinação, o setor vê como apoio. A única ressalva e preocupação que o setor tem é com a funcionalidade desse aplicativo para que não seja um impeditivo ou obstáculo para frequência dos seus usuários, clientes, e também dos próprios estabelecimentos preocupados com o manuseio e a utilização desse aplicativo", afirmou o diretor Rodrigo Goulart. A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) disse que está em "desacordo com a medida proposta pela Prefeitura de São Paulo de exigir o passaporte de vacinação em teatros de shoppings, conforme anunciado pelo secretário." "Para a entidade, a medida é considerada extemporânea, pois impõe severos custos e dificulta o acesso a um setor fortemente impactado pela Covid-19 e que já dispõe de rigorosos protocolos sanitários de operação elaborados pela consultoria do Hospital Sírio Libanês", disse por meio de nota. Quarentena A quarentena contra o coronavírus foi encerrada no estado de São Paulo pelo governador João Doria (PSDB) no dia 17 de agosto, antes que a maioria da população esteja imunizada com as duas doses da vacina contra a Covid-19 e com indicadores da pandemia melhores, mas ainda fora de controle. Além disso, há a preocupação com o avanço da variante delta do coronavírus no país. Bares, restaurantes, academias e cinemas não têm mais restrição de horário ou quantidade de público para operar. As exceções são os shows, que estão permitidos, desde que com público sentado, e eventos esportivos com público, que continuam proibidos. A utilização de máscara segue obrigatória. O governador havia afirmado que shows com público em pé, torcidas em estádios e pistas de danças continuariam proibidos até 1º de novembro. Mas voltou atrás ao anunciar que o jogo entre Brasil e Argentina, no dia 5 de setembro, terá liberação para 12 mil pessoas como "evento-teste".

REVISTA VEJA SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 27/08/2021 às 03h00

Ainda não são conhecidas todas as consequências que a infecção por Covid-19 causa no corpo, mas os médicos entendem que, depois que o coronavírus penetra no organismo, acontece urna “tempestade inflamatória”: artérias inflamadas se contraem e se tornam menos eficientes no papel de levar oxigênio e sangue para órgãos e nervos, que passam a não funcionar corretamente. “Nervos lesionados não funcionam bem porque é como se fossem fios desencapados, É por isso que muitos perdem olfato e paladar”, exemplifica João Vicente da Silveira, cardiologista do Hospital Sírio-Libanês. Além disso, a Covid-19 tem a propensão de afetar o sistema respiratório (formado, entre outros órgãos, por pulmão, laringe, faringe e traqueia), o coração, os rins e o cérebro. As consequências no longo prazo -— chamadas de Covid longa ou síndrome pós-Covid — mais comuns estão relacionadas aos órgãos citados: dores de cabeça, dificuldade de atenção, lapsos de memória, ansiedade, depressão, queda de cabelo, pneumonias, arrit- mias cardíacas, miocardites, hepatites, tromboses. A lista é longa e as mulheres são as mais acometidas. “Pessoas com comorbidades respiratórias, como asma, podem ficar com a manifestação da doença mais exacerbada. É catastrófico”, diz Silveira, que também auxilia pacientes que já tiveram Covid-19 no tratamento das sequelas. O médico enfatiza que a doença ainda é nova e por causa disso é impossível dizer se a maioria dos pacientes desenvolve as sequelas e quanto tempo elas duram. Após a infecção e a fase de quarentena, antes de voltar à rotina, recomenda-se que a pessoa passe por uma avaliação clínica e faça exames para descobrir se não está com sequelas. De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, qualquer pessoa que apresente sintomas da síndrome pós-Covid tem direito à reabilitação e a acompanhamento médico pela rede pública de saúde desde o início da pandemia. O atendimento em caso de sequelas leves é feito pelas UBSs. Para sintomas moderados e graves, a assis- Tratamento tecnológico: paciente usa exoesqueleto robótico para andar na Rede de Reabilitação Lucy Montoro 32 Veja São Paulo Io de setembro, 2021 lência ocorre nos Centros Especializados em Reabilitação (CER) e Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Equipes multiprofissionais, compostas de fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, psicólogo, nutricionista e educador físico, estão disponíveis para ambos os casos. “Os paciemes mais graves saem do hospital com enorme perda muscular”, afirma Linamara Battistella, médica fisiatra e idealizadora da Rede de Reabilitação Lucy Montoro, do Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP). Há cinco unidades da rede que oferecem tratamento para Covid longa na capital, com equipamentos de ponta que integram estímulos físicos, cognitivos e sensoriais por meio de realidade virtual, robôs e exoesqueletos (veja a foto ao lado). “A pós-Covid pode ser tão grave quanto a doença em si”, afirma Raquel Trevisi, fundadora do projeto de reabilitação on-line Com Vida|(@projeto.com.vida). A atleta de crossfit passou por duas intubações, teve complicações como tromboses, perdeu 25 quilos e saiu da internação com quadro de tetraplegia temporária após adquirir a doença. Depois de reaprender a andar e fazer tarefas básicas com uma equipe mukidisciplinar, decidiu criar a instituição em outubro do ano passa“A pós-Covid pode sertão grave quanto a doença em si” Raquel Trevisi do, hoje com 200 voluntários ativos, para ajudar quem não tem acesso aos tratamentos. O cadastro para atendimento é feito por meio do site[projeto-) comvida.com.br e engloba ajuda emocional e psicológica. Recentemente os atores Luciano Szafir, que foi internado com Covid-19 em junho e ainda luta contra as sequelas, e Helena Fernandes apadrinharam o projeto em suas redes sociais. Para descongestionar a rede pública de saúde, universidades particulares também criaram programas de reabilitação orientados por alunos. A PUC-SP está com inscrições abertas até setembro para a segunda edição do Programa de Fisioterapia Respiratória. Tem duração de um mês, com três sessões por semana. O formulário está disponível em j.pucsp.br7)Clínicas de fisioterapia da Unip espalhadas pelo estado oferecem reabilitação presencial para quem não apresenta sintomas há um mês. O atendimento gratuito (exceção feita à Clínica Pompeia, com valor simbólico de 20 reais) é agendado pelo telefone da unidade disponível no site da universidade. A Promove — São Camilo, no Ipiranga, também oferece o serviço, incluindo exames laboratoriais e de imagens. O contato é feito pelo número [3206-96001 e o tratamento tem início no departamento de pneumologia, posteriormente encaminhado para outros setores.

O GLOBO/RIO DE JANEIRO | Geral
Data Veiculação: 27/08/2021 às 03h00

Grande homenageada na cerimônia da 18 a edição do Faz Diferença como Personalidade de 2020, Margareth Dalcolmo dedicou a premiação a todos os profissionais de saúde do país e à ciência brasileira. Incansável em suas múltiplas tarefas envolvendo o combate à pandemia da Covid-19, a médica pneumologista e pesquisadora da Fiocruz foi aplaudidíssima pelos convidados da cerimônia do prêmio, realizada anteontem na Casa Firjan, no Rio de Janeiro. O evento seguiu protocolos de segurança estabelecidos pela área de consultoria do Hospital Sírio-Libanês e foi transmitido ao vivo pela internet. —Esse reconhecimento não é meu. E do protagonismo anônimo de milhares de profissionais de saúde que jamais deixaram seus plantões, jamais deixaram de atender milhares pacientes. E a eles que dedico o prêmio e às quase 600 mil pessoas brasileiras, muitas que não precisariam ter morrido —disse Dalcolmo. Como em todos os anos anteriores, a premiação, uma iniciativa do GLOBO em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), foi apresentada pelos colunistas Míriam Leitão e Ancelmo Gois. A diferença foi no número de convidados na cerimônia: apenas 30, todos testados, usando máscara e mantendo o distanciamento. Em paralelo, milhares de internautas assistiram à transmissão no site e nas redes sociais do GLOBO. Foram premiados os destaques do ano de 2020 em 15 categorias, escolhidos por votação de jornalistas, premiados do ano anterior e leitores. Em sua fala inicial, os apresentadores ressaltaram o período marcado pela Covid-19, momento que acabou se refletindo na escolha de muitos dos premiados. —Saúde para todo mundo e a nossa solidariedade a quem está enlutado nestes tempos tão difíceis que estamos vivendo —ressaltou Míriam. Ancelmo complementou: — Foi um ano de quem soube se reinventar, superar a dor, ajudar o próximo. Um ano daquelas pessoas que, no meio da pandemia, conseguiram dar o melhor de si. A cerimônia foi aberta por discursos do diretor de Redação do GLOBO, Alan Gripp, acompanhado pelo primeiro vice-presidente da Firjan, Luís Césio Caetano. Gripp destacou os desafios ainda maiores enfrentados por todos diante da pandemia: — Nossos desafios e os desafios do mundo se multiplicaram. No GLOBO, trabalhando remotamente, tivemos que nos defender do negacionismo, reafirmar a importância da democracia e utar pela verdade. São bandeiras que nunca vamos abandonar e que estão refletidas nos trabalhos dos premiados desta noite. O que passamos juntos neste ú timo ano tem sido um aprendizado para a redação do GLOBO, é um aprendizado até hoje. Mas temos convicções das nossas escolhas. Já Césio Caetano citou Betinho e sua “parábola do beija-flor”: —O nosso querido e saudoso Herbert de Souza, o Betinho, gostava de contar a parábola do beija-flor, enchendo o papo de água e jogando no incêndio da floresta. Perguntado sobre por que fazia isso, já que não conseguia apagar as chamas, respondeu: “Estou fazendo a minha parte”. O prêmio, mais do que nunca, ALEXANDRE CASSIAN0 “Quando alguém me para porque me reconheceu, é uma demonstração não só de afeto, mas de confiança, de que existe uma ciência brasileira. Isso não tem preço” Margareth Dalcolmo, pneumologista nossos desafios se multiplicaram. No GLOBO, trabalhando remotamente, tivemos que nos defender do negacionismo, reafirmar a importância da democracia e lutar pela verdade” Alan Gripp, diretor de Redação do GLOBO diante da tragédia que se abateu sobre o mundo, mostra o exemplo de muitos beija-flores que com suas ações dignificam a condição humana. VERSO DE JORGE DE LIMA Colunista do GLOBO desde 2020 e entrevistada recorrente em programas jornalísticos de TV, Margareth Dalcolmo foi o principal nome da cerimônia. Ela se tornou referência no entendimento da doença e suas implicações, sejam no corpo humano ou na dinâmica da vida em sociedade. — Quando alguém me para porque me reconheceu, é uma demonstração não só de afeto, mas de confiança, de que existe uma ciência brasileira, uma ciência nacional. Isso para mim não tem preço —destacou. Dalcolmo lembrou que a pandemia ainda não acabou, e que o Brasil deve estar atento às novas variantes do vírus, como a Delta. Ela finalizou com uma mensagem para tempos melhores. — Como sempre gostei de declamar, de poesia, vamos manter um gesto de esperança num verso de que gosto muito, de Jorge de Lima: “Há sempre um copo de mar para um homem navegar” — citou a cientista, que está organizando um livro sobre o período da pandemia. Além da rotina clínica como médica e de suas pesquisas, ela integrou grupos de especialistas que deram suporte ao ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e ao governo do Estado do Rio de Janeiro. Com a dissolução dos grupos de aconselhamento governamental, Dalcolmo intensificou sua colaboração com a imprensa para levar informação ao público sobre a importância de medidas como o distanciamento social, o uso de máscaras e a busca pela vacina. Em paralelo, seguiu clinicando, atendendo até dez pacientes por dia. Homenageada da noite. A pneumologista Margareth Dalcolmo dedicou o troféu aos profissionais da saúde eà ciência brasileira.

VEJA SÃO PAULO.COM.BR/SÃO PAULO
Data Veiculação: 27/08/2021 às 06h00

Ainda não são conhecidas todas as consequências que a infecção por Covid-19 causa no corpo, mas os médicos entendem que, depois que o coronavírus penetra no organismo, acontece uma “tempestade inflamatória”: artérias inflamadas se contraem e se tornam menos eficientes no papel de levar oxigênio e sangue para órgãos e nervos, que passam a não funcionar corretamente. “Nervos lesionados não funcionam bem porque é como se fossem fios desencapados. É por isso que muitos perdem olfato e paladar”, exemplifica João Vicente da Silveira, cardiologista do Hospital Sírio-Libanês. Além disso, a Covid-19 tem a propensão de afetar o sistema respiratório (formado, entre outros órgãos, por pulmão, laringe, faringe e traqueia), o coração, os rins e o cérebro. As consequências no longo prazo — chamadas de Covid longa ou síndrome pós-Covid — mais comuns estão relacionadas aos órgãos citados: dores de cabeça, dificuldade de atenção, lapsos de memória, ansiedade, depressão, queda de cabelo, pneumonias, arritmias cardíacas, miocardites, hepatites, tromboses. A lista é longa e as mulheres são as mais acometidas. “Pessoas com comorbidades respiratórias, como asma, podem ficar com a manifestação da doença mais exacerbada. É catastrófico”, diz Silveira, que também auxilia pacientes que já tiveram Covid-19 no tratamento das sequelas. O médico enfatiza que a doença ainda é nova e por causa disso é impossível dizer se a maioria dos pacientes desenvolve as sequelas e quanto tempo elas duram. Após a infecção e a fase de quarentena, antes de voltar à rotina, recomenda-se que a pessoa passe por uma avaliação clínica e faça exames para descobrir se não está com sequelas. De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, qualquer pessoa que apresente sintomas da síndrome pós-Covid tem direito à reabilitação e a acompanhamento médico pela rede pública de saúde desde o início da pandemia. O atendimento em caso de sequelas leves é feito pelas UBSs. Para sintomas moderados e graves, a assistência ocorre nos Centros Especializados em Reabilitação (CER) e Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Equipes multiprofissionais, compostas de fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, psicólogo, nutricionista e educador físico, estão disponíveis para ambos os casos. “Os pacientes mais graves saem do hospital com enorme perda muscular”, afirma Linamara Battistella, médica fisiatra e idealizadora da Rede de Reabilitação Lucy Montoro, do Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP). Há cinco unidades da rede que oferecem tratamento para Covid10 longa na capital, com equipamentos de ponta que integram estímulos físicos, cognitivos e sensoriais por meio de realidade virtual, robôs e exoesqueletos (veja a foto acima). “A pós-Covid pode ser tão grave quanto a doença em si”, afirma Raquel Trevisi, fundadora do projeto de reabilitação on-line Com Vida (@projeto.com.vida). A atleta de crossfit passou por duas intubações, teve complicações como tromboses, perdeu 25 quilos e saiu da internação com quadro de tetraplegia temporária após adquirir a doença. Depois de reaprender a andar e fazer tarefas básicas com uma equipe multidisciplinar, decidiu criar a instituição em outubro do ano passado, hoje com 200 voluntários ativos, para ajudar quem não tem acesso aos tratamentos. O cadastro para atendimento é feito por meio do site projetocomvida.com.br e engloba ajuda emocional e psicológica. Recentemente os atores Luciano Szafir, que foi internado com Covid-19 em junho e ainda luta contra as sequelas, e Helena Fernandes apadrinharam o projeto em suas redes sociais. Para descongestionar a rede pública de saúde, universidades particulares também criaram programas de reabilitação orientados por alunos. A PUC-SP está com inscrições abertas até setembro para a segunda edição do Programa de Fisioterapia Respiratória. Tem duração de um mês, com três sessões por semana. O formulário está disponível em j.pucsp.br. Clínicas de fisioterapia da Unip espalhadas pelo estado oferecem reabilitação presencial para quem não apresenta sintomas há um mês. O atendimento gratuito (exceção feita à Clínica Pompeia, com valor simbólico de 20 reais) é agendado pelo telefone da unidade disponível no site da universidade. A Promove — São Camilo, no Ipiranga, também oferece o serviço, incluindo exames laboratoriais e de imagens. O contato é feito pelo número 3206-9600 e o tratamento tem início no departamento de pneumologia, posteriormente encaminhado para outros setores.